segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Metano amazônico responde por 5% das emissões mundiais

Metano da amazônia, responsável por 4 a 5% das emissões em todo o mundo, vem de rebanhos e queima de biomassa.
Região da bacia amazônica é responsável por 4 a 5% das emissões de gás metano (CH4) em todo o mundo.
A bacia amazônica é responsável por 4% a 5% das emissões de metano (CH4) — um dos gases do efeito estufa — em todo o mundo. O dado faz parte de pesquisa do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN), entidade associada à USP, que determinou a emissão de metano entre os anos de 2010 e 2013, a partir da coleta de amostras de ar em quatro pontos da região, feita em aviões de pequeno porte. O trabalho da bióloga Luana Santamaria Basso aponta também que o manejo de rebanhos é responsável por 19%, em média, das emissões estimadas para cada um dos locais de estudo, enquanto a queima de biomassa contribui com 8% a 10% da emissão estimada para a área da amazônia brasileira.
O estudo, descrito em tese de doutorado apresentada no IPEN, fez parte de um grande projeto de pesquisa que tem como objetivo entender e determinar as emissões dos principais gases do efeito estufa da Amazônia. “Foram realizadas coletas em quatro localidades distribuídas na Amazônia Brasileira, formando um grande quadrante representando toda a Bacia, próximos às cidades de Santarém (Pará), Alta Floresta (Mato Grosso), Rio Branco (Acre) e Tabatinga (Amazonas)”, conta Luana. “Os estudos procuram observar como a amazônia contribui e quais são os processos que interferem nestas emissões, de modo a compreender como a região pode responder às futuras alterações climáticas”. O trabalho foi orientado pela professora Luciana Vanni Gatti, coordenadora do projeto no Laboratório de Química Atmosférica (LQA) do IPEN.
Na pesquisa foram realizados perfis verticais para as coletas de ar, utilizando aviões de pequeno porte, desde aproximadamente 300 m da superfície até 4,4 km, nos quatro locais de estudo na amazônia. “Foram realizados quatro anos de medidas continuas em escala regional, quinzenalmente, totalizando 293 perfis verticais realizados”, conta a pesquisadora. “Os perfis verticais são realizados tendo como base um plano de voo, preparado previamente, que indica para o piloto a localização e em quais altitudes devem ser feitas as coletas”.
A coleta tem inicio no ponto mais alto e desce em uma trajetória helicoidal de aproximadamente 5 km de diâmetro. “Os quatro anos de estudo mostraram que a Amazônia atua como uma importante fonte de metano, com uma emissão de 25,4 Teragramas (Tg) por ano”, aponta Luana. “Isso representa de 4% a 5% da emissão global, considerando a área da amazônia brasileira, que é de 4,2 milhões de km2”.
Origem Antrópica
“Atualmente existem poucos estudos realizados sobre a emissão de metano na amazônia”, diz a pesquisadora. Para estimar algumas contribuições de atividades humanas nas emissões observadas na pesquisa, realizou-se alguns estudos complementares. “Hoje, cerca de 60% das emissões globais de metano são de origem antrópica, ou seja, relacionada com atividades humanas, como por exemplo, a criação de rebanhos de animais que emitem metano a partir da fermentação entérica, as queimadas, o cultivo de arroz, entre outras”.
O monóxido de carbono (CO), que foi quantificado na mesma amostra de ar coletada nos locais estudados, foi usado para estimar qual a contribuição da queima de biomassa nas emissões de metano. “Os resultados mostraram que a queima representara entre 8% e 10% da emissão total estimada para a amazônia brasileira”, ressalta Luana. Também foi realizada uma estimativa das emissões provenientes da fermentação entérica e do manejo dos dejetos dos rebanhos de animais ruminantes. “Elas representam em média 19% da emissão de metano estimada para cada local estudado”.
Durante os quatro anos do estudo, foi possível observar uma variação anual das emissões, indicando uma relação com as variações climáticas, como por exemplo, a variação da precipitação e de temperatura. “Os resultados obtidos ressaltam a importância da realização de estudos de longa duração, durante períodos de dez anos, por exemplo,”, afirma a pesquisadora. “A comparação destes resultados com dados de temperatura, precipitação, número de focos de queimada, dentre outros, ajudarão a obter um melhor entendimento das fontes de metano e também da variabilidade em suas emissões ao longo dos anos, que atualmente não é completamente compreendida”.
Segundo Luana, os perfis de avião mostram a resultante de todos os processos que ocorreram desde a costa brasileira até o local da coleta, mostrando a região Amazônica como um todo, mas não permitem entender exatamente todas as fontes, sumidouros e os fatores que influenciam nestes processos. “Para isto são necessários estudos complementares que mostrem mais detalhadamente o funcionamento de cada compartimento da floresta, por exemplo, das áreas alagáveis, dos rios, etc”, aponta. “Os resultados mostraram variações anuais nas emissões, porém é necessário mais tempo de estudo, em torno de dez anos, para poder considerar estas variações e observar uma tendência de aumento ao longo dos anos”. (ecodebate)

