segunda-feira, 29 de março de 2010

Desmatamento ameaça litoral norte de São Paulo

Desmatamento ‘formiga’ ameaça litoral norte de São Paulo De longe, a vegetação parece intacta, mas basta percorrer a área para ver o que as imagens de satélite não alcançam. O desmatamento “formiga”, que come a mata de pouco em pouco, muitas vezes passa despercebido e não aparece nas imagens de satélite, é o maior inimigo do litoral norte de São Paulo. Os quatro municípios que compõem a região estão em boa posição no levantamento mais recente de vegetação nativa do Estado, indo da 1.ª posição (Ubatuba) até a 12.ª (Caraguatatuba). Porém, quando se percorre a área, o cenário é outro. Há desde casas nobres pipocando onde antes só havia Mata Atlântica preservada até ocupações irregulares crescendo na Serra do Mar. Em Ilhabela, áreas mais afastadas da praia, que só abrigavam árvores, começam a dividir o espaço com imóveis de alto padrão, a região chamada de Tesouro da Colina é um exemplo. Em certos pontos da ilha é impossível enxergar a estrada em meio ao verde, mas residências aparecem em pequenos buracos, em áreas onde os turistas normalmente não chegam. Diversos topos de morros que, pela lei ambiental, são Áreas de Preservação Permanente (APP) e, por isso, intocáveis, estão ocupados.
Os proprietários, criativos, também encontram brechas na lei para construir aberrações. Em Ilhabela, os imóveis podem ter, no máximo, dois andares e uma altura de oito metros. Porém, uma casa no bairro de Borrifos que ficou embargada por um período, mas está em obras novamente, lembra um prédio: tem quatro andares. O prefeito da cidade, Antonio Colucci (PPS), explica a saída do dono: a construção foi feita em forma de leque e uma escada em forma de caracol liga as duas construções, os dois andares superiores não estão sobrepostos aos demais. “A luta é incessante. As pessoas querem sempre mais, há um grave problema de cidadania. E, muitas vezes, existe conluio com o poder público para aprovar certos projetos”, afirma Jacow Grajew, do Movimento Nossa Ilha Mais Bela e do Instituto Ilhabela Sustentável. Segundo ele, a proximidade com uma grande metrópole como São Paulo faz com que a pressão de ocupação seja grande. Para mostrar os problemas enfrentados no município foi feito o vídeo Paraíso Ameaçado, que pode ser visto na internet pelo site http://www.youtube.com/watch?v=MmJyEQWmd74 . Em São Sebastião, algumas obras começam a interferir em cartões postais. Uma casa em construção em uma encosta, por exemplo, obstrui parte da vista do mirante de onde se pode observar a praia de Juqueí, irritando quem chega para fotografar o local. No município, a altura máxima permitida para construção é de nove metros. Mata adentro. Na rodovia Rio-Santos, de um lado fica a praia Barra do Sahy e, do outro, um loteamento precário. As moradias estão em um terreno inclinado e as obras não param. Na segunda-feira, a reportagem do Estado presenciou a construção de novas casas. Os moradores contam que os valores dos terrenos variam de R$ 17 mil a R$ 20 mil. “Ninguém aqui tem escritura. Existe no máximo recibo de compra e venda”, afirma um deles. O ex-zelador Wilson, de 40 anos, que preferiu não informar o sobrenome, erguia sua casa em um dos pontos mais altos da vila. “Se chover muito pode desmoronar. Mas, se a gente for morar no baixo, tem alagamento”, afirma. Segundo ele, que nasceu na Bahia e está há 20 anos no litoral paulista, se houvesse opção, iria para outro lugar. “Eu até gostaria que o prefeito tirasse a gente daqui, colocasse em outro local e replantasse tudo. Mas o problema é que eles sempre querem nos colocar naqueles cubículos onde não cabe uma família”, argumenta ele, que vive com a mulher e mais dois filhos. Em Toque Toque Grande, a mesma cena do Sahy: casinhas sobem pela mata e estão cada vez mais perto de uma cachoeira. É inevitável lembrar dos bairros Cota em Cubatão, que surgiram na Serra do Mar ao lado da rodovia Anchieta, a partir dos anos 1940, degradando a mata. Os primeiros moradores trabalharam na construção da rodovia e foram ficando no local. Parentes se juntaram e, mais tarde, famílias que alegavam não conseguir mais pagar o aluguel. O agravante era que, nesse caso, grande parte das construções ficava dentro do Parque Estadual da Serra do Mar. Agora, o governo estadual começou a retirar as famílias desses bairros. No total, 5.350 famílias de seis áreas serão removidas e transferidas para áreas urbanizadas. Entretanto, o dano ambiental já causado demorará para ser recuperado. Eduardo Nunes, coordenador operacional das associações de amigos da Barra do Sahy (Sabs) e da praia da Baleia (Sabaleia), reclama da falta de fiscalização do governo em São Sebastião. Segundo ele, a ocupação na Baleia é mais pulverizada e difícil de enxergar. “Diferentemente da Vila Sahy, onde as famílias pegaram a beirada da estrada e foram subindo, na Baleia elas não ficam concentradas no mesmo lugar”, conta. Na área, um piloto de paramotor (espécie de paraquedas motorizado) é pago pelas entidades de amigos de bairro para fiscalizar as invasões.

