sábado, 3 de junho de 2023

Ações de economia circular para a descarbonização de grandes cidades

Estudo apresenta ações de economia circular para a descarbonização de grandes cidades.

Pesquisa analisa os Planos de Ação Climática do Rio de Janeiro e de São Paulo e traz recomendações para tornar as cidades mais circulares.

 Responsável pela maioria das emissões de Gases de Efeito Estufa, setor de transportes precisa ser eletrificado e abastecido por uma matriz energética renovável;

 Novo design urbano e mudanças nas formas de produção e consumo também estão entre as indicações.

Para reduzir as emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) até 2050 e se aproximar de um cenário net zero, as cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo terão que focar suas ações em mudanças no setor de transportes. Esta é uma das conclusões do estudo “Economia Circular — Cidades do Futuro e Descarbonização”, realizado por pesquisadores do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) e da Exchange 4 Change Brasil, a pedido da Enel Brasil.

O estudo apresenta um diagnóstico com base nos Planos de Ação Climática das duas cidades, avaliando o potencial de aplicação dos princípios de Economia Circular nas ações previstas para a descarbonização da economia das duas maiores metrópoles brasileiras.

O diagnóstico parte dos dados de emissões de GEE dos municípios e da análise das ações necessárias para mitigação e/ou compensação de emissões visando alcançar a neutralidade em 2050. O estudo propõe uma reflexão com sugestões de como as duas cidades podem avançar no desenvolvimento de soluções circulares, de forma pragmática e impactante.

A pesquisa mostra que o setor de transportes foi responsável por 62% das emissões em São Paulo (dados mais recentes, de 2018) e por 35% das emissões no Rio de Janeiro (dados mais recentes, de 2019). Na capital paulista, estima-se que 1/3 das emissões do transporte rodoviário a diesel tenha como fontes ônibus urbanos municipais.

Diante desse cenário, as ações voltadas ao setor transportes ganham destaque nas metas de emissões de GEE traçadas pelas duas capitais para 2050. Em São Paulo, as projeções apontadas pelo estudo indicam um aumento de 100% até 2050 em relação aos dias de hoje, se não houver esforços para a mitigação de emissões. No cenário ambicioso (aquele que prevê ações viáveis e que estejam ao alcance da administração municipal), ocorre uma redução de 30% em relação aos níveis atuais.

Já no cenário estendido (aquele que considera todas as ações necessárias para alcançar o cenário net zero, inclusive as que ultrapassam a competência da administração municipal), a redução das emissões de GEE é de 91% em relação aos níveis atuais, percentual muito próximo da meta de emissões líquidas iguais a zero.

No Rio de Janeiro, o cenário tendencial aponta para um aumento de 59% das emissões até 2050. Com a adoção de medidas mitigadoras, a redução fica em 42% no cenário ambicioso e 88% no cenário estendido. As ações voltadas ao setor de transportes, incluindo o aumento da eficiência energética e a mudança de combustível, representam as maiores reduções de emissões de GEE.

Soluções circulares para descarbonizar

A partir do panorama das emissões e das metas para alcançar a neutralidade em 2050 nas duas capitais, a pesquisa apresenta um diagnóstico e traça seis pontos-chaves que apontam caminhos para as cidades avançarem em soluções circulares que contribuam para a descarbonização.

Para os pesquisadores, as grandes cidades são vistas como líderes fundamentais para a transição de uma economia linear para o modelo circular. Além de abrigar 70% da população global, nas projeções até 2050, os centros urbanos representam um cenário ideal para esta transição circular, já que reúnem atividades de diversos setores. E os benefícios desta transição vão além da aceleração dos planos de descarbonização. A circularidade proporciona melhores condições de vida e mais oportunidades de emprego. Em uma cidade circular, toda a infraestrutura urbana, materiais e nutrientes são fundamentados no conceito-chave de eliminar resíduos e poluição desde a sua origem.

Redução de distâncias percorridas

Neste cenário, a primeira recomendação do estudo é repensar o modelo das cidades, reduzindo as distâncias a serem percorridas pelos cidadãos, produtos e bens consumidos. A magnitude das emissões associadas ao setor de transportes evidencia a importância desse novo design urbano, além da descarbonização do setor. A pesquisa indica que a área de transportes precisa ser eletrificada e abastecida por uma matriz renovável, contribuindo decisivamente para uma cidade mais saudável, menos poluída, mais resiliente e mais acessível. Um exemplo é o compartilhamento de faixas abaixo das linhas de transmissão da Enel São Paulo, onde a distribuidora forma parcerias que garantem a produção próxima ao consumo, pelo projeto Hortas em Rede. Estes espaços geram quase 10 toneladas de alimentos ao mês e aumentam a renda dos beneficiados.

PPPs para descarbonizar as frotas

O segundo ponto-chave é a adoção de novos modelos de negócios. Segundo a pesquisa, algumas das medidas propostas nos Planos de Ação Climática do Rio e de São Paulo terão alcance limitado, se não estiverem associadas a novos modelos de negócio e a uma mudança de comportamentos e atitudes da sociedade. Uma sugestão é a adoção de Parcerias Público-Privadas (PPPs) em cidades que já buscam alternativas para descarbonizar suas frotas e desenvolver infraestrutura para eletrificação veicular.

Matriz elétrica verde e diversa

A diversificação da matriz elétrica brasileira é outra indicação do estudo para evitar o acionamento de termoelétricas em casos de escassez hídrica. É preciso ampliar a capacidade instalada de geração de energia no país, com ênfase no uso de fontes renováveis e limpas, como eólicas, fotovoltaicas e de biomassa, e assim garantir a eletrificação de diferentes setores da economia com energia verde. Nesse caso, o incentivo de governos por meio de políticas públicas às cadeias de fornecimento e o avanço da tecnologia relacionados a esse setor econômico podem trazer ganhos em escala, que tornarão a energia ainda mais barata.