Custo da poluição é 6 vezes maior que o estimado pelos EUA

Desenvolver a economia à base de poluentes tem um preço. E a conta foi subestimada pelo governo norte-americano, segundo um novo estudo da Universidade de Stanford. O Escritório de Administração e Orçamento dos EUA avaliou que, em 2015, liberar uma tonelada de gás carbônico para a atmosfera provocaria um gasto de US$ 37. No entanto, o levantamento recém-divulgado traz um valor quase seis vezes maior: US$ 220.
O índice, chamado custo social do carbono, é o preço estimado dos danos causados por cada tonelada de CO2 liberada na atmosfera. Quanto maior ele é, mais políticas contra as mudanças climáticas são criadas pelos governos. Por isso os pesquisadores se preocupam com o baixo valor divulgado pela Casa Branca – seria um sinal de que o crescimento econômico americano não será acompanhado por programas de combate às alterações da temperatura global.
Professora da Escola de Ciências da Terra de Stanford, Frances Moore destaca que os impactos econômicos das mudanças climáticas podem ser mais onerosos para a sociedade do que o previsto, já que teriam um choque permanente no PIB dos países.
“O modelo oficial afirma que as mudanças climáticas não afetam a taxa de crescimento econômico, mas novos estudos sugerem que isso não é verdade”, acusa Frances, coautora do estudo. “As mudanças climáticas afetam não só a produção econômica de um país, mas também o seu crescimento. Há, então, um efeito permanente, que se acumula ao longo do tempo, levando a um custo social muito maior do carbono”.
Para Frances, a comunidade internacional precisa assinar um acordo que evite que o crescimento econômico seja realizado a qualquer custo. Do contrário, o planeta assistirá ao sacrifício de elementos que garantem os recursos básicos para a economia mundial, como o índice de pluviosidade e a fertilidade do solo. Políticas de mitigação mais ambiciosas também evitariam eventos extremos, como enchentes e terremotos, que arrasam por anos a economia de uma região.
Coautora do estudo, Delavane Diaz considera “limitada” a definição americana do impacto do CO2 na economia. “As estimativas consideram setores como agricultura, demanda de energia, recursos hídricos, saúde humana e ecossistemas, entre outros”, enumera a pesquisadora de Gestão de Ciência e Engenharia de Stanford. “No entanto, os custos de cada uma destas categorias são efêmeros, em comparação com as mudanças climáticas”.
As pesquisadoras admitem que o levantamento ainda precisa ser melhorado. Seu cálculo considera problemas que as mudanças climáticas podem desencadear em médio prazo, mas não o tempo necessário para o desenvolvimento de novas fontes de energia sustentável.
O papel dos países em desenvolvimento também é uma incógnita. Faltam dados para saber como o aumento do custo do carbono beneficiaria as nações mais pobres. “Em um país pobre, as políticas de mitigação demoram mais para fazer efeito”, cogita Frances. “A carência de infraestrutura aumenta sua vulnerabilidade às mudanças climáticas. No entanto, se houver investimento, eles enriquecerão e terão instrumentos para se defender de eventos extremos”.
Luiz Serrano, especialista em finanças ambientais e economia de baixo carbono, considera que o estudo corrobora a necessidade de investimentos em mitigação, inclusive pela iniciativa privada.
“No mundo empresarial, as mudanças climáticas devem ser incorporadas na avaliação de riscos e oportunidades de um negócio”, ressalta Serrano, gerente de negócios da empresa de soluções sustentáveis KeyAssociados. “No ambiente público, mais ainda, pois pode impactar na geração de dívidas, nos projetos nacionais e em temas relevantes para a população”.
Colapso
Enquanto os EUA subestimam o investimento em políticas sustentáveis, Todd Stern, enviado especial do país para mudanças climáticas, declarou ontem que teme o colapso das conferências do clima (COPs), caso o próximo encontro, no fim do ano, em Paris, não seja bem-sucedido. Para ele, isso faria os países desistirem de um acordo que unisse todos os governos. Diversos órgãos globais, como o G20 e o FMI, já discutem o tema, mas apenas as COPs têm poder para estabelecer decisões globais. (biodieselbr)

