sexta-feira, 29 de maio de 2020

Como o coronavírus afetará o clima da Terra

A pandemia empurrou outros grandes desafios da humanidade, como a emergência climática, para baixo na lista de prioridades. Quais serão as consequências.
Um vírus microscópico tem o poder de influenciar no clima da Terra. Esse poder tem a ver com sua capacidade de direcionar os esforços humanos para priorizar e despriorizar os problemas. É por isso que a atual pandemia de coronavírus terá um grande impacto no curso das mudanças climáticas e como lidamos com ela.
E não é, por enquanto, um impacto positivo. A principal consequência da emergência global provocada pela epidemia é jogar a emergência climática para baixo na lista de prioridades – o mesmo na de itens a serem discutidos – no grande debate público.
As mudanças climáticas continuam sendo um problema grave enfrentado pela humanidade. Um dos maiores. A concentração de gases de efeito estufa já presente na atmosfera do planeta é por si suficiente para garantir o aumento da temperatura média da Terra por vários séculos, e mais emissões irão ocorrer nas próximas décadas, agravando o problema.
A pandemia é passageira, mas os efeitos das mudanças climáticas serão sentidos hoje e cada vez mais nos próximos séculos. No entanto, o apetite público para discutir isso seguramente encolheu diante da crise atual de saúde.
As mudanças climáticas estão associadas à problemas que também custam para a economia e para as vidas humanas. As enchentes e desabamentos mortais do verão estão ligadas às mudanças nos padrões de chuvas. Teremos mais eventos extremos, com consequências para as infraestruturas e para a produção de alimentos. Mas esses riscos, na escala de prioridades, desceram um pouco.
É como se você morasse numa casa e o telhado estivesse quebrado. Tem goteiras dentro dos cômodos, entra frio, até alguns bichos. O telhado pode desabar num futuro próximo, gerando estrago maior e ameaçando a vida da sua família. Mas se você tiver alguém com doença grave na família, provavelmente vai deixar o conserto do telhado para depois e cuidar do atendimento emergencial hospitalar antes.
O segundo motivo pelo qual a pandemia de coronavírus atrasa o debate e as ações pelo clima diz respeito à uma questão cognitiva. A pandemia de gripe está associada ao frio. Passamos a desejar que os dias quentes se prolonguem e o inverno demore a chegar. O sol é um aliado. Imaginar um mundo mais quente traz – mesmo que inconscientemente – conforto.
Índices de poluição do ar despencam nos países com quarentena.
Restrição da circulação e redução de atividades industriais faz com que índices de poluição caiam mais de 30% em algumas regiões. (biznews)

