sábado, 1 de novembro de 2014

Acidificação de oceanos provoca perdas de US$1 trilhão/ano até o final do século

Acidificação dos oceanos pode provocar perdas de 1 trilhão de dólares por ano até o final do século, diz ONU
Arrecifes de coral
A economia global perderá, anualmente, 1 trilhão de dólares até o final do século caso não sejam tomadas medidas urgentes para impedir a acidificação dos oceanos, afirma o documento ‘Uma síntese atualizada dos impactos da acidificação dos oceanos sobre a Biodiversidade Marinha’ lançado em 08/10/14 em Pyeongchang (Coreia do Sul). A cifra reflete somente a perda econômica das indústrias ligadas aos arrecifes de coral, uma das espécies mais vulneráveis a este fenômeno.
“Quando os ecossistemas param de funcionar como deveriam, eles não nos dão os serviços e os benefícios que ofereciam. No caso dos arrecifes de coral, eles são essenciais para a sobrevivência de milhares de pessoas em muitas regiões do mundo e serão significativamente afetados”, afirmou o especialista da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) sobre o assunto, Salvatore Arico.
O relatório, elaborado por uma equipe de 30 especialistas, afirma que a acidificação dos oceanos aumentou em cerca de 26% desde os tempos pré-industriais e vai continuar aumentando nos próximos 50 a 100 anos, afetando drasticamente os organismos marinhos e os ecossistemas, bem como os bens e serviços que fornecem.
A acidificação dos oceanos é a diminuição do PH dos oceanos da Terra, causada por um aumento das emissões de dióxido de carbono devido à atividade humana. O relatório sublinha que este fenômeno está ocorrendo em níveis sem precedentes, ameaçando a biodiversidade marinha e, consequentemente, a humanidade. (ecodebate)

Aumento do nível do mar reduz borda livre de cais

Aumento do nível médio do mar reduz borda livre de cais e impacta estruturas portuárias
Uma aceleração do aumento do nível médio do mar nas últimas décadas, com ondas maiores e aumento da frequência de tempestades. Essas foram as principais constatações de um extenso levantamento de dados das marés em 13 em localidades da costa brasileira, realizado pelo professor Paolo Alfredini, do Departamento de Engenharia Hidráulica e Ambiental (PHD), da Escola Politécnica (Poli) da USP. O estudo também identificou os impactos desses fenômenos sobre as estruturas portuárias, costeiras e estuarinas. Entre os principais estão a redução de borda livre de cais (espaço entre o piso do cais e a superfície da água), aumento de inundações em pátios e vias portuárias, e aumento das dragagens.
Aumento do nível do mar, ondas e incidência de tempestades afetam portos.
Intitulado Impactos e adaptações das estruturas portuárias e costeiras num cenário de mudanças climáticas globais, o trabalho teve como objetivo identificar os impactos costeiros e estuarinos ligados à variabilidade do clima, de ondas e de marés, que vem ocorrendo nas últimas décadas e como eles afetam as obras de engenharia portuária e costeira. “Essa identificação possibilitará a indicação de obras de adaptação ou mitigação para o enfrentamento desta nova realidade”, explica Alfredini. “Deste modo, torna-se possível buscar a quantificação de cada processo na região de interesse, facilitando a conclusão das medidas de engenharia a serem planejadas no futuro próximo.” Entre essas medidas estão o aumento de largura de canais de acesso portuários e dos volumes de dragagem dos portos.
Dados maregráficos
De acordo com ele, foi realizada uma extensiva coleta das bases de dados maregráficos de um longo período na costa brasileira, que em alguns casos vai desde 1940 até os dias atuais. “As informações foram colhidas em localidades das Costas Sul [Rio Grande do sul ao Rio de Janeiro], Leste [Espírito Santo ao Rio Grande do Norte] e Norte [Rio Grande do Norte ao Pará] do Brasil”, conta. “Depois elas foram organizadas e sistematizadas, visando a obtenção das taxas de elevação do nível do mar e sua tendência recente.
Quanto às ondas, os dados estão sendo utilizados para calibrar e validar modelos meteorológicos globais localmente, permitindo a verificação das tendências desde a década de 1960.
Os dados de marégrafos de Ubatuba (SP), no período de 1954 a 2005, Ilha Fiscal (RJ), de 1963 a 2009, Recife (PE), de 1947 a 1987, e Belém (PA), de 1948 a 1987, por exemplo, apontam para uma elevação do nível médio do mar de 35 centímetros (cm) a 65 cm neste século. Vitória, cujo estudo abrangeu o período de 1979 a 1981, é considerada a área mais crítica, pois o aumento do nível do mar também colocaria cerca de 600 mil pessoas em áreas de risco. Já a projeção para a Baixada Santista (SP) é de um aumento de meio metro em cem anos.
O trabalho do pesquisador da Poli é pioneiro no Brasil. “Ele começou em 2004, com projeto de um ano realizado com recursos do Banco Mundial, por intermédio do Ministério do Meio Ambiente”, informa Alfredini. “Depois, o estudo ganhou grande impulso a partir de 2010 com recursos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior [CAPES], por meio do Projeto Rede Litoral, no qual contamos com a colaboração de professores do Politecnico di Torino, na Itália.”
A pedido da Secretária de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, a pesquisa caminha agora para mapear as adaptações necessárias nos portos brasileiros frente às mudanças climáticas. Para esta etapa, o estudo conta com recursos Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). (ecodebate)

