terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Degelo silencioso

Fotos registram o esvaecimento sistemático da crosta da Groenlândia.
O Iceberg desprendido da geleira de Frederikshaab Isblink, no oeste da Groenlândia.
O fotógrafo inglês Nick Cobbing viajou para a Groenlândia cinco vezes, com apoio de universidades e organizações ambientalistas, para documentar o impacto das mudanças climáticas no Ártico, recebendo vários prêmios de fotografia na Europa e nos Estados Unidos. No verão de 2010, voltou à região, a bordo do barco Arctic Sunrise, do Greenpeace, e documentou expressões de um aumento da temperatura local de 2,4ºC em relação à média de 1971 a 2000. No ano passado, 419 km2 de gelo derreteram na ilha, três vezes mais do que nos últimos dez anos, segundo a agência norte-americana Nasa. Confira o que ele viu.
O Verão ártico: um veleiro observa a geleira do arquipélago de Svalbard, no norte da Noruega, desaguar no mar.
A temperatura mais alta beneficia as papoulas do Ártico, as flores mais setentrionais do planeta.
O Arctic Sunrise, do Greenpeace, abre caminho no mar gelado.
Aldeia de Narsaq, vista entre icebergs.
Água cristalina da geleira Petermann, fotografada de helicóptero.
O ecologista Joe Constantine, do Greenpeace, navega de caiaque na geleira Humboldt.
Gelo derretido na geleira Humboldt, a maior do Hemisfério Norte.
Urso-polar no Canal de Robeson, entre a Groenlândia e o Canadá. O hábitat desses animais está desaparecendo.
A borda do iceberg revela o derretimento induzido pela mudança da temperatura.
Rios degelados na geleira Petermann.
Medição da espessura: o derretimento está diminuindo a salinidade e aumentando o nível da água do Oceano Ártico. (revistaplaneta)

A última década foi a mais quente desde 1850

A última década foi a mais quente desde 1850, diz a Organização Meteorológica Mundial (OMM)
Última década foi uma das mais quentes da história – O alerta é da ONU na 17ª Conferência das Nações Unidas sobre mudanças climáticas, que acontece desde segunda-feira, em Durban, na África do Sul. Representantes de 190 países estão reunidos para discutir a renovação do protocolo de Kyoto, que prevê a redução da emissão dos gases do efeito estufa. O encontro prossegue até 9 de dezembro. Apresentação América Melo
Nos últimos 13 anos, o mundo viveu os dias mais quentes registrados em uma década e meia, segundo Organização Meteorológica Mundial (OMM), que é vinculada à Organização das Nações Unidas (ONU), com base em dados colhidos desde 1997. De acordo com especialistas, o aumento das temperaturas no planeta foi causado pelo aquecimento global que ameaça ilhas, zonas costeiras, populações e colheitas.
“A nossa ciência é sólida e prova inequivocamente que o mundo está aquecendo e que esse aquecimento resulta das atividades humanas”, disse o secretário-geral da OMM, Michel Jarraud.
“As concentrações de gases de efeito de estufa na atmosfera apresentam novos números e um aumento médio de 2 a 2,4 graus centígrados nas temperaturas globais.”
Mas o ano de 2011 é considerado o décimo ano mais quente desde 1850 – data em que começaram a serem registadas medições científicas das temperaturas. Pela análise, o período 2002 a 2011 pode ser comparado ao de 2001 a 2010 como a década mais quente desde 1850.
O relatório foi apresentado durante a 17ª Conferência das Nações Unidas sobre mudanças climáticas, em Durban, na África do Sul. De acordo com o documento, a temperatura média da última década (2002 a 2011) foi superior em 0,46 grau centígrado.
Os cientistas, no relatório, analisam ainda que fenômenos, como o La Niña e o El Niño, resultam do aquecimento global. Às vésperas da conferência em Durban, uma tempestade foi registrada na região causando seis mortes e vários feridos, destruindo casas e deixando desabrigados. (EcoDebate)

