segunda-feira, 11 de maio de 2026

Microplásticos no ar de casas e carros

Microplásticos no ar de casas e carros: estudo alerta que a exposição é 100 vezes maior que a estimada.
Como a presença de microplásticos no corpo humano pode afetar nossa saúde?

Um estudo revela que a exposição a microplásticos em ambientes internos (casas e carros) é até 100 vezes maior do que as estimativas anteriores, com adultos inalando cerca de 68.000 a 71.000 partículas diariamente. Partículas menores que 10 micrômetros, capazes de penetrar profundamente nos pulmões, são as mais comuns, com destaque para a poluição em carros.

Principais Descobertas e Riscos

Concentração Elevada: Carros apresentaram concentrações maiores (mais de 2.200 partículas/) comparado às casas (528 partículas/), devido ao desgaste de materiais sintéticos e plásticos.

Fontes Comuns: A poeira suspensa em ambientes internos é rica em microplásticos provenientes de móveis, estofados, roupas sintéticas e plásticos de uso diário.

Riscos à Saúde: A inalação dessas partículas pode causar inflamação, estresse oxidativo, comprometimento pulmonar e possíveis riscos cardiovasculares e reprodutivos.

Como Reduzir a Exposição

Limpeza frequente: A utilização de aspiradores de pó com filtros HEPA pode ajudar a remover as partículas do ar e das superfícies.

Ventilação: Manter ambientes arejados reduz a concentração de partículas em suspensão.

Redução de materiais sintéticos: Diminuir o uso de tecidos e produtos plásticos sintéticos em casa.

O estudo ressalta a necessidade de atenção aos ambientes fechados como fonte importante de contaminação por microplásticos, superando muitas vezes a exposição ao ar livre.

Microplásticos no ar de casas e carros: estudo alerta que a exposição é 100 vezes maior do que a estimada

Pesquisa identifica fontes de poluição em espaços fechados e levanta questões sobre os efeitos da exposição diária na saúde.
Microplásticos são capazes de circular por diversos órgãos do corpo

Um estudo publicado na revista científica PLOS One levantou preocupações sobre a qualidade do ar em ambientes onde as pessoas passam a maior parte do tempo. Segundo a pesquisa, o ar dentro de casas e carros contém milhões de microplásticos, partículas tão pequenas que conseguem penetrar profundamente no sistema respiratório humano.

• Microplásticos: a ameaça invisível que respiramos

• Quantos microplásticos há no corpo? Pesquisadores tentam pôr fim ao debate

Jeroen Sonke, diretor de pesquisa do Centro Nacional de Pesquisa Científica da Universidade de Toulouse, e a pesquisadora Nadiia Yakovenko, autores principais do relatório, explicaram que a exposição é constante.

"As pessoas passam, em média, 90% do seu tempo em ambientes fechados, incluindo em casa e no transporte público, e estão expostas à poluição por microplásticos por inalação sem sequer se darem conta disso", afirmaram em um comunicado conjunto citado na pesquisa.

De onde vêm essas partículas de plástico?

Os resultados indicam que esses elementos são consequência da degradação gradual de objetos do cotidiano. Itens como tapetes, cortinas, móveis e diversos tecidos liberam essas partículas no meio ambiente.

• Poluição global: Especialistas detectam microplásticos em intestino do único inseto nativo da Antártida

No caso dos veículos, as principais fontes de desgaste são os painéis, volantes, estofados e revestimentos interiores, que se deterioram devido a fatores como fricção, calor e radiação solar.

O estudo determinou que um adulto médio pode inalar aproximadamente 68.000 partículas de microplásticos por dia em ambientes internos. Este valor é significativamente superior às estimativas anteriores, excedendo em 100 vezes o que a comunidade científica esperava encontrar.

Para se ter uma ideia do tamanho, essas partículas medem entre 1 e 10 micrômetros, dimensões comparáveis às de uma hemácia ou da bactéria "E. coli".
Quais são os riscos para o corpo humano?

A preocupação dos especialistas reside no acúmulo dessas substâncias no organismo. "Há receio de que a exposição prolongada possa contribuir para problemas respiratórios, perturbar a função endócrina e aumentar o risco de distúrbios do neurodesenvolvimento", afirmaram Sonke e Yakovenko.

• Cafés 'para viagem' podem conter milhares de fragmentos de microplásticos, alerta estudo.

Eles também mencionaram possíveis ligações com infertilidade, doenças cardiovasculares e certos tipos de câncer.

Sherri Mason, diretora do Projeto NePTWNE na Universidade Gannon, na Pensilvânia, nos Estados Unidos, reforçou essa tese ao destacar que os microplásticos estão entrando nos seres humanos "de todas as maneiras imagináveis".

Pesquisas anteriores já detectaram essas partículas no sangue, tecido pulmonar, placenta e até mesmo em tecido cerebral humano.

Carros como pontos críticos de alta concentração

Um dos pontos mais críticos do relatório destaca que as cabines dos veículos apresentam níveis de poluição muito mais elevados do que as residências.

• Veja quais: Especialistas alertam para o risco de aquecer alimentos em alguns tipos de recipientes de plástico

Enquanto em uma casa foram encontradas 528 partículas por metro cúbico, dentro de carros esse número subiu para 2.238.

Isso ocorre porque são espaços pequenos e fechados com ventilação limitada, o que facilita o acúmulo de microplásticos durante os deslocamentos diários.

Recomendações para reduzir a exposição diária aos microplásticos

Apesar da onipresença do plástico, especialistas como o pediatra Philip Landrigan, do Boston College, sugerem medidas práticas para reduzir o risco.

Essas medidas incluem evitar o uso de plásticos descartáveis, não aquecer alimentos em recipientes de plástico no micro-ondas, pois o calor acelera a liberação de partículas, e preferir recipientes de vidro ou metal para armazenar alimentos e água. (oglobo)

sábado, 9 de maio de 2026

El Niño ‘superpoderoso’ chega ao Brasil

El Niño ‘superpoderoso’ chega ao Brasil, traz ondas de calor e pode atrasar chuvas.
El Niño 'superpoderoso' chega ao Brasil, traz ondas de calor e pode atrasar chuvas; saiba onde e quando. Atenção: o El Niño deve retornar no fim de abril e se consolidar ao longo de maio, permanecendo ativo durante a primavera, o verão e até o inverno, com impactos diretos na safra de soja 2026/27.

