Inventários nacionais de emissões de gases de efeito estufa devem ser revistos
Pesquisador do Inpa diz que
inventários nacionais de emissões de gases de efeito estufa devem ser revistos
Barragens na Amazônia
“A existência de incertezas tem sido
usada repetidamente como justificativa para não levar as emissões de
hidrelétricas em conta”, diz o pesquisador do Inpa, Philip Fearnside.
O Painel Intergovernamental sobre
Mudanças Climáticas (IPCC) da Organização das Nações Unidas (ONU) deve rever as
orientações para inventários nacionais de emissões de gases de efeito estufa
para que o nível exigido de relatórios sobre barragens reflita toda a extensão
das emissões desses gases. A afirmação é do pesquisador do Instituto Nacional
de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), Philip Fearnside, que vai mais além ao
reforçar que o IPCC deve proceder um exame minucioso sobre o assunto,
independente, da indústria de energia hidrelétrica.
Em artigo publicado recentemente na
revista Environmental Science
& Policy, Fearnside critica a maneira em que as emissões de
hidrelétricas tropicais são tratadas em inventários nacionais de gases de
efeito estufa, no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do
Clima (UNFCCC), dando-lhes um papel em minar a eficácia de limites, ainda não
decididos, sobre emissões.
Para o pesquisador, que estuda
problemas ambientais na Amazônia brasileira desde 1974, e é um severo crítico
das políticas públicas no que se refere ao assunto, as emissões de
hidrelétricas são também, em grande parte, deixadas fora do Relatório Especial
sobre Fontes Renováveis de Energia e Mitigação das Mudanças Climáticas do IPCC.
De acordo com o pesquisador, as
emissões de hidrelétricas foram excluídas de uma revisão das orientações do
IPCC sobre zonas úmidas e que o papel das hidrelétricas em inventários de
emissões e na mitigação tem sido sistematicamente ignorado. “A ideia de que
emissões hidrelétricas declinam inexoravelmente até zero é enganosa”, critica
Fearnside.
Os gases de efeito estufa são aqueles
considerados responsáveis pelo aquecimento global. De acordo com o Protocolo de
Quioto, esses gases são: Dióxido de carbono (CO2), Metano (CH4),
Óxido nitroso (N2O), Hidrofluorcabonos (HFCs), Perfluorcarbonos
(PFCs) e Hexafluoreto de enxofre (SF6).
O pesquisador Philip Fearnside, que
desde 1992 vem promovendo a captação do valor dos serviços ambientais da
floresta amazônica como forma de desenvolvimento sustentável para as populações
rurais na região, afirma que as barragens da Amazônia produzem gases de efeito
estufa, especialmente, durante seus primeiros dez anos de operação.
Segundo ele, os números publicados
para emissões de hidrelétricas variam muito, mas a maior parte desta variação
pode ser explicada por diferenças conhecidas entre as barragens em questão, por
omissões conhecidas e por problemas na metodologia de medição, particularmente
para os valores baixos.
“A existência de incertezas tem sido
usada repetidamente como justificativa para não levar as emissões de
hidrelétricas em conta”, diz o pesquisador, citando como exemplo desta prática
o conjunto de diretrizes do IPCC para os inventários nacionais, que optou por
não fornecer valores padrão para as grandes fontes de emissões de hidrelétricas
através de desgaseificação nas turbinas, de ebulição da superfície do
reservatório e de ebulição e difusão no rio a jusante (após) da barragem.
O pesquisador comenta que os planos
para expansão das hidrelétricas no Brasil concentram-se em regiões tropicais
como a Amazônia, onde barragens emitem quantidades muito maiores de gases de
efeito estufa do que em locais temperados e boreais. O Plano Decenal de
Expansão de Energia do país para 2013-2022 prevê 18 “grandes” barragens até
2022 na região da Amazônia Legal. Fearnside explica que, no Brasil, “grandes”
barragens são aquelas com mais de 30 megawatts de potência instalada.
(ecodebate)
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