quinta-feira, 27 de junho de 2013

Iniciativas para adaptar às mudanças climáticas

Cientistas avaliam iniciativas globais para adaptação às mudanças climáticas
Pela primeira vez, os 18 cientistas que integram o comitê do Programa Mundial de Pesquisa Climática, WCRP na sigla em inglês, estão reunidos no Brasil para avaliar as iniciativas globais para mitigação e adaptação às mudanças do clima. No encontro anual, os dirigentes da organização vão concluir, até a próxima sexta-feira (31), um balanço de desafios considerados prioritários, como melhorias nas observações do nível dos oceanos e medidas para avaliar e garantir a disponibilidade de água em algumas regiões.
“O Brasil está entre os líderes em várias iniciativas, como as voltadas para mitigação das alterações climáticas e, ao lado da França e dos Estados Unidos, do sistema de observação do nível do mar. Poucos se importam com o que está acontecendo com os oceanos no mundo, como no Brasil, que tem uma costa muito grande”, disse Antonio Busalacchi, que preside o grupo, explicando que a liderança brasileira nessas políticas motivou a escolha do país para sediar a 34ª reunião do grupo, que existe desde 1985.
“Quis que os integrantes do comitê fossem apresentados a esse cenário. A discussão vai girar em torno de tópicos sobre climatologias em escala regional”, explicou, citando situações que estarão no centro dos debates, como a do Nordeste brasileiro, que enfrenta seca extrema há dois anos.
Há quatro anos, o Brasil se comprometeu a reduzir as emissões de gases de efeito estufa, apontadas como uma das principais responsáveis pelas alterações de temperatura da Terra, entre 36,1% a 38,9% até 2020, tendo como base o que emitia em 1990. O compromisso foi firmado durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas realizada em Copenhague, COP15, e a Política Nacional de Mudanças Climáticas transformou as metas voluntárias em objetivos claros para o governo e para vários setores.
A redução do desmatamento na Amazônia e no Cerrado está no topo da lista, que ainda inclui investimentos na produção de biocombustíveis, substituição do uso de carvão nativo e inclusão de técnicas de plantio que podem reduzir a emissão de gases nocivos pela agricultura.
Na próxima semana, o governo brasileiro vai divulgar o levantamento mais recente de emissões de gases de efeito estufa. A expectativa é que as áreas de meio ambiente e de ciência e tecnologia também anunciem os planos setoriais de mitigação, com metas para áreas estratégicas da economia.
Sem antecipar números, Carlos Nobre, secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação disse que todos os indicativos é que o país está caminhando em direção à meta. O termômetro que confirma essa expectativa, segundo ele, inclui, por exemplo, os índices de desmatamento que vêm mostrando redução da devastação de áreas em regiões estratégicas.
“Qualitativamente a gente sabe que a avaliação é boa porque o desmatamento na Amazônia e no Cerrado está caindo. No ano passado, tivemos o menor índice da série histórica de desmatamento na Amazônia”, disse. Para Nobre, as ações de fiscalização e monitoramento que estão sendo adotadas pelo governo devem manter essas taxas em queda.
Para o grupo de cientistas estrangeiros, Nobre também elencou programas brasileiros que coincidem com as estratégias globais do comitê. “O Brasil avançou muito em medidas de mitigação, mas temos que avançar ainda muito mais na adaptação da sociedade brasileira, do sistema econômico, da agricultura, do uso da água, por exemplo. São pesquisas que vão apontar políticas tecnológicas de adaptação e indicar políticas públicas, como as voltadas para mobilidade urbana e ocupação do litoral”, explicou o secretário.
Recentemente, o governo também criou o Instituto Nacional de Pesquisas sobre os Oceanos (Inpo), reservando outros recursos para pesquisas de longo prazo nos 8,5 mil quilômetros do litoral brasileiro, e iniciou a compra de equipamentos que vão aumentar a capacidade de monitoramento sobre a seca na Região Nordeste. “Estamos comprando 1 mil medidores de chuva, 500 medidores de umidade do solo, 100 estações agrometeorológicas que vão aumentar muito nossa capacidade de prever os impactos da seca do Nordeste sobre a agricultura e abastecimento de água”, explicou. (EcoDebate)