O El Niño deve retornar ao Brasil no fim de abril/2026, com consolidação em maio, trazendo riscos de ondas de calor intenso e atraso no início das chuvas da primavera (setembro/outubro). O fenômeno, que pode ganhar força ("super" El Niño), promete um inverno quente e afetar safras, especialmente no Centro-Oeste.

Principais Impactos no Brasil (2026/2027):

Ondas de Calor: Temperaturas acima da média durante o outono, inverno, primavera e verão, com destaque para o Centro-Sul e Sudeste.

Atraso nas Chuvas: A regularização das chuvas na primavera deve ser tardia, firmando-se apenas entre a segunda quinzena de outubro e novembro.

Impacto Regional:

Sul: Risco de chuvas volumosas e enchentes.

Norte/Nordeste: Risco de secas severas.

Centro-Oeste/Sudeste: Secas irregulares, veranicos (períodos secos) e impacto na safra de soja/milho.

Alerta: O Cemaden alerta para possíveis "desastres térmicos" e impactos no custo de alimentos e energia.

A possibilidade de formação é superior a 80% para o 2º semestre de 2026.

El Niño "superpoderoso" deve chegar ao Brasil em maio e ameaça lavouras

Fenômeno pode provocar seca e enchentes em diferentes regiões do Brasil ao longo do segundo semestre e ameaça produção agrícola.

Como será o clima no outono que vai marcar a volta do El Niño

El Niño no Brasil pode trazer seca severa e risco de enchente ao mesmo tempo

O fenômeno El Niño, aquecimento das águas do Oceano Pacífico, deve chegar com força no Brasil a partir de maio, alertam meteorologistas do mundo inteiro. A ocorrência já era prevista desde o início do ano, mas as possibilidades de formação aumentaram nas últimas semanas. De acordo com os órgãos de meteorologia, o fenômeno pode ter uma maior intensidade neste ano e, por isso, já está sendo chamado de “El Niño Superpoderoso”, com anomalias térmicas de até 2ºC.

Atualmente, o Brasil atravessa uma fase de neutralidade climática, típica do outono. No entanto, a transição para o fenômeno a partir de maio já coloca em alerta produtores rurais para a finalização da colheita da safra de verão e o planejamento da safra 2026/2027, que tem início a partir de setembro em regiões importantes como Mato Grosso, Paraná e Rio Grande do Sul.

Impactos climáticos esperados nas regiões

De acordo com projeções da NOAA (agência oceânica e atmosférica dos EUA) e do INMET (Instituto Nacional de Meteorologia), o El Niño alterará o regime de chuvas em todas as regiões brasileiras. No Norte e Nordeste, espera-se uma redução drástica nas precipitações, elevando o risco de seca severa.

Em contrapartida, o Sul do Brasil deve enfrentar excesso de chuvas, o que aumenta o risco de enchentes e prejuízos às lavouras. Nas regiões Centro-Oeste e Sudeste, a tendência é de aumento das temperaturas médias, com ondas de calor, e chuvas irregulares ao longo do segundo semestre.

A transição climática afeta a etapa final da colheita da soja, que atinge 67,7% da área nacional plantada, em torno de 83 milhões de hectares, segundo dados da Conab. Além disso, o desenvolvimento do milho segunda safra, conhecido como safrinha, entra em um período crítico de definição de produtividade.

O risco de veranicos — períodos de estiagem com calor intenso durante a estação chuvosa — e temperaturas acima da média podem acelerar o ciclo das plantas. Esse estresse térmico e hídrico tende a prejudicar o enchimento de grãos e a qualidade final do produto.

Formação de El Niño deixa cientistas e autoridades em alerta na Amazônia

A pressão sobre a safra e a logística de transporte, afetada por extremos climáticos, pode elevar o risco inflacionário nos alimentos devido à quebra de oferta. O acompanhamento das atualizações meteorológicas é essencial para o manejo agrícola e para a segurança alimentar no país, visto que o pico de intensidade deve ocorrer entre agosto e outubro de 2026. (band.com.br)

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Previsão aponta que El Niño pode ser o pior em 140 anos, com extremos de calor

Projeções indicam a possibilidade de um "Super El Niño" entre 2026/2027, potencialmente o mais intenso em 140 anos, com aquecimento das águas do Pacífico e extremos globais de calor. O fenômeno deve causar secas, enchentes e recordes de temperatura, com o Brasil enfrentando estiagem no Norte/Nordeste e chuvas intensas no Sul.

Pontos-chave do Super El Niño (2026-2027):

O monitoramento do Centro Europeu de Previsão Meteorológica de Médio Prazo é citado como base para essas projeções.

- Intensidade Histórica: Estudos apontam que este pode ser o evento mais forte desde o início dos registros, superando marcos anteriores.

- Calor Extremo: O aquecimento global atua em conjunto, aumentando o risco de novos recordes de temperatura global até 2027.

- Impactos no Brasil: A previsão indica estiagens severas, aumentando o risco de incêndios na Amazônia, e, ao mesmo tempo, enchentes no Sul.

- Contexto Crítico: Este fenômeno ocorre em um ambiente climático já aquecido, elevando preocupações sobre agricultura e abastecimento de água.

Previsão aponta que El Niño pode ser o pior em 140 anos, com extremos de calor

Aumento da temperatura média das águas do Pacífico pode ultrapassar 2ºC, o suficiente para alterar os padrões climáticos do planeta; no Brasil, fenômeno é marcado por seca no Nordeste e chuvas intensas no Sul.

Novas projeções climáticas indicam o aumento da possibilidade de formação de um super El Niño ainda este ano - um cenário que pode levar o planeta a registrar novos recordes de temperatura até 2027. Projeções do Centro Europeu de Previsão Meteorológica (ECMWF, na sigla em inglês) apontam o fenômeno como potencialmente tão intenso que pode se tornar o mais forte em 140 anos.