Agropecuária precisa ocorrer sem desmatamento

Aumento da produção agropecuária precisa ocorrer sem desmatamento, dizem especialistas O Brasil pode aumentar a produção agropecuária, inclusive de carne, sem aumentar os impactos ambientais como o desmatamento, diz o pesquisador sênior do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) Paulo Barreto. Ontem(4), o Ministério da Agricultura divulgou a projeção de que o país será responsável por quase metade do mercado mundial de carnes. “Será necessário aproveitar melhor as terras já desmatadas, ou seja, aumentar a produção nestas áreas, além de melhoria da genética do gado, de melhor manejo dos solos e do pasto”, afirmou Barreto. Para ele, o governo precisa manter o combater o desmatamento ilegal, especialmente aquele que ocorre em terras públicas, onde as pessoas ocupam gratuitamente. "Se a ocupação destas terras continuar barata ou gratuita, fica mais barato desmatá-las do que investir no aumento da produtividade das áreas já desmatadas.” Mauro Pires, diretor do Departamento de Política para o Combate ao Desmatamento, do Ministério do Meio Ambiente, acredita que o Brasil tem território suficiente para combinar proteção ambiental e produção agrícola. “Na medida em que o Brasil avança em produtividade, com tecnologia, aproveitando melhor as áreas já abertas, nós ganhamos, porque evitamos o desmatamento”. Segundo Pires, essa expansão na área de carnes significa um crescimento do agronégócio brasileiro. “Essa ampliação demonstra a competitividade do Brasil no mercado de exportação. Entretanto, essa produção deve ocorrer em áreas abertas de forma a não atingir localidades de proteção ambiental.” Pires acredita que, pelo fato do Ministério da Agricultura estar comprometido com as metas de redução de gases de efeito estufa, esse crescimento do agronegócio deve ocorrer de forma a não prejudicar o meio ambiente.