terça-feira, 25 de junho de 2013

UTI ambiental: diagnóstico da água II

As águas superficiais e subterrâneas resultam da ação de ciclos hidrológicos em bacias hidrográficas. E bacia hidrográfica é uma expressão muito lida e escutada e, em muitos casos, já anda dispensando a palavra hidrográfica, aparecendo como: bacia do Amazonas, bacia do São Francisco etc. É uma unidade geográfica, pois se refere a uma parte da superfície da terra, mas também uma unidade hidrológica, pois nela acontecem fases importantes do ciclo hidrológico. Um aspecto fundamental, entretanto, é o seu papel de receptora e processadora da água de chuva que atinge a sua superfície. Sintetizando um conceito, podemos dizer que bacia hidrográfica é uma área da superfície da terra, drenada por um determinado curso d’água. Assim, por exemplo, toda a área de terra que conduz parte da água de chuva recebida para formar o rio São Francisco, compõe a sua bacia hidrográfica.
Figura 1
 
Figura 2
A Figura 1 mostra duas bacias hidrográficas vizinhas. As linhas vermelhas estão unindo os pontos que as separam e demarcam na superfície e que são os divisores de águas. Para melhor entendermos o conceito de divisor de água, vamos usar o ponto 1 da Figura. Ele está sobre a linha que divide as bacias A e B, na parte mais elevada entre as duas, de tal maneira que, ao receber volumes de chuvas que provoquem enxurradas, por exemplo, seja capaz de dividi-las para a esquerda ou para a direita, ou seja, para a bacia A ou B. A figura da bacia hidrográfica está bem arraigada na legislação ambiental brasileira, sendo que a Lei Federal 9.433, que instituiu a nossa atual política de recursos hídricos e criou o sistema nacional para a sua implementação e gerenciamento, a considera como unidade territorial apropriada para a sua aplicação.
A qualificação de uma determinada superfície como bacia hidrográfica independe do tamanho da mesma, mas de sua capacidade de manter um curso d’água, ainda que um pequeno córrego. Aí surgem as grandes, as médias e as pequenas bacias; há, ainda, as sub-bacias e as microbacias. A classificação por tamanho é muito confusa, com autores diversos criando tabelas diferentes para tal. Ninguém discute que uma bacia hidrográfica de 645.000 km2, como a do rio São Francisco, seja uma grande bacia. Mas qual é o valor de área que faz com que uma bacia deixe de ser grande para virar média ou pequena, ou mesmo micro? Esta é, a meu ver, uma discussão irrelevante quando o interesse for a produção de água, pois tudo começa naquela unidade que mantém uma nascente e um córrego, ou seja, na pequena bacia. As médias e grandes são compostas da união das pequenas. Os córregos vão se juntando para formar ribeirões e rios e as respectivas pequenas bacias vão se unindo em áreas territoriais também maiores. Se a preferência for pela ordem decrescente, surgem as sub-bacias como unidades formadoras das médias e grandes.
Em lugar da classificação de tamanhos baseados nas áreas das bacias hidrográficas, é preferível uma outra classificação, com fundamentos na distribuição hierárquica dos cursos d’água que as drenam. Vejamos a hierarquização, segundo as regras de Strahler, que diz: a) o curso d’água sem ramificação é de 1a ordem ; b) dois cursos d’água de mesma ordem ao se unirem formam outro de ordem imediatamente superior; c) o curso d´água de determinada ordem mantém sua grandeza ao receber outro de ordem menor; d) A ordem do curso d’água que deixa a bacia pode ser mantida ao longo de todo o seu trecho. A Figura 2 mostra a aplicação de Strahler em uma bacia hidrográfica. A bacia hidrográfica recebe a mesma ordem do curso d’água que a drena. Tudo isso foi para dizer que, para fins de produção de água, nós consideramos pequenas bacias aquelas de até 3a ordem, independente dos valores das áreas drenadas.
À primeira vista, o leitor poderá imaginar que uma grande bacia terá uma ordem elevada, mas nem tanto. O item c das regras de Strahler segura o crescimento exagerado da ordem, pois ao atingir um determinado grau, o rio passa a receber, com mais frequência, cursos d’água de ordens menores. A bacia hidrográfica do rio Doce, que se desenvolve pelos estados de Minas Gerais e Espírito Santo, tem 83.465 km2 de área superficial, curso principal com 853 km e é de 10a ordem ( Classificação feita por Coelho, A. L. N., conforme publicação da revista on-line Caminhos da Geografia, v.8, n.22).
Sei que posso estar causando certa estranheza com a análise mais detalhada da natureza geográfica e hidrológica da bacia hidrográfica, mas não há outro jeito de entender a produção de água se não for feita uma radiografia de qualidade de tal sistema. No próximo artigo, vamos discutir como uma pequena bacia pode se comportar ao receber os volumes de água trazidos pelas chuvas. Ou seja, vamos analisar as interações das fases do ciclo hidrológico com alguns componentes físicos e biológicos da pequena bacia e como a presença humana pode interferir em tais interações. Aguardem. (EcoDebate)