Emissão de gases atingiu níveis sem precedentes em 2014

Emissão de gases de efeito estufa atingiu níveis sem precedentes em 2014
O maior e mais abrangente relatório sobre mudanças climáticas, divulgado em 2014 pelas Nações Unidas, mostrou que a humanidade vivencia a última chance de reverter o processo de aquecimento global. A síntese do quinto relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), elaborada com a participação de 800 cientistas de 80 países, e divulgada em novembro em Copenhague, na Dinamarca, indicou que se não houver redução imediata na emissão de gases de efeito estufa, os meios de adaptação não serão suficientes, e a vida no planeta será ameaçada. “As mudanças climáticas não deixarão nenhuma parte do globo intacta”, disse na ocasião o presidente do IPCC, Rajendra Pachauri.
O relatório mostrou que a emissão de gases de efeito estufa atingiu níveis sem precedentes nos últimos 800 anos, gerando o aquecimento da terra, o derretimento das geleiras e o consequente aumento do nível do mar. O aquecimento médio global combinado da Terra e dos oceanos no período de 1880 a 2012 chegou a 0,85 °C. O nível do mar aumentou 19 centímetros de 1991 a 2010, número maior do que os registrados nos últimos dois milênios. O relatório alertou também para a acidificação dos oceanos em 26% por causa da apreensão de gás carbônico da atmosfera, o que pode ter impacto grave sobre os ecossistemas marítimos.
Caso não haja redução das mudanças climáticas, os cientistas preveem impactos severos e irreversíveis para a humanidade e para os ecossistemas. “Meios de vida serão interrompidos por tempestades, por inundações decorrentes do aumento do nível do mar e por períodos de seca e extremo calor. Eventos climáticos extremos podem levar à desagregação das redes de infraestrutura e serviços. Há risco de insegurança alimentar, de falta de água, de perda de produção agrícola e de meios de renda, particularmente em populações mais pobres”, destaca o documento.
Para frear as mudanças climáticas e gerenciar os riscos, de acordo com o relatório do IPCC, as nações precisam promover ações combinadas de mitigação e adaptação. “Reduções substanciais nas emissões de gases de efeito estufa nas próximas décadas podem diminuir os riscos das mudanças climáticas e melhorar a possibilidade de adaptação efetiva às condições existentes”. Os cientistas reconheceram, entretanto, que essas reduções demandarão mudanças tecnológicas, econômicas, sociais e institucionais consideráveis.
Ao apresentar o relatório, nas palavras de Rajendra Pachauri, “a comunidade científica passou o bastão para os políticos”, para que eles tomem as decisões acertadas em tempo hábil. Um mês depois, entre os dias 2 e 12 de dezembro, em Lima, no Peru, delegações de 196 países tiveram dificuldades para encontrar um consenso sobre o desenho do que será o tão esperado acordo global do clima, definindo metas para a redução na emissão de gases de efeito estufa. O Chamamento de Lima para a Ação sobre o Clima, título dado ao documento, foi aprovado no apagar das luzes da 20ª Conferência do Clima, o que causou dúvidas sobre a capacidade dos líderes mundiais de negociar, na 21ª Conferência do Clima (COP 21), em Paris, em dezembro do ano que vem, um amplo e ambicioso acordo capaz de frear os efeitos das mudanças climáticas e garantir o futuro da humanidade.
O texto aprovado em Lima traz várias opções possíveis para a construção de um acordo climático em 2015, mas não apresenta conclusões sobre os pontos mais polêmicos: a definição de metas para o corte nas emissões de gases de efeito estufa e a consequente adaptação das nações para economias mais verdes, por meio da inovação nas indústrias e do investimento em energias renováveis.
O cientista sênior e consultor do Instituto Nacional de Pesquisa Ambiental da Dinamarca Hans Sanderson, em entrevista à Agência Brasil, disse que o relatório do IPCC não foi compreendido como deveria e não gerou a pressão esperada sobre a classe política. Consequentemente, observou ele, os resultados alcançados em Lima não foram suficientes. “O sistema adotado pelas Nações Unidas nas conferências do clima não é efetivo e deveria ser substituído por um outro formato mais elaborado, com maior poder de decisão”, disse. “Com certeza, o desenho de acordo aprovado na COP 20 não reflete a urgência que as mudanças climáticas demandam”, enfatizou.
Sobre as expectativas da comunidade científica para a COP 21, em Paris, ele disse que acha difícil um acordo. “O que veremos é mais uma versão enxugada, empurrando as decisões e as ações reais para o futuro”. Na opinião do cientista, a meta de evitar que a temperatura da terra aumente mais do que 2°C não pode mais ser alcançada. “Imagine se as COPs fossem tão decisivas e efetivas em garantir recursos como foram as guerras mundiais no passado. Não estamos falando em ciência aeroespacial, a maioria das questões científicas centrais já foi discutida. Agora é uma questão de agir, mas há muitos conflitos de interesse entre países que impedem essa ação.”
Ele destacou, entretanto, alguns avanços na questão climática ocorridos em 2014. “Vimos os Estados Unidos e a China assinarem acordos para reduzir as emissões; vimos muitas cidades e países, como o Uruguai e a Alemanha, avançando rumo a 100% de energias renováveis em poucos anos; vimos o fortalecimento das discussões em torno de uma adaptação às mudanças climáticas. Tudo isso é avanço.” (Ecodebate)