Acesso igualitário a tecnologias

A quarta recomendação do estudo destaca que as ações para a promoção da circularidade e da descarbonização nas cidades devem priorizar a qualidade de vida dos cidadãos, sem acentuar a desigualdade e os problemas sociais característicos das grandes cidades. Para isso, as políticas públicas devem tornar igualitário o acesso às tecnologias previstas para a descarbonização, como uso de carros elétricos, a instalação de painéis fotovoltaicos e sistemas de inteligência artificial.

Mudança nas relações comerciais

A adoção de processos circulares nas compras públicas e governança é a quinta orientação dos pesquisadores. De acordo com o estudo, as administrações públicas precisam priorizar a aquisição de ativos que tenham em sua composição materiais renováveis, recicláveis ou biodegradáveis e menor emissão de carbono na sua produção. Além disso, a tecnologia também precisa ser vista como uma ferramenta para catalisar a circularidade econômica. A criação de infraestruturas digitais e novas tecnologias permitem mecanismos de planejamento e gestão urbanos mais transparentes e interativos, com maior participação dos cidadãos, além de remodelar as relações comerciais, transformando consumidores em usuários e promovendo novos negócios e serviços.

Novas formas de produção e consumo

A sexta recomendação do estudo ressalta a importância da participação de toda a sociedade no processo de descarbonização, com a mudança cultural e de comportamento do consumidor. Neste processo, é necessário o envolvimento dos setores industrial e comercial, já que é a mudança nas formas de produção, comercialização e consumo de bens é imprescindível, assim como as formas de prestação de serviços. O poder público deve atuar como fomentador da transformação em processos de produção, estimulando a redução da geração de resíduos e poluição, por meio de estratégias de regulação e fiscalização dessas atividades. (ecodebate)

Soluções baseadas na natureza para as mudanças climáticas

As soluções baseadas na natureza são cada vez mais vistas como importantes para reduzir os impactos das mudanças climáticas, bem como para proteger os ecossistemas e a biodiversidade.

O que exatamente são soluções baseadas na natureza e como elas estão fazendo a diferença? Pedimos a Garo Batmanian, Especialista Líder em Meio Ambiente do Banco Mundial, que explicasse.

O que são soluções baseadas na natureza?

As soluções baseadas na natureza são ações para proteger, gerenciar de forma sustentável ou restaurar ecossistemas naturais, que abordam desafios sociais como mudanças climáticas, saúde humana, segurança alimentar e hídrica e redução de risco de desastres de forma eficaz e adaptativa, proporcionando simultaneamente o bem-estar humano e a biodiversidade benefícios. Por exemplo, um problema comum são as inundações em áreas costeiras que ocorrem como resultado de tempestades e erosão costeira. Esse desafio, tradicionalmente enfrentado com infraestrutura artificial (cinza), como paredões ou diques, inundações costeiras, também pode ser enfrentado por ações que aproveitem os serviços ecossistêmicos, como o plantio de árvores. Plantar árvores que prosperam nas áreas costeiras – conhecidas como manguezais – reduz o impacto das tempestades nas vidas humanas e nos ativos econômicos e fornece um habitat para peixes, pássaros e outras plantas que sustentam a biodiversidade.

As soluções baseadas na natureza ajudam a combater as mudanças climáticas?

As estimativas sugerem que as soluções baseadas na natureza podem fornecer 37% da mitigação necessária até 2030 para atingir as metas do Acordo de Paris. Como isso pode ser feito? Se você plantar árvores, elas vão absorver carbono. Por exemplo, restaurar a mata nativa nas margens do rio para evitar deslizamentos de terra também pode atuar como sumidouro de carbono. A agricultura inteligente para o clima é outro exemplo que permite que os agricultores retenham mais carbono em seus campos à medida que produzem. Diminuir o desmatamento é outra maneira de se beneficiar de soluções baseadas na natureza – por exemplo, pagar aos agricultores para não derrubar a floresta preserva os serviços ecossistêmicos, como sequestro de carbono, fornecimento de água potável e redução da sedimentação do rio a jusante.

As soluções baseadas na natureza também desempenham um papel fundamental na adaptação às mudanças climáticas e na construção de resiliência em paisagens e comunidades. Várias soluções baseadas na natureza estão sendo usadas pelo Banco Mundial para ajudar a gerenciar o risco de desastres e reduzir a incidência e o impacto de inundações, deslizamentos de terra e outros desastres.Eles são uma maneira econômica de abordar as mudanças climáticas, ao mesmo tempo em que abordam a biodiversidade e a degradação da terra. Você pode resolver vários problemas ao mesmo tempo.

Mas não é automático que tudo o que você planta se torne uma solução baseada na natureza que contribui para a biodiversidade – por exemplo, plantar árvores que não são da região e são tóxicas para os animais locais não geraria benefícios para a biodiversidade.

As estimativas sugerem que as soluções baseadas na natureza podem fornecer 37% da mitigação necessária até 2030 para atingir as metas do Acordo de Paris.

Onde estão os projetos do Banco Mundial incorporando soluções baseadas na natureza?

No EF20, o portfólio de soluções baseadas na natureza do Banco Mundial incluiu 70 projetos – muitos deles com foco na gestão de riscos hídricos e de desastres. Gostaríamos que mais projetos incluíssem soluções baseadas na natureza também em outras áreas temáticas. Para isso, estamos realizando treinamento para funcionários do Banco Mundial, com o objetivo de ampliar o apoio em nível de país. O Banco Mundial está empenhado em abordar as duas crises globais que se cruzam que o mundo está enfrentando: a crise climática e a crise da biodiversidade.

