quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Contaminação do Aquífero Barreiras X Águas Minerais

Contaminação do Aquífero Barreiras X Águas Minerais – Crônica Potiguar
O aquífero Barreiras não só disponibiliza, via CAERN, a maior parte do abastecimento de água, como também é fonte para indústrias de águas minerais na Região Metropolitana de Natal. Dessa forma, o processo de contaminação do Barreiras pode também refletir nas águas minerais comercializadas e consumidas pela população potiguar. Infelizmente alguns informes técnico-científicos indicam que já existem casos comprovados desse grave problema.
Municípios no entorno de Natal, como Parnamirim, Macaíba e Extremoz, registram significativas taxas de crescimento urbano e se caracterizam por conter diversas reservas de águas minerais. Nóbrega et al. (2008) analisaram, para nitrato, dez marcas de águas minerais comercializadas em Natal cujas as fontes se localizam nos três municípios citados acima. Os autores compararam os resultados obtidos na pesquisa com as concentrações de nitrato que essas águas apresentaram no ano em que suas respectivas indústrias foram autorizadas a operar. A tabela 1 abaixo sintetiza essas informações.
Água_Mineral
Nitrato (mgNO3/L) DNPM
Ano_DNPM
Nitrato (mgNO3/L) Nobrega et al
Ano_Nobrega et al
Amostar_01
12.50
1985
19.12
2005
Amostar_02
4.20
2001
3.66
2005
Amostar_03
4.70
1999
4.54
2005
Amostar_04
0.95
1987
5.26
2005
Amostar_05
0.001
1993
0.85
2005
Amostar_06
0.37
1999
0.37
2005
Amostar_07
4.53
1999
3.18
2005
Amostar_08
48.07
2005
Amostar_09
11.93
1993
57.30
2005
Amostar_10
1.20
2002
2.98
2005
Tabela 1 – resultados de concentrações de nitrato originais (DNPM) e os obtidos na pesquisa de Nóbrega et al. (2008).
A Resolução RDC nº 274 da ANVISA (BRASIL, 2005) coloca o limite máximo de nitrato em águas minerais de 50 mgNO3-/L. Os dados da tabela 1 permitem fazer algumas observações relevantes:
a) Uma marca de água mineral (amostra 9) apresentou, em 2005, valor de 57.30 mgNO3-/L e, portanto, superior ao limite permitido para águas minerais. Um aspecto importante é que essa marca apresentava um resultado bem mais baixo (11.93 mgNO3-/L) em 1993. Esse substancial aumento é um indício forte do processo de contaminação de nitrato.
b) Cabral et al (2009) comentam que no processo de contaminação, para nitrato, dos aquífe­ros Dunas/Barreiras de Natal é essencial considerar fatores como o adensamento e histórico populacional em conjunto com a qualidade do saneamento praticado.
c) A amostra 8 da tabela 1 não tem registro analítico original, mas os resultados em 2005 apresentam valor próximo ao limite da ANVISA e que, sem dúvida, é um indicativo de contaminação.
d) As amostras 1, 4 e 10 registraram representativos crescimentos nos valores de nitrato em 2005 em relação aos resultados originais, servindo de alerta dessa tendência de contaminação.
e) As amostras restantes (02, 03, 05, 06 e 07) registraram valores baixos em 2005 e praticamente não apresentaram variações em relação aos resultados originais do DNPM. São marcas, portanto, com fontes ainda preservadas de contaminação para nitrato.
Rodrigues et al. (2009) fizeram análises das concentrações de nitrato para 3 diferentes marcas de águas minerais, localizadas nos arredores do município de Natal. Uma dessas marcas apresentou valor acima daquele recomendado pela ANVISA, enquanto as outras duas registraram valores baixos.
Os dados dos pesquisadores, transmitidos acima, registram exemplos de águas minerais comercializadas, em Natal, com resultados não recomendáveis de nitrato ou com representativos indícios de processos contaminantes desse parâmetro químico.
Rodrigues et al. (2009) sugerem que várias medidas mitigadoras devem ser tomadas visando à melhoria da qualidade da água da Grande Natal, dentre as quais: o desenho e montagem de um sistema de esgotamento sanitário imediato, a racionalização do sistema de abastecimento de água, a preservação dos mananciais, realização de estudos para avaliar os impactos da impermeabilização do terreno para um melhor conhecimento dos mecanismos do fluxo subterrâneo e atualização dos conhecimentos sobre a qualidade das águas.
Nóbrega et al. (2008) recomendam a realização de um projeto que objetive o cadastramento e nivelamento de poços subterrâneos nas outras cidades pertencentes à Região Metropolitana de Natal, tornando-se possível retratar de forma precisa a real situação de toda região, e seu consequente monitoramento; fiscalização no processo de perfuração de poços subterrâneos; controle das possíveis fontes poluidoras; e em longo prazo, a implementação de rede de esgotamento sanitário em caráter global.
Em crônica anterior, nesse mesmo blog, fizemos uma proposta de uma amostragem e análise representativas de águas expostas para venda em mercados e distribuidores. Este trabalho serviria, a princípio, para checar / confirmar os resultados dos apresentados nos rótulos. Permitiria, também, identificar e procurar as causas de possíveis desvios encontrados nos parâmetros químicos e físico-químicos.
Acreditamos que esse cheque analítico é um importante e simples método de garantir, ao cidadão, a qualidade do produto consumido. Além da própria fonte, a água mineral pode ser contaminada por diversos processos que vão desde o tipo da embalagem, do processo de envasamento; meio de transporte e armazenamento, etc.
Uma proposta de amostragem e análise periódica de águas minerais expostas para vendas em mercados e distribuidores seria uma iniciativa útil e popular. Fica registrada, portanto, a sugestão para os nossos representantes políticos e para o ministério público. (ecodebate)