quarta-feira, 27 de maio de 2020

Desmate em terras públicas amazônicas explode e pode alimentar estação de fogo

Desmatamento em terras públicas da Amazônia explode e pode alimentar estação de fogo.
O desmatamento de 2020, somado ao que foi derrubado em 2019 e não queimou, pode alimentar uma nova estação intensa de fogo na Amazônia, especialmente em terras públicas que estão sob a guarda da União e dos Estados. Só no primeiro trimestre deste ano, 50% do desmatamento registrado pelo sistema Deter, do INPE, aconteceu nessas áreas.
O destaque fica por conta das florestas públicas ainda não destinadas, terras devolutas que são alvo de grilagem e que respondem por 15% da Amazônia. Entre janeiro e março, 33% da derrubada aconteceu nessa categoria fundiária nos três primeiros meses de 2020, mais do que em qualquer outra. No mesmo período de 2019, o índice era de 22%.
No geral, o desmatamento no primeiro trimestre deste ano foi 51% que o mesmo período do ano passado. “Quando a estação seca chegar à Amazônia, essas árvores derrubadas vão virar combustível para queimadas. Esse foi o ingrediente principal da temporada de fogo de 2019, uma história que pode se repetir em 2020 se nada for feito para impedir”, explica a pesquisadora Ane Alencar, diretora de Ciência do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia).
Alencar é a principal autora de uma nota técnica que o instituto lança hoje, a terceira sobre queimadas na Amazônia. Neste documento, os autores reúnem as principais informações sobre a estação de fogo de 2019, que causou espanto em todo o planeta, e sinalizam os perigos à espreita.
O número de focos de calor registrados na região em 2019 foi 81% mais alto do que a média entre 2011 e 2018. A maior variação aconteceu nas florestas públicas não destinadas: 37% a mais, outro importante indício de grilagem.
“Isso é roubo de patrimônio dos brasileiros, e deve ser resolvido com polícia”, diz o pesquisador Paulo Moutinho, do IPAM, um dos autores do estudo. “Essas áreas devem ser destinadas à conservação. É um importante ativo para a biodiversidade e para populações tradicionais sim, mas também para a economia brasileira, pois geram a chuva que alimenta plantações e hidrelétricas.”
Alimento para o fogo
A nota técnica ainda destaca que, no ano passado, a seca sozinha não explicou a alta das queimadas, a despeito do que sugeriu o governo federal na época, pois o volume médio de chuvas foi normal para o período. O elemento agudo foi o desmatamento crescente: os primeiros oito meses de 2019 apresentaram uma elevação de 92% da taxa em relação ao mesmo período de 2018, segundo dados do Deter. “A Amazônia é uma floresta úmida e não pega fogo naturalmente. O fogo ali tem dono, e ele se chama homem”, diz Alencar.
Já as ações de comando e controle contra as queimadas adotadas em agosto, especialmente dois decretos federais que proibiram o uso do fogo por dois meses e enviaram as Forças Armadas para a Amazônia, inibiram as queimadas. Tais ações controlaram o fósforo, mas não desligaram os motosserras. O desmatamento continuou crescendo nos quatro meses seguintes (2.758 km2, segundo dados do Deter).
“A fiscalização do desmatamento na Amazônia é tão importante hoje quanto foi 20 anos atrás, quando o Brasil derrubava mais de 20 mil km2/ano de floresta. Não podemos chegar neste nível novamente”, afirma Moutinho. Os autores temem que, sem controle, a somatória das árvores no chão, se queimadas, encha novamente o ar de fumaça em 2020 – que, por sua vez, aumenta os casos de problemas respiratórios na população da Amazônia. Em tempos de covid-19, são contornos de um cenário que ninguém deseja. (ecodebate)