Amazônia, desmatamento e clima

Um estudo divulgado no mês passado revela que, devido ao desmatamento, mudanças climáticas e queimadas, em cem anos, restarão vivas apenas 30% da Amazônia. Esse é um dado que mostra o aumento crescente destes que são considerados os principais desfios da maior floresta do mundo. “Boa parte da floresta, no leste e no sul, poderia desaparecer caso essas mudanças aumentem. No entanto, o desmatamento tem diminuído, mas é muito difícil saber para que lado vai o aquecimento global”, avalia o professor Carlos Nobre. Durante a entrevista que concedeu, por telefone, à IHU On-Line, ele refletiu sobre o cenário atual da Amazônia e soluções para resolução dos problemas que ela vive hoje. Nobre também conversou conosco sobre cenários que surgem no Brasil devido a problemas climáticos e ambientais, como o aumento da seca no semiárido e a desertificação no Rio Grande do Sul. “Um clima mais variável em uma região onde o clima geralmente é mais estável sempre motiva muitas coisas, mas não podemos afirmar cientificamente que esse aumento da variabilidade do clima no Rio Grande do Sul é provocado pelo aquecimento global”, explicou. Carlos Nobre é engenheiro eletrônico formado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica. Na Massachussets Institute Of Technology (EUA), realizou o doutorado em metereologia. Recebeu o título de pós-doutor da University Of Maryland (EUA). Atualmente, é pesquisador sênior no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). É autor das obras Amazonian deforestation and climate (New York: John Wiley and Sons, 1996) e Regional Hidrological Impacts of Climatic Change – Impact Assessment and Decision Making (Oxfordshire: International Association of Hidrological Sciences, 2005).
Desmatamento na Amazônia
Confira a entrevista IHU On-Line – Um estudo sobre os riscos que a Amazônia está correndo, conduzido pelo Banco Mundial, alerta que, devido ao desmatamento, as mudanças climáticas e as queimadas, em 2075, só restarão 30% da floresta amazônica. Hoje, a Amazônia é a maior floresta do mundo. Como o senhor detalharia o cenário previsto para 2075? Carlos Nobre – No pior dos casos, se todas as mudanças ambientais e globais aumentarem, seja por desmatamento, impacto do fogo na floresta ou por aquecimento global, ainda assim sobraria uma faixa de 20 a 30% da floresta até o final do século. É isso que nossos cálculos mostram. Boa parte da floresta, no leste e no sul, poderia desaparecer caso essas mudanças aumentarem. No entanto, o desmatamento tem diminuído, mas é muito difícil saber para que lado vai o aquecimento global. Copenhague não deu muito certo, mas há um movimento mundial de transição para uma economia de baixo carbono. Portanto, não é possível prever com precisão se esse movimento dará certo, qual é a escala de tempo, quantas décadas irá demorar em diminuir as emissões ou qual será o aumento de temperatura na segunda metade do século. O que podemos imaginar são cenários. Nem com bola de cristal alguém conseguiria, hoje, saber exatamente qual seria a trajetória do aquecimento global nos próximos cem anos.
Desmatamento da Amazônia IHU On-Line – O cenário atual da floresta permite que recuperemos as áreas que foram desmatadas? Carlos Nobre – Recuperar todas as áreas que foram desmatadas não é uma tarefa trivial, é uma tarefa muito complicada, mas a política de uso dos recursos da Amazônia deve ir na direção de uma diminuição muito grande de novos desmatamentos. Há uma política do governo brasileiro, inclusive, para reduzir as emissões. O que o presidente Lula apresentou em Copenhague, e que se tornou lei, é uma redução de 80% dos desmatamentos. Então, podemos