segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Sabesp só consegue reaproveitar 3,9% do esgoto tratado

Volume representa menos de 1% dos 69 mil litros por segundo produzidos para abastecer os habitantes da Grande São Paulo.
Apontado por especialistas como uma das melhores alternativas para reduzir a superexploração de rios e represas, o reaproveitamento do esgoto tratado no abastecimento de água – como anunciado em 30/10/14 em Campinas - ainda é incipiente. Segundo dados da Sabesp, a distribuição de água de reuso na Grande São Paulo corresponde a apenas 3,9% dos 15 mil litros por segundo de esgotos que são tratados. 
São 600 litros por segundo consumidos principalmente por prefeituras, concessionárias de serviços públicos, empreiteiras, indústrias de papel e celulose, têxtil e petroquímicas. O volume representa menos de 1% dos 69 mil litros por segundo produzidos pela Sabesp para abastecer os cerca de 20 milhões de habitantes da Grande São Paulo. 
“Assim como os romanos faziam na antiguidade, nós estamos poluindo os rios mais próximos e indo buscar água cada vez mais longe. É insustentável, precisamos mudar esse paradigma”, alerta o diretor do Centro Internacional de Referência em Reúso de Água, Ivanildo Hespanhol. Segundo ele, as normas brasileiras deveriam ser menos restritivas para o aproveitamento do esgoto. “Precisamos mudar a percepção pública. Nossa cultura não aceita reúso. Enquanto isso, Austrália, Singapura, África do Sul, Estados Unidos e Namíbia aproveitam muito bem esse recurso”, diz. (OESP)

Alckmin retoma disputa pela água com o Rio

Alckmin retoma disputa com RJ por água do rio Paraíba do Sul.
Governador reafirmou que agência federal deve frear uso pela usina hidrelétrica de Santa Cecília e priorizar consumo humano.
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), retomou em 31/10/14 a disputa com o Rio pela utilização da água do Rio Paraíba do Sul - que abastece os dois Estados - e cobrou que a Agência Nacional de Águas (ANA) acione o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para priorizar o abastecimento humano na bacia hidrográfica da Represa Jaguari. Além disso, abriu a possibilidade de usar até o terceiro volume morto do Cantareira. Já o ministro da Integração Nacional, Francisco Teixeira, culpou o Estado de São Paulo pela crise.
Segundo Alckmin, a ANA deve frear a utilização de água do Paraíba do Sul na usina hidrelétrica de Santa Cecília, unidade da Light em Barra do Piraí (RJ). “Quando se verifica a retirada em Santa Cecília, são 160 metros cúbicos por segundo. Para a Cedae (Companhia Estadual de Água e Esgotos do Rio), (para abastecimento humano) são 45 m3”, disse o governador, completando que na região metropolitana de São Paulo, com 22 milhões de pessoas, o consumo da bacia é de 66 m3. “Como você pode tirar 160 m3? É óbvio que a maioria é produção de energia elétrica e aí pode ter problema no futuro”, disse, durante evento em Araraquara. 
Governador quer priorizar o abastecimento humano na bacia hidrográfica à qual pertence a represa paulista de Jaguari que abastece os dois Estados.
Alckmin evitou uma nova polêmica pessoal com o governador reeleito do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB), pelo uso da água do Paraíba do Sul, mas lembrou ter alertado para a utilização do manancial na produção de energia elétrica quando a Represa Jaguari tinha 42% da capacidade de armazenamento - ante 11% hoje. “A depressão (na represa) foi para produzir energia elétrica em detrimento do abastecimento humano. Defendemos tanto o Rio de Janeiro quanto São Paulo, e a prioridade é abastecimento humano; são regras internacionais e energia elétrica você pode produzir por térmica, cogeração, biomassa e fotovoltaica”, afirmou.
Para evitar crises como essa no futuro, governo de SP quer interligar sistema Cantareira à bacia do rio Paraíba do Sul.
Cantareira
O governador de São Paulo disse ainda que utilizará a terceira parte do volume morto do Sistema Cantareira para o abastecimento da região metropolitana de São Paulo, se houver necessidade, mas não deu prazos. Ele ressaltou que o mês de outubro foi o mais seco desde 1930 e defendeu a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). “Temos 1.300 municípios com problemas (de seca, no País) e nenhum operado pela Sabesp. Não vai faltar água.”
Ministro. No encerramento do 23.º Encontro Brasileiro de Administração (Enbra), o ministro da Integração Nacional, Francisco Teixeira, disse que “São Paulo não fez as obras devidas para evitar este colapso que enfrenta hoje”. “As grandes obras que precisavam ser feitas e não foram acabaram provocando a situação que a capital está vivendo hoje. Há a uma espera pela chuva para resolver o problema em São Paulo.”
Ele espera que o próximo ano apresente uma situação de chuva melhor para as principais bacias do País. “A previsão mais concreta vai sair lá para 20 de dezembro, mas, pelo menos o El Niño, fenômeno climático que é um termômetro da possibilidade de ter chuva ou não por influenciar a temperatura do Oceano Pacífico, está neutro. O El Niño está muito fraco. Nem moderado está. Então, podemos ter uma perspectiva de chuva.”
Segundo ele, “não será do tipo 2004, 2008,2009, que enche tudo, mas que seja ao menos para encher minimamente os reservatórios de pequeno porte”. “E aí já melhora a situação para a população.”
Disputa teve início em agosto
Em agosto, a CESP, que é controlada por Alckmin, protagonizou o primeiro episódio da guerra da água com o Rio, ao descumprir uma determinação do Operador Nacional do Sistema Elétrico (NOS) para aumentar a vazão da Represa de Jaguari para o rio Paraíba do Sul, que atravessa grave estiagem e abastece 11 milhões de pessoas no Rio.
“O Operador Nacional de Sistema obrigou a fazer a abertura das águas a ponto de ameaçar uma intervenção na CESP”, afirmou Alckmin. A empresa também acabou multada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
A medida representou uma derrota para o governo paulista, que pretende fazer a transposição de água do Jaguari para a represa Atibainha, do Sistema Cantareira. A obra, que iniciou a disputa pela água com o Rio, está prevista para o início de 2016, e ajudaria na recuperação do principal manancial paulista.
Após uma série de atritos durante a campanha eleitoral, Alckmin voltou a cobrar apoio federal para ações anticrise, incluindo zerar impostos para empresas de saneamento.  (OESP)

