quarta-feira, 15 de junho de 2016

Desenvolvimento sustentável, Parte II

GUEDES (2015) traz um comentário que endossa a visão de uma completa reformulação do “modus operandi” atual em busca da sustentabilidade:
Desenvolvimento é uma palavra que, no conceito acima, está inscrita na ideia da produção e lucro, dos meios de produção, do contínuo progresso. Sendo assim inscrita, ela compactua e mantém o alicerce da estrutura hegemônica do pensamento capitalista, colocando um teor “sustentável” para poder dar conta da pressão global junto a degradação desenfreada que a humanidade sofre em todo o meio-ambiente. Sustentabilidade remete a uma nova maneira de pensar, fomenta uma racionalidade agregadora do sentido primordial do equilíbrio e respeito à natureza, a geração de uma nova mentalidade e percepção que possa abranger os campos do sensível e do inteligível, tendo como princípio a valorização das subjetividades culturais e regionais. Esta forma de pensamento ambiental rompe a ideia de totalidade, globalização, recursos naturais, conceitos inscritos no cerne da concepção de desenvolvimento sustentável.
Mais do que diferentes visões a respeito da questão do meio ambiente, há nas diferenças entre uma expressão e a outra, necessário observar o “porquê” das diferenças. A discussão é político-econômica, não apenas ambiental. Neste sentido, a educação ambiental para a sustentabilidade, precisa ser muito bem embasada e as pessoas seriamente comprometidas com as realidades. “Senão, os caminhos epistemológicos que sugerem a manutenção da realidade através da disseminação da ideia do desenvolvimento sustentável, como sendo a mesma de sustentabilidade, vão se tornar hegemônicos”.
Isto se deve ao fato de que a questão ambiental representa uma síntese dos impasses que o modelo atual de civilização acarreta, chamada “crise civilizatória”.
Por isso se sabe que leis e normas não vão resolver os problemas. Mas são muito relevantes numa sociedade criada pela civilização humana que vive de direito positivado.
A civilização humana vai acabar determinando nova autopoiese sistêmica, na acepção livre das concepções de Niklas Luhmann e Ulrich Beck, que contemple a solução dos maiores problemas e contradições exibidas pelo atual arranjo de equilíbrio.
Que é um sistema instável, muito frágil e vulnerável. Para sua própria sobrevivência, o “sistema” vai acabar impondo uma nova metamorfose efetiva.
Outro mundo é possível, mesmo dentro da livre iniciativa. Ocorre enfatizar que nada é contra a livre-iniciativa. Que sem dúvida sempre foi e parece que sempre será o sistema que melhor recepciona a liberdade e a democracia. Mas uma nova autopoise sistêmica para o arranjo social, é urgente e precisa ser desenvolvida pela civilização humana.
Esta mudança deve começar logo, juntando as lutas singulares, os esforços diários, os processos de auto-organização e as reformas para retardar a crise, com uma visão centrada numa mudança de civilização e uma nova sociedade em harmonia com a natureza.
Não é preciso esperar catástrofe ecológica ou hecatombe civilizatória para determinar nova autopoiese sistêmica.
Neste contexto, a superação dos problemas acarretados exigirá mudanças profundas na concepção de mundo, de natureza, de poder e de bem-estar, tendo por base novos valores individuais e sociais. Faz parte desta nova visão de mundo, a percepção de que o homem não é o centro da natureza (BRASIL, 1996, p. 179). Tal situação é apresentada depois de PORTO-GONÇALVES (2013, p. 15) da seguinte forma:
com a questão ambiental estamos diante de questões de claro sentido ético, filosófico e político. O que fazer com o nosso antropocentrismo quando olhamos do espaço nosso planeta e vemos o quão pequeno ele é e quando passamos a saber que, enquanto espécie humana, somos apenas uma entre tantas espécies vivas de que nossas vidas dependem?
Dizer que a problemática ambiental é, sobretudo, uma questão de ordem ética, filosófica e política é se desviar de um caminho fácil que nos tem sido oferecido: o de que devemos nos debruçar sobre soluções práticas, técnicas, para resolver os graves problemas de poluição, desmatamento, de erosão. Esse caminho nos torna prisioneiros de um pensamento herdado que é parte do problema a ser analisado. Existe uma crença não-crítica, de que sempre existe uma solução técnica isenta e desvinculada.”
Obviamente isto não é verdadeiro. Se poderia acrescentar o uso do enganador apanágio tecnológico, mas não interessa perder a continuidade da reflexão.
Melhorias duradouras nas condições de vida, baseadas na visão de sustentabilidade, focadas na busca de formas mais sustentáveis para a produção industrial e agropecuária, ações que incentivem a justiça social, uso racional dos recursos naturais e o combate ao consumo exagerado são os grandes desafios neste momento de crise civilizatória.
Um ponto importante nesta discussão é a disputa pela hegemonia teórica. Para HOEFFEL e REIS (2011, p. 126):
a dimensão política da questão ambiental é dada justamente pela disputa entre os diferentes atores na busca de uma hegemonia teórica sobre a problemática do meio ambiente, base para a legitimação das práticas de apropriação dos recursos naturais pelos diferentes interesses em disputa.”
As contribuições de dois críticos ao conceito de desenvolvimento sustentável, que preferem a expressão “Sociedade Sustentável” é destacada:
“vejo a questão exatamente como você”. Belo resumo do assunto. Estava aqui pesquisando e encontrei um artigo da Revista Plural, do Programa de Pós Graduação em Sociologia da USP que desenvolve a temática e nos coloca mais uma expressão para pensar (e eventualmente usar) “sociedade sustentável” (KANASHIRO, 2009).
Nessa concepção, segundo Lima (2003), prefere-se utilizar a expressão sociedade sustentável, salientando a autonomia política, a diversidade cultural e os valores éticos de respeito a vida. Na definição de DIEGUES (1992, p. 28): O conceito de “sociedades sustentáveis” parece ser mais adequado que o de “desenvolvimento sustentável”, na medida em que possibilita a cada uma das sociedades definir seus padrões de produção e consumo, bem como o de bem-estar a partir de sua cultura, de seu desenvolvimento histórico e de seu ambiente natural.”
O comentário do economista Ladislaw Dowbor ajuda-nos a compreender a relevância de ir além do “triple bottom line”:
Um ponto de partida básico que nos ajuda a definir os rumos da gestão, é a visão que está se tornando aceita no planeta de que temos de assegurar um desenvolvimento que seja economicamente viável, socialmente justo, e ambientalmente sustentável. Ou seja, não se trata mais das empresas fazerem dinheiro, o Estado trazer o curativo, e os verdes protegerem as baleias. Toda empresa, qualquer projeto do Estado, e qualquer iniciativa das organizações da sociedade civil têm de buscar simultaneamente a articulação do econômico, do social e do ambiental. Esta visão do “triple bottom line”, na medida em que se popularizou, ajuda bastante. Mas na realidade, é insuficiente (DOWBOR, 2012, p. 1080).
É preciso fazer um resgate do conceito de Desenvolvimento Sustentável que foi deturpado. Isto faz sentido se retomarmos o comentário de VEIGA (2013, p. 108) de que, em 1992, na época da Rio 92, essa “bizarra parábola dos ‘três pilares’ nem sequer havia sido inventada. Ela só começou a ser difundida a partir de 1997, e no contexto das empresas, não das nações”. Conhecer o histórico deste termo é essencial para um entendimento dos usos e deturpações nos discursos ambientais:
Nas tentativas de encontrar uma definição de sustentabilidade condizente, ocorre se deparar com a afirmação de que a aplicabilidade da sustentabilidade pressupõe mudanças” (DOBSON, 1999, p. 12). “Relacionando a sustentabilidade com a noção de sociedade sustentável “a sociedade sustentável é uma sociedade utópica no sentido estrito do termo” (DOBSON, 1999 p. 13). “A utopia da sociedade sustentável é uma perspectiva política e a principal de suas definições possíveis é aquela que vive e se desenvolve integrada à natureza”. Respeita a diversidade biológica e sociocultural da vida e está centrado no pleno exercício responsável da cidadania, com a distribuição equitativa da riqueza. Não utiliza mais recursos naturais do que pode ser renovado e favorece condições dignas de vida para as gerações atuais e futuras (RODRIGUES, 1997, p. 159)”.
Segundo HOEFFEL e REIS (2011, p. 125), “a julgar pelas controvérsias que a definição de sustentabilidade coloca é de se esperar que diferentes posições tenham surgido nos últimos anos. O conceito de sustentabilidade vem sendo amplamente utilizado dentro de diferentes abordagens teóricas, muitas vezes contraditórias”.
Para DRYZEK (2005) “existem modelos híbridos nestas tipologias, mas enfatiza que existem diversos discursos ambientais que em alguns casos se completam, mas que em geral competem entre si e por uma hegemonia na solução de questões ambientais e que a cada discurso é possível vincular distintas perspectivas para o termo sustentabilidade” (2006 apud HOEFFEL e REIS, 2011, p. 127).
O último comentário que se apresenta traz uma visão importante, que vai além das disputas sobre os significados dos conceitos, focando na inevitável situação “sine qua non” de mudança no modelo atual civilizatório, que nada mais é que nova autopoise, já que o socialismo foi um desastre ambiental:
Sem chegar a uma conclusão fechada, cita-se a frase de Antoine Laurent de Lavoisier (Paris, 26 de agosto de 1743), que diz que “na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”, então, independente de se fazer conta, usando apenas esse raciocínio, se gastarmos mais do que o planeta tem como reserva, em certo momento as mesmas se esgotarão, seja energética, minerais, vegetais, animais, gases, enfim tudo. Uma coisa é garantida, sem água, calor, oxigênio e comida a vida humana na Terra terá fim. Equilibrar a balança entre o que temos e o que podemos gastar é o grande dilema. Temos que diminuir as desigualdades sociais, não apenas elevando as condições dos menos favorecidos, mas diminuindo o consumo e o desperdício desenfreado pelos mais abastados.”
A proposta é construir uma visão que demonstre a heterogeneidade nos discursos sobre os conceitos de Desenvolvimento Sustentável e Sustentabilidade, como destacado pelo SAUVÉ (2005):
Quando se aborda o campo da educação ambiental, podemos nos dar conta de que apesar de sua preocupação comum com o meio ambiente e do reconhecimento do papel central da educação para a melhoria da relação com este último, os diferentes atores (pesquisadores, professores, pedagogos, animadores, associações e organismos), propõem diversas maneiras de conceber e de praticar a ação educativa neste campo. Cada um predica sua própria visão e inclusive, formam-se “igrejinhas” pedagógicas que propõem a maneira “correta” de influenciar, “o melhor” programa e o método mais “adequado” (SAUVÉ, 2005, p. 17).” (ecodebate)