De acordo com o professor de ciências atmosféricas Paul Roundy, da Universidade Estadual de Nova York, em Albany, em entrevista ao jornal The Washington Post, existe um risco real para a formação do mais forte El Niño em mais de um século, por conta de um fenômeno excepcionalmente intenso entre o fim de 2026 e o início de 2027.

No Brasil, o El Niño é marcado por eventos de seca no Nordeste e chuvas intensas no Sul. Na foto, destruição em Roca Sales (RS), em 2024.

O El Niño se caracteriza por um aumento de pelo menos 0,5ºC nas águas do Oceano Pacífico. Diferentemente de um El Niño convencional, o chamado super El Niño está associado a um aquecimento superior a 2ºC, o que é suficiente para alterar os padrões climáticos de todo o globo e o regime de chuvas. O novo fenômeno pode quebrar o recorde do El Niño de 2015, quando a temperatura do Pacífico alcançou 2,8ºC acima da média.

Se o cenário se confirmar, os efeitos poderão ser sentidos em escala global. Entre os impactos previstos estão secas severas em partes da América Central, da África Central, da Austrália, da Indonésia e das Filipinas, além de chuvas torrenciais com risco de enchentes em países como Peru e Equador e em outras áreas próximas à Linha do Equador. No Brasil, o El Niño é marcado por eventos de seca no Nordeste e chuvas intensas no Sul - a exemplo do que aconteceu em 2024.

"O El Niño aumenta as chances de enchentes no Sul do Brasil porque costuma provocar chuva acima da média na região", explicou a climatologista Karina Lima. "Mas os eventos de El Niño (e La Niña) nunca são iguais e, além disso, o desastre de 2024 teve causa multifatorial, com uma conjuntura climática bastante complexa."

As projeções também indicam aumento da frequência de ondas de calor em grandes áreas da América do Sul, do sul dos Estados Unidos, da África, da Europa, de partes do Oriente Médio e da Índia. Em paralelo, a atividade de ciclones e tufões no Pacífico pode crescer, enquanto o Atlântico tende a registrar redução na atividade de furacões.

Outro efeito relevante é o impacto sobre a temperatura média global. Eventos intensos de El Niño costumam liberar grande quantidade de calor do oceano para a atmosfera, o que favorece a elevação das temperaturas em escala planetária. Nesse contexto, 2027 surge como o ano com maior potencial para registrar novos recordes globais de calor.

As análises também apontam risco para a agricultura, em razão da mudança no regime de chuvas em diferentes continentes. Na Índia, por exemplo, uma possível redução das monções pode comprometer a produção agrícola. Já em outras regiões tropicais, a combinação entre calor extremo e seca pode agravar perdas no campo e aumentar a pressão sobre o abastecimento de água.
Apesar do sinal de alerta, ainda há incerteza sobre a intensidade final do fenômeno. Os próprios especialistas ressaltam que não existem 2 eventos de El Niño exatamente iguais, especialmente em um contexto de aquecimento global, o que exige cautela na interpretação das projeções.

Além disso, o aquecimento global e o acúmulo de gases de efeito estufa (GEE) na atmosfera vêm alterando os padrões do fenômeno.

"Por conta da crescente concentração de gases estufa, o sistema climático não consegue dissipar todo o calor lançado por um evento de El Niño antes que outro El Niño ocorra, aumentando a temperatura de novo", explicou o meteorologista do Departamento de Defesa dos EUA, Eric Webb, em entrevista ao The Washington Post. (terra.com.br)

terça-feira, 5 de maio de 2026

A dualidade urgente da crise climática: mitigação e adaptação

Entender a crise climática é só o começo. Os dois pilares da ação, mitigação e adaptação, podem transformar o medo em movimento, do nível global até a sua rua.

No meu último texto no EcoDebate, eu não fui gentil. Trouxe os dados, os alertas, os cenários. Foi pesado e precisava ser. Mas fiquei pensando, nos dias que se seguiram, e agora? O que se faz com esse peso?

Porque tem uma coisa que o medo climático faz com a gente quando não vem acompanhado de saída: paralisa. E paralisia, nesse momento, é o pior caminho possível.

Então hoje eu quero virar essa página junto com você. Não para fingir que tudo está bem, porque não está. Mas para mostrar que o ‘manual de instruções’ já existe. Que as soluções têm nome, têm endereço e, muitas vezes, têm retorno econômico. E que parte delas começa, literalmente, na nossa porta.
O mundo se encontrou em Belém e saiu com lição de casa

Em novembro/2025, Belém, no coração da Amazônia, recebeu a COP30. Para mim, foi impossível não acompanhar aquilo com uma mistura de esperança e frustração, sentimento, aliás, que pareceu ser o mesmo de quem esteve lá.

A conferência encerrou com o “Pacote de Belém” de 29 decisões aprovadas por 195 países, com avanços em adaptação, transição justa e financiamento climático, incluindo o compromisso de triplicar os recursos destinados à adaptação até 2035.

Ao mesmo tempo, temas centrais como a saída dos combustíveis fósseis ficaram de fora do texto final. A declaração principal da conferência não mencionou os combustíveis fósseis em nenhum momento, nem mesmo para reafirmar acordos anteriores.

Mas sabe o que ficou para mim? A fala do presidente da COP30, André Corrêa do Lago: “Quando saímos Belém/PA, esse momento não deve ser lembrado como o fim de uma conferência, mas como o início de uma década de mudança”.

Isso me parece a chave. Não a chegada. O começo.

2 pilares, uma só estratégia

A ciência climática organiza a resposta em dois grandes movimentos e entender essa distinção mudou a forma como eu penso no problema.

Mitigação é atacar a causa: reduzir as emissões de gases que estão aquecendo o planeta. É desligar o fogão antes que a casa pegue fogo de vez.

Adaptação é aprender a viver com as mudanças já em curso porque, mesmo que zerássemos as emissões hoje, os efeitos já acumulados continuariam se desdobrando por décadas.

Não é uma escolha entre os dois. São os 2, ao mesmo tempo, com urgência.

Mitigação no nosso cotidiano

O Brasil tem metas de redução de emissões de gases de efeito estufa de 48% até 2025 e 53% até 2030, em relação aos níveis de 2005, além do compromisso de atingir a neutralidade climática até 2050. São números que parecem distantes da nossa vida, mas não são.