Agroflorestas garantem água e biodiversidade

Agroflorestas garantem água e biodiversidade na bacia do Alto Paraguai
Municípios da Bacia do Alto Paraguai estão desenvolvendo um projeto para a melhoria dos sistemas produtivos da agricultura familiar através de cursos de capacitação e elaboração de estudos que subsidiem a recuperação das Áreas de Preservação Permanente (APPs). Na última semana, o Instituto Centro de Vida (ICV) realizou um acompanhamento das atividades de manejo agroflorestal para a recuperação de APPs em propriedades localizadas nos Projetos de Assentamento Capão Verde e Peraputanga.
O objetivo foi acompanhar as atividades nas áreas que integram o projeto, como a do Seu Adolfo Quirino Oliveira e a do Seu Adão Martins Gouveia, e planejar os próximos passos a serem executados.
O trabalho foi realizado por João Gilberto Peixoto Milanez, educador em Práticas Sustentáveis do ICV, em mutirão, com a participação de outros agricultores familiares que desenvolvem iniciativas semelhantes. Durante os processos de manejo, Seu Adolfo explicou que, apesar do trabalho ser árduo no começo, era muito satisfatório. “A agroflorestal é muito importante, mas é preciso ter vontade, coragem e coração para levar o trabalho adiante. Tenho muito orgulho do q ue foi realizado até agora e que ficará para meus filhos e netos” disse o agricultor.
A recuperação da floresta em torno do curso d’água permitiu a Seu Adolfo recuperar uma área que estava totalmente degradada havia três anos, na qual cresce agora, mais de 35 espécies de árvores que oferecem frutos, sementes, sombras e abrigo para animais e para as pessoas.
Seu Adão ressalta que com o trabalho conseguiu evitar o assoreamento de um córrego presente na propriedade, aumentando a disponibilidade da água para usos variados, como a irrigação de plantios ou para a criação de gado, graças à uma roda d’água. Ele relata que mesmo com tantos benefícios, a prática da recuperação de APPs ainda é mal compreendida e menosprezada por ser considerada improdutiva ao trocar pasto por árvores. “As pessoas, e até amigos meus, diziam que eu estava louco de trocar grama por árvores. Mas graças a agrofloresta, agora tenho um rio que já teria desaparecido e meu gado continua o mesmo. Não houve prejuízo algum, só vantagens!”, afirma.
João Gilberto explica que é necessário um trabalho constante de acompanhamento, realizado em várias etapas, como a de plantio, a de poda e a de controle das espécies, para que os resultados se consolidem. “O manejo das agroflorestas regular e constante é fundamental para o sucesso da agrofloresta, e a consequente recuperação de áreas degradadas” insiste o educador de práticas sustentáveis.
As atividades desenvolvidas em municípios da bacia do Alto Paraguai fazem parte do Projeto Conservação das cabeceiras do Paraguai, desenvolvido pelo ICV com apoio da Ecossystem. (EcoDebate)

