sábado, 7 de setembro de 2019

Reduzir desperdício de alimentos combate mudanças climáticas

Reduzir a perda e o desperdício de alimentos contribui para combate às mudanças climáticas.
A perda e o desperdício de alimentos gera de 8% a 10% de todas as emissões de gases de efeito estufa produzidos por seres humanos, de acordo com novo relatório sobre mudanças climáticas, o primeiro a destacar a relação estreita entre esse fenômeno e os fracassos do sistema alimentar.
A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) adverte há anos sobre a magnitude deste problema: quase um terço de todos os alimentos que produzimos — 1,3 bilhão de toneladas por ano — é perdido ou desperdiçado.
A perda e desperdício de alimentos gera entre 8 a 10% de todas as emissões de gases de efeito estufa produzidos por seres humanos.
A perda e o desperdício de alimentos gera de 8% a 10% de todas as emissões de gases de efeito estufa produzidos por seres humanos, de acordo com novo relatório sobre mudanças climáticas, o primeiro a destacar a relação estreita entre esse fenômeno e os fracassos do sistema alimentar.
A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) adverte há anos sobre a magnitude deste problema: quase um terço de todos os alimentos que produzimos — 1,3 bilhão de toneladas por ano — é perdido ou desperdiçado.
Se compararmos as emissões de gases de efeito estufa associadas à perda e ao desperdício de alimentos com a emissão dos países, elas representariam o terceiro maior emissor global, depois de China e Estados Unidos.
Além disso, 38% dos recursos energéticos consumidos pelo sistema alimentar global são utilizados para produzir alimentos perdidos ou desperdiçados. Isso se dá não apenas por ineficiências e limitações nos sistemas de produção e fornecimento de alimentos, mas também durante o consumo.
A prevenção da perda de alimentos pode contribuir para reduzir as emissões do setor agrícola, diminuindo a pressão sobre os recursos naturais e evitando a necessidade de converter terras e expandir a fronteira agrícola.
Atualmente, quase 30% das terras agrícolas do mundo são usadas para produzir alimentos que nunca serão consumidos, representando uma área semelhante à área total do continente antártico.
Esta é uma dinâmica completamente insustentável que deve ser alterada o mais rápido possível. O Chile tem sido um dos países a reagir a isso. Desde 2017, o governo chileno implementou um Plano de Ação e um Programa Nacional de Consumo e Produção Sustentável, com prioridade para o sistema alimentar e a redução de perdas e desperdícios na cadeia de valor, incluindo o consumo no nível doméstico.
O governo chileno lidera a iniciativa que reúne vários atores que trabalham em três áreas: regulamentação e leis; pesquisa, tecnologia e produção de conhecimento; e comunicação e conscientização para compartilhar as ações que resolvem o problema.
Esta experiência foi apresentada no evento paralelo “Revertendo a mudança climática cuidando dos alimentos”, que a FAO realizou na edição de 2019 da Semana do Clima da América Latina e Caribe. A chave é reformar o sistema alimentar para produzir alimentos saudáveis de forma mais eficiente, investindo na incorporação de inovação tecnológica. Juntamente com soluções técnicas, é possível promover mudanças nos padrões de consumo para reduzir o desperdício.
O trabalho da FAO com os países da região progrediu e, após a fase de conscientização, concentra-se nas soluções em si. Nesse sentido, a organização apoiou a elaboração de cinco leis sobre a redução do desperdício de alimentos. Tais legislações foram aprovadas em Argentina, Chile, Colômbia, México e Peru; enquanto Costa Rica e Uruguai ainda estão trabalhando nisso.
A FAO também promove parcerias com o setor privado, uma vez que o diálogo com esse grupo é um fator determinante no processo de redução de perdas e desperdícios. Além disso, dentro dessas mudanças necessárias incluem-se os esforços da sociedade civil, com os bancos de alimentos, levando acesso a alimentos para populações vulneráveis. (ecodebate)