Energia limpa: o Brasil tem uma das matrizes elétricas mais renováveis do mundo, e o potencial solar e eólico ainda está longe de ser aproveitado por completo. Cada painel solar instalado em um telhado, cada cooperativa de energia comunitária, conta.

Transporte: substituir viagens de carro por transporte público, bicicleta ou caminhada não é só questão de saúde pessoal — é escolha climática. E cobrar dos candidatos nas eleições municipais que ciclovias e metrô sejam prioridades, também.

Alimentação: a pecuária é uma das maiores fontes de metano no Brasil. Reduzir o consumo de carne. Não necessariamente eliminar, mas reduzir e combater o desperdício alimentar em casa já fazem diferença mensurável.

Adaptação como inteligência, não derrota

Investir em adaptação não é desistir. É ser estratégico. Eventos extremos como secas, enchentes e ondas de calor já estão impactando desde a produtividade agrícola até a logística de transportes e a segurança hídrica das cidades. Ignorar isso tem custo e esse custo cresce a cada ano de inação.

Cidades resilientes são aquelas que planejam o território pensando no clima: parques que absorvem enchentes, sistemas de alerta precoce para desastres, habitação em áreas seguras. No Brasil, a articulação entre governo federal, estados e municípios deve colocar em marcha, ainda em 2026, planos locais de adaptação em 581 municípios considerados críticos.

E aqui entra algo que aprendi a valorizar mais: a infraestrutura verde. Manguezais que amortecem tempestades. Florestas que regulam o regime de chuvas. Rios que dependem de mata ciliar para não virar esgoto. Proteger e restaurar esses ecossistemas não é romantismo, é engenharia climática do mais alto nível.

A ciência é o mapa e as comunidades são o território

Navegar essa crise sem dados é tentar cruzar o oceano sem bússola. Os relatórios do IPCC, os satélites de monitoramento, os modelos climáticos, tudo isso é nossa cartografia. Mas existe outra forma de conhecimento que a gente ainda subestima muito: o saber das comunidades que vivem no território há gerações.

Povos indígenas da Amazônia sabem ler o comportamento da floresta de formas que os instrumentos científicos ainda estão aprendendo a traduzir. Comunidades quilombolas têm práticas de manejo que preservam biodiversidade sem nome em inglês. A COP30 deu alguns passos nessa direção e o Mecanismo de Ação de Belém foi criado para ampliar a participação de povos indígenas, mulheres, comunidades locais e grupos vulnerabilizados como atores da transição justa.

Ainda é pouco. Mas é um começo que precisa crescer e essa pressão pode vir de nós.

O que eu e você podemos fazer, sem esperar por ninguém

Existe uma armadilha confortável chamada “esperar que os grandes façam algo”. Governos precisam agir. Empresas precisam mudar. Isso é real. Mas enquanto a gente aguarda, o que está ao alcance das nossas mãos?

Como cidadão: vote com consciência climática. Questione candidatos sobre planos concretos para o clima. Participe de audiências públicas. Assine petições que pressionem por políticas de adaptação no seu município.

Como consumidor: reduza o desperdício de comida, de energia, de produtos descartáveis. Escolha empresas que tenham compromissos climáticos verificáveis, não apenas slogans verdes.

Como vizinho: apoie hortas comunitárias, pressione por áreas verdes no bairro, participe de mutirões de limpeza de rios. O clima se resolve também na escala da rua.

A esperança como verbo

Saí da COP30 (acompanhando de longe, como a maioria de nós) com uma sensação ambígua. Avanços reais coexistindo com lacunas enormes. Mas também com algo que não esperava sentir tão forte: a certeza de que há pessoas, cientistas, ativistas, líderes comunitários, jovens, que não desistiram.

Em 2025, a agenda climática deixou de ser discurso para impressionar stakeholders e se tornou um imperativo real. Não porque as pessoas ficaram mais boazinhas. Mas porque os custos de não agir estão ficando impossíveis de ignorar.

As soluções existem. São economicamente viáveis. São tecnicamente possíveis. O que falta é velocidade e a velocidade depende de quantas pessoas decidem que isso também é problema delas.

Esperança, aprendi, não é esperar sentado que o mundo melhore. Esperança é um verbo. É a coragem de agir sem garantia de resultado. É a teimosia de plantar árvore mesmo sabendo que a sombra demora.

Os caminhos existem. Vamos juntos? (ecodebate)

Alguém tem dúvida dos conflitos pela água?

Crise Hídrica: o fim do mundo está próximo?

Não há dúvidas de que os conflitos pela água são uma realidade urgente e crescente globalmente, movidos por escassez, poluição, mudanças climáticas e má gestão. A água é um recurso estratégico e limitado, tornando-se fonte de disputas entre consumo humano, agricultura e energia, afetando bilhões de pessoas e intensificando batalhas sociais e jurídicas.

Pontos-chave sobre os conflitos hídricos:

Escassez e Competição: A falta de água em quantidade ou qualidade gera tensões, especialmente no Oriente Médio, África e em áreas agrícolas no Brasil.

Contradição Brasileira: Mesmo com abundância, o Brasil enfrenta conflitos severos devido à má distribuição geográfica e alto consumo na agricultura (66% do total).

Conflitos por Abundância: Áreas com muita água também geram conflitos, frequentemente envolvendo disputas sobre o uso e controle.

Impacto Social e Econômico: A disputa envolve a resistência de comunidades contra a apropriação privada, construção de barragens e a necessidade de governança hídrica para garantir o direito humano à água.

Falência Hídrica: Pesquisadores da ONU alertam que a ação humana comprometeu o ciclo da água, com cerca de 4 bilhões de pessoas vivendo sob escassez severa ao menos um mês por ano.

O Instituto Água Sustentável destaca que a disputa por água é uma realidade, com sérias consequências, inclusive para a produção de alimentos. O EcoDebate reforça a importância da água como fonte de riqueza e poder, tornando-a um alvo de disputas. Portanto, o gerenciamento eficaz dos recursos hídricos é crucial para evitar conflitos.
Recorte de mapa com a projeção do estresse hídrico para várias partes do mundo para o ano de 2050, onde observa-se a localização do Oriente Médio com potencial de severo estresse hídrico. Fonte: United Nations world water development report 4: managing water under uncertainty and risk. Paris: Unesco, 2012. p. 391. v. 2. Acesso: https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000215644.

