Principais destaques do
envelhecimento no Sul:
Rio Grande do Sul é o estado
mais velho do país, com a maior proporção de idosos (14,1% com 65 anos ou mais)
e menor percentual de crianças.
A região Sul apresenta a
segunda maior concentração de idosos (60+), com 17,3%, ficando atrás apenas do
Sudeste, segundo dados recentes.
O envelhecimento populacional
no Sul é rápido, com o número de idosos superando o de jovens em municípios
como Porto Alegre.
O fenômeno, evidenciado pelo Censo 2022, representa um desafio para a previdência e sistema de saúde, mas também abre espaço para o desenvolvimento da economia prateada.
O envelhecimento populacional da região Sul não deve ser visto apenas como um problema, mas como um novo estágio do desenvolvimento
O Brasil está passando por
uma rápida e profunda mudança da sua estrutura etária. No século XXI, pela
primeira vez na história, haverá mais idosos (60 anos e +) do que crianças e
adolescentes (0-14 anos). O envelhecimento populacional será a principal
tendência demográfica dos anos 2000. Mas o ritmo de avanço tem sido diferenciado
para as Grandes Regiões do país.
O gráfico abaixo, com dados
dos Censos Demográficos de 1970 a 2022, do IBGE, mostra o Índice de
Envelhecimento (IE) para o Brasil e as Grandes Regiões. O Brasil tinha um IE de
12 idosos de 60 anos e mais para cada 100 crianças e adolescentes de 0-14 anos,
passando para 16 idosos para cada 100 jovens em 1980, para 29 em 2000, 45 em
2010 e 80 idosos 60+ para cada 100 jovens de 0-14 anos em 2022.
As regiões Sul e Sudeste possuem IE acima da média nacional e as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste possuem IE abaixo da média nacional. A região Norte apresenta a estrutura etária mais jovem, com um IE que passou de 8 idosos para cada 100 jovens em 1970 para 41 idosos para cada 100 jovens em 2022. A região Sudeste tem o maior Índice de Envelhecimento, passando de 15 idosos por 100 jovens em 1970 para 98 idosos de 60+ por 100 jovens de 0-14 anos em 2022. Portanto, até 2022, havia mais jovens do que idosos em todas as regiões, embora haja quase um empate na região Sudeste.
O gráfico abaixo, com dados dos censos demográficos do IBGE, mostra a evolução das percentagens de alguns grupos etários selecionados entre 1970 e 2022. O grupo etário de jovens 0-14 anos era de 42% da população brasileira em 1970 e caiu para menos da metade (19,8%) em 2022. O grupo etário de 15-59, que corresponde grosso modo à população em idade economicamente ativa, subiu de 52,7% em 1970 para 65,1% em 2010, significando que a janela de oportunidade demográfica estava se abrindo.
Porém, o
percentual de pessoas entre 15-59 anos diminuiu para 64,4% em 2022,
significando que a janela de oportunidade começou a se fechar. Não é o fim
absoluto do 1º bônus demográfico, mas significa que o Brasil precisa investir
nas outras janelas de oportunidade, ou seja, no 2º bônus (da produtividade) e o
3º bônus (da longevidade).
A população 50+ era de 10,7% em 1970, ultrapassou os jovens de 0-14 anos por volta de 2012 e chegou a 27,7% em 2022. A população 60+ era de 5,1% em 1970 e chegou a 15,8% em 2022, se aproximando do percentual da população jovem. A população 70+ era de 1,8% em 1970 e chegou a 7% da população total do Brasil em 2022.
O gráfico abaixo, com dados da região Sul, permite comparar com a média nacional do gráfico anterior. A proporção de jovens de 0-14 anos no Sul é menor do que a proporção brasileira. Era de 42,7% da população da região Sul em 1970 e caiu para 18,5% em 2022. O grupo etário de 15-59, que corresponde grosso modo à população em idade economicamente ativa, subiu de 52,5% em 1970 para 66,1% em 2010, proporção maior do que a média nacional e também significando que a janela de oportunidade demográfica estava se abrindo.