Deixem-me dar alguns exemplos: no Burundi, as florestas foram desmatadas e as colheitas foram cultivadas em encostas íngremes sem controlar a erosão. Como resultado, o país experimentou deslizamentos de terra e inundações mais frequentes, agravados pelas chuvas torrenciais e secas associadas às mudanças climáticas. Estamos apoiando um projeto que está construindo cerca de 8.000 hectares de terraços em encostas, usando vegetação em pontos críticos para controlar a erosão do solo, aumentar a umidade do solo e reduzir o escoamento. Os agricultores estão plantando árvores, gramíneas estabilizadoras do solo e culturas forrageiras para proteger o solo superficial e tornar a terra mais produtiva para a agricultura.

Em Colombo, Sri Lanka, estamos apoiando um projeto pioneiro no uso de zonas úmidas urbanas como uma solução baseada na natureza. As zonas húmidas reduzem o risco de inundação ao reter o excesso de água, mas a capacidade de retenção das zonas húmidas de Colombo caiu 40% ao longo de uma década. Ao mesmo tempo, as mudanças climáticas e o aumento do nível do mar aumentaram a vulnerabilidade da cidade às inundações. O projeto utilizou infraestrutura verde e cinza para restaurar e proteger o pantanal e manter sua integridade hidráulica. Isso reduziu o risco de inundação para mais de 200.000 moradores da cidade e proporcionou a toda a cidade uma melhor qualidade de vida. As áreas úmidas também sequestram carbono e regulam o clima local, o que tem ajudado a reduzir o uso de ar condicionado próximo às áreas úmidas. O projeto melhorou a qualidade da água e o tratamento de águas residuais, e o pântano de Beddagana da cidade foi transformado em um parque e santuário de vida selvagem.

No Lago Zhejiang Qiandao e na Bacia do Rio Xin’an, na China, estamos apoiando a gestão integrada da poluição e das bacias hidrográficas, para ajudar a aumentar o acesso a um melhor abastecimento de água. O lago é a principal fonte de água potável para muitas cidades ao longo da bacia hidrográfica, mas o rápido desenvolvimento, a produção agrícola e o crescimento do turismo aumentaram a poluição da água. O projeto está implementando soluções baseadas na natureza, como agricultura inteligente em termos climáticos, manejo florestal ambientalmente sustentável, restauração de áreas úmidas e florestas degradadas, como algumas das intervenções que buscam melhorar a qualidade da água no lago.

Todos os caminhos para alcançar o Acordo de Paris incluem proteção de florestas e conservação, restauração e uso sustentável de ecossistemas naturais. As soluções baseadas na natureza oferecem uma maneira de lidar com as crises climáticas e de biodiversidade de maneira sinérgica e econômica.

Como medimos os resultados de soluções baseadas na natureza?

Uma abordagem baseada em evidências para gerenciar e medir resultados de soluções baseadas na natureza é fundamental. Isso significa monitoramento e avaliação ao longo do ciclo de intervenção, com base na ciência e nos dados, bem como no conhecimento local e indígena. O que exatamente precisa ser medido? Isso depende dos desafios sociais que a solução baseada na natureza se propõe a enfrentar. Se o objetivo é mitigar as mudanças climáticas, as equações, os protocolos e os sistemas estão bem estabelecidos para medir os resultados – sendo o dióxido de carbono (CO2) a métrica básica utilizada. Uma tonelada de CO2 equivalente sequestrada em um projeto de restauração no Brasil tem o mesmo efeito na concentração de gases de efeito estufa na atmosfera que uma tonelada de CO2 sequestrada em um projeto de reflorestamento na Rússia.

O que é fundamental é olhar além do clima e também medir (e monetizar – por exemplo, por meio de mercados ambientais) os outros benefícios que a solução baseada na natureza está oferecendo. Por exemplo, quando se trata de medir o impacto na biodiversidade, a tarefa é mais complicada e multidimensional. Os ecossistemas são sistemas altamente complexos e dinâmicos; e não há uma única métrica de alto nível ou uma meta global sobre biodiversidade equivalente a manter o aquecimento global abaixo de 1,5°C acima dos níveis pré-industriais no domínio climático. No entanto, os projetos têm uma série de indicadores disponíveis, como tendências nas populações de espécies (ameaçadas) e a prestação de serviços ecossistêmicos críticos – por exemplo, qualidade da água e previsibilidade em uma bacia hidrográfica que se beneficiou da restauração do reflorestamento.

Para o Banco Mundial, a perda de biodiversidade e serviços ecossistêmicos é uma questão de desenvolvimento e por isso a instituição investe na natureza há mais de três décadas. Atualmente, estamos trabalhando com outros bancos multilaterais de desenvolvimento para melhorar a forma como os benefícios da biodiversidade são avaliados nas carteiras de desenvolvimento e nos mercados financeiros mais amplos. As apostas são altas. Os riscos que as mudanças climáticas representam para o desenvolvimento global são significativos, assim como os riscos da biodiversidade global e da perda de ecossistemas.Todos os caminhos para alcançar o Acordo de Paris incluem proteção de florestas e conservação, restauração e uso sustentável de ecossistemas naturais. As soluções baseadas na natureza oferecem uma maneira de lidar com as crises climáticas e de biodiversidade de maneira sinérgica e econômica. (ecodebate)

Entenda a relação entre crise hídrica e mudança climática

A crise hídrica é um dos problemas mais graves que afetam o mundo atualmente, e as mudanças climáticas têm um papel crucial nesse cenário.

A relação entre esses dois problemas é cada vez mais evidente e preocupante, uma vez que as mudanças climáticas afetam diretamente a disponibilidade e qualidade da água em diversas regiões do planeta.