70% da exploração madeireira no Pará é ilegal

70% da exploração madeireira no Pará é ilegal, de acordo com estudo do Imazon.
Intensificar fiscalizações em áreas protegidas e aperfeiçoar o processo de licenciamento e monitoramento dos planos de manejo florestal sustentáveis são caminhos para reverter esse cenário.
Um novo estudo publicado pelo Imazon atestou que 38 mil hectares de floresta foram explorados no período de agosto de 2017 a julho de 2018. Desses, apenas 30% possuíam autorização para exploração, enquanto 70% eram irregulares. O Sistema de Monitoramento da Exploração Madeireira (SIMEX) cruza informações das Autorizações para Exploração Florestal (Autefs) operacionais no período, emitidas pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade do estado do Pará (Semas-PA), com imagens de satélite processadas para verificar a consistência e execução dessas autorizações.
“A exploração não autorizada de madeira concentrou-se principalmente em áreas privadas ou sob disputa (76%), seguida de Terras Indígenas (12%), Assentamentos (8%) e Unidades de Conservação (UCs) (5%). Quanto às áreas privadas, foram mapeados 18.796 hectares em propriedades inscritas no Cadastro Ambiental Rural (CAR), representando 70% da extração ilegal mapeada no estado”, informa a pesquisa.
Os dados apontam uma redução de 29% na exploração detectada pelo sistema com relação ao período anterior, sendo 47% de exploração autorizada e 17% de não autorizada. Parte desses números se deve ao fato das imagens acabarem comprometidas por nuvens, o que impede a análise.
O estudo também analisou os hectares de desmatamento por município. Entre os que tiveram maiores quantidades de exploração ilegal estão Paragominas, Tomé-Açú, Dom Eliseu, Uruará e Ipixuna do Pará, com um total de 16.640 hectares explorados sem autorização.
“Na comparação com o período anterior (agosto/2016 a julho/2017), observamos reduções expressivas na exploração ilegal de madeira nos municípios de Portel (100%), Dom Eliseu (61%) e Tomé-açu (54%). Por outro lado, observamos aumentos consideráveis nos municípios de Altamira (845%), Rondon do Pará (206%) e Dom Eliseu (77%). O município de Paragominas, topo da lista, ainda apresentou aumento de 12% em relação ao período anterior”, observa o relatório.
Também foi avaliada a qualidade de exploração e manejo da floresta nas áreas exploradas com autorização. “Dos planos de manejo operacionais, selecionamos 28 Autefs em cujas imagens de satélite foram possíveis visualizar cicatrizes da exploração de madeira e avaliar sua qualidade. Da exploração detectada nessas imagens, aproximadamente 28 mil hectares (78%) apresentaram qualidade intermediária e cerca de 8 mil hectares (22%) apresentaram qualidade boa. Nenhum caso foi classificado com manejo de baixa qualidade”.
O estudo também traz recomendações para melhorar o monitoramento da atividade exploratória no Pará. São elas: Aperfeiçoar o processo de licenciamento e monitoramento dos planos de manejo florestal sustentáveis; facilitar o acesso a dados sobre os planos de manejo; intensificar fiscalizações em áreas protegidas e verificar a consistência de listas de espécies florestais dos projetos.
“O monitoramento de planos de manejo é fundamental para a prevenção e combate a irregularidades no setor florestal, além de estimular o bom manejo. Dessa forma, com base nos resultados apresentados neste relatório, consideramos crucial melhorar o monitoramento dessa atividade no estado”, finaliza a pesquisa. (ecodebate)

Mudanças climáticas começam a causar impactos na transmissão

Levantamento da Abrate mostra que geolocalização e intensidade de ventanias estão se alterando ao longo dos anos.