sábado, 1 de novembro de 2014

Nova síntese do IPCC vê aquecimento global ‘irreversível’

Documento deve admitir ação humana como base para avanços de temperatura de até 3,7°C no fim deste século.
Em um esforço para tornar possível um acordo mundial de redução de emissões dos gases de efeito estufa daqui a apenas sete meses, o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC) iniciou em 27/10/14, em Copenhague, a confecção de um resumo de suas mais recentes constatações científicas. A premissa de que o aquecimento global trará consequências “graves, generalizadas e irreversíveis para as populações e os ecossistemas” já tem consenso para a síntese. O texto final servirá como base para as negociações políticas da 21.ª Conferência das Partes sobre Mudança Climática (COP21), marcada para maio, em Paris.
“Ainda temos tempo para construir um mundo melhor e mais sustentável”, declarou o indiano Rajendra Pachauri, presidente do IPCC, ao abrir os trabalhos. “Mas temos muito pouco tempo”, advertiu.
Premissa de que o aquecimento global trará consequências “graves, generalizadas e irreversíveis para as populações e os ecossistemas” já tem consenso.
Pachauri chamou a atenção de cientistas e de governos para as “graves implicações da inação”. O relatório do primeiro grupo de trabalho do IPCC, divulgado em 2013, trouxe constatações devastadoras. De 1750 a 2011, a concentração de gás carbônico (CO2) aumentou 40%; a de metano (CH4), 150%; a de óxido nitroso (N2O), 20%. A presença de CO2 na atmosfera é, hoje, a maior dos últimos 800 mil anos. O resultado tem sido o aquecimento da Terra. Entre 1951 e 2010, esses gases contribuíram para aumentar a temperatura média da superfície mundial entre 0,5ºC e 1,3ºC. Os prognósticos até o fim deste século são piores: no cenário mais otimista do IPCC, haverá aumento de 1,0ºC. No mais pessimista, de 3,7ºC.
Sem previsão
A negociação para um novo documento do clima será técnica. “Não posso prever o resultado da negociação. Mas eu sei que é fundamental para os formuladores de políticas públicas ter suas decisões orientadas pela ciência. Eu não os invejo. A tarefa deles será formidável”, afirmou Pachauri.
O rascunho da síntese ressalta a responsabilidade da atividade humana no aquecimento global desde 1950. EUA e União Europeia se movem para incluir no texto final clara menção aos custos “quase insignificantes” da redução das emissões de gases de efeito estufa em comparação com o crescimento do consumo projetado. Já a Índia sugere a mudança do critério comparativo para usar projeções do PIB. (OESP)