A mudança climática é um fenômeno que ocorre devido ao aumento da concentração de gases de efeito estufa na atmosfera, resultante da atividade humana, como a queima de combustíveis fósseis e desmatamento. Esse aumento de gases de efeito estufa tem causado um aumento na temperatura global e uma série de mudanças no clima, incluindo padrões de precipitação alterados, secas prolongadas e aumento do número e intensidade de eventos climáticos extremos.

A crise hídrica, por sua vez, pode agravar ainda mais as mudanças climáticas, uma vez que a falta de água pode levar ao aumento da utilização de energia térmica para gerar energia elétrica, o que aumenta ainda mais as emissões de gases de efeito estufa. Além disso, a escassez de água pode levar ao desmatamento e à degradação dos ecossistemas, o que pode reduzir a capacidade de absorção de carbono da atmosfera.

As mudanças climáticas afetam a quantidade e a distribuição da água em todo o mundo. Com padrões de precipitação alterados, a disponibilidade de água é afetada, com áreas que antes eram úmidas e chuvosas agora enfrentando secas prolongadas e áreas que antes eram áridas e secas agora enfrentando inundações e tempestades.

Além disso, o aumento da temperatura global tem levado a um aumento na evaporação, resultando em uma redução na quantidade de água disponível para uso humano e agrícola. Essa redução na disponibilidade de água é agravada pela crescente demanda por água, impulsionada pelo aumento da população e pelo crescimento econômico.

A crise hídrica tem impactos significativos na economia, na saúde pública e no meio ambiente. A falta de água potável pode levar a surtos de doenças transmitidas pela água e a escassez de água para irrigação pode prejudicar a produção agrícola, levando a preços mais altos dos alimentos e a insegurança alimentar. Além disso, a falta de água pode afetar a geração de energia, a navegação e a indústria.

Para combater a crise hídrica e as mudanças climáticas, é necessário adotar medidas que promovam a redução das emissões de gases de efeito estufa, como a promoção de energias limpas e renováveis, o incentivo ao transporte público e ao uso de bicicletas, e a redução do consumo de carne. Além disso, é fundamental promover a gestão sustentável dos recursos hídricos, incluindo a proteção dos ecossistemas aquáticos, a redução do desperdício de água, e a promoção da recuperação de áreas degradadas.

Além disso, é importante implementar medidas de adaptação para lidar com a escassez de água, como melhorias na gestão da água, aumento da eficiência hídrica e investimentos em tecnologias que permitem a reutilização da água.

A crise hídrica e as mudanças climáticas estão intrinsecamente relacionadas e precisam ser abordadas em conjunto.
Ações concretas são necessárias para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e aumentar a resiliência às mudanças climáticas, a fim de garantir a disponibilidade de água para as gerações futuras e preservar a saúde do planeta. (ecodebate)

quinta-feira, 1 de junho de 2023

Reuso de água é imprescindível para a revitalização dos oceanos

O Programa Mundial da UNESCO para a Avaliação de Recursos Hídricos reconhece as águas residuais como um “recurso desperdiçado”, incentivando sua valorização por meio de tecnologias de tratamento e reuso.

A Organização das Nações Unidas (ONU) definiu a Revitalização como principal ação coletiva para as celebrações deste ano em torno do Dia Mundial dos Oceanos (08/06) e a Associação Latino-Americana de Dessalinização e Reuso de Água (ALADYR) se junta a essa corrente destacando que a primeira grande medida de proteção aos oceanos passa por intensificar a reutilização de águas residuais, interrompendo assim o despejo de contaminantes nas bacias hidrográficas.

Ambas as organizações explicam que uma das grandes ameaças aos ecossistemas marinhos é o lançamento de esgoto não tratado que, de acordo com um estudo recente, é responsável por levar 6,2 toneladas de nitrogênio por ano para as áreas costeiras do mundo, causando a proliferação tóxica de algas, eutrofização e zonas mortas.

Os oceanos representam 70% da superfície terrestre e 97% da água disponível está concentrada neles, além de serem responsáveis por absorver 30% do dióxido de carbono liberado no mundo e produzirem 50% do oxigênio do planeta. Alterações no equilíbrio desse importante ecossistema afetam organismos essenciais como manguezais, gramas marinhas e marismas que, devidamente protegidos, poderiam capturar 1,4 bilhão de toneladas de emissões de carbono por ano até 2050.

Sendo importante destacar que essa capacidade de absorver o dióxido de carbono, também merece atenção diante das preocupações globais frente às Mudanças Climáticas, explica Eduardo Pedroza, representante da ALADYR no Brasil. Pedroza destaca, com base nos dados do observatório da NASA, a agência espacial americana, “que desde o início da Revolução Industrial, a acidez das águas superficiais dos oceanos aumentou cerca de 30%. Esse aumento deve-se ao crescimento das emissões atmosféricas de CO2, absorvidos pelo oceano. Essa mudança no pH traz uma preocupação para o ecossistema marinho”, explica o químico industrial.

Soma-se a isso o fato de que mais de 8 toneladas de plástico acabam no mar todos os anos e que o fundo do mar já concentra mais de 14 milhões de toneladas de microplásticos, como constatou um estudo da agência científica nacional australiana CSIRO, o que é 35 vezes mais do que se acredita flutuar na superfície das águas e pode ter grandes consequências ambientais.

Segundo o Banco Mundial, a América Latina trata menos de 30% das águas residuais que produz e, na maioria dos casos, as estações de tratamento não removem contaminantes capazes de alterar o sistema endócrino da fauna aquática. No caso do Brasil a situação é ainda mais alarmante, os dados são do último levantamento do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), relativos a 2020, mostram que apenas metade do esgoto coletado é tratado antes de ser disposto nos rios e mares.