Degelo no Ártico mais do que o previsto

Degelo do permafrost, no Ártico, acelera aquecimento mais do que o previsto
Derretimento de solo permanentemente congelado libera carbono. Artigo foi publicado pela revista ‘Nature’.
Mapa da área de permafrost no Ártico
O degelo do permafrost, solo permanentemente congelado do Ártico, pode acelerar o aquecimento global mais do que o previsto, afirmou nesta quarta-feira (30) um grupo de cientistas, em artigo [Climate change: High risk of permafrost thaw] publicado pela revista “Nature”.
Por volta do ano de 2100, o volume de carbono liberado pelo pergelissolo poderia ser entre “1,7 e 5,2 vezes maior” do que o tinha sido previsto até agora, segundo a importância do aquecimento na superfície da terra.
O volume liberado é comparável ao dos gases causadores de efeito estufa resultante do desmatamento atualmente, mas o impacto no clima seria 2,5 vezes maior, já que grande parte do gás emitido será metano (CH4), com efeito 25 vezes maior sobre o aquecimento global do que o dióxido de carbono (CO2).
Atualmente, o desmatamento produz 20% do total de gases de efeito estufa responsáveis pelo aquecimento do planeta.
A publicação deste artigo coincide com a realização da conferência das Nações Unidas sobre o combate ao aquecimento global, inaugurada na segunda-feira passada em Durban (África do Sul) e que visa a dar um novo impulso às negociações sobre o Protocolo de Kyoto.
O permafrost cobre permanentemente cerca de um quarto das terras do hemisfério norte. Trata-se de uma reserva gigantesca de carbono orgânico, que contém restos de plantas e animais que foram se acumulando durante séculos. Com o degelo deste solo, estes materiais começam a se decompor, liberando na atmosfera parte deste carbono, na forma de metano e dióxido de carbono.
Segundo estudos anteriores, este fenômeno já teria começado a acontecer em partes da tundra e em alguns lagos de gelo.
No total, as terras do Ártico conteriam 1,7 bilhão de toneladas de carbono.
Isto representa “cerca de quatro vezes mais do que todo o carbono emitido pelas atividades humanas nos tempos modernos e o dobro do que a atmosfera contém atualmente”, afirmam os biólogos americanos Edward Schuur e Benjamin Abbott.
Segundo estes cientistas e cerca de 40 outros especialistas da rede Permafrost Carbon Research Network, que assinaram o estudo, isto representa “o triplo” do estimado anteriormente pelos modelos
de mudanças do clima. (EcoDebate)

Porque faz tanto calor?

