segunda-feira, 7 de abril de 2014

Sabesp admite não ter solução para a escassez d'água

SABESP já admite não ter solução para a escassez de água em 2014

Com o reservatório da Cantareira quase seco, agora a Sabesp começa a fazer transferência de água de outro complexo.
SABESP admite que não ter solução para a falta de água
Depois do Sistema Cantareira quase seco, agora é o Alto Tietê que tem redução do volume.
A Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) já admite que não tem solução este ano para o problema da falta de água na Região Metropolitana de São Paulo, inclusive o ABCD. 
O coordenador do Programa de Mananciais da empresa, Ricardo Araújo, declarou em 03/04/14 que “do ponto de vista de curto prazo, para 2014, não há solução. Temos que tentar manter o abastecimento dentro das restrições”.
Com o reservatório da Cantareira quase seco (nesta quinta-feira atingiu 13,3% da capacidade de armazenamento de água), agora a Sabesp começa a fazer transferência de água de outro complexo, o Alto Tietê, juntamente com a represa Guarapiranga. O Alto Tietê já perdeu quase 23% de sua capacidade desde agosto do ano passado.
Diante disso, somente o racionamento de água seria, a partir de agora, suficiente para evitar uma crise generalizada de desabastecimento no Estado de São Paulo. As recentes medidas adotadas pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), que resolveu transferir água de outros complexos do sistema de abastecimento da Sabesp, afetam diretamente o ABCD. Isso porque a transferência está secando o sistema Alto Tietê, que abastece Santo André e Mauá. O Cantareira, quase seco, alimenta, além de Santo André, a cidade de São Caetano.
De acordo com a ANA (Agência Nacional de Águas), a saída é o racionamento. “Temos que atuar com cenários restritivos, e a população é mais compreensiva do que os políticos imaginam”, afirmou o diretor-presidente da entidade, Vicente Andreu Guillo.
Em resumo, com a transferência de água do Alto Tietê e também do Sistema Guarapiranga para o Cantareira, a Sabesp pretende adiar um possível racionamento diante do período de estiagem que se aproxima. Neste ano, Alckmin buscará a reeleição ao governo de São Paulo.
No ABCD, algumas cidades já se preparam para evitar desabastecimento. É o caso de Santo André, onde o Semasa resolveu conceder, já em fevereiro, desconto de 30% nas tarifas de água e esgoto para moradores que reduzirem em 20% o seu consumo de água. No entanto, desde o final do ano passado tem recebido menos água da Sabesp em horários de pico.
A cidade também conta com o fornecimento de água dos sistemas Rio Grande e Rio Claro, que ainda abastece Diadema e São Bernardo. Os dois complexos contam com níveis superiores a 95% de sua capacidade.
Outro lado
Em nota, a Sabesp afirma que o Alto Tietê continuará abastecendo o Cantareira “até que o Sistema se recupere”. Além disso, explica que tem tomado medidas para atenuar a “maior crise hídrica dos últimos 84 anos”, como a “concessão do bônus por economia” de consumo, “campanhas de conscientização”, além do aproveitamento do chamado “volume morto” da Cantareira que, de acordo com a Sabesp, será “finalizado em maio”.
Caixa preta: Sabesp ignora questionamentos
Apesar de já proposto por especialistas e entidades, o racionamento de água para evitar o desabastecimento está longe dos planos da Sabesp e do governador Geraldo Alckmin (PSDB). Para se ter um ideia de como o racionamento é visto com “maus olhos” em ano de eleição, a companhia estatal resolveu atrasar o cronograma de obras pelo estado, a fim de economizar para investir em ações que pretendem garantir o abastecimento. Serão R$ 700 milhões a menos neste ano em investimentos. Mas o problema maior é saber onde a Sabesp pretende realizar os “cortes”. Isso ainda é segredo. 
Soma-se a isso outro mistério: quanto os cofres públicos deixaram de arrecadar com os descontos propostos nas contas de água, agora estendidos a todas as 31 cidades da Região Metropolitana de São Paulo. A companhia foi questionada pelo ABCD MAIOR, mas desconversou.
Em nota, afirma: “A Sabesp irá alongar alguns cronogramas de obras de modo a priorizar todas as ações para garantir o abastecimento de água durante o período da escassez hídrica. O planejamento de investimento deve ser analisado no médio/longo prazo, sendo perfeitamente possível ajustar o patamar e rota de investimentos nos anos seguintes”.
Sobre o impacto aos cofres públicos, apenas diz que “ainda avalia os impactos” e que a prioridade, neste momento, é garantir a segurança no fornecimento de água. (sosriosdobrasil)

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