“A importância da água como fonte de vida, riqueza e poder faz, portanto, com que ela seja fonte de conflito”

“As águas atmosféricas, que iniciaram o ciclo hidrológico, formaram-se a partir do resfriamento e do escape de gases das rochas há mais de 3,5 bilhões de anos. Para formar essa atmosfera também um grande número de cometas, compostos essencialmente por água congelada, foi sendo capturado pela órbita da Terra num passado remoto. Deste modo o caminho das águas na crosta terrestre é bastante complexo. Por causa da energia solar, uma molécula de água, por um número infinitamente grande de estímulos, pode ser evaporada do oceano e a ele retornar precipitada pelas chuvas. Pode, também, cair sobre os continentes infiltrando-se solo abaixo, ser absorvida pelas plantas ou retornar indiretamente aos mares pelos rios e ribeirões.

Em outras palavras, a água que bebemos todos os dias é a mesma água que beberam os dinossauros há 200 milhões de anos atrás e Moisés, Jesus e Maomé nos últimos 2 mil anos. Aliás, é nas regiões de origem destes 3 senhores, no Oriente Médio, que o controle, a distribuição e a utilização do petróleo e da água são historicamente um motivo de tensões e de conflitos. Ali se mata há séculos pelo domínio dos 2 recursos que são tratados nitidamente como mercadoria de guerra. A Terra já teve que aguentar inúmeras guerras entre os povos e passou por vários efeitos estufa ao longo de sua história geológica. Nestes efeitos estufa do passado, basicamente, a água foi alterada em seu estado físico e hoje, comprovadamente, nós seres humanos é que estamos aumentando a temperatura do planeta com o lançamento de gases à atmosfera e acelerando esse efeito”.

“A importância da água como fonte de vida, riqueza e poder faz, portanto, com que ela seja fonte de conflito. Em Israel, na Cisjordânia e em Gaza, o desequilíbrio no uso da água é constante motivo de ressentimento para os palestinos. Entre as questões de fundo da Guerra dos Seis Dias (1967), estava a preocupação do governo israelense com um projeto jordaniano de desviar o curso do Rio Jordão. Israel foi em parte fundado com base na irrigação e exploração agrícola do deserto; a água é questão, e questão particularmente delicada, de segurança nacional. Ao assumir o controle da Cisjordânia em 1967, o país ganhou acesso não apenas ao rio, mas também às fontes subterrâneas da região”.

Na projeção do estresse hídrico para várias partes do mundo para o ano de 2050, de acordo com estudo da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) de 2012, observa-se a localização do Oriente Médio com potencial de severo estresse hídrico.

Mapa do site World Water mostra conflitos relacionados à água ao longo da historia

Na guerra atual no Oriente Médio (2026), deflagrada pelos Estados Unidos e Israel, parece que além do petróleo, como um dos alvos econômicos do conflito, a água pode também estar sendo um dos panos de fundo na ocupação e na disputa dos territórios. Alguém tem dúvida disso? (ecodebate)

domingo, 3 de maio de 2026

Super El Niño no radar: evento raro pode disparar calor e extremos até 2027

Modelos climáticos apontam fenômeno raro com potencial de intensificar calor, secas e chuvas extremas.
Calor extremo - El Niño: em 2025 causou temperaturas extremas no verão.

A possibilidade de um “super El Niño” em 2026 ganha força com novas projeções climáticas e acende alertas sobre impactos globais que podem se estender até 2027.

Modelos atualizados do European Centre for Medium-Range Weather Forecasts indicam aquecimento anômalo no Pacífico equatorial, condição essencial para a formação de um dos eventos mais intensos já registrados.

O El Niño é um fenômeno natural caracterizado pelo aquecimento das águas superficiais do oceano Pacífico na faixa equatorial.

Em sua versão mais forte, chamada de “super El Niño”, esse aquecimento supera 2°C acima da média, provocando alterações profundas na circulação atmosférica e no regime de chuvas em escala global.

Mundo pode ter aquecimento de 1,5°C antes de 2030

Evento raro com potencial histórico

Eventos dessa magnitude são incomuns e tendem a ocorrer a cada 10 a 15 anos. O episódio mais recente, em 2015-2016, já havia sido considerado extremo. Agora, projeções indicam que o novo ciclo pode igualar ou até superar esse recorde.

Especialistas apontam que o aquecimento oceânico observado em 2026 pode desencadear um pico de intensidade entre o fim deste ano e o início de 2027, período em que os efeitos climáticos costumam atingir seu ápice.

Se confirmado, o fenômeno poderá contribuir para novos recordes de temperatura global, superando marcas recentes registradas ao longo da década, em um contexto já pressionado pelo aquecimento causado por emissões de gases de efeito estufa (GEE).

Impactos globais: calor, secas e chuvas extremas

O El Niño altera padrões climáticos em diversas regiões, mas seus efeitos não são uniformes. Em geral, o fenômeno intensifica extremos, ampliando tanto períodos de seca quanto episódios de chuva intensa.
A perda das camadas de gelo acelera o aquecimento global.

Temperatura média global tem 50% de chance de exceder 1,5°C antes de 2030.

As projeções mais recentes indicam:

Nos Estados Unidos, especialmente na costa oeste, há expectativa de temperaturas acima da média e aumento de eventos de chuva intensa. Já o Atlântico pode registrar uma temporada de furacões mais fraca.

No Pacífico, o cenário é oposto, com maior atividade de ciclones tropicais e tufões, afetando regiões como o leste da Ásia e ilhas do oceano.

Na América do Sul, há risco de ondas de calor mais frequentes e prolongadas, além de secas em áreas do Norte do Brasil e eventos de chuva intensa em países como Peru e Equador.

Na Ásia, especialmente na Índia, o fenômeno pode enfraquecer as monções, comprometendo a produção agrícola e pressionando o abastecimento de alimentos.

Na África e na Oceania, regiões já vulneráveis podem enfrentar secas mais severas, com impactos diretos sobre segurança hídrica e alimentar.