A cada começo de verão se repete o noticiário. É sempre o começo de verão mais abrasador dos últimos anos. Se procura associar o calor ao aquecimento global.
Nós temos certeza que existem fenômenos ocorrendo, no aquecimento do planeta. E que estes fenômenos têm ligação certa com fatores antrópicos e fatores geológicos naturais. Não temos dados para afirmar o quanto é influência de cada um destes fatores, mas é possível afirmar sem medo de errar que ambos os fatores influem nesta ocorrência.
Mas a previsão é que ocorram elevações de 1 ou 2, dependendo dos níveis de CO2, até mesmo 3 ou 5 graus nas temperaturas médias em intervalos de tempo muito grande, de forma que a incidência fenomenológica será sentida mais pelas suas consequências sobre disponibilidade hídrica e movimentos de população e outras mudanças, do que propriamente pela temperatura.
O aquecimento global e as consequentes mudanças climáticas e suas consequências sobre a vida das populações, principalmente as populações de baixa renda que tem menos recursos de autoproteção é um fato pouco contestável.
Mas é honesto dizer também que está sensação de calor que nos acompanha a cada chegada de verão, muito provavelmente não tenha relação direta com o aquecimento global. Embora possa ser até mesmo um pouco pedagógico ressaltar este pânico diluído que ocorre. Mas não é honesto.
A média das temperaturas acima de 35 ou próxima a 40 é sempre desconfortável e incomoda para as populações humanas. Mas é e sempre foi comum em grandes porções do país. Talvez influenciada por oscilações sobre a umidade relativa do ar, devido a outros fenômenos climáticos, esta sensação seja mais desagradável ainda.
Gases como metano, dióxido de carbono e óxido nitroso, os chamados Gases de Efeito Estufa (GEE) formam uma espécie de telhado invisível ao redor do globo, como se fossem o teto de uma estufa de produção de flores ou hortifrutigranjeiros.
A radiação eletromagnética proveniente do sol, que entra em baixos comprimentos de onda e altas frequências e deveria sair em altos comprimentos de onda e baixas frequências têm dificuldades de retornar ao espaço em volume adequado e causa um sobre aquecimento da terra, pois retorna para a atmosfera na forma de raios infravermelhos.
Ao encontrarem os gases de efeito estufa que funcionam como uma espécie de teto não visível faz com que uma parte importante dos raios infravermelhos que deveria retornar para o espaço acabe sendo absorvida pelas moléculas dos gases, sendo enviada novamente em direção à superfície da terra, que é então novamente aquecida e podemos dizer sobreaquecida.
Este fenômeno é importante na manutenção da temperatura da terra e na existência de vida, mas não pode ser potencializado acima do limite natural, como ocorre com os gases de efeito estufa.
Os gases de efeito estufa ajudam a aumentar a temperatura da terra e em alguma medida devem ter alguma influência na sensação de abafamento que aumenta a cada estação quente. A gente pode ter dúvidas sobre o quanto as alterações climáticas são efeito da natureza e quanto é devido à poluição antrópica. Mas que a poluição devida à ação humana existe, isto é indubitável. Os gases de efeito estufa estão se acumulando faz 30 anos ou mais, de alguma forma este fenômeno acompanha a revolução industrial.
Que este fenômeno de concentração de gases gera um sobreaquecimento na terra, não se observam opiniões discordantes notórias. As estimativas indicam que conforme aumentar ou não a concentração de CO2, as temperaturas até o ano de 2.100 pode aumentar em uma dimensão que varia de 1 a 4 graus, conforme o trabalho que serve de fonte, seja o IPCC o outra fonte.
O aquecimento acima das necessidades da terra e acima das expectativas provoca uma grande variabilidade climática no globo terrestre. Correm descongelamento de geleiras, elevação dos níveis dos mares, alterações nos regimes atmosféricos por causa das mudanças nos gradientes térmicos, formação de tempestades, ciclones e tufões em áreas antes livres destes fenômenos.
A ocorrência do fenômeno conhecido como “El Niño” também auxilia a produzir um aquecimento nas condições climáticas, embora o fenômeno tenha uma ocorrência moderada. Todo este conjunto de situações gera uma inconsistência climática que foge dos padrões regulares para os quais as previsões funcionam, pois os modelos em que estas previsões operam também funcionam. Mas dentro da inconsistência climática instalada as previsões perdem sentido e as irregularidades passam a ser o padrão, tamanha a quantidade de fatores intervenientes que estão fora de controle ou de projeções lógicas.
O que ocorre mesmo é o aumento da variabilidade climática, que é interpretado pela maior parte dos pesquisadores como sendo um sintoma de aquecimento global. Mas mesmo que fosse esfriamento global, como pensa a outra parte dos cientistas, o fato é que estamos vivendo uma fase de intensa inconsistência climática, marcada pela notável visão da imprevisibilidade do clima. (EcoDebate)