Os impactos das mudanças climáticas não se tornaram motivo de atenção apenas para o setor de agricultura e as geradoras. A transmissão de energia também é um dos segmentos do setor elétrico que vem experimentando as consequências de eventos que antes não eram registrados. Estudo elaborado pela Associação Brasileira das Empresas de Transmissão  de Energia mostra que na última década, houve forte aumento da média de torres de transmissão derrubadas pela ação de rajadas de vento. No início do século, eram 20 torres que caíam por ano devido a rajadas de vento. Entre 2006 e 2012, caíram 35 torres ao ano. Enquanto entre 2013 e 2016, esse número aumentou para 57 torres por ano, somando 465 torres em 11 anos.
De acordo com o presidente da associação, Mario Miranda, o mapa das ocorrências, que se iniciou no Paraná na década de 80 do século passado, foi passando para regiões do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Triângulo Mineiro, chegando até mesmo no Acre no ano passado. Apenas o Nordeste e o Meio Norte ainda não tiveram histórico de eventos climáticos desse tipo. “A mudança climática está cada vez mais tendo uma abrangência nacional. Se ela antes era bem centro sul do Brasil, está se expandindo”, explica Miranda. O prejuízo com a queda de uma torre varia entre R$ 100 mil e R$ 400 mil dependendo das condições do evento, o que leva a crer que o prejuízo anual médio com a queda de torres nos últimos anos fico em cerca de R$ 15 milhões.
A associação passou a ter mais atenção sobre o tema após ter colaborado com a realização do documentário Ameaças do Céu, produzido pelo Grupo Storm, com apoio do Grupo de Eletricidade Atmosférica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. O documentário é dirigido por Iara Cardoso e exibido no canal History nos dia 27 de abril, às 18h15, 28 de abril, às 6h, dia 4 de maio, às 18h15 e no dia 5 de maio, às 6h. De acordo com o Elat/INPE, eventos climáticos severos custam hoje prejuízos ao setor elétrico que ultrapassam R$ 100 milhões por ano, e que deverão, em 2030, ultrapassar os R$200 milhões por ano.
Essa mudança no cenário acaba por trazer uma nova perspectiva para os custos da transmissão. Esse tipo de evento climático está enquadrado como risco do negócio da transmissora, não repassa para a tarifa. Segundo Miranda, o concessionário precisa ser dotado de uma forte logística para ter torres de transmissão reservas em determinados locais e uma equipe treinada, já que quando a torre cai, o sistema deve ser recomposto o mais rápido possível, a fim de evitar penalidades. Até os anos 2000, as torres eram projetadas para ventos de cerca de 112 km/h. O aumento da intensidade dos ventos nas estruturas fez com que nos projetos elas fossem suportadas para ventos de 150 km/h. O presidente da associação confidencia que há associadas que passaram a adotar critério de projeto com parâmetro de 180 km/h e mesmo assim houve queda de torre. “Estamos correndo atrás para entender o fenômeno, mas não sabemos o que vai ocorrer em qual região e em qual velocidade”, aponta.
Com isso, o setor também passa a ter que trabalhar com estruturas mais reforçadas em determinadas regiões, com projetos mais detalhados, o que acaba encarecendo o orçamento dos projetos desde a sua concepção.
“Os próprios critérios dos editais de leilão de LTs já nos obrigam a fazer um cálculo estatístico da recorrência de um determinado período de observação dos ventos”, explica. Miranda lembra que não há um banco de dados de medições dessas ventanias que vem afetando as transmissoras. “Estamos em uma perspectiva de dificuldade de compreensão de ter informações”, pontua.
Relação explosiva: mudanças climáticas, aquecimento global e doenças tropicais. (canalenergia)