domingo, 23 de junho de 2013

Brasil: 200 milhões de habitantes

A divisão de população da ONU (UN/ESA) divulgou em 13/06/13 o relatório “Perspectivas da População Mundial: Revisão de 2012” e atualizou o banco de dados para todos os países do globo. A população mundial foi estimada em 7,2 bilhões de habitantes em 2013, devendo chegar a 9,6 bilhões em 2050 e 10,9 bilhões em 2100.
Segundo a UN/ESA, o Brasil deve atingir 200 milhões de habitantes ainda em 2013. Evidentemente, toda estimativa tem certa margem de erro. Mas o número oficial mais atualizado será divulgado pelo IBGE em 29/08/13, quando o Instituto divulgará as novas projeções demográficas com base nos dados do censo 2010.
O Brasil tinha cerca de 3,4 milhões de habitantes em 1800, passou para 17,4 milhões de habitantes em 1900 e chegou a cerca de 170 milhões na virada do milênio, segundo as séries históricas do IBGE. Ou seja, partindo de uma base baixa, o crescimento demográfico foi de 5 vezes no século XIX e de 10 vezes no século XX. Em 200 anos a população brasileira cresceu 50 vezes. Mas os cenários para o século XXI são bastante diferentes.
O censo 2010 indicou uma população de cerca de 191 milhões de pessoas. Porém, no momento de construir as projeções populacionais é preciso fazer uma conciliação censitária e corrigir a subnumeração inerente a todo levantamento censitário. Neste sentido, as projeções da ONU, revisão 2012, indicam uma população brasileira de quase 195 milhões de habitantes em 2010, sendo que a marca de 200 milhões deve ser atingida ainda no começo do segundo semestre de 2013.
A ONU trabalha com 3 cenários de projeção. O que mais influencia estes cenários são as taxas de fecundidade. Na projeção média, a população brasileira deve atingir o pico de 231,2 milhões de habitantes em 2049 para em seguida iniciar uma fase de declínio até atingir 194,5 milhões de habitantes em 2100. Na projeção alta, a população brasileira seria de 330,9 milhões de habitantes em 2100 e, na projeção baixa, de 107,2 milhões de habitantes.
Na última projeção do IBGE, de 2008, a população brasileira atingiria 200 milhões de habitantes no segundo semestre de 2014 e chegaria ao pico de 219,1 milhões em 2039, caindo para 215,3 milhões de habitantes em 2050.
Ou seja, depois de crescer 50 vezes entre os anos de 1800 e 2000, a população brasileira deve apresentar crescimento próximo de zero entre 2010 e 2100, com aumento demográfico na primeira metade e decrescimento na segunda metade do século XXI.
Existe uma curiosidade sobre quando o Brasil vai atingir 200 milhões de habitantes. Porém, é preciso aguardar os números mais atualizados que serão divulgados pelo IBGE em 29/08/13, quando será publicada a “Projeção por sexo e idade da População do Brasil e das Unidades da Federação” para o período 2000 a 2060.
Segundo Nota Técnica do IBGE, comparativamente às revisões anteriores, as alterações introduzidas na edição de 2013 das projeções serão:
1) O ano de partida da projeção do Brasil será 2000 e o horizonte 2060, e para as Unidades da Federação, 2000 e 2030, respectivamente;
2) A estrutura por sexo e idade da população de partida passará por um processo de conciliação com as distribuições observadas nos Censos Demográficos 1991, 2000 e 2010. A conciliação censitária visa primordialmente definir a coerência entre os parâmetros demográficos estimados para o período 1991 – 2010 com a população de partida conciliada.
O Brasil é atualmente o quinto país mais populoso do mundo. A marca de 200 milhões de habitantes é um bom momento para se refletir sobre as tendências históricas e sobre as oportunidades e desafios da dinâmica demográfica brasileira. (EcoDebate)