Programa Produtor de Água apresenta primeiros resultados

Programa Produtor de Água começa a apresentar primeiros resultados
Governo estimula política de pagamento por serviços ambientais voltada à proteção hídrica.
Barraginha: para conter enxurradas.
O governo federal, estimulado pelo grande sucesso das ações, estuda a melhor forma de ampliar o Programa Produtor de Água, desenvolvido pela Agencia Nacional de Águas (ANA). Hoje são 38 projetos em execução, abrangendo área de 400 mil hectares, dos quais 40 mil já recuperados. São mais de 1.200 produtores recebendo por serviços ambientais e uma população impactada de mais de 40 milhões.
O Produtor de Água colabora com o abastecimento de sete capitais – Goiânia, Rio de Janeiro, Campo Grande, Palmas, Rio Branco, São Paulo e Curitiba – e o Distrito Federal. A adesão é voluntária. Outros nove municípios do Mato Grosso, Minas Gerais, São Paulo e Sergipe foram selecionados e devem iniciar as negociações para os arranjos locais.
Proteção hídrica
O foco do programa é o estímulo à política de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), voltada à proteção hídrica no Brasil. Assim, o governo apoia projetos que visem a redução da erosão e do assoreamento de mananciais no meio rural, melhorando a qualidade e a oferta de água. A iniciativa presta apoio técnico e financeiro à montagem dos arranjos de pagamento por serviços ambientais e para a execução das ações de conservação de solo e água nos diversos projetos existentes.
A ANA apoia tecnicamente todo o processo para estabelecer parcerias que garantam o pagamento pelos serviços ambientais, o fornecimento de assistência técnica e recursos para a realização das ações. Financia, também, as ações para as quais não se identificou parceiro capaz suprir essa necessidade.
O PSA é feito pelos representantes dos usuários dos serviços, tais como: comitês de bacia com recursos da cobrança pelo uso da água, companhias de saneamento com recursos das tarifas pagas pelos usuários da água, entre outras fontes. “O esforço que a gente faz é de montar arranjos locais onde os técnicos identifiquem as necessidades dessa água e quem serão os pagadores” explicou o gerente de Uso Sustentável da Água e do Solo da ANA, Devanir Garcia dos Santos. “Assim, se algum parceiro ou até mesmo a ANA sair, o projeto continua”.
Cobertura vegetal
O Produtor de Água trabalha para manter a cobertura vegetal sobre o solo o ano todo e instalar terraços ou bacias de infiltração capazes de reduzir a velocidade da água e aumentar o tempo de oportunidade de infiltração no solo. Reduzindo o volume que escoa e sua velocidade de deslocamento, reduz-se a erosão. Isso se consegue com a manutenção de florestas ou reflorestamento das áreas, com um melhor manejo do solo, plantios mais adensados, rotação de culturas, um bom manejo de pastagens evitando sua degradação, entre outras ações. Ou seja, praticando uma agricultura e uma pecuária sustentável.
“Se nós adequarmos o solo no médio prazo vamos ter a maior parte da água de chuva que cai na bacia se infiltrando no solo, fica segura no solo, leva um tempo para chegar até o leito do rio”, detalha o especialista. “Esse tempo é exatamente o fim do período chuvoso e início do período seco, mantendo a vazão do rio mesmo nesse período sem chuvas”. Segundo ele, a água cai, escoa rapidamente causando cheia nos rios e não alimenta os lençóis freáticos. Quando acabar a chuva não há mais contribuição para o reservatório.
O produtor, ao aderir ao programa, passa a ser o principal ator na equação de produção de serviços ambientais. Primeiro ele se dispõe a liberar as áreas que precisam ser revegetadas. Transforma-se no guardião de todas as ações executadas na sua propriedade, zelando pelo sucesso delas. Isso estimula parceiros a investir no programa por ter garantia da efetividade na execução das ações. Um terceiro aspecto é que o produtor modifica sua maneira de ocupar o solo, aumentado sua renda. As demais ações são pagas pelo programa.
Saiba mais
Serviços ambientais - São iniciativas individuais ou coletivas que favorecem a manutenção, recuperação ou melhoramento dos serviços ecossistêmicos.
Serviços ecossistêmicos - São benefícios relevantes para a sociedade gerados pelos ecossistemas em termos de manutenção ou melhoramento das condições ambientais.
Terraços e bacias de infiltração – São praticas que reduzem a velocidade de escoamento da água, pois interceptam o fluxo e aumentam o tempo de oportunidade de infiltração dessa água no solo. Os terraços são valetas em nível perpendicular ao declive do terreno e retém a água da chuva. As barraginhas ou bacias de infiltração são pequenas barragens ao longo das estradas vicinais ou das áreas de plantio para conter as enxurradas e aumentar a infiltração da água da chuva. (ecodebate)