Desenvolvimento sustentável, Parte I

GUEDES, (2015) detalha os conceitos de desenvolvimento sustentável ou sustentabilidade, que não são homogêneos, variando da relação com três dimensões ou pilares, o econômico, o ambiental e o social, com diversas dimensões, como a inserção do aspecto cultural como variável a considerar.
A percepção de que não há uma homogeneidade nos dois conceitos favorece uma percepção mais crítica da realidade.
A diversidade de entendimentos permite a compreensão dos vários discursos em torno destes conceitos, situação que possibilita uma análise crítica da sociedade.
A problemática que envolve a sustentabilidade assumiu papel central na reflexão em torno das dimensões do desenvolvimento e das alternativas que se configuram para garantir equidade e articular as relações entre o global e o local (JACOBI, 1999, p. 175).
Neste sentido, foi proposto o conceito de “Desenvolvimento Sustentável”, que envolve ideias de pacto intergeracional e perspectiva de longo prazo. “por desenvolvimento sustentável entende-se o desenvolvimento que satisfaz as necessidades atuais sem comprometer a capacidade das gerações futuras para satisfazerem as suas próprias necessidades” (CMMD, 1991, p. 9).
A proposição do Desenvolvimento Sustentável nos anos 1980 deve-se a um processo de mudança nas concepções de modelos de desenvolvimento.
O cenário criado pela percepção da crise ambiental nas décadas de 1960 e 1970 gerou uma série de respostas, como a publicação do livro “Primavera silenciosa” (título original “Silent Spring”) por Rachel Carson, em 1962 e a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, realizada em Estocolmo, em 1972, e a publicação do relatório “Limites do Crescimento”.
Poderíamos dizer que a ideia de desenvolvimento durável foi encampada pelo conceito de desenvolvimento sustentável e está fortemente associada a este conceito no debate que se estende durante os anos 90 e permanecem em pauta até agora” (SCOTTO, CARVALHO e GUIMARÃES, 2009, p. 26).
Segundo SCOTTO, CARVALHO e GUIMARÃES (2009, p. 8), “a noção de desenvolvimento sustentável e a própria ideia de sustentabilidade são, mais do que conceitos homogêneos e bem delimitados, campos de disputa sobre diferentes concepções de sociedade”. Segundo GUEDES (2015), há uma questão de ideologia por detrás dos discursos, que pode se tornar objeto de estudo da análise do discurso e de outras áreas do conhecimento.
A situação é que a discussão acerca do desenvolvimento sustentável passou a apontar para uma tríade envolvendo os meios social, ambiental e econômico, o chamado triângulo da sustentabilidade (em inglês, “triple bottom line”).
O “triple bottom line” foi criado pelo consultor britânico John ELKINGTON em 1997 e refere-se à necessidade de uma gestão empresarial voltada a suas três dimensões, em que inglês começam pela letra “p”: “profit”, “people” e “planet”.
“A verdade, contudo, é que em 1992 essa bizarra parábola dos ‘três pilares’ nem sequer havia sido inventada. Ela só começou a ser difundida a partir de 1997, e no contexto das empresas, não das nações” (VEIGA, 2013, p. 108).
Nada permite inferir da leitura do “Relatório Brundtland” (ou Nosso Futuro Comum, referenciado aqui como CMMD (1991)) que o desenvolvimento sustentável teria apenas três dimensões.
Ainda temos que essa noção poderia ter sido manchada pela metáfora mecânica de “pilares” a serem “equilibrados”. Ao contrário: nas raras vezes em que o relatório usa o termo “dimensões”, apresenta longas listas, e que terminam com significativas “etc.” (VEIGA, 2013, p. 109-110).