Efeito cascata na economia e na agricultura

As mudanças no regime de chuvas e temperatura têm potencial de afetar cadeias produtivas globais. A agricultura é uma das áreas mais sensíveis, já que depende diretamente de padrões climáticos previsíveis.

Quebras de safra, aumento no preço de alimentos e pressão inflacionária são efeitos frequentemente associados a eventos intensos de El Niño. Países em desenvolvimento tendem a ser os mais impactados, especialmente em regiões tropicais.

Além disso, o aumento de desastres naturais, como enchentes e secas prolongadas, pode gerar custos elevados para governos e sistemas de seguro.

Aquecimento global amplia efeitos do fenômeno

Super El Niño ganha força em novas previsões e pode provocar secas, enchentes e calor extremo global, tornando 2027 o ano mais quente da história.

Pesquisas recentes indicam que o comportamento do El Niño está sendo influenciado pelo aquecimento global.

Com oceanos mais quentes e atmosfera mais carregada de umidade, os eventos tendem a liberar mais energia e produzir efeitos mais intensos.

Isso significa que um super El Niño no cenário atual pode ter impactos mais fortes do que episódios históricos, como os registrados em 1982-83, 1997-98 e 2015-16.

O fenômeno também contribui para uma espécie de “degrau” no aumento das temperaturas globais: o calor liberado pelos oceanos durante esses eventos se soma à tendência de aquecimento de longo prazo, elevando o patamar médio do clima global.

Incerteza ainda persiste

O El Niño Godzilla pode atingir o planeta em 2026 com aquecimento extremo do Pacífico. Secas, enchentes e mudanças drásticas no clima global.

NASA emite alerta para o temido El Niño Godzilla que pode mudar o clima do planeta em 2026 com aquecimento extremo do Pacífico capaz de provocar secas devastadoras em algumas regiões e enchentes históricas em outras ao mesmo tempo.

Apesar dos sinais consistentes nos modelos climáticos, ainda há incerteza sobre a intensidade final do evento. O El Niño é um sistema complexo e pode evoluir de forma diferente das previsões iniciais.

Ainda assim, a tendência atual é suficiente para mobilizar governos, cientistas e setores econômicos na preparação para possíveis impactos.

A expectativa é de que os próximos meses sejam decisivos para confirmar a força do fenômeno, e definir a escala de seus efeitos em um planeta já sob pressão climática crescente. (veja.abril)

Reverter a perda de biodiversidade evitaria efeitos desastrosos

Reverter a perda de biodiversidade evitaria efeitos desastrosos no bem-estar humano
Reverter a perda de biodiversidade é fundamental para evitar colapsos ecológicos que ameaçam a saúde, a segurança alimentar e a economia humana. Proteger ecossistemas intactos e restaurar a natureza ajuda a conter o aumento de doenças infecciosas, garante recursos essenciais e fortalece a resiliência contra mudanças climáticas.

Impactos da Perda de Biodiversidade no Bem-Estar Humano:

Saúde: A destruição de habitats aumenta o risco de novas doenças, como evidenciado pela COVID-19, e reduz fontes de medicamentos.

Segurança Alimentar e Recursos: A perda de espécies afeta a polinização (essencial para a agricultura), reduz a fertilidade do solo e compromete a qualidade da água.

Proteção Natural: Ecossistemas preservados funcionam como barreiras contra desastres naturais, como inundações e tempestades.

Clima: A degradação ambiental acelera o aquecimento global, dificultando a manutenção do aumento de temperatura abaixo de 1,5°C.

 Ações para a Reversão:

Conservação e Restauração: Proteger áreas naturais intactas e restaurar ecossistemas degradados são prioridades.

Produção Sustentável: Adotar práticas agrícolas agroecológicas, reduzir o uso de agrotóxicos e plásticos.

Consumo Consciente: Mudar hábitos, como a redução do consumo de carne e o combate ao desperdício de recursos.

Políticas Públicas: Implementar metas globais, como as do acordo de Kunming-Montreal, que visam proteger 30% do planeta até 2030.

O documento da EcoDebate destaca que atrasos na contenção do desmatamento podem levar a mudanças irreversíveis. A Fundação Oswaldo Cruz ressalta o impacto direto na saúde humana e o risco de doenças, enquanto a Revista Pesquisa Fapesp enfatiza a necessidade de ações imediatas.

Humanos são principais responsáveis pela perda de outras formas de vida no mundo

Interromper e reverter o declínio global da biodiversidade é urgente para evitar a desestabilização dos sistemas vitais da Terra que sustentam o bem-estar humano.

Autores alertam que, sem proteger os biomas e ecossistemas intactos que ainda restam, será impossível alcançar as metas climáticas e de desenvolvimento.

A obra defende uma mudança de paradigma urgente rumo a um futuro positivo para a natureza, no qual a humanidade vá além das atuais estruturas de biodiversidade, que os autores argumentam serem fragmentadas, e priorize metas positivas para a natureza tanto quanto as metas climáticas e de desenvolvimento humano.

“Para avançarmos rumo à estabilização do nosso sistema terrestre, precisamos adotar uma abordagem unificada e positiva para a natureza em relação às metas e à governança ambiental global. Isso significa acordos globais para o desenvolvimento humano, o clima, a biodiversidade e os oceanos”, afirmou o autor principal, o ambientalista canadense Harvey Locke, vice-presidente para Assuntos Positivos da Natureza na Comissão Mundial de Áreas Protegidas da IUCN.

O declínio da biodiversidade causado pela ação humana está contribuindo para um rápido desmantelamento do sistema terrestre, interrompendo os processos naturais essenciais para o florescimento das sociedades humanas.

Por exemplo, a perda da natureza acarreta riscos crescentes para a saúde humana, incluindo maior disseminação de doenças infecciosas ligadas à perturbação dos ecossistemas, bem como impactos negativos na saúde mental. Os autores também descrevem como os padrões de precipitação, vitais para a agricultura e o abastecimento de água, são profundamente afetados pela biodiversidade.

“Precisamos agir agora para deter e reverter a perda da natureza até 2030, visando alcançar um futuro integrado, equitativo, positivo para a natureza e neutro em carbono”, disse Locke.

