segunda-feira, 27 de abril de 2026

Região Sul tem a 2ª estrutura etária mais envelhecida do Brasil

A região Sul tem a segunda estrutura etária mais envelhecida do Brasil.
Sim, a Região Sul possui a segunda estrutura etária mais envelhecida do Brasil, com uma idade mediana de 36 anos, atrás apenas da região Sudeste (37 anos). Este envelhecimento é reflexo de uma queda precoce na taxa de fecundidade e maior esperança de vida, resultando em uma base estreita na pirâmide etária.

Principais destaques do envelhecimento no Sul:

Rio Grande do Sul é o estado mais velho do país, com a maior proporção de idosos (14,1% com 65 anos ou mais) e menor percentual de crianças.

A região Sul apresenta a segunda maior concentração de idosos (60+), com 17,3%, ficando atrás apenas do Sudeste, segundo dados recentes.

O envelhecimento populacional no Sul é rápido, com o número de idosos superando o de jovens em municípios como Porto Alegre.

O fenômeno, evidenciado pelo Censo 2022, representa um desafio para a previdência e sistema de saúde, mas também abre espaço para o desenvolvimento da economia prateada.

O envelhecimento populacional da região Sul não deve ser visto apenas como um problema, mas como um novo estágio do desenvolvimento

O Brasil está passando por uma rápida e profunda mudança da sua estrutura etária. No século XXI, pela primeira vez na história, haverá mais idosos (60 anos e +) do que crianças e adolescentes (0-14 anos). O envelhecimento populacional será a principal tendência demográfica dos anos 2000. Mas o ritmo de avanço tem sido diferenciado para as Grandes Regiões do país.

O gráfico abaixo, com dados dos Censos Demográficos de 1970 a 2022, do IBGE, mostra o Índice de Envelhecimento (IE) para o Brasil e as Grandes Regiões. O Brasil tinha um IE de 12 idosos de 60 anos e mais para cada 100 crianças e adolescentes de 0-14 anos, passando para 16 idosos para cada 100 jovens em 1980, para 29 em 2000, 45 em 2010 e 80 idosos 60+ para cada 100 jovens de 0-14 anos em 2022.

As regiões Sul e Sudeste possuem IE acima da média nacional e as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste possuem IE abaixo da média nacional. A região Norte apresenta a estrutura etária mais jovem, com um IE que passou de 8 idosos para cada 100 jovens em 1970 para 41 idosos para cada 100 jovens em 2022. A região Sudeste tem o maior Índice de Envelhecimento, passando de 15 idosos por 100 jovens em 1970 para 98 idosos de 60+ por 100 jovens de 0-14 anos em 2022. Portanto, até 2022, havia mais jovens do que idosos em todas as regiões, embora haja quase um empate na região Sudeste.

O gráfico abaixo, com dados dos censos demográficos do IBGE, mostra a evolução das percentagens de alguns grupos etários selecionados entre 1970 e 2022. O grupo etário de jovens 0-14 anos era de 42% da população brasileira em 1970 e caiu para menos da metade (19,8%) em 2022. O grupo etário de 15-59, que corresponde grosso modo à população em idade economicamente ativa, subiu de 52,7% em 1970 para 65,1% em 2010, significando que a janela de oportunidade demográfica estava se abrindo.

Porém, o percentual de pessoas entre 15-59 anos diminuiu para 64,4% em 2022, significando que a janela de oportunidade começou a se fechar. Não é o fim absoluto do 1º bônus demográfico, mas significa que o Brasil precisa investir nas outras janelas de oportunidade, ou seja, no 2º bônus (da produtividade) e o 3º bônus (da longevidade).

A população 50+ era de 10,7% em 1970, ultrapassou os jovens de 0-14 anos por volta de 2012 e chegou a 27,7% em 2022. A população 60+ era de 5,1% em 1970 e chegou a 15,8% em 2022, se aproximando do percentual da população jovem. A população 70+ era de 1,8% em 1970 e chegou a 7% da população total do Brasil em 2022.

O gráfico abaixo, com dados da região Sul, permite comparar com a média nacional do gráfico anterior. A proporção de jovens de 0-14 anos no Sul é menor do que a proporção brasileira. Era de 42,7% da população da região Sul em 1970 e caiu para 18,5% em 2022. O grupo etário de 15-59, que corresponde grosso modo à população em idade economicamente ativa, subiu de 52,5% em 1970 para 66,1% em 2010, proporção maior do que a média nacional e também significando que a janela de oportunidade demográfica estava se abrindo.