A instituição financeira internacional destaca ainda que há mais de cinco anos o Programa Mundial da UNESCO para a Avaliação de Recursos Hídricos reconhece as águas residuais como um “recurso desperdiçado”, incentivando sua valorização por meio de tecnologias de tratamento e reuso. Da mesma forma, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente também aponta que o reaproveitamento de resíduos, uma vez devidamente tratados, pode ajudar a reduzir a dependência de fertilizantes agrícolas, promover a segurança hídrica e fornecer fontes de energia renováveis.

Juan Miguel Pinto, engenheiro e presidente da ALADYR, considera que, no cenário ideal, as águas residuais jamais chegariam ao mar, seriam antes devidamente tratadas e reutilizadas para diversos fins, como na indústria, agricultura ou para a recarga de aquíferos, reduzindo o impacto nos oceanos e também nas fontes de captação de água doce.

O engenheiro explica que a América Latina possui legislação, decretos e regulamentos em países como Chile, Peru, México e Colômbia que permitem o uso agrícola de águas residuais tratadas seguindo as diretrizes da Organização Mundial da Saúde, mas que ainda são poucos os casos de aplicação devido à falta de divulgação do tema e convergência de esforços.

Oceanos Potáveis

Cerca de 3 bilhões de pessoas dependem dos recursos marinhos como fonte de subsistência, um terço da população mundial (2,4 bilhões de pessoas) vive a pelo menos 100 km de distância de uma zona costeira e 300 milhões de pessoas dependem da dessalinização para seu abastecimento, com isso observamos o potencial de crescimento da dessalinização da água do mar como fonte de água potável.

Segundo a ONU (2018), existem quase 16 mil usinas de dessalinização operando em 177 países e produzindo um volume de água doce equivalente a 50% do fluxo médio das Cataratas do Niágara. Países como Bahamas, Maldivas e Malta suprem todas as suas necessidades com água proveniente de processos de dessalinização, enquanto que metade do abastecimento da Arábia Saudita também é oriundo dessas fontes alternativas.

Neste sentido, Pinto enfatiza que a costa latino-americana deve permanecer limpa porque será uma das principais fontes de água doce no futuro e que na região será cada vez mais frequente ver cidades que dependem da dessalinização para atender suas necessidades de abastecimento; como é o caso de Tocopilla, situada na província de Antofagasta (Chile), a primeira cidade latino-americana com mais de 20 mil habitantes cujo abastecimento vem exclusivamente do mar.

Baseado em dados do Banco Interamericano de Desenvolvimento, o diretor da ALADYR destaca que, nos últimos anos, a América Latina e o Caribe (ALC) se tornaram um dos maiores mercados emergentes de dessalinização, com impulso significativo a partir de 2020 com projetos de potabilização em cidades como Antofagasta (Chile), Lima (Peru) e Fortaleza (Brasil).

“Não é mais uma distopia futurista, é uma realidade. As alterações climáticas, a industrialização e o crescimento populacional no levam a depender cada vez mais do mar para o abastecimento de água doce. Felizmente, a tecnologia amadureceu o suficiente para ser ambientalmente inócua e economicamente viável”, afirma.

De acordo com informações coletadas de prestadores de serviços em vários países da América Latina, estima-se que o preço médio por metro cúbico de água dessalinizada para uso residencial é de US$ 0,61. Considerando o consumo médio na região de 6,1 m³ por pessoa por mês, o engenheiro calcula que o custo mensal de abastecimento de água potável da dessalinização da água do mar seria de US$ 7,4 por pessoa, excluindo diferenças de bombeamento e transporte. “O custo mensal seria o equivalente a comprar quatro garrafas de 5 litros de água mineral de uma marca de consumo regular no Brasil”, destaca.

Segundo a Associação existem estudos regionais e de outras partes do mundo em que se percebe que não há impacto quantificável da dessalinização no fundo do mar devido à descarga de salmoura, além disso, iniciativas na Arábia Saudita mostram a mineração de salmoura como uma opção economicamente rentável para tratamento do rejeito da dessalinização visando a extração mineral para obtenção de elementos como potássio, magnésio, rubídio, bromo e lítio.

Blue Economy

Estima-se que o valor de exploração de bens e serviços pelo oceano chega a US$ 2,5 trilhões, o que corresponderia ao valor da sétima maior economia do mundo, que no último levantamento (2021) correspondia a França. Uma projeção da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) afirma que a economia oceânica crescerá para US$ 3 trilhões até 2030. Além de fornecer alimentação, medicamentos, recursos energéticos minerais renováveis, 80% das mercadorias comercializadas no mundo são transportadas pelos mares.

É o que se chama atualmente de blue economy ou economia do mar, uma fonte de receita que o Brasil tem de sobra, afinal são 11 mil quilômetros de uma costa com potencial para exploração de recursos, vivos e não vivos, renováveis ou não, além do forte turismo.

“Os oceanos são uma nova fronteira da economia, principalmente quando pensamos que um dos recursos naturais mais indispensáveis a vida humana é a água. No que se refere a dessalinização como alternativa sustentável para o abastecimento de água potável, o Brasil tem um grande potencial de crescimento e possibilidade de driblar futuras crises hídricas”, destaca Juan.

A ALADYR entende que o futuro do planeta e a perpetuação da raça humana depende diretamente da conservação dos recursos hídricos disponíveis, principalmente os mares e oceanos, que além de fonte de boa parte da biodiversidade do planeta e de possuir um abundante potencial para exploração econômica, são alternativas sustentáveis para a produção de água doce e uma das soluções para a crise hídrica que afeta todo o mundo.