Observatório do Clima mostra aumento de 7,8% de emissões em 2013

Estudo do Observatório do Clima mostra aumento de 7,8% das emissões no Brasil em 2013
Estudo do Observatório do Clima, que será apresentado em 06/12/14 na 20ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (COP-20), em Lima, Peru, mostra que as emissões brasileiras atingiram 1,57 bilhão de toneladas de gás carbônico equivalente, em 2013. Isso representa um aumento de 7,8% em comparação ao ano anterior e constitui a maior quantidade de emissão desde 2008.
O estudo mostra as emissões, no Brasil, no período de 1970 a 2013.  No ano passado, foram apresentados dados relativos ao período de 1990 a 2012. “No sábado, no evento paralelo à COP-20 que vai ser organizado pelo Observatório do Clima, mostraremos que de 2012 para 2013, o Brasil aumentou em 7,8% as suas emissões, que é um aumento em todos os setores. Aumentou na mudança da terra, no setor de energia, na agropecuária, nos resíduos, nos processos industriais. Em todos os setores da economia monitorados, o Brasil elevou suas emissões”,  disse o coordenador-geral do Observatório do Clima, André Ferretti.
Desmatamento foi o maior responsável pelo aumento das emissões de gás carbônico pelo Brasil, entre 2012 e 2013, informa Observatório do Clima.
O maior aumento das emissões entre 2012 e 2013, da ordem de 16%, ocorreu no desmatamento. Somando  mudança da terra (desmatamento), energia e agropecuária, considerados os grandes vilões das emissões de gases poluentes, verifica-se que esses três setores  respondem por quase 90% das emissões brasileiras, informou o ambientalista. Resíduos e processos industriais ocupam uma parcela ainda reduzida.
De acordo com o Observatório do Clima, em 2013,  o setor de mudança da terra emitiu 542,5 milhões de toneladas de gás carbônico equivalente. Em segundo lugar, ficou energia, com 473,5 de toneladas, seguindo-se a agropecuária, com 416,7 milhões de toneladas. Os processos industriais foram responsáveis pela emissão 86,5 milhões de toneladas de gás carbônico equivalente e os resíduos, 48,7 de milhões de toneladas.
O objetivo do Observatório do Clima é fazer o monitoramento anual das emissões no Brasil, para que se tenha tempo hábil de identificar onde as emissões estão piorando, para que se possa ajustar políticas públicas que, eventualmente, não estejam  resultando no esperado ou criar novas políticas para solucionar problemas que estejam sendo causados em alguns setores, disse Ferretti.
Segundo ele, o país está em uma situação complicada, em que todos os cinco setores monitorados mostram o aumento das  emissões de gases responsáveis pelo efeito estufa. “O mundo precisa reduzir as emissões pela metade, pelo menos, nas próximas três décadas, para que a gente consiga tentar ainda estabilizar a temperatura em, no máximo, 2ºC acima da média que a gente tinha de temperatura do planeta, no início da revolução industrial”. Ferretti acrescentou que esse é um limiar que os cientistas alertam como algo que ainda traria grandes prejuízos, “como tem trazido”, mas que ainda é aceitável.
Coordenador do Observatório do Clima alerta para consequências de aumento da temperatura do planeta acime de 2ºC.
O coordenador do Observatório do Clima destacou que um aumento acima da magnitude de 2ºC em relação à temperatura no século 18 traria consequências muito severas que a espécie humana não vivenciou até hoje. “É um risco muito grande”, disse. Por isso, a expectativa dos ambientalistas é que os esforços globais sejam suficientes para que a temperatura não se eleve acima de 2ºC do que ocorria na Era pré-industrial.  Informou que, atualmente, foi observado um aumento entre 0,8ºC e 0,9ºC. “Estamos chegando a quase 1ºC do que era na revolução industrial e já estamos tendo problemas nos últimos anos, como aumentos climáticos extremos, mais frequentes e mais intensos, causando perdas de vidas, inclusive, e prejuízos econômicos gigantescos no mundo todo”.
Ferretti lembrou que, segundo os cientistas, é prudente  não ultrapassar o limiar de 2ºC, “porque seria mais barato trabalhar agora para reduzir as emissões”. André Ferretti viajou para Lima, onde apresentou o estudo na COP-20, com o coordenador do Sistema de Estimativa de Emissões de Gases de Efeito Estufa (Seeg), o engenheiro florestal Tasso Azevedo. (ecodebate)