sim, em uma escala de dez a quinze anos, nos encaminhar para o desmatamento zero. É só desenvolvermos políticas de utilização das áreas já desmatadas. Essas políticas devem ser acompanhadas de avanços científicos e tecnológicos de como usar as áreas desmatadas. Talvez possamos usar menos da metade das áreas desmatadas para produzir alimentos e outros materiais, e recuperar boa parte dessas áreas. Fazendo isso, também estaríamos, no momento que a floresta secundária regenera nas áreas desmatadas, retirando gás carbônico da atmosfera. IHU On-Line – A redução das emissões de gases estufa é a única solução para a Amazônia? Carlos Nobre – São várias as soluções. É impossível eliminar o risco da floresta se não reduzirmos o aquecimento global, que não pode passar muito de dois graus. O planeta já aqueceu entre 0,7 e 0,8 graus, então precisamos, com certeza, diminuir o aquecimento global. Outro ponto é que, mesmo que diminuíssemos o aquecimento global em nome da temperatura no máximo em graus e continuássemos a desmatar, ainda assim, a floresta estaria em risco. A redução do desmatamento é muito importante. Por fim, a prática agrícola tem que ser feita sem o uso do fogo, que é cada vez mais usado na agricultura em todo o Brasil e América Latina. Esse fogo acaba saindo de controle, vai entrando aos poucos e queimando áreas de florestas. Cada vez que se abrem mais áreas agrícolas, mais pedaços de florestas vão sendo queimados. Então, junto com a redução do aquecimento global e a redução significativa do desmatamento, deve se eliminar o fogo como prática agrícola. O fogo não é uma boa prática agrícola, de acordo com a melhor agricultura que possa ser praticada na região.
Queimadas é um dos principais problemas enfrentados pela Amazônia IHU On-Line – O acordo feito em Copenhague não estabeleceu metas obrigatórias de redução de emissões. Como fica a Amazônia diante desse comprometimento? Carlos Nobre – É preocupante, não só para a Amazônia, mas para todo o planeta, para a sustentabilidade da vida e para a produção agrícola. O próprio conceito de desenvolvimento sustentável fica ameaçado se nós não conseguirmos eliminar esse risco. O fato de não termos chegado a um acordo legalmente vinculante e multilateral sob o guarda-chuva das nações unidas não significa que não poderemos chegar a algum tipo de acordo no futuro, mas é melhor que esse futuro seja muito imediato, se não no México, na COP 16, tem que ser na África do Sul, na COP 17. Não podemos deixar o tempo passar, e os esforços para reduzir as emissões devem continuar, com ou sem acordo. O Brasil, por exemplo, tem reduzido suas emissões. Talvez o pico das emissões brasileiras tenha sido no ano de 2005. A partir daí, reduzimos os desmatamentos, as emissões vêm diminuindo e agora vamos atuar em vários setores, não só na área do desmatamento, mas de agricultura, energia, indústria, e caminhamos para essa economia de baixo carbono. Isso deve ser acelerado e, é lógico, o jogo só se equilibra quando há um acordo amplo. Se não houver esse acordo, é como se alguém sempre quisesse “passar a perna” no outro, uns reduzem mais, outros não reduzem e outros aumentam. Portanto, o acordo é importante, mas as ações claras e que caminham na direção de uma economia de baixo carbono não podem parar, têm que continuar até que esse acordo se torne possível e seja efetivado. IHU On-Line – Além dos problemas que a Amazônia vive, o semiárido está cada vez mais seco, o norte do RS vive um processo de desertificação. Como o senhor encara as mudanças previstas para o Código Florestal? Carlos Nobre – Esta questão de áreas afetadas pelo processo de desertificação no Rio Grande do Sul é muito interessante. Não