Porém, o percentual de pessoas 15-59 anos no Sul diminuiu para 63,9% em 2022, significando que a janela de oportunidade começou a se fechar. Não é o fim absoluto do 1º bônus demográfico, mas significa que a região precisa investir nas outras janelas de oportunidade, ou seja, no 2º bônus (da produtividade) e o 3º bônus (da longevidade).

A população dos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul de 50+ era de 10,2% em 1970, ultrapassou os jovens de 0-14 anos em 2010 e chegou a 30,4% em 2022. A população 60+ era de 4,7% em 1970 e chegou a 17,6% em 2022, se aproximando do percentual da população jovem. A população do Sul de 70+ era de 1,6% em 1970 e chegou a 7,7% da população em 2022.

A região Sul do Brasil encontra-se em uma fase avançada da transição demográfica, com a segunda estrutura etária mais envelhecida do país e redução da população em idade ativa. Diferentemente de outras regiões, esse envelhecimento ocorre em um contexto de diversificação produtiva, elevada urbanização e bons indicadores sociais, o que confere ao Sul uma posição relativamente mais favorável para enfrentar essa nova etapa demográfica. Ainda assim, os desafios são relevantes — e as oportunidades, estratégicas.

Os principais desafios são:

Escassez relativa de força de trabalho. A diminuição da população em idade ativa tende a gerar dificuldades de reposição de mão de obra, especialmente em setores industriais, agroindustriais e de serviços intensivos em trabalho.

Pressão sobre sistemas previdenciários e de saúde. O envelhecimento rápido amplia a demanda por aposentadorias, cuidados de saúde, serviços de longa duração e políticas de cuidado, elevando os custos fiscais e sociais.

Risco de baixo dinamismo econômico. Sem ganhos expressivos de produtividade, a combinação de envelhecimento e redução da força de trabalho pode resultar em crescimento econômico mais lento.

Desigualdades intrarregionais. O envelhecimento não ocorre de forma homogênea: áreas rurais, pequenos municípios e regiões de emigração juvenil tendem a envelhecer mais rapidamente, com risco de esvaziamento populacional.

Adequação urbana e habitacional. Cidades e moradias nem sempre estão preparadas para uma população mais idosa, exigindo adaptações em mobilidade, acessibilidade e serviços públicos.

A expectativa de vida ao nascer, que estava em 71,1 anos, em 2000, chegará a 83,9 anos em 2070.

Um Brasil de cara nova, mas com estrutura etária mais envelhecida

As principais oportunidades são:

Elevação da produtividade do trabalho. Com menor oferta de mão de obra, cresce o incentivo à automação, à digitalização e à qualificação profissional, fortalecendo setores industriais e de serviços de maior valor agregado.

Expansão da economia prateada. O aumento da população idosa cria mercados dinâmicos em saúde, cuidados, turismo, lazer, tecnologia assistiva, habitação adaptada e serviços financeiros.

Prolongamento da vida laboral. Os bons indicadores educacionais e de saúde permitem ampliar a permanência dos idosos no mercado de trabalho, em arranjos mais flexíveis e compatíveis com o envelhecimento ativo, aumentando o nível de escolaridade da população ativa.

Atração seletiva de migrantes. O Sul pode se tornar polo de atração para migrantes internos e internacionais, compensando parcialmente a perda da população em idade ativa e renovando o tecido produtivo.

Vantagem institucional e social. A região já dispõe de maior capacidade institucional para planejar políticas públicas de longo prazo, integrar saúde, assistência social e previdência e antecipar respostas ao envelhecimento.

O envelhecimento populacional da região Sul não deve ser visto apenas como um problema, mas como um novo estágio do desenvolvimento. Em um contexto de bons indicadores sociais e diversificação produtiva, o grande desafio é transformar a escassez demográfica em ganhos de produtividade, inovação e qualidade de vida.
Envelhecimento de uma população

Se conseguir articular políticas de envelhecimento ativo, economia prateada, atração migratória e modernização produtiva, o Sul pode se consolidar como um laboratório avançado de adaptação demográfica no Brasil do século XXI. (ecodebate)

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