Regiões afetadas por qualidade d’água terão corte no potencial econômico

Regiões afetadas por baixa qualidade da água podem ter um corte de um terço no seu potencial econômico.
‘Crise invisível da qualidade da água’ ameaça bem-estar humano e ambiental.
Alerta é do novo relatório do Banco Mundial; baixa qualidade deste recurso pode reduzir em um terço potencial econômico de regiões afetadas; sem ação urgente, problema terá impactos na saúde humana, reduzindo de forma maciça a produção de alimentos.
A deterioração da qualidade da água está reduzindo o potencial econômico de áreas altamente poluídas, afirma um novo relatório do Banco Mundial divulgado em Washington.
A pesquisa “Qualidade Desconhecida: A Crise da Água Invisível”, também alerta que a “crise invisível da qualidade da água” está ameaçando o bem-estar humano e ambiental.
A água, juntamente com poluentes e agentes contaminantes, flui para um canal em Maputo, Moçambique.
Economia
O relatório estima que as regiões afetadas por baixa qualidade da água podem ter um corte de um terço no seu potencial econômico.
A estimativa usa a medida Demanda Biológica de Oxigênio, DBO. Quando esta medida atinge certo limite, o crescimento econômico cai devido aos impactos negativos na saúde, agricultura e ecossistemas.
O estudo do Banco Mundial tem novas informações sobre esse processo, usando o maior banco de dados global sobre qualidade da água e várias novas tecnologias.
Segundo a pesquisa, sem ação urgente, a qualidade da água continuará a se deteriorar, tendo impactos na saúde humana, reduzindo de forma maciça a produção de alimentos e atrasando o progresso econômico.
Poluição
Em alguns países, “os rios e lagos estão tão poluídos que, literalmente, estão em chamas”. Os principais exemplos incluem o Lago Bellandur, na Índia, que produz cinzas que são levadas até seis quilômetros de distância.
Em muitos outros cursos de água, a poluição é menos visível, mas igualmente perigosa, com uma mistura tóxica de bactérias, esgoto, produtos químicos e plásticos que suga o oxigênio da água e a transforma em veneno.
O uso de nitrogênio como fertilizante na agricultura é apontado como particularmente problemático. O nitrogênio entra em rios, lagos e oceanos, onde se transforma em substâncias conhecidas como nitratos.
Os nitratos são prejudiciais para crianças pequenas, afetando seu crescimento e desenvolvimento cerebral.
Segundo o estudo, por cada quilograma de fertilizante de nitrogênio por hectare que entra nas correntes de água como nitratos, o nível de nanismo infantil pode aumentar em até 19%. O mesmo problema também tem um impacto sobre os futuros rendimentos potenciais das crianças afetadas, que se reduzem em até 2%.
No Ceará, Brasil, moradores em fila para a retirada de água em posto de abastecimento.
Salinidade
Outro problema é o aumento da salinidade na água, uma consequência de secas mais intensas, tempestades e aumento da extração de água, que torna a terra menos produtiva para agricultura.
Devido a este aumento da salinidade, o relatório estima que, todos os anos, o mundo perde alimentos suficientes para alimentar 170 milhões de pessoas, o equivalente à população de Bangladesh.
Ação
Para enfrentar esses desafios, o Banco Mundial está pedindo a atenção imediata de países desenvolvidos e em desenvolvimento, em nível global, nacional e local.
O relatório destaca um conjunto de ações, incluindo políticas e normas ambientais, monitoramento preciso dos níveis de poluição e sistemas eficazes de fiscalização.
Também recomenda infraestrutura de tratamento de água com incentivos para investimento privado e divulgação de informações confiáveis ​​e precisas às famílias para melhorar o envolvimento dos cidadãos. (ecodebate)