A crise da água e o Rio Grande do Sul

Uma das notícias com mais repercussão nos últimos meses é a crise de abastecimento de água e a diminuição dos recursos hídricos necessários às diversas atividades humanas e econômicas na Região Sudeste, principalmente nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro, para onde está previsto nos próximos meses o colapso quase irreversível da disponibilidade deste recurso fundamental, inclusive com a possibilidade do êxodo de atividades econômicas e cidadãos para outras regiões e Estados do País. No Brasil, há uma visão da população e poderes públicos de que temos acesso ilimitado aos recursos hídricos, especialmente a água doce, única possível de utilização para o consumo, agropecuária e muitas outras atividades essenciais. Mas a água não é um bem de consumo infinito, sendo fundamentais políticas adequadas de gestão, regularidade das outorgas, preservação das fontes, rios, bacias hidrográficas, matas ciliares, banhados, além de controlar os desperdícios durante a distribuição pós-tratamento.
Em 2015, a Agência Nacional das Águas – ANA prevê que 55% das cidades brasileiras terão problemas de abastecimento, não apenas em suas áreas urbanas, mas também rurais, dificultando a produção agropecuária e de alimentos localmente, com impactos regionais e nacionais importantes, inclusive com a inviabilização produtiva de muitas culturas e atividades e suas consequências imediatas, extensíveis ao tempo e processos de desenvolvimento. O desperdício médio de água tratada durante sua distribuição é calculado em 37% no país, principalmente por ausência de manutenção da infraestrutura e investimentos em tecnologias adequadas, por exemplo, o uso de softwares para controle dos volumes de entrada e saída, inclusive nas outorgas aos setores produtivos.
Embora o uso doméstico seja minoritário com aproximadamente 6% – agropecuária 70% e indústrias 24% – no Brasil o nível de consumo médio é alto com 165 litros/habitante/dia. Estudos indicam que 100 litros seriam suficientes. Ou seja, são necessárias políticas públicas, responsabilidade coletiva e educação ambiental para minimizar os problemas diretos e indiretos relacionados à disponibilidade da água.
Mas e o Rio Grande do Sul, está isento ou menos vulnerável a esta realidade brasileira e mundial? Reportagem do jornal Zero Hora de 30/08/2014 afirma que o RS apresenta um dos maiores desequilíbrios entre oferta e demanda de água, principalmente na metade sul, além de problemas relacionados com a qualidade na região metropolitana, de acordo com estudos da Agência Nacional de Águas – ANA que divide o Brasil em 12 regiões hidrográficas, estando duas – Uruguai e Atlântico Sul – no território gaúcho. A do Uruguai tem 32% dos trechos dos mananciais que a compõem considerados em situação crítica e na do Atlântico Sul 35%. Apenas duas regiões hidrográficas, no semiárido nordestino, são consideradas mais frágeis do que as gaúchas.
Entre os dez rios mais poluídos do Brasil, três estão no RS: Sinos, Gravataí e Caí. Na Região da Campanha, o rio Santa Maria também apresenta problemas de poluição e diminuição de sua vazão, fenômeno que se repete em várias outras bacias hidrográficas. Captação de água para irrigação em grande escala, assoreamento de rios e riachos naturais e destruição de fontes por atividades econômicas de monoculturas extensivas, além da ausência de tratamento dos esgotos domésticos e industriais são os principais agravantes desta situação.
Portanto, o RS precisa ficar alerta e aperfeiçoar o uso, conservação e recuperação dos seus recursos hídricos, garantindo o abastecimento público e em suas atividades econômicas com planejamento de longo prazo e políticas públicas adequadas, fiscalização, fortalecimento dos comitês de bacias hidrográficas, regularidade das outorgas, investimentos da Companhia Riograndense de Saneamento – Corsan em tecnologias, combate aos desperdícios, tratamento dos esgotos, recuperação de mananciais, educação ambiental e capacitação permanente. O RS pode enfrentar os seus possíveis problemas quanto à disponibilidade de água no futuro (não muito distante), mas para isso precisa identificar agora e agir imediatamente. (ecodebate)