Atividade Econômica, Atmosfera e Termodinâmica

O principal dogma da ciência econômica continua sendo a estapafúrdia ideia de fazer a economia crescer continuamente para “ofertar” a todos uma vida boa. A intenção em si é benevolente, contudo, isso não é factível.
Enquanto a ciência econômica continuar estabelecendo a produção econômica como o mais ilustrativo paradigma de prosperidade, convertendo isso em regra de comportamento, estaremos fadados a conviver com um meio ambiente cada vez mais degradado. Definitivamente, a expansão econômica (mais crescimento) é algo potencialmente agressivo ao ecossistema. Lamentavelmente, o arcabouço neoclássico ainda não se deu conta – ou finge não entender – que sem a natureza nada pode ser produzido de forma sólida. A escola neoclássica parece não considerar o fato de que a atividade econômica se desenrola dentro da chamada ecosfera dividida em quatro camadas (atmosfera, biosfera, hidrosfera e litosfera), e que essa não pode ser exposta à constante agressão.
Nesse sentido, não se pode perder de vista que a economia nada mais é que um apêndice da biosfera que consome energia. A economia encontra-se subordinada à ecologia que, por sua vez, é subordinada à biologia e à termodinâmica (calor, energia, potência), sendo essa última subordinada à física.
Assim, qualquer tentativa de crescimento econômico passa, indubitavelmente, por esses meandros. Apenas pelo fato da atividade econômica consumir energia já se vincula isso à uma dependência explícita às leis da física.
Contextualizando esse ponto. Energia é um conceito básico da física que obedece a duas leis fundamentais da termodinâmica. A primeira é a lei da conservação, cujo pressuposto básico diz que a energia não pode ser criada nem destruída, apenas pode ser transformada. A segunda é a lei da entropia que diz que a energia sempre se dispersa, passando de um estado de maior concentração para um de menor concentração.
Esse segundo princípio termodinâmico é, por si só, um balizador da expansão da atividade econômica, uma vez que a economia não pode contrariar a lei da entropia, ou seja, em outras palavras, não se pode usar a mesma energia, queimar o mesmo carvão ad infinitum.
Por isso é pertinente à afirmativa de que a economia está vinculada à ecologia e à termodinâmica. Sendo um sistema aberto – embutido – ao sistema ecológico, a economia passa a ser regida pelas leis da termodinâmica. O problema maior é que, além de não reconhecer essa “dependência”, o ensinamento neoclássico – que forma a base, em geral, do raciocínio dos economistas – trata com menosprezo os limites da natureza, pondo o conjunto das bases naturais em delicada situação. A atmosfera, por exemplo, pela elevação da temperatura produzida especialmente pela expansão da atividade econômica é uma das primeiras a sofrer as consequências.
Tornando essa passagem mais didática, é oportuno apontar que a atmosfera é uma mistura de muitos gases. Dois gases acabam “formando” 99% da massa atmosférica: o nitrogênio (com mais de 78%) e o oxigênio (com 20,95%). Sobra 1% para outros componentes menores (neônio, metano, hidrogênio, dióxido de carbono, ozônio e outros). O que acontece é que a temperatura da atmosfera é controlada pelo teor de alguns destes componentes menores, principalmente pelo gás carbônico.
É importante salientar que se apenas existissem nitrogênio e oxigênio, a temperatura da atmosfera seria muito baixa e a maior parte dos mares viraria gelo, dificultando o desenvolvimento das espécies. Acontece que o gás carbônico e o metano (em menor proporção) são os gases que retém o calor do sol e evitam esse congelamento dos mares. Conquanto, se o teor desses gases subir muito (acima de 1%) a temperatura na Terra ficará insuportavelmente alta. A questão temerária é que a atividade econômica na sanha em estimular o crescimento físico da economia tem provocado substancialmente o aumento desse teor, promovendo o aquecimento do clima. É a esse fato que se dá o nome de Efeito Estufa. Cada vez que se queima petróleo, carvão mineral e florestas (desmatamento) aliados à ação das indústrias que poluem o ar são introduzidos bilhões de toneladas por ano de gás carbônico na atmosfera, sendo que 85% são originados dos combustíveis fósseis.
Com isso, estimular o crescimento econômico só faz aumentar a pressão sobre os serviços prestados pela natureza. Crescimento é expansão, e o mundo ecológico não suporta mais um tipo de expansão exageradamente agressivo à escala de valores da natureza, em especial da biodiversidade.
Voltando ao início, enquanto o paradigma maior da ciência econômica girar em torno da busca pelo crescimento o limite biofísico será constantemente ferido. Mudar esse princípio é o principal desafio dos próximos tempos. Para tanto, faz-se necessário estabelecer uma economia que opere em sintonia com os princípios da natureza reconhecendo, de antemão, a dependência do sistema econômico em relação à ecologia e à termodinâmica. (EcoDebate)