Aquecimento global não pode ser contido

Documento deve admitir ação humana como base para avanços de temperatura de até 3,7°C no fim deste século.
Em um esforço para tornar possível um acordo mundial de redução de emissões dos gases de efeito estufa daqui a apenas sete meses, o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC) iniciou, ontem, em Copenhague, a confecção de um resumo de suas mais recentes constatações científicas.
A premissa de que o aquecimento global trará consequências “graves, generalizadas e irreversíveis para as populações e os ecossistemas” já tem consenso para a síntese. O texto final servirá como base para as negociações políticas da 21.ª Conferência das Partes sobre Mudança Climática (COP21), marcada para maio, em Paris.
Aquecimento global: consequências graves, generalizadas e irreversíveis. (oglobo)

Nível do mar registrou aumento sem precedentes nos últimos 100 anos

O nível do mar aumentou 20 centímetros nos últimos 100 anos, um fenômeno sem precedentes em milênios, mostra estudo divulgado em 14/10/14 na Austrália.
A pesquisa [Sea level and global ice volumes from the Last Glacial Maximum to the Holocene], publicada no Proceedings of the National Academy of Sciences, analisa as flutuações do nível do mar nos últimos 35 mil anos com base nas mudanças no volume de gelo na terra.
“Nos últimos seis mil anos, antes de começar a aumentar o nível da água, o nível do mar foi bastante estável”, disse um dos coautores do estudo, Kurt Lambeck, pesquisador da Universidade Nacional Australiana.
Lambeck explicou que, durante esses milênios, não foram encontradas provas de oscilações de 25 a 30 centímetros em períodos de 100 anos, mas que essa tendência mudou a partir do processo de industrialização, com um aumento que classificou como incomum.
“Nos últimos 150 anos, assistimos a um aumento do nível da água à velocidade de vários milímetros por ano e nos nossos registos mais antigos não verificamos um comportamento similar”, disse o cientista, vinculando esse fenômeno ao aumento da temperatura do planeta.
A investigação concluiu ainda que, mesmo assim, as flutuações naturais do nível do mar nos últimos seis mil anos foram menores do que sugeriam estudos anteriores.
“Esse ponto foi bastante polêmico porque muita gente assegurava que o nível do mar tinha oscilado em grandes quantidades, vários metros em centenas de anos, e não encontramos provas que o demonstrem”, acrescentou Lambeck.
O estudo aborda também a complexa relação entre o degelo e o aumento do nível dos oceanos, no qual intervêm fatores como a gravidade, que provoca aumento no nível do mar em algumas áreas e queda em outras. (ecodebate)