Cientistas afirmam que a desaceleração do aquecimento global á aparente

De acordo com um estudo publicado na revista Science, o aquecimento global se intensificará novamente assim que o calor subir para a superfície da água.
A aparente desaceleração do aquecimento na superfície terrestre nos últimos 15 anos pode ser atribuída a um aprisionamento do calor nas profundezas do Oceano Atlântico e dos mares do sul, afirmaram cientistas nesta quinta-feira.
O estudo [Varying planetary heat sink led to global-warming slowdown and acceleration], publicado na revista Science, sugere que tais ciclos têm ocorrido nos últimos 20 a 35 anos, e que o aquecimento global se intensificará novamente assim que o calor subir para a superfície da água.
“A cada semana há uma nova explicação para estas interrupções”, afirmou o coautor da pesquisa, Ka-Kit Tung, professor de matemática aplicada e membro adjunto da faculdade de ciências atmosféricas da Universidade de Washington.
“Temos acompanhado as observações no oceano para tentar encontrar a causa subjacente”, prosseguiu.
Tung e Xianyao Chen, da Ocean University, da China, estudaram as temperaturas das profundezas a partir de amostras d’água coletadas até 2.000 metros de profundidade.
Eles descobriram que, em 1999, a água começou a esquentar mais, bem quando o rápido aquecimento do século XX começou a decair.
Segundo os pesquisadores, o fato de que o calor se desloque para o fundo do mar explica porque a superfície permanece com temperaturas estáveis, da mesma forma que os gases de efeito estufa prendem mais o calor do sol na superfície da Terra.
Eles descobriram ainda que, diferentemente dos estudos anteriores, o calor não ficava preso no oceano Pacífico.
“Esta descoberta é uma surpresa”, disse Tung. “Mas os dados são bastante convincentes e mostram outra coisa”, afirmou.
As mudanças climáticas coincidiram, ainda, com um aumento da salinidade e na densidade da água na superfície do norte do Atlântico, perto da Islândia.
Esta dinâmica gera mudanças na velocidade das enormes correntes do Atlântico que circulam quentes através do planeta, acrescentou o estudo.
“Quando a água mais densa fica por cima da mais leve, ela cai muito rápido e sua temperatura aumenta por isso”, disse Tung.
“Há ciclos recorrentes impulsionados pela salinidade que podem armazenar o calor nas profundezas dos oceanos Atlântico e os mares do sul”, acrescentou Tung.
“Depois de 30 anos de aquecimento acelerado na fase quente, agora é o momento da fase fria”, prosseguiu. (ecodebate)