Geleira que derreteu na Islândia ganha lápide sobre aquecimento

Geleira que derreteu na Islândia ganha 'lápide' com alerta sobre o aquecimento global.
Okjökull é a primeira geleira do país a perder seu status. 'Nos próximos 200 anos todas as nossas geleiras devem seguir o mesmo caminho', diz a placa fixada no local.
Geleira de 700 anos foi declarada 'morta' em 2014
Ela se chamava Okjökull, mas em 2014 foi declarada 'morta'. Desde então, passou a ser conhecida apenas como Ok, a primeira geleira da Islândia a perder esse status, porque derreteu. Em 18/08/19 o local onde ela ficava ganha uma placa para relembrar o que em 1901 era uma massa compacta de gelo ocupando cerca de 38 km², mas, em 01/08/2019 tinha menos de 1 km².
Além de relembrar o passado, a placa contém ainda um alerta para o futuro e uma explicação às próximas gerações:
"Okjökull é a primeira geleira islandesa a perder seu status de geleira. 'Nos próximos 200 anos todas as nossas geleiras devem seguir o mesmo caminho. Esse monumento atesta que nós sabemos o que está acontecendo e o que deve ser feito. Só vocês sabem se fizemos o que deveria ter sido feito", diz a placa.
Abaixo, consta ainda a data de agosto de 2019 e o termo "415 ppm  CO2", uma referência a uma marca histórica de emissão de 415 partes por milhão de dióxido de carbono emitidas na atmosfera, que a humanidade atingiu pela primeira em maio deste ano.
Placa que vai ser afixada no local onde ficava a geleira Okjökull, na Islândia.
Entre outros motivos, a emissão de dióxido de carbono é um dos principais agentes por trás do aquecimento global registrado nas últimas décadas e que ainda não foi controlado, segundo os especialistas.
Na semana passada, o relatório "Estado do Clima 2018" mostrou que, no ano passado, a emissão de gases de efeito estufa bateu novo recorde.
Entenda o que é o efeito estufa
Primeiro monumento a uma geleira
A homenagem foi idealizada por um grupo de pesquisadores da Universidade Rice de Houston, nos Estados Unidos, junto com o escritor Andri Snær Magnason e o geólogo Oddur Sigurðsson, o especialista em geleiras que declarou a morte de Ok, em 2014.
Em uma nota publicada no site da universidade, a antropóloga Cymene Howe afirmou que "esse é o primeiro monumento a uma geleira perdida para o aquecimento climático".
"Ao marcar o falecimento de Ok, nós esperamos atrair a atenção para o que está sendo perdido enquanto as geleiras da Terra se vão. Esses corpos de gelo são as maiores reservas de água fresca do planeta", continuou ela.
Dominic Boyer, outro antropólogo da Universidade Rice, afirmou ainda que Ok é "uma pequena geleira com uma grande história para contar".
"Ela foi a primeira geleira islandesa batizada a derreter por causa de como os humanos transformaram a atmosfera do planeta. Seu destino vai ser compartilhado por todas as geleiras islandesas a não ser que a gente aja agora para reduzir radicalmente as emissões de gases de efeito estufa", explicou Boyer.
À esquerda, a geleira Okjokull, na Islândia, em uma foto de setembro de 1986, quando ela ocupava 3 km². À direita, a mesma geleira em agosto de 2019, com menos de 1 km².
Geleiras islandesas
Segundo a NASA, a agência espacial americana, Ok fazia parte de um dos oito grupos regionais de geleiras da Islândia, batizado de Langjökull.
"O gelo cobre cerca de 10% da ilha, fazendo parte integral da paisagem. A perda de gelo glacial tem efeitos amplos, como o potencial de impactar os recursos hídricos, a infraestrutura, e até a elevação da terra, à medida que ela vai ficando abaixo de uma carga menos pesada de gelo", explicou a agência em agosto, depois da divulgação de imagens de satélite comparando a extensão do gelo no local onde ficava a geleira neste mês, em comparação com o que ela era em setembro/1986.
Outras geleiras islandesas, porém, parecem seguir o mesmo caminho da extinta Ok. Em março deste ano, um vídeo registrou o momento em que a geleira Breiðamerkurjökull se rompe e cria uma onda enorme, afugentando turistas que estavam no local.

Considerando todas as geleiras incluídas na lista de Patrimônio Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), um estudo divulgado neste ano aponta que 50% delas podem desaparecer se for mantido o atual nível de emissões de gases causadores do aquecimento global. (g1)

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

Islândia assinala desaparecimento de glaciar

Na placa em memória de Ok, um antigo glaciar, estará a menção “415 ppm CO2”, em referência ao nível recorde de concentração de dióxido de carbono (CO2) registado na atmosfera em Maio passado.
Um lago glacial junto ao parque natural do Vatnajokull, Islândia.
A Islândia vai descerrar este domingo uma placa em memória do primeiro glaciar da ilha a perder essa denominação, para chamar a atenção para o aquecimento global.
A placa vai ser descerrada no local do antigo Okjokull, ou glaciar Ok, em islandês, no oeste da ilha. A cerimónia vai contar com a presença da primeira-ministra islandesa, Katrin Jakobsdottir, e a antiga comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos Mary Robinson.