segunda-feira, 25 de maio de 2020

Oceano Ártico no verão provavelmente estará livre de gelo antes de 2050

Emergência Climática: Oceano Ártico no verão provavelmente estará livre de gelo antes de 2050.
A eficácia das medidas de proteção climática determinará com que frequência e por quanto tempo. Estes são os resultados de uma nova pesquisa envolvendo 21 institutos de pesquisa de todo o mundo, coordenados por Dirk Notz, da Universidade de Hamburgo, Alemanha.
Ursos polares, no gelo do oceano ártico.
A equipe de pesquisa analisou resultados recentes de 40 modelos climáticos diferentes. Usando esses modelos, os pesquisadores consideraram a evolução futura da cobertura de gelo marinho do Ártico em um cenário com altas emissões futuras de CO2 e pouca proteção climática. Como esperado, o gelo do mar Ártico desapareceu rapidamente no verão nessas simulações. No entanto, o novo estudo constata que o gelo marinho do verão no Ártico também desaparece ocasionalmente se as emissões de CO2 forem reduzidas rapidamente.
“Se reduzirmos as emissões globais rápida e substancialmente e, assim, mantivermos o aquecimento global abaixo de 2°C em relação aos níveis pré-industriais, o gelo do Ártico provavelmente desaparecerá ocasionalmente no verão antes de 2050. Isso realmente nos surpreendeu”, disse Dirk Notz, que lidera o grupo de pesquisa sobre gelo marinho na Universidade de Hamburgo, Alemanha.
Atualmente, o Polo Norte é coberto pelo gelo marinho durante todo o ano. A cada verão, a área da cobertura de gelo marinho diminui, no inverno cresce novamente. Em resposta ao aquecimento global em curso, a área geral do Oceano Ártico coberta por gelo marinho foi rapidamente reduzida nas últimas décadas. Isso afeta substancialmente o ecossistema e o clima do Ártico: a cobertura de gelo marinho é um local de caça e habitat para ursos polares e focas, e mantém o Ártico fresco, refletindo a luz do sol.
A frequência com que o Ártico perderá sua cobertura de gelo marinho no futuro depende criticamente das futuras emissões de CO2, mostra o estudo. Se as emissões são reduzidas rapidamente, os anos sem gelo ocorrem apenas ocasionalmente. Com emissões mais altas, o Oceano Ártico se tornará livre de gelo na maioria dos anos. Portanto, os humanos ainda têm um impacto na frequência com que o Ártico perde sua cobertura de gelo marinho durante o ano todo.
Detalhes técnicos: As simulações usadas neste estudo são baseadas nos chamados cenários de SSP (caminhos socioeconômicos compartilhados), que também serão usados no próximo relatório do IPCC. Os cenários SSP1-1.9 e SSP1-2.6 são usados para simular uma rápida redução das emissões futuras de CO2, enquanto o cenário SSP5-8.5 é usado para simular emissões futuras de CO2 praticamente inalteradas. O estudo é baseado em simulações da geração mais recente de modelos climáticos, coletados na Fase 6 do projeto de intercomparação de modelos acoplados (CMIP6).
Degelo do Ártico já atingiu até as regiões mais frias.
Aquecimento global já atinge até as regiões mais frias do planeta.
Derretimento de algumas das geleiras mais fortes e estáveis do Oceano Ártico é prenúncio de uma “catástrofe prática para a humanidade”, alerta pesquisador. (ecodebate)