Assista ao vídeo: https://www.ecodebate.com.br/wp-content/uploads/2022/06/20220609-preservar-os-oceanos-e-preservar-a-vida.mp4?_=1. (ecodebate)

Regiões mundiais com maior risco de ondas de calor intensa

As regiões do mundo com maior risco de ondas de calor de alto impacto.

Ondas de calor afetarão meio mundo (literalmente!) no fim do século.

Um novo estudo destacou regiões subpreparadas em todo o mundo com maior risco dos efeitos devastadores das temperaturas elevadas.

A pesquisa liderada pela Universidade de Bristol, publicada na Nature Communications, mostra que extremos de calor sem precedentes combinados com vulnerabilidade socioeconômica colocam certas regiões, como Afeganistão, Papua Nova Guiné e América Central, em maior perigo.

Os países que ainda não experimentaram as ondas de calor mais intensas costumam ser especialmente suscetíveis, pois as medidas de adaptação geralmente são introduzidas apenas após o evento. Uma grande chance de temperaturas recordes, populações crescentes e cuidados de saúde e fornecimento de energia limitada aumentam os riscos.

Pequim e a Europa Central também estão na lista de pontos críticos, como se ondas de calor recordes ocorressem nessas regiões densamente povoadas, milhões de pessoas seriam afetadas adversamente.

À luz das descobertas, os pesquisadores estão pedindo aos formuladores de políticas em regiões críticas que considerem planos de ação relevantes para reduzir o risco de mortes e danos associados aos extremos climáticos.

A autora principal, a cientista do clima Dra. Vikki Thompson, do Instituto Cabot para o Meio Ambiente da Universidade de Bristol, disse: “Como as ondas de calor estão ocorrendo com mais frequência, precisamos estar mais bem preparados. Identificamos regiões que podem ter tido sorte até agora – algumas dessas regiões têm populações em rápido crescimento, algumas são nações em desenvolvimento, algumas já são muito quentes. Precisamos perguntar se os planos de ação contra o calor para essas áreas são suficientes”.

A onda global de calor pode ser indício de um colapso ambiental e civilizacional.

Os pesquisadores usaram estatísticas de valores extremos – um método para estimar os períodos de retorno de eventos raros – e grandes conjuntos de dados de modelos climáticos e observações para identificar regiões globalmente onde os recordes de temperatura são mais prováveis de serem quebrados mais cedo e as comunidades, consequentemente, em maior risco de sofrer eventos extremos. aquecer.

Os pesquisadores também alertaram que extremos estatisticamente implausíveis, quando recordes atuais são quebrados por margens que pareciam impossíveis até que ocorressem, poderiam acontecer em qualquer lugar. Esses eventos improváveis ocorreram em quase ⅓ (31%) das regiões avaliadas onde as observações foram consideradas confiáveis o suficiente entre 1959 e 2021, como a onda de calor do oeste da América do Norte em 2021.

O coautor Dann Mitchell, professor de Ciências Atmosféricas do Instituto Cabot para o Meio Ambiente da Universidade de Bristol, disse: “Estar preparado salva vidas. Vimos algumas das ondas de calor mais inesperadas em todo o mundo levando a dezenas de milhares de mortes relacionadas ao calor. Neste estudo, mostramos que tais eventos recordes podem ocorrer em qualquer lugar. Governos de todo o mundo precisam estar preparados”.

A mudança climática induzida pelo homem está causando um aumento na frequência, intensidade e duração das ondas de calor, que têm o potencial de levar a milhares de mortes em excesso globalmente.

Melhorar nossa compreensão de onde a sociedade pode não estar preparada para os extremos climáticos pode ajudar a priorizar a mitigação nas regiões mais vulneráveis. Em reconhecimento às perigosas consequências das mudanças climáticas, evidenciadas pelo trabalho de seus especialistas em clima, em 2019 a Universidade de Bristol se tornou a primeira universidade do Reino Unido a declarar uma emergência climática.

A diferença de temperatura entre o evento estatístico máximo calculado por um ajuste GEV excluindo o registro e o registro atual. As regiões cinza indicam falta de consistência entre conjuntos de dados de reanálise (consulte Métodos). b O período de retorno do registro atual, quando calculado por um ajuste GEV excluindo o registro. As regiões vermelhas indicam onde não é possível calcular um período de retorno porque o evento está fora do ajuste GEV. Regiões da Pedra (2019) 31. Os dados de origem são fornecidos como um arquivo de dados de origem. In ‘The most at-risk regions in the world for high-impact heatwaves‘. (ecodebate)

Emissões da agricultura representam riscos para a saúde e o clima

Um estudo dos engenheiros ambientais da Rice analisou o custo das emissões de nitrogênio reativo da agricultura fertilizada e seus riscos para as populações e o clima. Óxidos de nitrogênio (NOx) e amônia (NH3) reagem para criar poluição do ar na forma de material particulado e ozônio, enquanto o óxido nitroso (N2O) contribui para o aquecimento global e a destruição do ozônio estratosférico.

Emissões da agricultura representam riscos para a saúde e o clima

A poluição agrícola vem do campo, mas seu impacto econômico sobre os seres humanos é um problema para as cidades.

Um estudo liderado por cientistas ambientais da Escola de Engenharia George R. Brown da Rice University estima o número de espécies reativas de nitrogênio produzidas nas terras agrícolas dos Estados Unidos.

O estudo liderado por Daniel Cohan, professor associado de engenharia civil e ambiental e estudante de pós-graduação Lina Luo, quantifica as emissões de óxidos de nitrogênio, amônia e óxido nitroso de solos fertilizados ao longo de três anos (2011, 2012 e 2017) e compara seus impactos por região qualidade do ar, saúde e clima.

Embora os impactos sazonais e regionais difiram entre os tipos de emissão, o estudo descobriu que os danos totais anuais da amônia foram muito maiores em geral – US$ 72 bilhões – do que os de óxidos de nitrogênio (US$ 12 bilhões) e óxido nitroso (US$ 13 bilhões).