Na placa estará a menção “415 ppm CO2”, em referência ao nível recorde de concentração de dióxido de carbono (CO2) registado na atmosfera em Maio passado.
Pessoas a caminhar pelo antigo glaciar Okjokull, a oeste da Islândia.

“Ao assinalar a destituição deste glaciar, queremos destacar o que está a desaparecer, ou a morrer, em todo o mundo, e chamar a atenção de que se trata de algo feito pela humanidade”, afirmou, em comunicado, Cymene Howe, professora de antropologia na Universidade Rice nos Estados Unidos, uma das responsáveis pela iniciativa.
“O debate sobre as alterações climáticas consegue ser muito abstrato, acompanhado por numerosas estatísticas catastróficas e modelos científicos complexos e incompreensíveis”, acrescentou. Assim, “um monumento em memória de um glaciar desaparecido pode servir para se perceber” a situação atual, disse.
Em 1980, o Okjokull cobria 16 km2 de superfície, já em 2012 a extensão coberta era de 0,7 km2, de acordo com um relatório da Universidade da Islândia, publicado em 2017. Em 2014, as autoridades tomaram, pela primeira vez, a decisão de desclassificar o Okjokull.
O parque natural do Vatnajokull, no Sul da Islândia, inscrito no património mundial da Organização da ONU para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) desde Julho, tem o nome do glaciar que abriga, considerado o maior da Europa. (publico)

Edifícios reduzem 80% de suas emissões de carbono até 2050

Como os edifícios podem reduzir 80% de suas emissões de carbono até 2050.
O uso de energia em edifícios – desde o aquecimento e resfriamento de sua casa até a manutenção das luzes no escritório – é responsável por mais de um terço de todas as emissões de dióxido de carbono (CO2) nos Estados Unidos.
Reduzir as emissões de CO2 em 80% até 2050 contribuiria, portanto, de forma significativa para combater as alterações climáticas. Um novo modelo desenvolvido por pesquisadores em dois laboratórios nacionais dos Estados Unidos sugere que atingir essa meta exigirá a instalação de tecnologias de construção altamente eficientes em energia, novas abordagens operacionais e eletrificação de sistemas prediais que consumam combustíveis fósseis diretamente, juntamente com aumentos na participação de eletricidade geradas a partir de fontes de energia renováveis. Seu trabalho aparece em 15 de agosto na revista Joule.
“Os edifícios são uma alavanca substancial para tentar reduzir as emissões nacionais totais de CO2, já que são responsáveis por 36% de todas as emissões relacionadas à energia nos EUA”, diz Jared Langevin, pesquisador do Lawrence Berkeley National Laboratory e principal autor do estudo. “Como o setor de edifícios usa energia de várias maneiras e é responsável por uma parcela tão grande da demanda por eletricidade, os edifícios podem ajudar a acelerar a integração econômica de fontes limpas de eletricidade, além de contribuir para reduções diretas de emissões”.
Para estimar a magnitude das possíveis reduções de emissões de CO2 do setor de edifícios dos EUA ao longo de várias décadas, os pesquisadores consideraram três tipos de medidas de eficiência – tecnologias com maior desempenho energético do que alternativas típicas, como janelas dinâmicas e selagem de paredes, sensoriamento e controle estratégias que melhoram a eficiência das operações de construção, e conversão de aquecimento a combustível e equipamento de aquecimento de água em sistemas comparáveis que podem funcionar com eletricidade. Eles também consideraram como a incorporação paralela de fontes de energia renováveis na rede elétrica mudaria as estimativas de redução de emissões de cada medida de eficiência do edifício e do setor de edifícios como um todo.
“Embora as emissões de CO2 sejam bastante sensíveis à intensidade dos gases de efeito estufa do fornecimento de eletricidade, medidas que melhorem a eficiência da demanda de energia dos edifícios precisam fazer parte da solução”, disse Langevin. “Chegar perto da meta de 80% de redução de emissões requer reduções simultâneas na demanda de energia predial, eletrificação dessa demanda e penetração substancial de fontes renováveis de eletricidade – quase metade da geração anual de eletricidade até 2050. Além disso, os edifícios podem suportar o custo integração efetiva de fontes renováveis variáveis, oferecendo flexibilidade em seus padrões operacionais em resposta às necessidades da rede elétrica”.
Examinando os resultados de medidas específicas de eficiência, os pesquisadores identificaram dois caminhos particularmente promissores para reduzir as emissões. O primeiro envolve reformas e upgrades de economia de energia para paredes, janelas, telhados e isolamento – o chamado “envelope” do prédio – abordagens que também podem aumentar o conforto de vida e trabalho dos ocupantes do prédio. O segundo se concentra em softwares inteligentes que são capazes de otimizar quando, onde e em que grau os serviços intensivos de aquecimento, refrigeração, iluminação e ventilação devem ser fornecidos.
Os pesquisadores ressaltam que trazer essas estratégias e benefícios de emissões para a fruição depende da ação complementar de formuladores de políticas, fabricantes e fornecedores, construindo profissionais de serviços e consumidores.
“Regulamentos e incentivos que apoiam a venda de opções tecnológicas mais eficientes e menos intensivas em carbono, pesquisa e desenvolvimento em estágio inicial que impulsionam avanços no desempenho da tecnologia, marketing agressivo dessas tecnologias uma vez desenvolvidas, treinamento para empreiteiros locais encarregados da instalação de tecnologia e a disposição dos consumidores em considerar a compra de novas opções no mercado é necessária para alcançar a meta de redução de emissões de 80% até 2050”, diz Langevin.
Para promover a transparência e repetitividade de suas análises, os pesquisadores publicaram suas medidas de eficiência e dados de resultados, todos gerados usando o Scout, um modelo que é atualizado anualmente para refletir as principais mudanças no uso da energia do edifício e nos cenários de fornecimento de eletricidade.
O aumento da geração de eletricidade a partir de fontes renováveis, o uso eficiente de energia e gerenciamento em prédios e a eletrificação de tecnologias de construção alimentadas a combustível delineiam um roteiro para a redução das emissões de edifícios nos EUA até 2050. (ecodebate) 