sou um especialista no assunto, mas acho que isso é um misto de processos naturais com o uso da terra e da cobertura vegetal. O solo fica muito exposto ao vento e, principalmente, aos fluxos de água, e acaba gerando moçorocas e processos de desertificação em alguns pontos. De fato, nos últimos dez anos, o clima no sul do Brasil, principalmente no Rio Grande do Sul, tornou-se mais variável, com períodos de secas intensas próximas a períodos de chuva. Um clima mais variável em uma região onde o clima geralmente é mais estável sempre motiva muitas coisas, mas não podemos afirmar cientificamente que esse aumento da variabilidade do clima no Rio Grande do Sul é provocado pelo aquecimento global. Ainda não temos como apontar isso definitivamente, mas é lógico que qualquer mudança no regime climático, observado por dez, vinte anos, chama atenção e a comunidade científica tem, portanto, obrigação de buscar uma explicação, se é um fenômeno natural ou se tem algo a ver com o aquecimento global. IHU On-Line – Existem outros lugares no país que tenham indícios de desertificação? Carlos Nobre – O lugar onde mais existem indícios de desertificação é no Piauí, na parte do semiárido do Piauí. Existe uma cidade chamada Gilbué que tem uma paisagem lunar, a maior área desertificada do Brasil. IHU On-Line – No estudo, o senhor diz que o risco de colapso da floresta é maior no leste e sul da Amazônia, região que corresponde ao Pará e Maranhão. Pode nos falar sobre a situação atual destas regiões? Que aspectos indicam que elas serão mais afetadas? Carlos Nobre – É o fato de que, nessas regiões, a estação seca é mais longa do que no oeste e no centro da Amazônia, onde dura de dois a três meses. Já no leste e no sul, essa estação seca dura de quatro a cinco meses. Então, por isso, se o clima fica mais seco, seja por aquecimento global ou por desmatamento, a região passa a ter um regime de chuva e seca muito parecido com o do cerrado do Brasil central. O clima seria mais favorável ao cerrado do que à floresta. A floresta precisa ter água no solo e umidade o tempo todo. E se é um clima muito sazonal, como é no Brasil central, a vegetação que aparece lá é de cerrados ou savanas tropicais. O leste e o sul da Amazônia são cobertos por florestas, mas tem um clima um pouco mais sazonal. Essa é a razão dessa região ser mais sensível às mudanças climáticas e ao desmatamento.
O norte do RS é uma das regiões que vive o processo de desertificação IHU On-Line – Que impactos esses problemas ambientais da Amazônia podem causar em outras regiões do país? Carlos Nobre – Não sabemos ao certo. Temos estudado o impacto da Amazônia nas chuvas do sul, por exemplo, no Rio Grande do Sul, nordeste da Argentina, Uruguai e Paraguai. Uma boa parte do vapor da água que participa dos processos de formação de chuva nesta região sudeste da América do Sul circulou pela Amazônia. Veio do oceano Atlântico, entrou pela Amazônia, virou chuva, choveu, caiu no solo, evaporou e choveu novamente. É um vapor d’água com muita milhagem, andou muito na Amazônia. A pergunta que se faz é: se mudar o clima na Amazônia, será que o vapor d’água, que hoje passa por ela e alimenta chuvas, principalmente no sul do Brasil, vai continuar o mesmo? Não sabemos, mas é uma questão importante, principalmente para as chuvas de inverno. Nas chuvas de verão, as fontes de vapor d’água são de muitos locais, mas as chuvas de inverno, no sul do Brasil, recebem uma alimentação muito grande desse vapor que passa pela Amazônia. Não temos uma resposta definitiva, mas pode haver um efeito principalmente nas chuvas de inverno no sul do Brasil, com mudanças profundas na agricultura, na ecologia e nos biomas.