Os danos causados pela poluição do ar são medidos pelo aumento da mortalidade e morbidade e pelo valor da vida estatística, enquanto os danos monetizados das mudanças climáticas incluem as ameaças às plantações, propriedades, serviços ecossistêmicos e saúde humana.

Com base nisso, os pesquisadores descobriram que o impacto na saúde da poluição do ar por amônia e óxidos de nitrogênio, que reagem para formar partículas e ozônio, superou substancialmente o impacto climático do óxido nitroso em todas as regiões e anos.

Os custos sociais mais altos surgiram de regiões de agricultura pesada da Califórnia, Flórida e Centro-Oeste, onde amônia e óxidos de nitrogênio formam poluição do ar contra o vento dos centros populacionais. Para ambos os poluentes, as emissões atingem o pico na primavera após a aplicação dos fertilizantes.

O estudo publicado na revista Environmental Science & Technology da American Chemical Society conclui que a poluição do ar, a saúde e o clima devem ser considerados em avaliações futuras de como as práticas agrícolas afetam as emissões reativas de nitrogênio.

“Sempre falamos sobre como o dióxido de carbono e o metano contribuem para os gases de efeito estufa, mas o óxido nitroso é cerca de 300 vezes mais potente que o dióxido de carbono por seu potencial de aquecimento global”, disse Luo.

Ela observou que as estratégias agrícolas que reduzem os gases de efeito estufa podem aumentar os poluentes do ar e vice-versa. “Precisamos ver se eles podem reduzir todas as três espécies de nitrogênio – ou fazer algumas trocas – e ainda não diminuir o rendimento das colheitas”, disse Luo.

O nitrogênio é essencial para o crescimento das plantações, acrescentou Cohan, mas o estudo mostra que a importância de controlar as emissões agrícolas tem sido amplamente negligenciada pela gestão da qualidade do ar e pela política climática, mesmo quando a Agência de Proteção Ambiental considera apertar os padrões de qualidade do ar e o governo Biden procura reduzir emissão de gases de efeito estufa.

Ele disse que as agências federais se concentraram no controle das emissões industriais e de transporte, deixando a agricultura como a maior fonte de poluentes nocivos de nitrogênio nos Estados Unidos, um problema agravado pelas mudanças climáticas e pelo aumento da produção agrícola.

“Nosso grupo estudava as emissões de óxido de nitrogênio há vários anos e começou a perceber que não podemos nos concentrar apenas nisso”, disse Cohan. “Precisávamos considerar a gama de emissões que vêm dos solos e ficamos curiosos sobre os impactos relativos de diferentes poluentes do ar e gases de efeito estufa emanados dos solos agrícolas”.

“Grande parte da nossa motivação foi perceber que as escolhas nas práticas agrícolas podem fazer com que algumas emissões aumentem e outras diminuam”, disse ele. Por exemplo, mudar de transmissão superficial para injeção profunda de fertilizantes reduziria a amônia, mas aumentaria as emissões de óxido de nitrogênio. Isso beneficiaria cidades próximas sensíveis aos níveis de material particulado, mas prejudicaria regiões onde o ozônio é mais preocupante.

Cohan disse que quando todas as emissões são quantificadas em uma base monetária, amônia e óxidos de nitrogênio que formam partículas poluentes do ar e ozônio e contribuem para o aquecimento global têm o maior impacto.

“Aqueles de nós que estudam esses poluentes para viver sabem o quão potente é a amônia, mas a mensagem não chegou à maioria dos reguladores e formuladores de políticas”, disse Cohan. “Na verdade, a amônia é uma das fontes mais potentes de material particulado devido à forma como se liga a outros poluentes para ter um efeito multiplicador”.

“Essa é uma mensagem importante: precisamos tomar mais medidas para controlar a amônia”, disse ele.

Se há um lado positivo, disse Cohan, é que a poluição de outras fontes caiu o suficiente para tornar o impacto da agricultura predominante.

“O que é crucial é tomar medidas que façam com que mais nitrogênio vá para as plantações e que menos seja liberado para o ar e a água”, disse ele. Isso poderia envolver a adição de biocarvão ou outras alterações ao solo, um tópico de estudo em andamento na Rice.

“Antes de podermos fazer isso, precisávamos estabelecer uma linha de base de emissões provenientes do solo”, disse Cohan. “Este jornal mostra isso”.

Os coautores do estudo são o cientista pesquisador Limei Ran, do Serviço de Conservação de Recursos Naturais do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, e o ex-aluno de Rice Quazi Rasool, pesquisador de pós-doutorado no Pacific Northwest National Laboratory, Richland, Washington. (ecodebate)

quarta-feira, 31 de maio de 2023

Calor do oceano, desoxigenação e acidificação são ‘alarmantes’

As mudanças climáticas estão causando um impacto devastador nos oceanos do mundo, que estão cada vez mais “quentes, ácidos e sem fôlego”.

O calor recorde dos oceanos, a acidificação e a desoxigenação têm grandes implicações para a vida marinha, ecossistemas, segurança alimentar e desenvolvimento socioeconômico, a Conferência dos Oceanos da ONU de 2022 ouvida hoje.

“Não há como lidar com o problema climático sem o oceano, e não há como lidar com o problema do oceano sem o clima”, disse o enviado especial presidencial dos EUA para o clima, John Kerry.

Falando em um diálogo interativo sobre acidificação, desoxigenação e aquecimento dos oceanos, Kerry disse que a taxa de mudança estava “alarmando até os cientistas mais neutros”.

“Essas consequências afetarão todos os seres humanos do planeta”, disse Kerry.