Porém,
o percentual de pessoas 15-59 anos no Sul diminuiu para 63,9% em 2022,
significando que a janela de oportunidade começou a se fechar. Não é o fim
absoluto do 1º bônus demográfico, mas significa que a região precisa investir
nas outras janelas de oportunidade, ou seja, no 2º bônus (da produtividade) e o
3º bônus (da longevidade).
A população dos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul de 50+ era de 10,2% em 1970, ultrapassou os jovens de 0-14 anos em 2010 e chegou a 30,4% em 2022. A população 60+ era de 4,7% em 1970 e chegou a 17,6% em 2022, se aproximando do percentual da população jovem. A população do Sul de 70+ era de 1,6% em 1970 e chegou a 7,7% da população em 2022.
A região Sul do Brasil encontra-se em uma fase avançada da transição demográfica, com a segunda estrutura etária mais envelhecida do país e redução da população em idade ativa. Diferentemente de outras regiões, esse envelhecimento ocorre em um contexto de diversificação produtiva, elevada urbanização e bons indicadores sociais, o que confere ao Sul uma posição relativamente mais favorável para enfrentar essa nova etapa demográfica. Ainda assim, os desafios são relevantes — e as oportunidades, estratégicas.
Os
principais desafios são:
Escassez
relativa de força de trabalho. A diminuição da população em idade ativa tende a
gerar dificuldades de reposição de mão de obra, especialmente em setores
industriais, agroindustriais e de serviços intensivos em trabalho.
Pressão
sobre sistemas previdenciários e de saúde. O envelhecimento rápido amplia a
demanda por aposentadorias, cuidados de saúde, serviços de longa duração e
políticas de cuidado, elevando os custos fiscais e sociais.
Risco
de baixo dinamismo econômico. Sem ganhos expressivos de produtividade, a
combinação de envelhecimento e redução da força de trabalho pode resultar em
crescimento econômico mais lento.
Desigualdades
intrarregionais. O envelhecimento não ocorre de forma homogênea: áreas rurais,
pequenos municípios e regiões de emigração juvenil tendem a envelhecer mais
rapidamente, com risco de esvaziamento populacional.
Adequação urbana e habitacional. Cidades e moradias nem sempre estão preparadas para uma população mais idosa, exigindo adaptações em mobilidade, acessibilidade e serviços públicos.
A expectativa de vida ao nascer, que estava em 71,1 anos, em 2000, chegará a 83,9 anos em 2070.
Um
Brasil de cara nova, mas com estrutura etária mais envelhecida
As
principais oportunidades são:
Elevação
da produtividade do trabalho. Com menor oferta de mão de obra, cresce o
incentivo à automação, à digitalização e à qualificação profissional, fortalecendo
setores industriais e de serviços de maior valor agregado.
Expansão
da economia prateada. O aumento da população idosa cria mercados dinâmicos em
saúde, cuidados, turismo, lazer, tecnologia assistiva, habitação adaptada e
serviços financeiros.
Prolongamento
da vida laboral. Os bons indicadores educacionais e de saúde permitem ampliar a
permanência dos idosos no mercado de trabalho, em arranjos mais flexíveis e
compatíveis com o envelhecimento ativo, aumentando o nível de escolaridade da
população ativa.
Atração
seletiva de migrantes. O Sul pode se tornar polo de atração para migrantes
internos e internacionais, compensando parcialmente a perda da população em
idade ativa e renovando o tecido produtivo.
Vantagem
institucional e social. A região já dispõe de maior capacidade institucional
para planejar políticas públicas de longo prazo, integrar saúde, assistência
social e previdência e antecipar respostas ao envelhecimento.
Se
conseguir articular políticas de envelhecimento ativo, economia prateada,
atração migratória e modernização produtiva, o Sul pode se consolidar como um
laboratório avançado de adaptação demográfica no Brasil do século XXI. (ecodebate)







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