O enfraquecimento das frentes frias

O sul do Brasil sempre teve a sensação de calor e abafamento atenuados pela presença de frentes frias, de origem polar ou geradas no sul da Argentina. Estas frentes frias ao atingirem o sul do país ao se deslocarem em direção ao Equador encontram massas de umidade na atmosfera e se transformam em chuvas. Este fenômeno em geral atenua muito a sensação de calor.
As frentes frias continuam existindo, mas tem tido comportamento bastante alterado. As frentes frias não sofreram alterações de intensidade, mas tem sofrido muita dissipação em direção ao oceano Atlântico ou passado mais rapidamente que antes e não tem gerado as mesmas precipitações pluviométricas que traziam atenuação à sensação de calor e abafamento.
Muitas destas frentes frias passam rapidamente pelo sul do Brasil, mas estacionam e provocam maiores precipitações na região sudeste. Sabemos que isto tem relação com a inconsistência dos padrões climáticos, mas ainda não são conhecidos exatamente todos os fatores intervenientes e o modo com que ocorrem as ações.
Uma das hipóteses encontradas em trabalhos científicos na área considera a hipótese de que por outro motivo desconhecido, ventos originados no oceano Pacífico estejam atingindo estas frentes frias e levando as mesmas para dissipação no oceano Atlântico ou transportando estas massas de ar frio mais rápido para o sudeste do Brasil onde são responsáveis pela maior precipitação pluviométrica principalmente nos meses quentes.
A hipótese do aquecimento gradual da terra estimulado pelo chamado efeito estufa que consiste na formação de uma camada de gases na atmosfera que não permite a saída das radiações eletromagnéticas de elevado comprimento de onda e baixa frequência não pode ser responsabilizado por diferenças na sensação de calor e abafamento que sentimos, pois é um fenômeno recente e ainda não foi responsável por alterações em médias de temperatura que fosse superiores a 1 ou 2 graus nos últimos 50 anos.
Mas o aquecimento gradual da terra quando combinado com fatores naturais gera uma inconsistência nos padrões climatológicos cujas consequências não podem ainda ser bem determinadas. O certo é que não tem havido repetição previsível dos cenários históricos mensurados pela climatologia.
A sensação gerada pelo aquecimento global e suas inconstâncias climáticas tem sido responsável por madrugadas mais quentes no sul do Brasil e aquecimento mais rápido durante as manhãs. No mais ainda não existem estudos sistemáticos para relacionar a sensação de calor e aquecimento com as inconsistências climáticas geradas por alterações nos processos intempéricos geradas pela acumulação de gases de efeito estufa ou fenômenos geológicos naturais.
Regiões do globo terrestre de clima mais ameno tendem a sentir mais as alterações provocadas pelas inconsistências climáticas porque o regime mais equilibrado é mais sensível e mais vulnerável às alterações quando estas ocorrem. O clima mais equilibrado é mais sensível às alterações que ocorrem.
As observações das temperaturas mínimas e máximas dos meses mais quentes no sul do Brasil tem encontrado variações da ordem de 1 ou 2 graus acima nas médias em no máximo 20% das observações anuais nos últimos 20 anos. E nas temperaturas médias dos dias, a oscilação positiva em geral é inferior a 0,5 grau.
Por tudo isto que se diz que o calor pode ser muito forte, as inconsistências climáticas muito relevantes, mas quer seja aquecimento global, quer seja resfriamento natural como alguns defendem ou mesmo conseqüência das acumulações de gases de efeito estufa na atmosfera, o certo é que as alterações nas médias de temperaturas registradas nos termômetros ainda não são suficientes para diagnosticar inequivocamente as alterações.
Aparentemente um eventual controle pluviométrico pode ser mais revelador que o controle de temperaturas médias. Existem regiões que são sujeitas a maiores precipitações pluviométricas de forma inequívoca e outras que sofrem períodos ainda que cíclicos de seca. Existem municípios ou regiões com precipitações pluviométricas pouco acima do normal e municípios ou regiões com chuvas ou pouco abaixo do normal.
Sobre as precipitações pluviométricas as interpretações ainda são mais discutíveis e sujeitas a dissenso entre os especialistas em climatologia ou demais técnicos de áreas vinculadas. O “El Niño” ou “La Niña” tem grandes influências nesta equação também e em vez de simplificarem as interpretações, tornam ainda mais intrincados e complexos os diagnósticos.
O derretimento de geleiras também parece um fato inequívoco, mas também é sujeito a um grande e complicado conjunto de interpretações, que vão desde o aquecimento em si, até fatores de tamponamento relacionados com as quantidades de dióxido de carbono, que podem estar relacionados com poluição antrópica ou emissão de gases por vulcões em processos geológicos ou naturais.
As inconsistências nos padrões climáticos são muito grandes e ainda incompreensíveis mesmo. Existem hipóteses para explicar um fenômeno aqui ou uma ação diferente ali, mas ainda não há compreensão holística da fenomenologia. (EcoDebate)