sábado, 21 de fevereiro de 2015

5 passos para esfriar o planeta e garantir alimentos

Cinco passos para esfriar o planeta e garantir soberania alimentar
Como a cadeia de produção global de alimentos contribui para o aquecimento global:
Desflorestamento: 15-18%
Antes que as plantações comecem, os tratores fazem seu trabalho. Pelo mundo todo, a agricultura industrial está se lançando sobre as savanas, as áreas úmidas e as florestas, lavrando uma enorme quantidade de terrenos.
A FAO diz que a expansão da fronteira agrícola é responsável por volta de 70-90% do desflorestamento global, e a metade disto para a produção de alguns poucos commodities voltados à exportação. A parte agrícola do desflorestamento contribui com 15-18% das emissões globais de Gases do Efeito Estufa.
Agricultura: 11-15%
Se reconhece que a agricultura contribui com 11-15% de todos os gases estufa produzidos no mundo. A maior parte destas emissões resultam do uso de insumos industriais, como fertilizantes químicos e combustível para os tratores e maquinário agrícola, assim como o excesso de estrume gerado pela criação de gado.
Transporte: 5-6%
A cadeia produtiva da alimentação atua como uma agência de viagens global. Plantações para a alimentação de animais podem ser feitas na Argentina, para alimentarem frangos no Chile, que serão exportados para a China, onde serão processados e comidos em McDonalds dos EUA.
Muita da nossa comida, produzida sob condições industriais em lugares distantes, viajam milhares de quilômetros antes de alcançarem nossos pratos. Nós podemos estimar que o transporte de comida está ligada a um quarto dos gases estufa produzidos pelo transporte mundial, ou 5-6% do total destas emissões.
Processamento e embalamento: 8-10%
O processamento é um passo altamente lucrativo da cadeia industrial do alimento. A transformação de alimentos em refeições prontas, salgadinhos e bebidas necessitam de uma enorme quantidade de energia, principalmente na forma de carbono. Assim como o embalamento e enlatamento desta comida.
Comercialização e refrigeração: 2-4%
A refrigeração é o sustentáculo das cadeias de supermercado e fast food. Onde quer que o sistema industrial de alimentos vá, a cadeia da refrigeração o acompanhará.
Considerando que a refrigeração é responsável por 15% de todo consumo de eletricidade no mundo, e que o vazamento de químicos são uma grande fonte de gases estufa, podemos dizer com segurança que a refrigeração dos alimentos contribui para cerca de 1-2% de toda a emissão de gases estufa. O comércio varejista contribui para outros 1-2%.
Desperdício: 3-4%
O sistema industrial de alimentos descarta mais da metade de toda comida que ele produz, jogada fora na longa jornada entre as fazendas e os distribuidores, os processadores de alimentos e os varejistas e restaurantes.
Boa parte do que é desperdiçado apodrece em montes de lixo e aterros sanitários, produzindo uma quantidade substantiva de gases estufa. Entre 3,5-4,5% das emissões globais destes gases vêm do lixo, e mais de 90% deles são produzidos por materiais originários do sistema de produção de comida.
Dessa forma, as medidas que devem ser tomadas para quebrar essa cadeia e tornar o planeta menos poluído, garantindo soberania alimentar, são:
1- Tomar conta do solo
A equação comida/clima está baseada na terra. A expansão da agricultura insustentável no século passado levou à destruição de cerca de 30-75% do material orgânico das terras aráveis, e 50% do material orgânico nas pastagens e pradarias.
Esta perda massiva de matéria orgânica é responsável por entre 25% e 40% do atual excesso de CO2 na atmosfera terrestre. Mas a boa notícia é que este CO2 que mandamos à atmosfera pode ser devolvido ao solo apenas restaurando as práticas que pequenos agricultores desenvolveram por gerações.
Se as políticas e incentivos corretos forem colocados em prática no mundo todo, a matéria orgânica do solo poderia ser restaurada a níveis pré-industriais dentro de 50 anos – que foi mais ou menos o tempo que a indústria levou para reduzi-la. Isto iria compensar entre 24% e 30% de todos os gases estufa atuais.