Instabilidade climática dificulta previsões sobre fim da estiagem

As chuvas acima da média que ajudaram a elevar o nível de água dos mananciais que abastecem a Grande São Paulo em fevereiro deixaram os gestores da crise hídrica otimistas quanto a um possível fim da estiagem extrema, que começou no fim de 2013, no Sistema Cantareira.
Especialistas em hidrologia e meteorologia alertam, contudo, que ainda é cedo para cravar uma mudança de padrão climático definitiva no Sudeste e destacam o retorno de dias quentes e secos nesta semana.
Segundo o meteorologista Marcelo Seluchi, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), em fevereiro, pela primeira vez em mais de um ano, houve a formação da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), sistema que traz chuvas para o Sudeste no verão.
"Só que ele ainda é curto e fraco e não significa que vai se manter. Até porque o sistema de alta pressão que impediu a ZCAS no ano passado e em janeiro não se dissipou completamente. Está recuado sobre o oceano e a previsão é de que ele volte nesta semana, aumentando a temperatura e diminuindo a chuva", explica Seluchi.
Dirigentes da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) e da Agência Nacional de Águas (ANA) comemoravam a volta das chuvas em fevereiro (34% acima da média) e a vazão de entrada de água no Cantareira, que está três vezes maior do que em janeiro passado e fevereiro de 2014. Só neste mês, a capacidade do maior manancial paulista subiu 18 dias consecutivos, de 5% para 10,6%, considerando as duas cotas do volume morto. Sequência assim não ocorria há mais de dois anos.
A hidrologista Adriana Cuartas, do Cemaden, diz, porém, que o fator determinante para início da recuperação do Cantareira, que registrava déficits mensais desde maio de 2013, foi a redução da retirada de água para abastecer cerca de 6,5 milhões de pessoas na Grande São Paulo e mais 5 milhões nas regiões de Campinas e Piracicaba.
"O grande diferencial para a recuperação do Cantareira é que, agora, estão fechando a torneira mesmo. A extração de água das represas diminuiu bastante", afirma Adriana. A retirada foi reduzida de 17 para 10 mil litros por segundo em menos de um mês, principalmente por causa da redução da pressão e do fechamento de 40% da rede durante a maior parte do dia. Antes da crise, a captação chegou a 36 mil litros por segundo.
Chuvas acima da média ajudaram a elevar o nível de água dos mananciais.
Sem chuva
O retorno do sistema de alta pressão para o continente no fim de semana fez com que os seis mananciais que abastecem a Grande São Paulo não registrassem um milímetro de chuva nos dois últimos dias. Mesmo assim, o nível do Cantareira, que é o mais crítico, subiu porque os rios que alimentam as represas ainda estão com vazões mais altas. A previsão do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) é de que as chuvas não ultrapassem a média em março, último mês da estação chuvosa em São Paulo.
Segundo Adriana, no cenário atual, com a mesma retirada de água e chuvas dentro da média nos próximos meses, as duas cotas do volume morto do Cantareira só seriam recuperadas no fim de 2015. "Só vai melhorar se chover de 25% a 50% acima da média. Nestes cenários, poderíamos recuperar o volume morto em abril ou junho, respectivamente."
O governo Geraldo Alckmin (PSDB) vai esperar o fim da estação chuvosa para definir se implantará um rodízio oficial, que deve ser de quatro dias sem água por dois com. Além das águas de março, a Sabesp calcula um "gatilho" do racionamento que levará em consideração as obras emergenciais para aumentar em 5 mil litros por segundo a transferência de água para o Sistema Alto Tietê e a terceira e quarta cotas do volume morto do Cantareira. (OESP)