domingo, 11 de dezembro de 2011

Brasil terá risco de enchentes 87% maior

Mudanças Climáticas: Brasil pode ter risco de enchentes 87% maior até 2100, diz estudo
Modelos usados em pesquisa britânica indicam que risco de enchentes aumentaria no Brasil
A ocorrência de enchentes em rios do Brasil pode ser quase 90% maior até o fim do século, se nada for feito para combater as mudanças climáticas, de acordo com um estudo divulgado na Conferência das Nações Unidas sobre o Clima em Durban, na África do Sul.
A pesquisa científica do Met Office Hadley Centre, da Grã-Bretanha, simulou os impactos, em 24 países, de emissões – no padrão atual – em 21 modelos climáticos diferentes. Cada modelo foi produzido por computadores poderosos que simulam a interação entre parâmetros de dados da atmosfera, temperaturas e oceanos.
No caso do Brasil, a conclusão a que chegaram é que o risco de aumento de enchentes no país seria 87% mais alto que atualmente. Esse é o valor central entre os dois extremos dos resultados apresentados pelos modelos climáticos, tanto de aumento (na maioria) quanto de redução do risco.
Os resultados mais extremos dos modelos chegaram a indicar um aumento de 638% no risco de cheias no Brasil. Por outro lado, houve modelos que indicaram até queda neste risco, com o mínimo sendo de -67%.
Sem ações para a redução de emissões, o aumento de temperatura pode ficar entre 3ºC e 5ºC até o fim do século, segundo a pesquisa.
Outra pesquisa divulgada no início da semana indica que, mesmo com as reduções já prometidas, o aquecimento global até 2100 pode chegar a 3,5ºC.
Pesquisa sobre enchentes é usada para pressionar líderes a pactuar por redução de emissão de gases
Sinal de alerta
A pesquisa foi encomendada pelo governo britânico e usada como sinal de alerta para que os negociadores de 194 países reunidos em Durban busquem um empenho maior na busca por um acordo de redução de emissões.
“Nós queremos um acordo global e legalmente vinculante para manter (o aumento) das temperaturas abaixo de 2ºC. Se isso for conseguido, este estudo mostra que alguns dos mais significativos impactos das mudanças climáticas poderiam ser evitados significativamente”, afirmou o ministro de Energia e Mudança Climática da Grã-Bretanha, Chris Huhne.
Entre os 24 países analisados no estudo, o Brasil, apesar da possibilidade alarmante de aumento de enchentes, aparece como um dos que menos seriam afetados pelas mudanças climáticas, tanto positivamente quanto negativamente.
A Espanha, por exemplo, pode perder 99% da sua área de cultivo na agricultura, segundo os modelos climáticos, além de enfrentar um aumento na escassez de água que afetaria 68% da população.
“Nós queremos um acordo global e legalmente vinculante para manter (o aumento) das temperaturas abaixo de 2ºC. Se isso for conseguido, este estudo mostra que alguns dos mais significativos impactos das mudanças climáticas poderiam ser evitados significativamente” – Chris Huhne, ministro de Energia e Mudança Climática da Grã-Bretanha.
A falta d’água também aparece como problema grave para o Egito, onde 98% da população seria afetada. O país norte-africano também perderia mais de 70% de sua área de cultivo.
A Grã-Bretanha, cujos dados meteorológicos, de temperatura e outros usados nos modelos são mais robustos, poderia até ter motivos para comemorar os impactos das mudanças climáticas. Enquanto o estudo indica que o Brasil não deve perder nem ganhar área de cultivo, a Grã-Bretanha poderia praticamente dobrar a sua agricultura, com um aumento de 96% na área compatível.
Os impactos se devem principalmente a previsões de mudança nos padrões de chuvas no planeta.
Isso pode levar a grandes riscos de fome, principalmente na África e em Bangladesh. (EcoDebate)