Pesquisadores descrevem trajetória do ‘rio de fumaça’ que escureceu São Paulo

Partículas de queimadas vindas das regiões Centro-Oeste e Norte interagiram com nuvens trazidas por frente fria vinda do sul, causando escurecimento do céu e da água da chuva.
Karina Toledo | Agência FAPESP – Dois sistemas que permitem o monitoramento de poluentes atmosféricos – desenvolvidos nas últimas duas décadas com apoio da FAPESP – estão ajudando cientistas a entender fenômenos raros observados na cidade de São Paulo em 19/08/19: o escurecimento repentino do céu no meio da tarde e a chuva acinzentada observada logo depois em algumas partes da Região Metropolitana.
Em 18/08/19 uma intensa pluma de material particulado com mais de 3 mil metros de altitude foi detectada por uma equipe do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN) por meio do sistema Lidar, do Centro de Lasers e Aplicações (CLA). Posteriormente, com auxílio de imagens de satélites da NASA – a agência espacial norte-americana – e de um modelo que prevê a trajetória percorrida por massas de ar, os pesquisadores concluíram se tratar de partículas provenientes de queimadas ocorridas nas regiões Centro-Oeste e Norte, entre Paraguai e Mato Grosso, abrangendo trechos da Bolívia, Mato Grosso do Sul e Rondônia.
Acrônimo para light detection and ranging (detecção de luz e medida de distância), o Lidar é um radar de laser que permite o sensoriamento remoto ativo da atmosfera para a detecção de poluentes. Vem sendo desenvolvido desde 1998 por Eduardo Landulfo, por meio de vários projetos financiados pela FAPESP.
“O sistema ilumina o céu e as partículas presentes na atmosfera refletem a luz, que captamos com um telescópio. Ao analisar esse sinal, conseguimos identificar o tipo de partícula e a distância da superfície em que ela se encontra”, explicou Landulfo.
Segundo o pesquisador, a pluma de poluição começou a pairar sobre a Região Metropolitana de São Paulo entre 4 e 5 horas da tarde de domingo – resultado de queimadas que ocorreram muito provavelmente de quatro a sete dias antes.
Como explicou Saulo Ribeiro de Freitas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a massa de ar poluído gerada pelas queimadas nas regiões Norte e Centro-Oeste geralmente é empurrada a 5 mil metros de altitude por ventos que sopram do Atlântico para o Pacífico (de leste para oeste), até esbarrar na Cordilheira dos Andes. A fumaça começa então a se acumular sobre o leste do Amazonas, Acre, Venezuela, Colômbia e Paraguai – até que o chamado sistema anticiclone, com ventos que circulam a 3 mil metros de altitude no sentido anti-horário, começa a transportar a massa poluída na direção sul, margeando os Andes.
“O que ocorreu no início desta semana foi a convergência dessa massa de ar poluído que vinha do norte com uma frente fria vinda do sul. Os ventos convergiram e fizeram o rio de fumaça se curvar em direção à região Sudeste. Além da fuligem, outros poluentes presentes na atmosfera – como monóxido de carbono, dióxido de carbono, ozônio, óxido nitroso e metano – interagiram com as nuvens trazidas pela frente fria e potencializaram a formação de smog [termo em inglês que representa a mistura entre fumaça e neblina]”, disse.