2- Agricultura natural, sem químicos
O uso de químicos na agroindústria está sempre aumentando, enquanto os solos estão cada vez mais empobrecidos e as pestes estão se tornando imunes aos inseticidas e herbicidas.
No entanto, pequenos agricultores pelo mundo ainda possuem o conhecimento e a diversidade de culturas e animais para plantar produtivamente sem o uso de químicos e diversificando os sistemas, integrando agricultura e criação de animais, incorporando tudo isso à vegetação nativa.
Estas práticas aumentam a produtividade potencial da terra, pois melhoram a fertilidade do solo e previnem a erosão. A cada ano mais matéria orgânica é produzida no solo, possibilitando a produção de mais e mais comida.
Acabar com a distância da comida e focar em alimentos frescos
A lógica corporativa que resulta nos envios de comida ao redor do mundo não faz nenhum sentido do ponto de vista ambiental ou de qualquer outra perspectiva importante.
O comércio global de comida, da abertura de trechos de terras e florestas para a produção de commodities agrícolas até a comida congelada vendida nos supermercados: estes são os principais culpados do sistema na contribuição às emissões de gases estufa.
Muitas das emissões do sistema poderiam ser eliminadas se a produção de comida fosse reorientada na direção dos mercados locais e dos alimentos frescos, e longe das carnes baratas e comidas processadas. Mas alcançar este patamar é provavelmente a luta mais dura, enquanto os governos e as corporações estão comprometidos com a expansão do comércio de alimentos.
3- Devolvam a terra aos agricultores e parem com as mega plantações
Nos últimos 50 anos, 140 milhões de hectares – o tamanho de todas as terras de agricultura da Índia – foram tomados por quatro culturas que crescem predominantemente em grandes plantações: soja, dendê, canola e cana de açúcar.
A área global sob estes e outros commodities agrícolas – todos notáveis emissores de gases estufa – irá aumentar se as políticas públicas não mudarem. Hoje, pequenos agricultores estão espremidos em menos de um quarto das terras, mas produzem a maior parte da comida mundial – 80% de toda comida em países não industrializados, segundo a FAO.
Pequenos agricultores produzem estes alimentos de maneira muito mais eficiente do que as grandes plantações, e de uma maneira melhor para o planeta. Uma redistribuição mundial das terras aos pequenos agricultores, combinada com políticas que ajudem a reconstruir a fertilidade do solo e políticas que apoiem os mercados locais podem reduzir os gases estufa pela metade em poucas décadas.
5 – Esqueça as soluções falsas e foque no que funciona
Há um crescente reconhecimento de que a comida é central nas mudanças climáticas.
Os últimos relatórios do IPCC reconheceram que a comida e a agricultura são grandes contribuintes das emissões de gases estufa e que as mudanças climáticas impõem desafios gigantescos à nossa capacidade de alimentar uma população em crescimento. Ainda não houve nenhuma vontade política para desafiar o modelo dominante de distribuição e produção industrial de comida. Ao invés disso, os governos e corporações estão propondo inúmeras falsas soluções.
Há uma proposta vazia do Climate Smart Agriculture, que é essencialmente apenas uma repaginação da Revolução Verde. Há tecnologias novas e arriscadas como culturas geneticamente modificadas, para resistirem a secas ou projetos de geoengenharia de larga escala. Há projetos de biocombustíveis, que estão levando à grilagem de terras no Sul.
E há os mercados de carbono, que permitem que os piores agressores do meio ambiente não precisem cortar suas emissões apenas transformando florestas e a terra de camponeses e indígenas em áreas de conservação. Nenhuma destas “soluções” funcionará, pois elas trabalham contra a única solução efetiva: uma mudança do sistema industrial globalizado de alimentos, governado pelas corporações, em direção de sistemas de alimentação locais que estejam nas mãos dos pequenos agricultores. (ecodebate)