Sabesp pedirá reajuste extra de tarifa

Sabesp confirma que estuda pedir reajuste extra de tarifa
Medida faz parte de pacote para compensar desequilíbrios causados pela crise hídrica.
A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) confirmou nesta segunda-feira que estuda pedir novo reajuste de tarifa para reequilibrar seu orçamento em meio à crise da falta de água. A empresa estadual de água comunicou que analisa os custos e desvios no plano de negócio junto à Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp) e avalia a possibilidade de "pleitear o reequilíbrio tarifário".
O comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) é uma resposta à reportagem publicada pelo jornal Folha de São Paulo em 22/02, que informava que a Sabesp estuda uma revisão tarifária extraordinária, com aumento acima da inflação, para equilibrar as contas financeiras.
A medida precisa ser autorizada pela Arsesp e faz parte, de acordo com o jornal, de um pacote em estudo para compensar desequilíbrios causados pela crise hídrica e pelo aumento da dívida em dólar - equivalente a 40% do endividamento, que ao final do terceiro trimestre de 2014 era de R$ 9,6 bilhões.
No comunicado à CVM, a Sabesp informa que analisa continuamente os custos e principais desvios em relação àqueles definidos no plano de negócios junto à Arsesp, que funcionou como base da tarifa de equilíbrio definida pela agência reguladora. 
A companhia mencionou, inclusive, o impacto dos custos de energia elétrica. "Encontra-se no momento analisando, especificamente, a evolução dos custos relativos a energia elétrica, bem como a possibilidade de pleitear junto à ARSESP reequilíbrio tarifário, se for cabível; e informará ao mercado qualquer requerimento de revisão extraordinária neste sentido". (yahoo)