Os indignados do clima

Os indignados do clima: Eles não têm nada a perder, porque o caos climático está tirando tudo deles
Eles têm nomes exóticos, muitas vezes são apenas pontos perdidos nos mapas. Mas a sua sobrevivência já está suspensa por um fio. E justamente enquanto, em Durban, os “grandes” falam sobre o clima, eles lançam um grito de alerta: “Salvem-nos”. A única defesa são os seawalls, barreiras improvisadas com a lataria de carros e pedras. Nas Maldivas, o governo se reuniu debaixo d’água: ministros com roupa de mergulho e bombas de oxigênio.
São os indignados do clima, os pescadores que se encontram com as redes vazias, os jovens que sobem nos telhados de suas casas quando as ondas invadem o vilarejo, as mulheres que não encontram mais água para cozinhar. Nas suas ilhas, fazem o possível para se defender da maré em alta do oceano: constroem seawalls, barreiras improvisadas com a lataria de carros, destroços, pedras. Mas são medidas paliativas, que devem ser reconstruídas ano após ano, recuando todas as vezes a pressão cada vez mais ameaçadora do mar.
E então decidiram ir a Durban, para a conferência da ONU em que grandes poluidores querem adiar o compromisso pela defesa da atmosfera, e ameaçam impedir os trabalhos.
Eles não têm nada a perder, porque o caos climático está tirando tudo deles. As terras são corroídas pela elevação dos mares. As fontes de água doce são poluídas pelo aumento da cunha salina. Os corais embranquecem e morrem. As casas são abandonados, porque são varridas pelos furacões e pelas tempestades tropicais. Para os habitantes de 40 Estados reunidos no grupo Aosis (Alliance of Small Islands), a falência climática está logo depois da esquina: não é só o salário que está em risco. Em jogo, estão a terra em que nasceram e a sobrevivência física.
Abdullahi Majeed, meteorologista que estuda o impacto das mudanças climáticas dos Estados na orla marítima, que correm o risco de desaparecer do mapa, relata como a vida diária de centenas de milhares de pessoas já mudou: hábitos consolidados ao longo dos séculos e paisagens que pareciam imutáveis foram postos em crise em poucos anos. A barreira dos manguezais foi devorada pelas ondas, a água se tornou escassa, os vilarejos são periodicamente inundados.
As primeiras ilhas começaram a se render. Nas Carteret, perto de Papua Nova Guiné, depois de anos de batalha contra as ondas cada vez mais altas que acabaram engolindo palmeiras e casas, 2 mil pessoas decidiram abandonar a sua terra, aumentando a lista dos ecorrefugiados.
Em Tuvalu, um minúsculo arquipélago da Polinésia, o processo de apagamento do Estado já começou. A king tide, uma supermaré que se cria no início do ano e que está ampliando o seu período de ação, inunda os vilarejos e submerge as praias de areia branca. O mar continua subindo a uma velocidade que já chegou a seis milímetros por ano. Os furacões estão se tornando cada vez mais frequentes. Os recifes de corais estão embranquecendo, e a economia local, que depende do turismo e da pesca, está de joelhos.
Um drama que envolve a todos: 10 mil dos 11 mil habitantes vivem a uma altitude inferior a dois metros acima do nível do mar, e, mesmo que quisessem se deslocar, não teriam muita escolha, porque nenhum ponto das ilhas e dos atóis supera os 4,5 metros.
“A sobrevivência do nosso povo está suspensa por um fio: não assumam a responsabilidade de cortá-lo”, disse Ieiemia Apisai, ex-primeiro-ministro de Tuvalu, há dois anos, na Cúpula de Copenhague sobre o clima. Acrescentando que as emissões de gases do efeito estufa são como bombas de altitude: o piloto se limita a pressionar um botão sem ver as consequências daquilo que acontece longe dele, mas as consequências são devastadoras.
Na cúpula da Dinamarca, esse apelo caiu no vazio. Mas agora, na conferência da ONU sobre o clima, que iniciou em Durban, com Washington e Pequim prontos para jogar a toalha da estabilização da atmosfera, o grupo dos indignados poderia se revelar como a verdadeira surpresa, o elemento perturbador capaz de despedaçar o mecanismo do descompromisso programado, que, parece manter como reféns os 15 mil delegados de 180 países.