Aquecimento levará centenas de espécies de peixes aos polos

Até 2050, mares tropicais vão perder diversidade por causa de mudanças do clima; muitos animais desaparecerão.
Por causa do aquecimento global, centenas de espécies de peixes poderão desaparecer das regiões tropicais até o fim de 2050, de acordo com um novo estudo realizado por cientistas da Universidade British Columbia, no Canadá. Segundo a pesquisa, as mudanças climáticas deverão levar os peixes cada vez mais em direção às águas do Ártico e da Antártida.
Ao usar três modelos matemáticos de distribuição de espécies, o estudo, publicado na revista ICES Journal of Marine Science, examinou o impacto das mudanças climáticas na biodiversidade marinha e identificou os pontos críticos do planeta para extinção local de peixes.
A partir dos cenários produzidos pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), os cientistas usaram os modelos para prever como 802 espécies de peixes comercialmente importantes reagiriam a um aquecimento da temperatura dos oceanos. A conclusão é que haverá uma mudança em larga escala dos hábitats dos peixes rumo aos polos.
Mudanças climáticas deverão levar os peixes cada vez mais em direção às águas do Ártico e da Antártida.
No pior cenário, de alta emissão de carbono, no qual a temperatura dos oceanos subiria 3°C até 2100, os peixes migrariam para longe da linha do equador em uma taxa de 26 quilômetros por década, em média.
No melhor cenário, com baixas emissões e com um aumento de temperatura de 1°C, os peixes se moveriam para os polos na taxa média de 15 quilômetros por década. Esse padrão de deslocamento das espécies, de acordo com os autores, é semelhante ao que já foi verificado a partir de 1970.
Segundo William Cheung, um dos autores, as regiões tropicais sofrerão alto impacto no estoque pesqueiro. “Não há lugares onde todas as espécies serão extintas. Mas em algumas áreas, até 70% delas podem desaparecer”, afirmou.
As áreas de alto risco de extinção, ele explica, concentram-se na região equatorial, entre os paralelos 10 norte e 10 sul. “Nessa faixa, cerca de 260 espécies seriam localmente extintas no pior cenário”, disse Cheung.
Se o estudo identificou os trópicos como áreas com grande perigo de extinções de peixes, por outro lado, o Ártico e a Antártida foram indicados como pontos de alto risco de invasão biológica. “A invasão de espécies será cada vez maior nos polos. Ainda assim, o número de espécies novas nessas áreas não será tão grande como o de extintas na região equatorial.”
Fuga do trópico
97% das espécies de peixes serão deslocadas das regiões tropicais para latitude mais alta até 2050, segundo o estudo da Universidade British Columbia, no Canadá.
26% será o aumento de espécies invasoras que chegarão ao Oceano Ártico nas próximas quatro décadas, afirmam cientistas. (OESP)

Acidificação de oceanos provoca perdas de US$1 trilhão/ano até o final do século

Acidificação dos oceanos pode provocar perdas de 1 trilhão de dólares por ano até o final do século, diz ONU
Arrecifes de coral
A economia global perderá, anualmente, 1 trilhão de dólares até o final do século caso não sejam tomadas medidas urgentes para impedir a acidificação dos oceanos, afirma o documento ‘Uma síntese atualizada dos impactos da acidificação dos oceanos sobre a Biodiversidade Marinha’ lançado em 08/10/14 em Pyeongchang (Coreia do Sul). A cifra reflete somente a perda econômica das indústrias ligadas aos arrecifes de coral, uma das espécies mais vulneráveis a este fenômeno.
“Quando os ecossistemas param de funcionar como deveriam, eles não nos dão os serviços e os benefícios que ofereciam. No caso dos arrecifes de coral, eles são essenciais para a sobrevivência de milhares de pessoas em muitas regiões do mundo e serão significativamente afetados”, afirmou o especialista da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) sobre o assunto, Salvatore Arico.
O relatório, elaborado por uma equipe de 30 especialistas, afirma que a acidificação dos oceanos aumentou em cerca de 26% desde os tempos pré-industriais e vai continuar aumentando nos próximos 50 a 100 anos, afetando drasticamente os organismos marinhos e os ecossistemas, bem como os bens e serviços que fornecem.
A acidificação dos oceanos é a diminuição do PH dos oceanos da Terra, causada por um aumento das emissões de dióxido de carbono devido à atividade humana. O relatório sublinha que este fenômeno está ocorrendo em níveis sem precedentes, ameaçando a biodiversidade marinha e, consequentemente, a humanidade. (ecodebate)

Microplásticos no ar de casas e carros

Microplásticos no ar de casas e carros: estudo alerta que a exposição é 100 vezes maior que a estimada. Como a presença de microplásticos no...