População será de 9,6 bilhões em 2050

População mundial deve atingir 9,6 bilhões em 2050, diz novo relatório da ONU
Senhora caminha em Nova York, próxima a um cartaz da campanha do Fundo de População da ONU (UNFPA) sobre o tema do crescimento populacional.
A população mundial de 7,2 bilhões de pessoas chegará a 9,6 bilhões em 2050, apontou um relatório da ONU divulgado em 13/06/13. Ele prevê que o crescimento será principalmente nos países em desenvolvimento.
“Embora o crescimento da população vá diminuir como um todo, este relatório nos lembra de que alguns países em desenvolvimento, especialmente na África, ainda estão crescendo rapidamente”, disse o subsecretário-geral da ONU para assuntos econômicos e sociais, Wu Hongbo.
O relatório “Perspectivas da População Mundial: Revisão de 2012” observa que a população das regiões desenvolvidas permanecerá praticamente inalterada em torno de 1,3 bilhão até 2050.
No entanto, a população dos 49 países menos desenvolvidos deve dobrar de cerca de 900 milhões de pessoas em 2013 para 1,8 bilhão em 2050.
“Embora tenha havido uma rápida queda no número médio de filhos por mulher em grandes países em desenvolvimento, como China, Índia, Indonésia, Irã, Brasil e África do Sul, […] o rápido crescimento deverá continuar ao longo das próximas décadas em países com altos níveis de fertilidade como a Nigéria, o Níger, a República Democrática do Congo, Etiópia e Uganda, além do Afeganistão e Timor-Leste, onde há mais de cinco filhos por mulher”, disse o diretor da Divisão de População do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU, John Wilmoth.
Ele acrescentou que a mudança nas taxas de fecundidade nas próximas décadas poderá trazer grandes consequências para o tamanho, a estrutura e a distribuição da população no longo prazo.
O relatório observa que a Índia deverá se tornar o país mais populoso do mundo, passando a China por volta de 2028, quando ambos os países terão uma população de 1,45 bilhão.
Depois disso, a população indiana deve continuar a crescer e a da China começará a diminuir. Enquanto isso, a população da Nigéria deve superar a dos Estados Unidos antes de 2050.
Já a população da Europa deverá diminuir 14%, afirma o relatório, e Wilmoth alertou que o continente já está enfrentando desafios na prestação de cuidados e apoio para uma população em rápido envelhecimento.
Expectativa de vida deve aumentar
No geral, a expectativa de vida deverá aumentar nos países desenvolvidos e em desenvolvimento nos próximos anos.
Em nível global, a previsão é de 76 anos no período entre 2045-2050 e 82 anos em 2095-2100.
Até o final do século, as pessoas que moram nos países desenvolvidos poderão viver, em média, 89 anos, enquanto as que moram nas regiões em desenvolvimento devem viver cerca de 81 anos.
Os dados do relatório são baseados em uma ampla revisão dos dados demográficos disponíveis de 233 países e regiões em todo o mundo, incluindo a rodada de censos populacionais de 2010. (EcoDebate)