Desmatamento consome vegetação original da Caatinga

Monitoramento do MMA (Ministério do Meio Ambiente) mostra que desmatamento na Caatinga já destruiu metade da vegetação original.
Paisagem de Caatinga Considerado o único bioma exclusivamente brasileiro, a Caatinga possui atualmente metade de sua cobertura vegetal original. Em 2008, a vegetação remanescente da área era de 53,62%. Dados do monitoramento do desmatamento no bioma realizado entre 2002 e 2008 revelam que, neste período, o território devastado foi de 16.576 km2, o equivalentente a 2% de toda a Caatinga. A taxa anual média de desmatamento na mesma época ficou em torno de 0,33% (2 763 km²). Em entrevista coletiva realizada em 02/03/2010 para divulgar os números deste levantamento, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, disse que o índice é alto, considerando-se que a região é a mais vulnerável do País aos efeitos das mudanças climáticas, com forte tendência à desertificação. De acordo com os dados do monitoramento, a principal causa da destruição da Caatinga deve-se à extração da mata nativa, que é convertida em lenha e carvão vegetal destinados principalmente aos pólos gesseiro e cerâmico do Nordeste e ao setor siderúrgico de Minas Gerais e do Espírito Santo. Outros fatores apontados foram as áreas criadas para biocombustíveis e pecuária bovina. O uso do carvão em indústrias de pequeno e médio porte e em residências também foi indicado. “Para reverter a situação é importantíssimo pensarmos em uma matriz energética diferente para a região, como energia eólica, gás natural e pequenas centrais hidrelétricas”, completou o ministro. Dentre as ações de mitigação previstas, estão a recuperação de solos e micro-bacias, o reflorestamento e as linhas de crédito para combate à desertificação. Carlos Minc revelou que o Banco do Nordeste estuda a criação do Fundo Caatinga, e que o Banco do Brasil tem a intenção de implementar o Fundo contra a Desertificação. O MMA pretende destinar ao Nordeste cerca de R$500 milhões oriundos do Pré- Sal para o Fundo Clima. O IBAMA já planeja 25 grandes operações de combate ao desmatamento e ao carvão vegetal ilegal na região, que devem ocorrer simultaneamente a partir deste mês. ÁreaCom uma área total de 826.411 km², a Caatinga está presente nos estados da Bahia, Ceará, Piauí, Pernambuco, Paraíba, Maranhão, Alagoas, Sergipe, Rio Grande do Norte e Minas Gerais. Os dois primeiros desmataram sozinhos a metade do índice registrado em todos os estados. Em terceiro e quarto lugar estão o Piauí e Pernambuco. Já o estado de Alagoas, por exemplo, possui atualmente apenas 10.673 km² dos 13.000 km² de área de caatinga originais. Os municípios que mais desmataram foram Acopiara (CE),Tauá (CE), Bom Jesus da Lapa (BA),Campo Formoso (BA), Boa Viagem (CE),Tucano (BA), Mucugê (BA) e Serra Talhada (PE) (confira as taxas por estado e municípios nos links abaixo). O padrão de desmatamento observado no bioma é pulverizado, o que dificulta as ações de combate à prática. De acordo com Luciano Menezes, diretor de Proteção Ambiental do Ibama, o monitoramento é muito importante para a elaboração de um plano de combate ao desmatamento e de mitigação dos efeitos desta prática. Por isso, será lançado em 28 de abril o Plano de Combate ao Desmatamento na Caatinga (PPCaatinga), que no futuro deve ser incorporado ao Plano Brasileiro de Mudanças Climáticas. Para amenizar os efeitos da desertificação no semi-árido brasileiro, amanhã (03/3) teve início em Petrolina (PE) e Juazeiro (BA) uma reunião que tratou do Plano de Combate à Desertificação no Nordeste. O evento terá a participação de todos os governadores e secretários de Meio Ambiente da região. Ações de combate Estudos revelam que o Nordeste pode perder um terço de sua economia até o final do século com os efeitos do aquecimento global e da desertificação. O ministro Minc revelou que foi feito um acordo com o governo do Piauí para a criação da maior unidade de conservação da Caatinga nas Serras Vermelha e da Confusão. A área terá cerca de 550 mil hectares. Além desta, a criação de novas unidades de conservação também é indicada como fator de proteção ao bioma. A secretária de Biodiversidade e Florestas do MMA, Maria Cecília Wey de Brito, explica que a Caatinga tem apenas 7% de áreas protegidas, somando áreas estaduais e federais, sendo que 2% são de proteção integral e os outros 5% são de unidades de conservação de uso sustentável. Ela também aponta a importância da Caatinga como habitat de espécies endêmicas (que só ocorrem em uma determinada região) em extinção, como a arara-azul-de lear, além, de lagartos, anfíbios e pequenos roedores. Metodologia O monitoramento foi feito por 25 técnicos contratados pelo PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) e por analistas ambientais do MMA e IBAMA, que utilizaram como referência o mapa de cobertura vegetal do MMA/Probio(programa de levantamento da cobertura vegetal do Brasil que detectou as áreas de vegetação nativa e antropizadas até o ano de 2002), bem como imagens de satélite. Também foi realizado um fórum técnico científico para discutir os dados finais com especialistas em mapeamento da caatinga. O detalhamento do mapa base do Probio em 2002 tinha uma escala de 1:250.000. Já o utilizado neste levantamento teve uma escala de 1:50.000. A precisão na identificação dos desmatamentos foi de 98,4%. De acordo com o ministro Minc, o MMA pretende realizar o mapeamento e monitoramento dos cinco biomas brasileiros (cerrado, caatinga, pantanal, pampa e mata atlântica) até o final do ano.