Diferentes dinâmicas demográficas, econômicas e de emissão de CO2

OCDE e África: diferentes dinâmicas demográficas, econômicas e de emissão de CO2.
“Na África estamos sofrendo a crise climática agora” - Vanessa Nakate (12/12/2019)
Em 22/04/2020 o mundo comemorou os 50 anos do Dia da Terra. Estavam programadas grandes manifestações de rua em todo o mundo, porém a pandemia de covid-19 impediu aglomerações, diante da emergência global de saúde pública. Contudo, a emergência climática e ambiental não passou e mesmo que a paralisação das atividades produtivas e a quarentena tenha reduzido as emissões de gases de efeito estufa o modelo de desenvolvimento continua intrinsecamente ligado ao consumo de combustíveis fósseis. Indubitavelmente, mesmo diante do isolamento social, devemos aproveitar o Dia da Terra para discutir a questão das mudanças climáticas.
A humanidade tem usado a atmosfera como uma lixeira onde despeja a poluição das suas atividades econômicas. As emissões globais de CO2 que estavam em 2 bilhões de toneladas em 1900, passaram para 6 bilhões de toneladas em 1950, chegaram a 25 bilhões de toneladas no ano 2000 e atingiram 36 bilhões de toneladas em 2017. Em consequência a concentração de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera aumentou de aproximadamente 277 partes por milhão (ppm) em 1750, para 300 ppm em 1920, 350 ppm em 1987, 400 ppm em 2015 e deve ultrapassar 410 ppm em 2019. Na primeira década do século XXI, a concentração de CO2 aumentava 2 ppm ao ano e passou a aumentar 2,5 ppm ao ano na atual década. O mundo caminha para uma situação inusitada e dramática, acelerando o processo de aquecimento global e suas consequências.
Os últimos 6 anos foram os mais quentes já registrados e a década 2011-20 é a mais quente da série histórica. O Planeta está com febre e não está apenas esquentando, mas aquece a taxas crescentes e num ritmo alucinado. Por isso, o aquecimento global não é um problema como outro qualquer, mas sim o evento que engloba e potencializa todos os demais e obriga a humanidade a repensar suas prioridades diante da possibilidade de um armagedon ecológico. Indubitavelmente, uma catástrofe ambiental será o prenúncio de uma catástrofe social. Se as temperaturas continuarem subindo de forma acelerada o mundo pode chegar à situação denominada “Terra Estufa”, onde diversas áreas do Planeta se tornariam inóspitas e inabitáveis.
As consequências devastadoras do aquecimento global deixaram de ser uma agrura prevista para o futuro e se transformaram em “emergência climática”, presente no cotidiano das atuais gerações. O desequilíbrio já assola o Planeta de Leste a Oeste e de Norte a Sul – em graus diferenciados – e causa danos crescentes, embora esteja apenas em seu começo. Seguindo as tendências das últimas décadas, a Terra caminha para um “ponto de inflexão global” (alguns dizem que já ultrapassou o ponto de não retorno) que pode ser o início de um efeito dominó – capaz de gerar uma série de acontecimentos desagradáveis em cascata. A catástrofe climática está no horizonte e só será evitada se forem adotadas ações concretas para reduzir e zerar as emissões de gases de efeito estufa.
Nos séculos XIX e XX, foram os países com economias fortes e ricas os principais responsáveis pelas emissões de gases de efeito estufa (GEE). Mas no século XXI, são os países em desenvolvimento (principalmente China e Índia) que mais emitem GEE. Os países em desenvolvimento também apresentam as maiores taxas de crescimento populacional e econômico.
O gráfico acima sintetiza o comportamento da população, do Produto Interno Bruto (PIB) e das emissões de CO2 em dois períodos selecionados: os últimos 40 anos do século XX (1959-99) e os primeiros 16 anos do século XXI (2000-16) para a OCDE (grupo de países majoritariamente de alta renda) e da África (majoritariamente países de renda baixa). As emissões per capita foram de 9,8 toneladas na OCDE e de 1,1 toneladas na África. Mas os dois grupos de países possuem diferentes dinâmicas demográficas, econômicas e de emissão de CO2.
Na África, tanto o crescimento populacional, quanto econômico e quanto das emissões foi maior nos dois períodos. Entre 1959 e 1999, a população da África cresceu a uma taxa de 2,6% ao ano, o PIB cresceu 4,1% ao ano e as emissões cresceram 4,4% ao ano. No período seguinte, entre 2000 e 2016, houve uma pequena redução do ritmo demográfico para 2,4% ao ano, mas houve aumento do crescimento da economia para 4,5% ao ano. As emissões de CO2 cresceram 2,5 ao ano.
Já na OCDE, tanto a população, quanto o PIB, reduziram o ritmo de crescimento entre os dois períodos e houve decrescimento das emissões de CO2 entre os anos 2000 e 2016, em função de mudanças na população (envelhecimento, urbanização, etc.) e mudanças tecnológicas no padrão de produção e consumo e na matriz energética.
É claro que a OCDE continua emitindo muito mais CO2 do que a África. Em 2018, as emissões totais da OCDE foram de 12,7 bilhões de toneladas e da África foram de 1,4 bilhão de toneladas. Contudo, no século XXI, a OCDE está conseguindo reduzir as emissões em 0,4% ao ano, enquanto as emissões da África estão crescendo a 2,5% ao ano. Se o ritmo das emissões africanas continuarem no decorrer do atual século a África terá emissões totais de CO2 em 2100 maiores do que as emissões atuais da OCDE.
Os dados acima mostram a gravidade da situação ambiental e social. Evidentemente, a África precisa reduzir a pobreza e garantir uma melhor qualidade de vida para seus habitantes. Porém, precisam respeitar o meio ambiente e evitar um agravamento da situação climática. Assim, enfrentar a questão demográfica é fundamental e vale a pena levar em consideração o alerta dos entendidos na questão climática.