Diante de uma rendição já escrita, a raiva dos países que correm o risco de desaparecer, engolidos pelo mar, pode se tornar difícil de sustentar. E a China, líder histórico dos países em desenvolvimento, poderia se encontrar, de repente, em um papel incômodo, o de maior poluidor do mundo, no centro das críticas dos seus ex-aliados, assim como dos europeus que defendem o Protocolo de Kyoto e as medidas contra os gases do efeito estufa.
“As emissões de gases do efeito estufa continuam crescendo em ritmos recordes. Recém acabou a década mais quente da história, e encontramo-nos diante da tentativa dos países responsáveis pela maior parte da poluição de adiar os atos concretos que são necessários para defender os nossos países”, acusa Dessima Williams, representante de Granada, em nome da Aosis. “Postergar o acordo sobre a redução das emissões de gases do efeito estufa para 2017 significaria renunciar a qualquer esperança de manter o crescimento da temperatura dentro dos dois graus, nível acima do qual o cenário torna-se catastrófico”.
A confirmação vem das Kiribati: nesse arquipélago entre o Havaí e o Taiti, o êxodo já começou. Os primeiros milhares de habitantes pediram aos governos da Austrália e da Nova Zelândia para que possam capaz se mudar, porque as suas casas não são mais habitáveis e a sua terra está desaparecendo. Para motivar o pedido, recorreram a uma definição que, na linguagem dos tratados internacionais, não existe, porque a situação não tem precedentes: “refugiado climático”. E o governo da Nova Zelândia aceitou estabelecer um programa para governar a chegada dos refugiados climáticos.
Uma chegada que corre o risco de se transformar em uma avalanche, se, nessa conta, também forem levados em consideração os habitantes dos países costeiros que correm o risco de perder boa parte das suas planícies férteis. O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados estima que até 2050 se chegará a 200-250 milhões de refugiados ambientais: quem irá pagar o custo mais alto do desastre climático serão os países que têm a menor responsabilidade, porque são aqueles que, tendo chegado por último à industrialização, consumiram menos combustíveis fósseis, os principais culpados pelo aumento do efeito estufa. Segundo a ONU, das 262 milhões de pessoas atingidas por desastres climáticos entre 2000 e 2004 tanto, 98% viviam em um país em desenvolvimento.
As estimativas sobre a aceleração do caos climático ainda têm uma margem de incerteza, mas, para os habitantes das pequenas ilhas, o cenário da elevação dos mares, que, segundo Lester Brown, presidente do Earth Policy Institute, poderia chegar perto dos dois metros até a metade do século, não é um exercício acadêmico. Para protestar contra o boicote das medidas antigases do efeito estufa, nas Maldivas, ocorreu uma reunião do governo debaixo d’água: 14 ministros com roupas de mergulho e bombas de oxigênio se reuniram a uma profundidade de três metros para simular o futuro na ausência de ações corretivas.
A batalha dos indignados do clima poderia parecer uma batalha perdida, com os primeiros atóis sendo abandonados, enquanto os mais ricos estão defendidos levando toneladas de areia retiradas dos atóis abandonados à sua sorte. E alguns já planejam a construção de ilhas artificiais flutuantes para hospedar os refugiados ambientais.
Mas muitos não se rendem. Em Durban, o grupo das ilhas que ainda são o paraíso das férias está decidido a lutar para defender a esperança. “Baseando-nos no que afirmam climatologistas do peso de James Hansen, acreditamos que o aumento da temperatura deve ser mantido dentro de 1,5 grau, o dobro do crescimento que foi registrado no século XX”, explica Phillip Henry Muller, que representa as ilhas Marshall. “É necessário um acordo que comprometa todos os países a reduzir as emissões de gases do efeito estufa, produzidos pela queima de petróleo e de carvão e pelo desmatamento, porque não é justo que países como os nossos, que deram uma contribuição irrelevante à poluição, paguem o preço mais alto”.
É improvável que, em Durban, o impulso dos indignados chegue a subverter os prognósticos, a ponto de chegar a um tratado vinculante imediato. Mas se poderia delinear um período-ponte para prolongar os compromissos existentes, para chegar, depois, a definir um acordo mais amplo no arco de poucos anos. Um pacto que seria facilitado por um fundo de 100 bilhões de dólares por ano para as ajudas ao desenvolvimento sustentável. (EcoDebate)

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