O transporte atmosférico de emissões de queimada sobre a América do Sul vem sendo monitorado no Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do INPE desde 2003, por meio do sistema CATT-BRAMS (Coupled Aerosol and Tracer Transport model to the Brazilian developments on the Regional Atmospheric Modelling System), desenvolvido por Freitas em colaboração com Karla Longo e Luiz Flávio Rodrigues (ambos do INPE) e com apoio da FAPESP.

“Trata-se de um produto pioneiro que faz previsão para até três dias da qualidade do ar e que tem sido adotado em vários centros do mundo, entre eles o National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), dos Estados Unidos”, contou o pesquisador. As previsões da qualidade do ar feitas no CPTEC podem ser consultadas diariamente pelo endereço http://meioambiente.cptec.inpe.br.
Nas imagens obtidas pelo modelo BRAMS (foto) é possível ver que em 16/08/19 o “rio de fumaça” descia no sentido sul, atingindo Porto Alegre (RS) e parte da Argentina. Aos poucos, vai sendo desviado para o Sudeste e em 20/08 já cobre boa parte do Estado de São Paulo.
De acordo com o professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP) Paulo Artaxo, durante sua trajetória rumo à região Sudeste, a pluma das queimadas interagiu com o vapor d’água na atmosfera, alterando as propriedades das nuvens.
“As partículas funcionam como núcleo de condensação da água. Assim, gotículas de chuva menores são formadas, mas em grande quantidade e isso faz com que uma maior parte da radiação solar seja refletida de volta para o espaço, a ponto de escurecer o solo, como aconteceu em 18/08/19”, disse.
Segundo Freitas, a chuva de cor acinzentada também foi resultado dessa interação da fuligem com as nuvens. “A fumaça entranhou nas gotículas de chuva, sendo depois depositada na superfície da cidade de São Paulo”, disse.
Trata-se de um fenômeno esperado do ponto de vista da química atmosférica, afirmou Artaxo, e não deve causar alarde. “Essa chuva não faz mal para as pessoas. Apenas caiu de uma nuvem com alta influência de queimadas”, disse.
Análises feitas com uma amostra da água turva colhida na Zona Leste da capital pela bióloga Marta Marcondes, professora da Universidade Municipal de São Caetano (USCS), revelaram uma quantidade de sulfetos 10 vezes maior que a média normalmente observada em águas pluviais. “Essas substâncias normalmente estão relacionadas com a queima de biomassa e de combustíveis fósseis. Também chamou a atenção a grande quantidade de material particulado que ficou presa no filtro e a turbidez sete vezes maior que o normal”, disse.

Pesquisadores do Instituto de Química da USP identificaram na água da chuva a presença de reteno, substância proveniente da queima de biomassa e considerada um marcador de queimadas. O estudo foi coordenado pela professora Pérola de Castro Vasconcellos.