Aprimorando a conservação da biodiversidade

O Quadro Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal (GBF, na sigla em inglês), adotado na COP15 em 2022, exige a interrupção e reversão da perda de biodiversidade até 2030, mas os pesquisadores afirmam que ele dá pouca atenção aos processos naturais.

O artigo inclui uma avaliação rigorosa das metas atuais do GBF (Fundo Global para a Biodiversidade) e identifica lacunas importantes, incluindo a atenção limitada a processos naturais em larga escala, como o funcionamento dos biomas, a hidrologia e a migração de espécies. Em seguida, descreve as ações e métricas específicas necessárias para alcançar a conservação da biodiversidade em sinergia com a estabilização climática, a segurança dos sistemas de água doce, a conservação dos oceanos e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Para atingir a meta de impacto positivo na natureza até 2030, os autores defendem que, em primeiro lugar, se previna a perda de áreas intactas onde quer que elas sejam encontradas.

O coautor, Prof. Johan Rockström, codiretor do Instituto Potsdam para Pesquisa do Impacto Climático (PIK) na Alemanha, afirmou: “Alcançar as metas climáticas e de desenvolvimento é simplesmente impossível sem manter a natureza intacta. Nossas descobertas enfatizam a importância vital de interromper imediatamente a perda dos biomas e ecossistemas intactos restantes, que são insubstituíveis e não podem ser restaurados rapidamente; e, em paralelo, reverter o risco de extinção de espécies e acelerar os esforços de restauração da natureza, que levam mais tempo”.

Em particular, atrasos na contenção do desmatamento tropical podem aumentar o risco de mudanças ecológicas em larga escala e irreversíveis. Para a migração de espécies, proteger áreas de parada e corredores de deslocamento, bem como reduzir os riscos evitáveis em paisagens dominadas pelo homem, é crucial.

Priorizar o conhecimento indígena e local

O artigo enfatiza a importância de integrar os sistemas de conhecimento indígena e local aos métodos científicos empíricos para garantir resultados de conservação eficazes e equitativos.

As conclusões científicas do artigo estão alinhadas com as percepções tradicionais dos povos indígenas sobre o mundo. O coautor, Prof. Leroy Little Bear, da Universidade de Lethbridge, no Canadá, explicou: “Do ponto de vista indígena, nossa própria existência como Homo sapiens está inextricavelmente ligada à totalidade do meio ambiente — incluindo, mas não se limitando à terra, aos animais, à vida vegetal, ao cosmos observável e aos aspectos espirituais e ecológicos do meio ambiente”.

"O conhecimento e as práticas indígenas refletem inerentemente o que a ciência ocidental chama de ‘processos bióticos e abióticos’ e estão enraizados em um profundo senso de responsabilidade para com o mundo vivo. Incorporar os sistemas de conhecimento tradicional é, portanto, um componente essencial para a concretização de ambições positivas em relação à natureza”.

Resgate de Fauna e Flora: A Importância da Conservação e Proteção Ambiental.

Objetivos globais para a natureza

Os autores argumentam que as metas que visam a preservação da natureza devem ter a mesma prioridade que as metas globais de clima e desenvolvimento humano. A coautora, Profª. Raina K. Plowright, da Universidade Cornell, EUA, afirmou: “As políticas globais para proteger a natureza intacta e restaurar ecossistemas danificados devem ter a mesma prioridade que as ações climáticas no âmbito do Acordo de Paris e os ODS para o desenvolvimento humano. Priorizar a natureza é essencial para reduzir a disseminação de doenças infecciosas e proteger a saúde humana em todo o mundo. É a única maneira prática de garantir que o século XXI progrida rumo à saúde, paz, prosperidade, estabilidade e beleza natural”.

Os autores argumentam que alcançar metas que beneficiem a natureza exigirá sistemas econômicos que operem dentro dos limites dos processos naturais, conservem espécies e ecossistemas e apoiem o desenvolvimento humano de forma equitativa.

O artigo conclui que a concretização dessa visão dependerá tanto de medidas de conservação eficazes quanto de um ambiente socioeconômico que direcione a produção e o consumo de atividades prejudiciais à natureza para resultados positivos.

Isso inclui transformações na forma como as empresas operam e reportam seus riscos e dependências relacionados à natureza. Também exige incentivos financeiros inovadores para tornar a natureza atrativa para investimentos, bem como uma governança coordenada que seja equitativa e inclusiva para as comunidades locais e os povos indígenas.

Locke concluiu: “Com muita frequência, a biodiversidade é vista como um luxo ‘desejável’ que fica em segundo plano em relação às chamadas preocupações ‘do mundo real’ sobre a economia e o desenvolvimento humano. Mostramos que isso é um equívoco fundamental sobre a realidade. A biodiversidade em todas as escalas é parte integrante do funcionamento do planeta (incluindo o sistema climático e a água doce). Portanto, é vital tanto para o bem-estar humano quanto para toda a atividade econômica”. (ecodebate)

sexta-feira, 1 de maio de 2026

As mudanças climáticas já afetam nossas vidas

As mudanças climáticas já afetam o cotidiano global, intensificando eventos extremos como ondas de calor, secas e inundações, impactando a saúde humana, agricultura e economia. O aumento das temperaturas causa estresse térmico, aumenta o risco de doenças infecciosas e respiratórias, e ameaça a segurança alimentar com quedas na produção agrícola.

Impactos diretos no cotidiano:

Saúde: Ondas de calor extremo aumentam o estresse térmico, agravam doenças cardiovasculares e respiratórias, e geram problemas de saúde mental, com estimativas de 150 mil mortes anuais.

Alimentação e Agricultura: A produção de alimentos está em risco, com previsões de queda drástica em culturas como soja e milho no Brasil, devido a secas e altas temperaturas.

Economia: Eventos climáticos extremos impulsionam a inflação, elevando o custo de vida e afetando o valor dos alimentos e energia.

Infraestrutura e Moradia: Enchentes, inundações e deslizamentos tornam-se mais frequentes, destruindo moradias e deslocando populações.

Estudos indicam que a temperatura ambiente alta rivaliza com a do corpo humano, tornando áreas urbanas epicentros de estresse térmico. A situação é especialmente grave para trabalhadores expostos ao sol e populações vulneráveis.