Cuidados para garantir a qualidade da água de chuva coletada

Pesquisadores explicam requisitos e cuidados para garantir a qualidade da água de chuva coletada
Apesar de ser uma técnica relativamente simples, o aproveitamento da água de chuva possui requisitos mínimos que devem ser respeitados para garantir o funcionamento do sistema e, principalmente, para assegurar a qualidade dos volumes coletados.
O telhado ou a laje de cobertura da edificação funcionam como área de captação. “Jamais deve-se fazer a captação a partir de pisos”, explica o pesquisador Luciano Zanella, do Centro Tecnológico do Ambiente Construído do IPT. Calhas e tubos direcionam as águas até o reservatório. É preciso prever um sistema de tratamento, cuja complexidade vai depender dos usos pretendidos. Em alguns casos, pode-se pensar em uma rede de distribuição da água para pontos de consumo de água não potável, caso das bacias sanitárias. Em edificações já construídas, entretanto, é indicado optar por sistemas simplificados, uma vez que o custo de novas instalações hidráulicas prejudicará a viabilidade financeira do projeto.
Exemplo de sistema permanente de uso. Sistemas simplificados também demandam tratamento dos volumes coletados.
A capacidade de reservação é definida em função de diversos fatores, a começar pela localização da edificação. É preciso considerar o regime de chuvas na região, a existência e a regularidade de abastecimento de água potável por uma concessionária, além do custo do recurso.
Entra no cálculo também a demanda por água não potável. O número de usuários e seus hábitos de consumo, além das diversas aplicações que essa água pode ter na edificação, como limpeza de pisos e rega de jardins, também precisam ser levados em conta.
Dois aspectos não podem ser ignorados: o espaço disponível para a instalação do reservatório e, quando a intenção for instalá-lo sobre a laje de cobertura, a capacidade da estrutura para suportar o peso adicional. “A carga extra de um reservatório cheio de água pode não ser suportada por alguns tipos de construção”, ressalta Zanella.
Descarte da primeira chuva
É imprescindível, alertam os pesquisadores do IPT, desprezar as primeiras chuvas. São elas que vão arrastar os poluentes presentes no ar e lavar a sujeira acumulada na área de captação. As recomendações técnicas indicam um descarte em torno de um a dois litros de água da primeira chuva para cada metro quadrado de telhado. Assim, se a cobertura tem 20 metros quadrados, é necessário desconsiderar um volume entre 20 e 40 litros.
Um sistema mínimo de tratamento das águas pluviais envolve não somente o descarte das primeiras águas, mas a remoção dos sólidos, como folhas, galhos e areia, por meio da utilização de filtro ou tela. “É recomendada a desinfecção com compostos de cloro, quando existir a possibilidade de contato da água com a pele do usuário ou quando o tempo de armazenamento for longo”, esclarece o pesquisador Wolney Castilho Alves, do mesmo centro.
Sistemas permanentes de aproveitamento da água da chuva, instalados com o objetivo de suplementar o abastecimento para fins não potáveis, demandam sistemas mais complexos de tratamento. É possível encontrar no mercado filtros e componentes de desinfecção que devem ser empregados nesses casos. É exigido, para sistemas de uso integrados à edificação, um projeto elaborado por profissional devidamente habilitado.
Cuidados no armazenamento
A qualidade da água está diretamente relacionada com o seu armazenamento. Por isso, é fundamental manter o reservatório com tampa e com quaisquer aberturas fechadas para evitar a proliferação de mosquitos ou mesmo a contaminação da água pela entrada de ratos ou insetos. Além disso, o reservatório deve ser protegido de impactos e da luz solar, e também se deve prever uma saída de fundo no reservatório que propicie sua limpeza, quando for necessária. Os pesquisadores do IPT alertam ainda para a importância de manter o reservatório longe do acesso de crianças.
O mais comum é utilizar a água de chuva para a rega de jardins e plantações, lavagem de carros e pisos e também em descargas de bacias sanitárias. Em condições anormais de abastecimento, desde que se mantenha a forma adequada de coleta, tratamento e armazenamento, é possível considerar o uso para lavagem de roupas, louças e para o banho. (ecodebate)