A boa notícia, segundo os especialistas, é que, como a pluma de poluição estava a mais de 3 mil metros da superfície, não chegou a comprometer a qualidade do ar na capital paulista. De fato, monitores da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB) indicaram boas condições na última semana.
“As cidades mais próximas da região onde ocorrem as queimadas, como Cuiabá, Manaus e Porto Velho, são as que mais sofrem com a degradação da qualidade do ar”, disse Freitas.
Tanto o pesquisador do INPE quanto Landulfo, do IPEN, afirmam que a chegada das emissões de queimadas na Região Sudeste é relativamente comum no período de seca, entre julho e setembro.
“Mas para ter causado todos esses efeitos observados nos últimos dias deve ter sido uma quantidade de fumaça muito grande. Ainda não sabemos distinguir se é um fogo provocado ou acidental, que também é comum no período da seca”, afirmou Landulfo.
Em nota técnica divulgada em 20/08, porém, cientistas do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) afirmaram que “a Amazônia está queimando mais em 2019 e o período seco, por si só, não explica este aumento”.
Segundo o texto, o número de focos de incêndios para a maioria dos estados já é o maior dos últimos quatro anos – até 14 de agosto eram 32.728 focos registrados, número 60% superior à média dos três anos anteriores. A estiagem, por outro lado, está mais branda. Tal fato, afirma a nota, indica que “o desmatamento possa ser um fator de impulsionamento às chamas”. “Os 10 municípios amazônicos que mais registraram focos de incêndios foram também os que tiveram maiores taxas de desmatamento”, diz o texto. Os pesquisadores se basearam em dados do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do Imazon, do sistema de detecção de focos de calor do satélite AQUA, da NASA, e dados de precipitação do CHIRPS (Climate Hazards Group Infrared Precipitation and Station Data).

Dados do Sistema Deter, do Inpe, que emite alertas diários de áreas desmatadas para ajudar na fiscalização, indicam que o desmatamento na Amazônia cresceu 50% em 2019. Julho foi o pior mês da série histórica, com 2.254 km² de alertas – alta de 278% em relação a julho/18. De agosto/2018 a julho/2019, o Deter apontou 6.833 km² desmatados, contra 4.572 km² no ano passado (agosto/2017 a julho/2018). A taxa oficial da destruição será dada no fim do ano pelo sistema Prodes, também do INPE. (ecodebate)

terça-feira, 3 de setembro de 2019

Águas pluviais não tratadas liberam contaminantes em águas superficiais

Águas pluviais urbanas não tratadas podem liberar contaminantes em águas superficiais.
Uma boa chuva pode fazer uma cidade se sentir limpa e revitalizada. No entanto, as substâncias que ‘limpam’ os edifícios, ruas e calçadas e os drenos das águas podem não ser tão limpas.
Pesquisadores relatando na Environmental Science & Technology da ACS analisaram as águas pluviais urbanas não tratadas de 50 tempestades em todo os EUA, encontrando uma grande variedade de contaminantes que poderiam prejudicar organismos aquáticos em águas superficiais e infiltrar-se em águas subterrâneas.
Estudos anteriores do escoamento de águas pluviais urbanas revelaram uma mistura de produtos químicos industriais, pesticidas, produtos farmacêuticos e outras substâncias que, em certos níveis, podem ser tóxicos para a vida aquática. Como resultado, muitas cidades e agências de gestão de água estão tentando desenvolver medidas de controle de águas pluviais para minimizar o transporte desses contaminantes para outros corpos d’água, como rios ou aquíferos. No entanto, os dados de uma grande variedade de locais em todo os EUA estão faltando. Para ajudar a preencher essa lacuna de pesquisa, Jason Masoner e seus colegas queriam catalogar e quantificar os contaminantes em águas pluviais urbanas de 50 tempestades em 21 locais em todo o país.
Águas agonizantes.
Os pesquisadores analisaram 500 substâncias químicas em águas pluviais urbanas coletadas durante tempestades. As amostras continham uma mediana de 73 produtos químicos orgânicos, sendo os pesticidas o grupo químico mais frequentemente detectado. Onze contaminantes, incluindo o repelente de insetos DEET, nicotina, cafeína e bisfenol A, foram encontrados em mais de 90% das amostras. Os pesquisadores também detectaram com frequência medicamentos prescritos e não prescritos, indicando que a água da chuva estava contaminada com resíduos humanos, possivelmente de vazamentos de esgoto ou outras fontes urbanas.
Alguns dos contaminantes estavam presentes em níveis conhecidos por serem tóxicos para a vida aquática, mas aqueles presentes em concentrações mais baixas também poderiam ter efeitos quando combinados com todas as outras substâncias na água.
Direito ambiental; Água é o sangue da Terra. (ecodebate)

Microplásticos no ar de casas e carros

Microplásticos no ar de casas e carros: estudo alerta que a exposição é 100 vezes maior que a estimada. Como a presença de microplásticos no...