Mais de 11 mil cientistas de todo o mundo publicaram em 05/11/2019, na Revista BioScience, um alerta sobre a ameaça de uma iminente catástrofe ambiental e declararam que o Planeta está enfrentando uma emergência climática. Entre os “sinais vitais” apresentados está a questão do crescimento demoeconômico.
O documento diz: “O crescimento econômico e populacional está entre os mais importantes fatores do aumento das emissões de CO2 em decorrência da combustão de combustíveis fósseis”. E afirmam: “Ainda crescendo em torno de 80 milhões pessoas por ano, ou mais de 200.000 por dia, a população mundial precisa ser estabilizada e, idealmente, reduzida gradualmente”. (ecodebate)

sábado, 23 de maio de 2020

Técnicas de agricultura sustentável ajudam na conservação do solo

Técnicas de agricultura sustentável ajudam na conservação do solo. Especialistas apontam algumas.
Sistema de plantio direto na lavoura de mandioca.
Dados da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) indicam que um terço dos solos do mundo está degradado. Isso significa que perderam, em algum grau de intensidade, sua capacidade de gerar serviços ecossistêmicos, como regulação hidrológica, sequestro de carbono ou retenção de nutrientes para a produção de alimentos.
Para evitar que esse quadro se intensifique, a agricultura tem papel fundamental. Por meio de técnicas sustentáveis de plantio é possível aumentar a qualidade do solo, permitindo que ele continue sendo uma importante fonte de serviços naturais que beneficiam toda a sociedade.
Conheça algumas:
1) Plantio Direto
O plantio direto é o cultivo de plantas agrícolas sob os restos vegetais do cultivo anterior, evitando assim o revolvimento do solo. Essa prática reduz os efeitos erosivos, visto que a camada de resíduos vegetais atua como um escudo contra a água e o vento.
André Ferreti, gerente de Economia da Biodiversidade da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN), explica que o plantio direto é uma prática fundamental para se evitar a perda do solo por meio da chuva. “Essa camada de resíduos vegetais protege o solo da gota de chuva, que quando bate direto no solo, além de facilitar a erosão, compacta-o de tal forma que ele vai perdendo a capacidade de deixar a água se infiltrar”.
2) Rotação de Culturas
“É uma técnica tão antiga quanto a própria agricultura, mas que foi deixada de lado nos últimos anos por questões econômicas e de políticas agrícolas”, observa o engenheiro agrônomo Carlos Hugo Rocha, membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN) e professor da Universidade Estadual de Ponta Grossa (PR).
A rotação de culturas é a alternância entre o que é plantado numa mesma área, evitando o desgaste nutricional do solo e seu desequilíbrio químico e biológico. Pode-se, por exemplo, plantar soja numa safra e depois alternar para o plantio de milho, escapando assim da prática da monocultura, prejudicial a vida e à conservação do solo.
3) Integração Lavoura-Pecuária-Floresta
Assim como a técnica anterior, a ILPF (Integração Lavoura-Pecuária-Floresta) também é uma forma de rotação de cultura, só que mais complexa. Nela, o agricultor alterna entre o plantio da lavoura, o plantio de pastagem para o gado e combina essas duas culturas com o plantio de árvores, como o eucalipto ou espécies nativas. “Isso minimiza os impactos negativos e maximiza os potenciais benéficos, pois são três formas de plantio distintas que atuam em frentes diferentes na conservação do solo”, explica o especialista da RECN.
4) Preservação das APPs e áreas ripárias
Outra técnica agrícola que ajuda na conservação do solo é a proteção das APPs (Áreas de Preservação Permanente) ao redor da propriedade rural e das áreas ripárias. As APPs são definidas no Código Floresta Brasileiro como “área protegida, coberta ou não por vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, facilitar o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações humanas”. As áreas ripárias, por sua vez, são aqueles ecossistemas diretamente relacionados a um curso d’água.
5) Retorno da Matéria Orgânica
Por fim, uma das técnicas essenciais é garantir o retorno da matéria orgânica ao solo. Esse, no entanto, é o grande “calcanhar de Aquiles” da agricultura brasileira. Devido ao clima tropical, os nutrientes da matéria orgânica que cai no solo são rapidamente absorvidos pela terra. Ao mesmo tempo, isso faz com que seja rapidamente degradada, obrigando a utilizando de fertilizantes químicos para compensar a perda nutricional do solo antes da colheita.
“Nisso, a agricultura orgânica é essencial. Quanto mais aprimorado é o manejo agronômico, mais você cria um solo que não precisa de produtos nocivos à vida do solo, como fertilizantes químicos e agrotóxicos. O próprio solo, através de seus organismos, fornece os nutrientes que as plantas necessitam. Isso já existe na pequena escala, mas precisamos criar oportunidades para expandir para uma escala maior”, explica Rocha.
Técnicas para melhorar o solo.
Para ele, é possível levar essas práticas para todo o Brasil, principalmente com a coordenação de políticas públicas que garantam investimentos em práticas sustentáveis e orgânicas. (ecodebate)

Microplásticos no ar de casas e carros

Microplásticos no ar de casas e carros: estudo alerta que a exposição é 100 vezes maior que a estimada. Como a presença de microplásticos no...