Degelo na Groenlândia e Antártida dobra em 5 anos

Degelo na Groenlândia e Antártida dobra em cinco anos, diz estudo
Os mapas mostram os resultados dos modelos de elevação gerados pela equipe alemã
A redução da área de gelo da Groenlândia e Antártida, as duas principais capas de gelo do planeta, dobrou desde 2009, de acordo com um estudo que analisou imagens de um satélite europeu.
O exame dos dados gerados pelo CryoSat indicam que só a Groenlândia vem perdendo cerca de 375 km3 de gelo por ano.
Somado, o volume de gelo despejado todo ano pelas duas maiores capas chega a 500 Km3, disse à BBC a pesquisadora Angelika Humbert, do Instituto Alfred Wegener (IAW), na Alemanha.
“A contribuição das duas capas de gelo à elevação do nível dos oceanos dobrou desde 2009″, afirmou Humbert. “Para nós, é um número inacreditável.”
O estudo do instituto, publicado na revista científica The Cryosphere, não calculou quanto o degelo colabora para a elevação do nível dos mares. Mas se todo o volume despejado nos oceanos for considerado como gelo (uma porção pequena seria de neve), a contribuição poderia ficar na ordem de pouco mais de um milímetro por ano.
Comparações
O satélite CryoSat foi lançado pela Agência Espacial Europeia em 2010 com um sofisticado instrumento de radar projetado para medir o formato das camadas de gelo polares.
O satélite CryoSat
O grupo do IAW, coordenado pelo cientista Veit Helm, estudou pouco mais de dois anos de dados para criar um modelo de elevação digital (MED) da Groenlândia e da Antártida e avaliar a sua evolução.
O modelo incorpora 14 milhões de medidas de altura referentes à Groenlândia e outros 200 milhões referentes à Antártida.
Quando comparadas com bases de dados semelhantes produzidas pela missão IceSat, da agência espacial americana (NASA) produzidas entre 2003 e 2009, as medições permitem calcular mudanças no volume de gelo mais abrangentes que o período observado pelo CryoSat.
Tendências negativas são resultado de degelo, enquanto tendências positivas são consequência de precipitação ou nevascas.
A Groenlândia vem atravessando o seu momento de maior redução na elevação, perdendo 375 km3 de gelo por ano, a maior parte nas costas oeste e sudeste da ilha.
Há um derretimento significativo também na Corrente de Gelo Nordeste da Groenlândia.
“Esta região é formada por três glaciares. Um deles, o Zachariae Isstrom, recuou um bocado e já houve registros de perda de volume. Mas agora vemos que essa perda de volume está se alastrando para áreas superiores, muito mais para o interior da capa de gelo do que se via antes”, disse a professora Humbert.
Antártida
Já na Antártida, a perda de volume anual foi calculada em cerca de 128 km3 por ano.
O mapa mostra as áreas mais atingidas da Groenlândia
Como outros estudos já haviam indicado, a maior parte do degelo se concentra no lado oeste do continente, na área conhecida como Baía do Mar de Amundsen.
Grandes glaciares da região estão recuando e perdendo espessura a um ritmo acelerado.
Por outro lado, há ganhos de espessura na camada de gelo de algumas áreas, como em Dronning Maud Land, onde foram registradas nevascas colossais. No entanto, o acúmulo nessas áreas não compensa as perdas nas outras.
Um grupo científico britânico recentemente produziu o seu próprio MED a partir de um algoritmo diferente aplicado sobre a base de dados do CryoSat.
O resultado é parecido com o do IAW, e os alemães aplicaram o mesmo método para a Groenlândia, de maneira que pudessem comparar as duas capas de gelo.
Quando comparadas, as reduções indicam as mesmas conclusões da missão americana Grace, que monitora as mudanças nas regiões polares a partir de dados gerados por um outro tipo de satélite, que observa o volume de gelo despejado no mar. (ecodebate)

A acidificação dos oceanos cresce 26% nos últimos 200 anos

Mares absorveram mais de um quarto das emissões de CO2 geradas pela atividade humana.
O pH dos oceanos aumentou 26% em média nos últimos 200 anos, ao absorver mais de um quarto das emissões de CO2 geradas pela atividade humana
O pH dos oceanos aumentou 26% em média nos últimos 200 anos, ao absorver mais de um quarto das emissões de CO2 geradas pela atividade humana, adverte um relatório publicado em Seul.
Pesquisadores ligados à Convenção sobre a Diversidade Biológica (CDB) analisaram centenas de estudos existentes sobre este fenômeno para redigir o documento que apresentaram em Pyeongchang (Coreia) por ocasião da 12ª reunião da convenção das Nações Unidas sobre a proteção da biodiversidade.
O relatório destaca a gravidade do fenômeno, que apresenta uma rapidez sem precedentes e um impacto muito variado, que seguirá aumentando nas próximas décadas.
"É inevitável que entre 50 e 100 anos as emissões antropogênicas de dióxido de carbono elevem a acidez dos oceanos a níveis que terão um impacto enorme, quase sempre negativo, sobre os organismos marinhos e os ecossistemas, assim como sobre os bens e serviços que proporcionam", destacam os cientistas.
A acidez dos oceanos varia naturalmente ao longo do dia, das estações, do local e da região, mas também em função da profundidade da água. "Os ecossistemas das costas sofrem uma maior variabilidade do que os que estão em alto mar", destacam os pesquisadores.
Alguns trabalhos revelam que a fertilização de certas espécies é muito sensível à acidificação dos oceanos, enquanto outras são mais tolerantes.
Os corais, moluscos e equinodermos (estrelas do mar, ouriços, pepinos do mar e etc) estão particularmente afetados por esta mudança, que reduz seu ritmo de crescimento e sua taxa de sobrevivência, mas algumas algas e microalgas podem se beneficiar, do mesmo modo que alguns tipos de fitoplânctons.
O relatório destaca o impacto socioeconômico já visível em algumas regiões do mundo: na aquicultura do noroeste dos Estados Unidos e na criação de ostras.
Os riscos para as barreiras de coral nas zonas tropicais também são uma "enorme preocupação, já que envolvem a subsistência de 100 milhões de pessoas, que dependem destes habitats".
Segundo os pesquisadores, "apenas a redução das emissões de CO2 permitirá deter o problema”. (yahoo)

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