Festas de fim de ano é sinônimo de fartura?

Festas de fim de ano: sinônimo de fartura, e também hora de combater o desperdício de alimentos
Programa da ONU para o Meio Ambiente (PNUMA) lembra que é possível aproveitar as festas de fim de ano e, ao mesmo tempo, contribuir para a sustentabilidade por meio de ações simples. Confira as dicas.
Com a chegada das festas de fim de ano, consumimos mais alimentos, produtos e serviços do que o usual, o que faz crescer também a quantidade de comida desperdiçada e de lixo eletrônico gerado. Porém com pequenas atitudes é possível ajudar a solucionar os grandes desafios ambientais e, ainda por cima, economizar dinheiro.
A campanha Pensar, Comer, Conservar, promovida pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) alerta que um terço de toda a produção anual de alimentos – cerca de 1,3 bilhão de toneladas – é jogada fora todos os anos.
Além disso, cerca de 300 milhões de toneladas de comida são descartadas por produtores, revendedores e consumidores. Em outras palavras, esta quantidade seria mais que suficiente para alimentar cerca de 900 milhões de pessoas que passam fome em todo o mundo.
Junto ao alto custo com o desperdício de alimentos, o processo de produção destes produtos envolve o uso intenso de energia, água, fertilizantes e terra, o que acaba gerando grandes impactos ambientais.
E apesar de os problemas serem difíceis de resolver, ainda é possível aproveitar as festas de fim de ano e ao mesmo tempo contribuir para a sustentabilidade com ações simples e fáceis.
Por exemplo, planejar as refeições, evitar comprar por impulso, não deixar de comprar verduras, legumes e frutas que não têm aparência perfeita e reaproveitar os restos das ceias na preparação de outros pratos.
Com isso, poderemos celebrar as grandes festividades e ainda sim fazer a escolha pela opção mais sustentável. Leia abaixo algumas dicas!
Desperdício de alimentos
Compras inteligentes: Planeje as refeições, faça listas de compras, evite compras por impulso e não se engane pelos truques de marketing que levam você a comprar mais alimentos do que o necessário.
Seguir essas estratégias pode significar que você não compre um peru gigante e, assim, evite o horror de comer desesperadamente sanduíches de peru durante toda a semana para tentar não jogar fora os restos.
Comprando frutas e verduras pela aparência: Muitas frutas e legumes são jogados fora por causa de seu tamanho, forma ou cor, que não são considerados “perfeitos”. No entanto, muitos desses alimentos aparentemente ruins são perfeitos para consumo. Evite o desperdício pelas aparências.
Entenda as datas de validade: Ao contrário das datas de validade, alguns produtos usam classificações como “Melhor consumir antes de” — geralmente estas são sugestões do fabricante para a “qualidade máxima”. A maioria dos alimentos pode ser consumida com segurança bem depois destas datas, portanto alguns dos produtos em sua geladeira podem muito bem ser bons para além do Natal.
Informe-se!
Há diversas páginas na Internet e em outros meios que podem ajudar os consumidores a fazer receitas criativas e saborosas com as sobras de Natal. Informe-se e veja também as dicas do Instituto Akatu, por exemplo.
Outras ações incluem: o congelamento de alimentos; a solicitação de porções menores em restaurantes, comendo sobras (se caseiras) ou levando para casa; reutilização de alimentos na agricultura; a doação de alimentos de reserva para os bancos locais de alimentos, abrigos e outros locais de recebimento.
Lixo eletrônico
Enquanto todo mundo adora um novo “gadget”, talvez você possa se perguntar se realmente precisa de um novo aparelho eletrônico ou eletrodoméstico para substituir aparelhos antigos, se estes ainda estão funcionando. Afinal, é legal ser retro.
Reparar ou atualizar, em vez de substituir. Muitas vezes, nós jogamos fora aparelhos com defeito ou desatualizados quando lojas de reparo locais podem consertá- los ou atualizá-los para nós.
Doar ou vender produtos eletrônicos velhos que ainda estão em condições de uso. Agora que você tem o seu novo laptop ou telefone, você ainda pode ganhar dinheiro com os antigos dispositivos e economizar um pouco para o Natal.
Da mesma forma, existem muitas instituições sociais e escolas em sua área que ficariam felizes de ter seus ‘gadgets’ antigos — para muitos, este aparelho velho pode ser o primeiro aparelho de suas vidas. Além disso, muitos fabricantes recebem produtos eletrônicos antigos e fazem ofertas de troca ou de reciclagem.
Se o seu telefone antigo não funciona nem com um bom reparo, talvez porque você deixou cair no copo de suco sem querer, procure na sua cidade projetos de reciclagem de lixo eletrônico. Há muitas páginas na Internet onde você pode encontrar empresas de reciclagem ou, melhor ainda, pergunta no seu bairro ou comunidade por opções. (Ecodebate)

