El Niño excepcionalmente
forte impulsiona aquecimento global dos oceanos e leva temperatura média da
superfície do mar ao maior valor já registrado no planeta.
Os dados fazem parte da série
do ERA5, produzida pelo Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio
Prazo (ECMWF), que utiliza registros desde 1979 para o acompanhamento diário no
Climate Pulse.
O novo recorde chama atenção
principalmente pela época do ano. As temperaturas médias globais da superfície
do mar normalmente atingem os maiores valores em março e abril, depois do verão
no Hemisfério Sul.
Ainda assim, em pleno mês de
agosto, o planeta registrou uma temperatura superior ao recorde absoluto
anterior. O valor também ficou acima do maior registro para agosto, de 20,98°C,
observado em 2023.
Para os cientistas, o resultado não representa uma surpresa isolada. Ele ocorre dentro de uma tendência de longo prazo de aquecimento dos oceanos associada ao aumento da concentração de gases de efeito estufa na atmosfera.
“O recorde é outro sinal claro de um oceano sob crescente estresse”, afirmou Samantha Burgess, líder estratégica para o clima do ECMWF.
Segundo Burgess, o atual El
Niño está acrescentando calor ao sistema climático. O fenômeno, porém, atua
sobre um oceano que já apresenta temperaturas cada vez mais elevadas devido ao
aquecimento observado ao longo das últimas décadas.
O momento também é marcado
pelo desenvolvimento de um El Niño excepcionalmente forte no Pacífico tropical.
O fenômeno é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico
equatorial e provoca alterações na circulação atmosférica em escala global.
As mudanças podem modificar os padrões de chuva e temperatura em diferentes continentes. Também podem alterar a distribuição e a intensidade de determinados eventos extremos.
O aquecimento do oceano, entretanto, não depende exclusivamente do El Niño. O fenômeno climático atua como um fator adicional sobre uma tendência de aquecimento que já vinha sendo observada antes de sua formação.
Essa combinação ajuda a
explicar por que um recorde global de temperatura da superfície do mar foi
alcançado em agosto, um mês que normalmente está distante do período de maior
aquecimento médio anual dos oceanos.
O comportamento das águas
oceânicas tem consequências importantes para os ecossistemas marinhos.
Temperaturas mais elevadas aumentam o risco de ondas de calor marinhas, que
podem persistir durante períodos prolongados e provocar impactos sobre espécies
e habitats.
Recifes de coral estão entre
os ambientes mais vulneráveis. O calor excessivo pode provocar branqueamento e
aumentar o estresse sobre organismos que formam esses ecossistemas.
Pradarias marinhas e outras
áreas costeiras também podem sofrer impactos. Alterações nesses ambientes podem
afetar cadeias alimentares e espécies que dependem deles para alimentação,
reprodução ou abrigo.
As consequências chegam também à atividade econômica. Pesca e aquicultura podem ser afetadas por mudanças na distribuição das espécies e pelas alterações nas condições ambientais do oceano.
Outro problema é o aumento do nível do mar. A água se expande quando fica mais quente, contribuindo para a elevação do nível dos oceanos. O processo ocorre simultaneamente ao derretimento de geleiras e mantos de gelo continentais. O resultado aumenta a vulnerabilidade de cidades costeiras e regiões de baixa altitude.
O oceano também desempenha um
papel fundamental na regulação do clima porque absorve grande quantidade do
excesso de calor e parte do dióxido de carbono presente na atmosfera.
Com o aumento da temperatura
da água, entretanto, sua capacidade de absorver dióxido de carbono pode
diminuir. Isso representa uma preocupação adicional para o equilíbrio
climático.
O aquecimento oceânico também
pode fornecer mais energia e umidade para a atmosfera. Em determinadas
circunstâncias, isso pode favorecer chuvas mais intensas e contribuir para o
fortalecimento de alguns sistemas de tempestades.
Outro indicador da mudança é
o aumento das ondas de calor marinhas. De acordo com Burgess, o número de dias
com ondas de calor marinhas em escala global mais que triplicou desde o início
da década de 1990.
O recorde de agosto ocorre,
portanto, dentro de uma sequência mais ampla de temperaturas oceânicas
excepcionalmente elevadas. Ao longo de 2026, diferentes regiões dos oceanos
fora das áreas polares permaneceram muito quentes, mantendo os valores globais
em níveis elevados.
O histórico recente mostra
que os recordes oceânicos têm sido superados com rapidez. O recorde anterior
havia sido estabelecido em março/2024 e agora já foi ultrapassado.
Ainda não é possível afirmar
quanto tempo o novo recorde permanecerá vigente. O cientista climático Zachary
Labe, da Climate Central, avalia que é possível que a marca seja superada
novamente nos próximos meses.
Para os pesquisadores, porém, o significado mais importante não está apenas no valor de 21,1°C. O dado representa mais um indicador de um sistema climático que vem acumulando calor.
El Niño começa a interferir na vida marinha, anuncia a NASA
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fitoplâncton no Pacífico, afetando a cadeia alimentar marinha e ameaçando a
pesca em áreas como o litoral do Peru. (metsul)





