Áreas de florestas de São Paulo aumentaram

Áreas de florestas de São Paulo aumentaram quatro pontos percentuais em 10 anos.
Mata Atlântica, em São Paulo A cobertura vegetal do estado de São Paulo aumentou em 94 mil hectares em sete anos, de 2001 a 2008. O levantamento foi feito durante 15 meses pelo Instituto Florestal do estado utilizando o sistema de satélite japonês Alos, que tem maior resolução do que o brasileiro usado anteriormente. As fotografias também mostraram que a vegetação nativa cobre uma área 1 milhão de hectares maior do que se havia estimado anteriormente. De acordo com os dados, 17% do estado é coberto por mata, em vez dos 13% apontados no levantamento de dez anos atrás. Segundo o secretário estadual de Meio Ambiente, Xico Graziano, a expansão da área com vegetação é resultado da redução no ritmo de destruição das florestas aliada aos bons resultados das ações de recuperação. “Nós conseguimos comprovar, nos últimos levantamentos, as duas coisas: cai o desmatamento, hoje ele é muito pequeno. E a recuperação ambiental está mais forte do que nós mesmos imaginávamos”, disse. O resultado positivo na recuperação das florestas paulistas ajuda a preservar as espécias de flora e fauna nativa, além de ajudar a combater os efeitos das mudanças climáticas. “Isso [aumento da cobertura vegetal] é muito importante, porque a recuperação das florestas não só é bom para a biodiversidade, mas também promove a retirada de CO2 [gás carbônico] da atmosfera”, explicou Graziano. A nova tecnologia de satélite permitirá, de acordo com ele, uma melhor fiscalização do desmatamento e elaborar estratégias de recuperação mais eficientes. “Agora nós temos uma melhor capacidade de controle dessas áreas, nós as enxergamos melhor, conseguimos fazer uma fiscalização melhor e, mais ainda, nós temos como trabalhar no sentido de fazer a conectividade.” Segundo Graziano, trabalhar com o replantio de árvores em áreas de vegetação natural permite aumentar as regiões contínuas de floresta, o que é importante para o desenvolvimento da fauna e flora. “Porque pequenas áreas isoladas têm um efeito. E se nós conseguirmos juntar essas áreas com replantio de florestas, aí, formamos florestas maiores. Então, esse dado é muito importante para a biodiversidade”, destacou o secretário. A meta do estado de São Paulo é recuperar 1 milhão de hectares em matas ciliares, que margeiam os rios, em um período de 25 anos. Segundo Graziano, 250 mil hectares já estão em processo de recuperação, mas ainda não podem ser vistos pelo satélite por serem muito recentes. “As florestas jovens, de até cinco anos, a fotografia de satélite não permite a leitura dessas áreas, só quando elas atingem uma idade um pouco maior”. O inventário da cobertura vegetal do estado deverá ser atualizado a cada três anos.

Ritmo do desmatamento mundial retrocede

Ritmo do desmatamento mundial retrocede pela primeira vez em 10 anos. O ritmo do desmatamento, fundamentalmente a conversão de florestas tropicais em terras agrícolas, retrocedeu pela primeira vez nos últimos 10 anos no mundo, mas alguns países mantêm taxas alarmantes, sobretudo na África e América do Sul, anunciou a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). Um dos dados mais importantes do estudo é o de que o Brasil, com uma superfície de 8,5 milhões de quilômetros quadrados, grande parte deles cobertos pela floresta amazônica, perdeu uma média de 2,6 milhões de hectares de floresta anuais nos últimos 10 anos, contra 2,9 milhões de hectares nos anos 90. Reportagem da AFP. “Pela primeira vez, estamos em condições de demonstrar que a taxa mundial de desmatamento registrou uma regressão graças aos esforços mobilizados de forma coordenada”, declarou Eduardo Rojas, subdiretor geral da FAO, ao apresentar à imprensa a “Avaliação dos Recursos Florestais Mundiais 2010″, um relatório quinquenal. O informe, o mais completo realizado até hoje no setor, já que se baseia nos dados de 233 países e territórios, estabelece que sobre uma superfície total de quatro bilhões de hectares, o desmatamento provocou uma perda bruta de 13 milhões de hectares de floresta por ano entre 2000 e 2010 no mundo, contra 16 milhões nos anos 1990. O estudo reconhece que no Brasil e Indonésia, que registravam as maiores perdas de florestas nos anos 90, foram reduzidas consideravelmente as taxas de desmatamento. Os resultados confirmam que “acabou a mentalidade de cortar florestas e não fazer nada”, disse o espanhol Rojas. “A taxa de desmatamento diminuiu a nível mundial como resultado de uma série de esforços coordenados a nível local e internacional”, ressaltou Rojas. A perda líquida anual representa 5,2 milhões de hectares, contra 8,3 milhões na década anterior. O recuo se deve em boa parte, “aos programas de reflorestamento de grande envergadura” adotados por alguns países, especialmente na Ásia, onde a FAO observou “um aumento de 2,2 milhões de hectares por ano durante a última década”. China, Índia e Vietnã aumentaram suas superfícies florestais em quase quatro milhões de hectares por ano. As superfícies florestais permanecem estáveis nas Américas do Norte e Central. Na Europa, seguiram em expansão, mas com um ritmo mais lento. “O índice de desmatamento continua sendo, no entanto, muito alto em vários países”, declarou Rojas. Este é o caso da América do Sul e da África, que registram as maiores perdas anuais líquidas de florestas entre 2000 e 2010, respectivamente quatro e 3,4 milhões de hectares. A Oceania também registrou uma perda líquida, em consequência da grave seca na Austrália desde o ano 2000. Segundo o estudo, apenas 16% das florestas no mundo não tem plano de administração, o que demonstra a vontade política. “Os países não apenas melhoraram as políticas e legislação florestais, também estabeleceram bosques para uso de comunidades locais e povos indígenas, e para a conservação da diversidade biológica e outras funções ambientais. É uma mensagem de boas-vindas para 2010, Ano Internacional da Biodiversidade”, declarou Rojas.