Além dos gráficos e números, a mudança do clima já está mudando a nossa qualidade de vida, nossa saúde, o nosso prato de comida e a nossa economia

Esta semana, enquanto esperava o busão, debaixo de um sol que parecia querer literalmente me derreter, me peguei pensando: isso não é normal! Quase 40°C, sem sombra, sem vento. E eu, como milhões de brasileiros (as), simplesmente tentando chegar ao trabalho.

Não é normal. E provavelmente você já sabe disso, mas talvez ainda não tenha parado para conectar os pontos do calor absurdo, da conta do mercado que não para de subir e das enchentes que todo ano destroem cidades inteiras. Tudo isso tem um nome. E esse nome é crise climática.

Quero conversar com você sobre isso de um jeito diferente. Sem gráficos assustadores, sem o tom catastrófico que às vezes paralisa mais do que mobiliza. Quero falar sobre o que acontece quando olhamos para além dos números e, como essa crise já está dentro da nossa rotina, da nossa mesa, do nosso bolso.

Quando 40°C viram uma sentença. O calor que mata em silêncio

O nosso corpo foi feito para funcionar nos 37°C internos. Quando a temperatura ambiente começa a rivalizar com a do nosso organismo, algo muda e não para o bem. A partir dos 40°C, o risco de dano real a órgãos como o coração e o cérebro deixa de ser teórico e se torna assustadoramente concreto.

Cidades como Manaus, Belém e Porto Velho já estão se tornando o que os cientistas chamam de epicentros globais de estresse térmico. E aqui está o dado que mais me incomoda: estima-se que, até 2050, mais da metade da população mundial vai enfrentar pelo menos um mês de calor extremo por ano. Todo ano.

Mas quem são as pessoas que mais sofrem com isso? Não são os que podem trabalhar com ar-condicionado. São os trabalhadores da construção civil que não podem parar, os agricultores que dependem do campo, os entregadores de aplicativo que pedalam embaixo do sol para colocar comida na nossa mesa e na deles. O calor extremo é um assassino silencioso com alvos muito bem definidos.

O preço que você paga no mercado tem nome: crise climática

Você reparou que os alimentos estão mais caros? Que os vegetais e frutas estão em quantidades menores, mesmo nas safras? Que a conta do mercado parece não ter teto? Não é só inflação genérica. Há algo estrutural acontecendo com a nossa comida.

A agricultura é, talvez, o setor mais dependente do clima que existe. Uma semana sem chuva na época errada pode destruir meses de trabalho. O milho e o trigo, culturas fundamentais para alimentar o planeta, já apresentam produtividade menor por causa do aquecimento. Em um cenário de altas emissões, projeta-se uma redução de 24% na produção global de calorias até o fim do século.

E a água? Aquela que sempre pareceu abundante está se tornando um bem cada vez mais escasso. Até 2050, a seca pode ameaçar 80% das terras agrícolas do mundo. 80%. Quando leio esse número, não consigo deixar de pensar em quanto isso vai custar em dinheiro, em vidas, em dignidade.

Ignorar o clima é o pior investimento que um país pode fazer

Há sempre quem argumente que cuidar do clima é caro demais, que a economia vem primeiro. Mas os dados contam uma história diferente e perturbadora. Estudos indicam que apenas 1°C de aquecimento global já reduziu o PIB mundial em 12%. Não é um custo futuro. É uma conta que já estamos pagando.

O paradoxo é elegante na sua crueldade: investir em adaptação climática, como proteção de costas, agricultura resiliente, infraestrutura urbana preparada, é extremamente rentável. Cada dólar investido pode gerar até US$ 10, ao evitar perdas que seriam catastróficas. É, literalmente, a aposta mais segura que qualquer governo ou empresa pode fazer hoje.

Mas a inação continua sendo escolhida e nós pagamos o preço todos os dias, na nossa qualidade de vida, na saúde e em cada nota fiscal.

Como as mudanças climáticas afetam a saúde humana?

Quem paga a conta não é quem aquece o planeta

Essa é a parte que mais pesa para mim. A face mais cruel da crise climática é que ela penaliza com muito mais força quem menos contribuiu para criá-la.

Até 2050, 80% das pessoas expostas ao calor extremo estarão em países pobres. Apenas 2% estarão em nações ricas. Os países que mais emitiram CO₂ ao longo da história são, em grande parte, os mais protegidos dos efeitos mais devastadores.

No Brasil, isso fica evidente de um jeito doloroso. As tragédias de Petrópolis e do Rio Grande do Sul não foram “desastres naturais”, foram desastres socioambientais. A diferença importa porque ela revela décadas de falta de investimento em moradia digna, em planejamento urbano, em infraestrutura de drenagem. A chuva foi o gatilho; a desigualdade foi a pólvora.

Há ainda uma injustiça que atravessa gerações. Uma criança que nasce hoje vai enfrentar 7 vezes mais ondas de calor ao longo da vida do que seus avós enfrentaram. Isso não é apenas injusto, é, também, um trauma coletivo silencioso que já tem nome: ecoansiedade. E ela atinge especialmente os jovens, que crescem vendo o futuro ser hipotecado por decisões que não tomaram.

Mudanças climáticas já afetam cotidiano do mundo todo, principalmente da população na Amazônia Legal.

Por que entender isso muda tudo?

Sei que pode parecer pesado. Mas eu acredito que o diagnóstico honesto é o primeiro passo para qualquer mudança real. A crise climática não é um problema ambiental apenas, ela é uma crise de direitos humanos, de justiça social, de equidade entre gerações.

Enquanto a conversa ficar restrita a gráficos de temperatura e metas de emissão, ela continuará parecendo distante. Quando começamos a falar sobre o trabalhador que não pode parar no calor, sobre a família que perde tudo numa enchente, sobre a jovem que sente ansiedade sobre um futuro que ainda tem chance de ser diferente, aí a conversa muda de tom.

E é essa mudança de tom que pode mover pessoas, políticas e prioridades. O próximo passo, que explorarei aqui, em breve, é olhar para o vasto cardápio de soluções que já temos à disposição. Porque sim, elas existem. E muitas delas são mais acessíveis, mais rentáveis e mais urgentes do que nos fazem crer. (ecodebate)

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