A população da Tailândia em 2100

A Tailândia (anteriormente conhecida como Sião) é um país asiático situado no centro da península da Indochina e península Malaia. Faz fronteira ao norte com Mianmar e Laos, a leste com Laos e Camboja, ao sul pelo Golfo da Tailândia e da Malásia e a oeste pelo Mar de Andamão. Suas fronteiras marítimas incluem o Vietnã, no Golfo da Tailândia, a Indonésia e a Índia.
O país é uma monarquia constitucional, tendo reinado a nação desde 1946 e sendo o mais antigo chefe de Estado do mundo e o monarca com maior reinado na história tailandesa. A Tailândia é o 50º maior país do mundo em área territorial (513 mil km²), sendo o 20º mais populoso do planeta. A capital e maior cidade do país é Bancoque, que é o centro político, comercial, industrial e cultural da Tailândia. Cerca de 75% da população é etnicamente tailandesa, 14% é de origem chinesa e 3% é etnicamente malaia. A religião principal é o budismo, praticado por cerca de 85% da população.
A Região conhecida como Tailândia tem sido habitada pelo homo sapiens desde o período paleolítico (há cerca de 10.000 anos). Antes da queda do Império Khmer, no século XIII d.C., vários Estados floresceram nesta região, tais como os reinos Tai, Mon, Khmer e Malaio, conforme verificou-se por meio dos vários sítios e artefatos arqueológicos espalhados pelas paisagens do antigo Sião. Antes ainda do século XII, porém, o primeiro Estado tailandês ou siamês é tradicionalmente considerado como sendo o Reino Budista de Sukhothai, fundado em 1238. A era atual da história tailandesa (Era Rattanakosin) iniciou-se em 1782, após o estabelecimento de Bancoque como capital do Reino do Sião (ver wikipedia).
A população da Tailândia era de 20,6 milhões de habitantes em 1950 e passou para 69,1 milhões de habitantes em 2010. Para 2050, a estimativa média é de 71 milhões na projeção média, devendo cair para 58 milhões de habitantes em 2100. No final do século XXI pode chegar a 96 milhões na hipótese alta ou 32 milhões na hipótese baixa. A densidade demográfica sempre foi relativamente alta, de 40 habitantes por quilômetro quadrado em 1950, passando para 135 hab/km2 em 2010 e podendo chegar a 138 hab/km2 em 2050.
A taxa de fecundidade total (TFT) das mulheres tailandesas era de 6,1 filhos por mulher em 1950, mas caiu de forma impressionante nos últimos anos atingindo 1,6 filhos por mulher em 2010, muito abaixo do nível de reposição (2,1 filhos). As estimativas médias da ONU indicam TFT de 1,7 filhos em 2050 e 2 filhos por mulher em 2100. O número médio de nascimentos estava em 940 mil no quinquênio 1950-55, mas caiu para 873 mil nascimentos em 2005-10, devendo decrescer ainda mais nas próximas décadas. A razão de dependência demográfica era de 83 pessoas dependentes para cada 100 pessoas em idade ativa em 1950 e caiu para 42 em 2010. Isto quer dizer que a Tailândia está em plena fase do bônus demográfico.
A mortalidade infantil e a esperança de vida estavam em 1950-55, em 130 mortes para cada mil nascimentos e 51 anos, respectivamente. A mortalidade infantil caiu para 12 por mil e a esperança de vida subiu para 74 anos, no quinquênio 2005-10. Para 2100, estima-se uma mortalidade infantil de 4 por mil e uma esperança de vida de 85 anos.
Em termos ambientais, a Tailândia possui déficit ambiental, pois segundo o relatório Planeta Vivo, da WWF, a pegada ecológica per capita dos tailandeses era de 2,41 hectares globais (gha), em 2008, mas possuía uma biocapacidade de apenas 1,17 gha. Embora a população deva decrescer já nas próximas décadas, o crescimento econômico e o aumento do padrão de consumo da população vai gerar enormes dificuldades ambientais. (EcoDebate)

Microplásticos no ar de casas e carros

Microplásticos no ar de casas e carros: estudo alerta que a exposição é 100 vezes maior que a estimada. Como a presença de microplásticos no...