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Reflorestamento salvará bacias hidrográficas do Rio

Reflorestamento é solução para salvar bacias hidrográficas do Rio
Para preservar a água, o replantio de mudas é uma solução eficaz desde o século 19, no Rio de Janeiro. Diante da crise hídrica da época, o imperador Pedro II ordenou desapropriações na Floresta da Tijuca, onde hoje é Parque Nacional da Tijuca, devastado por plantações de café, e iniciou um amplo reflorestamento. A estratégia propiciou a recuperação natural da mata, que sofria com erosão e estava degradada, segundo a chefe do Laboratório de Geohidroecologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Ana Luiza Coelho Netto.
“Naquela época, o solo e as rochas não conseguiam armazenar tanta água, porque sem as florestas, a água acaba escoando na superfície do terreno, não entra no solo [vai para o mar]. Então, o nível de água subterrânea caiu muito, como nos dias de hoje”, lembrou a pesquisadora sobre a situação na floresta. Na época, a Corte e as comunidades em torno da Tijuca eram abastecidas por essas águas.
A floresta filtra a água da chuva para o subsolo.
Com as medidas do imperador, acrescentou, sem a pressão da ocupação urbana, a área se recuperou e hoje é um dos maiores parques urbanos do país, com opções de trilhas e visitas a cachoeiras.
De acordo com Ana Luiza, embora a Floresta da Tijuca não tenha condições de abastecer toda a população carioca, de mais de 6 milhões de habitantes, cumpre um papel importante no clima e na recarga dos lençóis freáticos. “A floresta ajuda a água da chuva a se infiltrar [no solo] e lança no ar. Ela bebe 20% da água da chuva e o resto devolve por meio das raízes.”
Diante de uma das maiores estiagens no estado, que baixou o nível dos reservatórios, a professora diz que a criação de corredores ecológicos – que facilitam o deslocamento de animais, a dispersão de sementes e aumento da cobertura vegetal – são fundamentais para a sustentabilidade das matas. Ela defende, ainda, a execução de projetos de reflorestamento comunitário, que podem empregar moradores de áreas em talude – plano de terreno inclinado que tem como função dar estabilidade a um aterro.
Para evitar a crise de desabastecimento, a Prefeitura do Rio de Janeiro criou um grupo de trabalho. O prefeito Eduardo Paes não descarta medidas para economia de água e energia. (ecodebate)

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