Sob ameaça, Cantareira precisa de 30 mi de árvores

Sob ameaça, Cantareira precisa de 30 milhões de árvores, ao custo de R$ 195 milhões.
Condomínios de luxo, loteamentos e fazendas, substituem vegetação que garantia infiltração do solo, evitava erosão, contaminação e falta de água.
Especialistas reconhecem relação entre a ocupação das imediações do sistema com a falta de água.
Técnicos do Embrapa propõe o plantio de 30 milhões de mudas para recompor a mata e ajudar a erradicar a crise.
A distância entra alinha de vegetação e o da represa evidencia o quanto o nível da água recuou.
Mesmo com a economia de água, consumidores têm se queixado do aumento do valor das contas. A Sabesp nega.
O governo do Estado de São Paulo lançou em janeiro/15 o programa Mata Ciliar, que pretende recuperar 20 hectares.
Vista do alto, a paisagem é desoladora: veleiros encalhados muito longe de qualquer sinal de água, rampas de píeres terminando em barrancos secos, condomínios luxuosos no meio do nada, represas reduzidas a rios estreitos, o gado pastando na vegetação rasteira de áreas antes submersas. O sonho de ter casa de fim de semana em um cenário espetacular de montanhas e lagos, e praticar esportes náuticos, a 90 km de São Paulo, ou uma fazenda com água abundante para o gado, parece distante do pesadelo dos 6,5 milhões de moradores da Região Metropolitana que dependem da água do Cantareira. 
Mas, segundo especialistas, há uma ligação causal entre a ocupação nos 12 municípios do Cantareira, e destruição da mata ciliar de seus 8.171 km de rios, e o esgotamento do sistema. Choveu menos no último ano, mas, se a mata nativa ainda estivesse lá, os reservatórios poderiam ter mais água - e de melhor qualidade. A chuva não cairia sobre um solo tão seco, com o consequente efeito "esponja". A vegetação funcionaria como uma válvula, controlando a vazão e evitando inundações como a de 2011 - quando as comportas tiveram de ser abertas - e falta de água, como a de agora.
Técnicos da Embrapa Informática e da GV Agro propõem o plantio de 30 milhões de mudas para recompor a mata ciliar em 34 mil hectares, de modo a obedecer a faixa prevista pelo novo Código Florestal - que a reduziu, porque passou a medir a Área de Preservação Permanente (APP) a partir do leito regular do rio, e não mais de sua largura máxima. Para chegar a esses números, eles analisaram as imagens do satélite Rapid Eyes, que registra objetos de no mínimo 5 metros, explica Eduardo Assad, autor da proposta.
A mata ciliar evita o deslocamento do solo, chamado de erosão, seu transporte pelos rios e depósito nos reservatórios, ou assoreamento. Segundo a Sabesp, estudo de 2009 mostrou que não havia assoreamento no Cantareira. A mata ciliar filtra os sedimentos trazidos pelas enxurradas, evitando que poluentes, como os agrotóxicos usados nas fazendas, comprometam a qualidade da água. E mantém a infiltração do solo pela água, que desce para o lençol freático, e aflora novamente. O solo sem vegetação, às vezes compactado por tratores ou pelo pisoteio de animais, deixa a água evaporar. 
Orvalho
Entretanto, explica o especialista Antonio Carlos Zuffo, da Unicamp, a vegetação exerce esse papel não tanto na beira dos rios, onde o solo já está encharcado, mas um pouco mais longe, até mesmo nos topos de morros, onde ela também intercepta a umidade trazida pelas nuvens, que condensa na forma de orvalho e desce subterraneamente até as nascentes. Será preciso ir além da mata ciliar. Zuffo propõe, por exemplo, o plantio direto, em vez do arado, como forma de evitar a compactação.
Ricardo Rodrigues, da Esalq, a Escola de Agronomia da USP, acha que não é necessário plantar 30 milhões de mudas. Onde houver vegetação por perto, é possível induzir a regeneração natural. Com base em sua experiência com recomposição de florestas, Rodrigues estima que 50% da área precisaria de plantio total, com custo médio de R$ 9 mil por hectare; 25% se regeneraria sozinha, ao custo de R$ 2 mil/ha.; os restantes 25% requereriam enriquecimento com espécies, o que custa R$ 3 mil/ha. Caberia aos fazendeiros cercar o gado.
Por esse cálculo aproximado, o projeto custaria R$ 195,5 milhões. Bilhões de reais devem ser gastos nas obras de engenharia anunciadas pelo governo. Só a transposição entre as Represas Jaguari, da Bacia do Paraíba do Sul, e Atibainha, do Sistema Cantareira, está estimada em R$ 830,5 milhões. Para Assad e Rodrigues, a recuperação da mata nativa começaria a ter efeitos sobre o Cantareira em cinco anos.
A relação entre a vegetação e as chuvas em regiões de Mata Atlântica, como a do Cantareira, ainda está sendo estudada cientificamente, afirma o meteorologista Carlos Nobre. Na Amazônia, já foi provado o efeito da transpiração das árvores. Em 21/02 mesmo sem chuva, o manancial teve a 16.ª alta e chegou a 10,2% da capacidade.
A Sabesp incentiva o plantio de mata nativa no entorno das represas, por empresas que precisam fazer compensação ambiental. A Dersa plantou 1,13 milhão de mudas em 554 hectares. O governo paulista lançou no mês passado o programa Mata Ciliar, que pretende recuperar 20 mil hectares, com recursos de empreendedores em busca de licença ambiental, ou de proprietários que precisem se regularizar.
Em Bragança Paulista, onde restam apenas 11% de cobertura vegetal, o prefeito Fernão Dias (PT) criou um programa no qual os infratores ambientais regularizam sua situação bancando o plantio de árvores. "Em menos de dois anos, já fizemos mais de 30 mil plantios." O prefeito acha provável que haja resistência dos condomínios e fazendeiros a um eventual programa de recomposição da mata ciliar. "Eles perderão boa parte de sua área, mas se trata de um momento emergencial, em que o Brasil não pode manter um benefício individual em detrimento do coletivo." (yahoo)

Microplásticos no ar de casas e carros

Microplásticos no ar de casas e carros: estudo alerta que a exposição é 100 vezes maior que a estimada. Como a presença de microplásticos no...