Brasil ainda líder mundial do desmatamento

Brasil ainda é o país com o maior índice de desmatamento do mundo.
Mundo perdeu dois Estados de SP de florestas na última década, diz ONU.
O mundo perdeu uma área superior a dois Estados de São Paulo em florestas na última década, apesar da queda no desmatamento, segundo um relatório divulgado pela FAO, a agência da ONU para agricultura e alimentação.
Segundo o relatório Avaliação Global de Recursos Florestais 2010, houve uma redução na área média desmatada no mundo, de 16 milhões de hectares anuais durante a década de 1990, para 13 milhões de hectares anuais na década de 2000.
O Brasil teve uma redução significativa na perda de florestas na última década, de 2,9 milhões de hectares anuais nos anos 1990 para 2,6 milhões nos anos 2000, mas permanece como o país com o maior desmatamento no mundo.
A FAO observa que a perda líquida de florestas no mundo na última década foi reduzida ainda por conta de amplos programas de reflorestamento promovidos principalmente por China, Índia, Vietnã e Estados Unidos.
Na comparação com a década de 1990, houve uma redução de 37,3% no ritmo de perda de florestas no mundo na última década, de 8,3 milhões de hectares (equivalente à área do Estado do Rio de Janeiro) para 5,2 milhões de hectares (equivalente à área do Rio Grande do Norte ou às áreas somadas do Espírito Santo e do Distrito Federal).
ConcentraçãoSegundo o levantamento da FAO, há 4 bilhões de hectares de florestas no mundo, o equivalente a cerca de 31% de toda a área terrestre. Cinco países – Brasil, Rússia, Canadá, Estados Unidos e China – concentram mais de 50% de toda a área de florestas no mundo.
O relatório da ONU aponta a América do Sul como o continente com a maior perda de área de florestas na última década (4 milhões de hectares anuais), seguida da África, com 3,4 milhões de hectares de florestas perdidas por ano.
No outro oposto, a Ásia registrou um ganho líquido de 2,2 milhões de hectares anuais de florestas na última década, graças aos programas de reflorestamento adotados por vários países da região.
A China foi o país com o maior ganho de florestas na última década, segundo a FAO.
O Brasil, a Indonésia e a Austrália são apontados como os países com a maior perda líquida de florestas no mundo. Mas enquanto no Brasil e na Indonésia houve uma redução no desmatamento na última década, na Austrália houve um aumento, em consequência da seca e de grandes incêndios florestais nos últimos anos.
Esforços coordenadosA FAO monitora a situação das florestas no mundo a cada 5 ou 10 anos desde 1946. O relatório deste ano, cujos dados completos devem ser divulgados somente em outubro, traz dados coletados em 233 países e territórios do mundo.
“Pela primeira vez fomos capazes de mostrar que o ritmo de desmatamento caiu globalmente como o resultado de esforços coordenados tanto no nível local como no nível internacional”, afirma Eduardo Rojas, diretor-geral assistente do Departamento de Florestas da FAO.
A organização observa, porém, que o nível de desmatamento ainda é muito alto em muitos países e destaca a importância que as florestas têm no combate ao problema das mudanças climáticas, por serem grandes depósitos de carbono – floresta desmatada significa mais carbono na atmosfera.
Segundo Mette Løyche Wilkie, coordenadora do relatório, o fato de os programas de reflorestamento da China, da Índia e do Vietnã estarem previstos para terminar em 2020 significa que há uma ameaça de que haja um novo aumento nas perdas de florestas no mundo se não houver novas intervenções para conter o desmatamento e para promover o reflorestamento.

Microplásticos no ar de casas e carros

Microplásticos no ar de casas e carros: estudo alerta que a exposição é 100 vezes maior que a estimada. Como a presença de microplásticos no...