O ministro jamaicano Matthew Samuda disse que os Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento enfrentam uma ameaça existencial.

O tema da Conferência em Lisboa é “Escalar a ação oceânica com base na ciência e inovação para a implementação do Objetivo 14: balanço, parcerias e soluções”. Isso está de acordo com a Década das Nações Unidas da Ciência do Oceano para o Desenvolvimento Sustentável, enfatiza a necessidade crítica de conhecimento científico e tecnologia marinha para construir a resiliência dos oceanos.

O oceano absorve mais de 90% do excesso de calor retido pelos gases de efeito estufa; absorve 23% das emissões de dióxido de carbono; e é a fonte de mais da metade do oxigênio que respiramos.

De acordo com o relatório Estado do Clima Global em 2021 da Organização Meteorológica Mundial  , o aumento do nível do mar, o calor do oceano, a acidificação dos oceanos e as concentrações de gases de efeito estufa estabeleceram novos recordes em 2021.

Os 2.000 m superiores do oceano continuaram a aquecer em 2021 e espera-se que continue a aquecer no futuro – uma mudança que é irreversível em escalas de tempo centenárias a milenares. As taxas de aquecimento dos oceanos mostram um aumento particularmente forte nas últimas duas décadas. O calor está penetrando em níveis cada vez mais profundos. Grande parte do oceano experimentou pelo menos uma onda de calor marinha “forte” em algum momento de 2021, que afeta a vida marinha e os ecossistemas, disse o diretor de serviços da OMM, Johan Stander, na sessão do painel.

O nível médio global do mar atingiu um novo recorde em 2021, depois de aumentar em média 4,5 mm por ano no período de 2013 a 2021. Isso é mais que o dobro da taxa entre 1993 e 2002 e é principalmente devido à perda acelerada de massa de gelo das camadas de gelo. Isso tem grandes implicações para centenas de milhões de habitantes costeiros e aumenta a vulnerabilidade aos ciclones tropicais, disse ele.

A acidificação dos oceanos, que ameaça organismos e serviços ecossistêmicos e, portanto, a segurança alimentar, o turismo e a proteção costeira. À medida que o pH do oceano diminui, sua capacidade de absorver CO2 da atmosfera também diminui.

O relatório recente do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas concluiu que “há uma confiança muito alta de que o pH da superfície do oceano aberto é agora o mais baixo em pelo menos 26.000 anos e as taxas atuais de mudança de pH são sem precedentes desde pelo menos essa época”.

O nível médio global do mar atingiu um novo recorde em 2021, depois de aumentar em média 4,5 mm por ano no período de 2013 a 2021. Isso é mais que o dobro da taxa entre 1993 e 2002 e é principalmente devido à perda acelerada de massa de gelo das camadas de gelo. Isso tem grandes implicações para centenas de milhões de habitantes costeiros e aumenta a vulnerabilidade aos ciclones tropicais.

Observações aprimoradas

O Dr. Stander enfatizou a necessidade urgente de melhorar e sustentar as observações oceânicas. Existem lacunas de cobertura global significativas na rede de observação, com muitas áreas sub-amostradas.

“Precisamos de mais dados. A OMM está trabalhando arduamente para melhorar a disponibilidade e acessibilidade dos dados necessários para melhorar nossa compreensão dos processos complexos. Não podemos agir se não entendermos o problema. Não podemos entender o que não podemos medir”, disse o Dr. Stander.

O Conselho Executivo da OMM acaba de aprovar uma proposta para que a OMM desenvolva ainda mais o conceito de uma infraestrutura operacional integrada de monitoramento global de gases de efeito estufa. Isso permitirá uma melhor estimativa dos fluxos de carbono relevantes entre a atmosfera, a terra e os oceanos – incluindo o papel do oceano como sumidouro de carbono.

Embora a capacidade de monitorar o conteúdo de calor e aquecimento dos oceanos tenha se desenvolvido consideravelmente nas últimas duas décadas, em particular através do revolucionário conjunto de robôs de perfil Argo, a capacidade de observar a acidificação e a desoxigenação dos oceanos permanece marginal.

Dos mais de 10.000 elementos de observação in situ operando no oceano, menos de 5% têm a capacidade de medir pH ou oxigênio dissolvido. O sistema global de observação oceânica oferece serviços críticos para a sociedade, mas enfrenta muitos desafios.

“Como podemos estimar, prever ou desenvolver rigorosamente qualquer gêmeo digital com um sistema tão frágil?” disse Matthieu Belbeoch do centro conjunto WMO-IOC UNESCO OceanOPS.

“Por favor, não tome o sistema de observação como garantido. Invista seriamente em tempo de navio, boias de dados e flutuadores de perfil, sensores para permitir uma infraestrutura verdadeiramente global, robusta e multidisciplinar dimensionada para os desafios que estamos enfrentando”, disse ele na sessão plenária.

Ciência e serviços polares

Um evento paralelo da OMM ‘Regiões polares em um clima em mudança: soluções oceânicas através da ciência para serviços’, enfatizou a preocupação com as mudanças rápidas nessas regiões frágeis, onde o aquecimento das temperaturas dos oceanos está causando impactos pronunciados na cobertura de gelo.

Os painelistas da Argentina, Canadá, Finlândia e EUA discutiram as vulnerabilidades dessas regiões e como a ciência, a pesquisa e o conhecimento indígena são fundamentais para melhorar a modelagem de mudanças em várias escalas de tempo, de dias a estações e anos.

O Dr. Anthony Rea, Diretor de Infraestrutura da OMM, pediu colaboração e coordenação para aumentar as observações, que fornecerão os dados críticos, para melhorar as previsões e alertas precoces para proteger as pessoas, ecossistemas e propriedades ao longo da costa e no mar. (ecodebate)

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