Assim, este conceito do triângulo nasceu no mundo empresarial e manteve-se limitado a uma visão simplista da realidade.
Segundo SCOTTO, CARVALHO e GUIMARÃES (2009, p. 35 e 36):
Embora pretenda ter uma ação abrangente e global, o desenvolvimento sustentável é um conceito elaborado dentro da esfera de um pensamento orientado pela lógica econômica e com esta referência pensa a sociedade. A via de internalização dos custos ambientais, seja na forma de condicionantes ambientais nas relações internacionais ou ainda na forma de internalização de custos nos produtos finais, segue o modelo de sociedade de mercado.
O conceito de desenvolvimento sustentável tem alimentado muitas propostas que apontam para novos mecanismos de mercado como solução para condicionar a produção à capacidade de suporte dos recursos naturais (…). Mas a questão que permanece em aberto é se estes mecanismos serão capazes de reorientar a lógica mercantil da sociedade ocidental de consumo, sendo efetivamente um freio à degradação ambiental, ou se estaríamos apenas vendo surgir um novo tipo de mercado verde.
Por outro lado, em contraposição ao triângulo da sustentabilidade, a discussão da sustentabilidade envolve outras dimensões, além dos 3 pilares. De acordo com o posicionamento de IGNACY SACHS (2002), há pelo menos 8 dimensões da sustentabilidade (eram 5 em 1993 (SACHS, 1993), mas atualmente ele trabalha com 8 SACHS, (2002), LAMIM-GUEDES e INOCÊNCIO (2013)).
Do desenvolvimento sustentável à sociedade sustentável:
A discussão que se dava no âmbito da sociedade civil via muitos limites no conceito de desenvolvimento sustentável, destacando a precariedade, a ambiguidade deste conceito que reforçava a ideia de desenvolvimento sem enfrentar suas principais contradições. O fato do desenvolvimento sustentável se apresentar com estas características tornava-o de fácil assimilação por setores da sociedade que tem termos de projeto políticos eram adversários históricos, como por exemplo, ambientalistas e empresários. (…) a principal contradição apontada era de que o desenvolvimento sustentável buscava conciliar economia e ecologia sem romper com os pressupostos do modelo de desenvolvimento que estava na origem da crise social e ambiental.
Um dos deslocamentos importantes que, ao longo dos anos 90, se podem observar neste debate é da noção de desenvolvimento sustentável para a ideia de sociedade sustentável. (ecodebate)

segunda-feira, 13 de junho de 2016

MMA aprova regras para reduzir desperdício de alimentos

Comissão de Meio Ambiente da Câmara aprova regras para reduzir desperdício de alimentos
Entre outras medidas, proposta prevê que o Poder Público incentive a implantação de mercados específicos para a comercialização de itens aptos ao consumo humano, mas próximos das datas de vencimento ou suscetíveis de descarte devido à aparência.
A Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados aprovou proposta que estabelece regras para a destinação de resíduos alimentares, com o objetivo de combater o desperdício de alimentos.
O texto obriga os geradores desses resíduos, como os produtores rurais e comerciantes, a adotarem práticas de manejo e conservação. Os materiais deverão ser destinados, dependendo do caso, à alimentação humana, à alimentação animal, à compostagem, à produção de energia e à disposição final.
Tereza Cristina retirou a previsão de detenção para quem destruir ou descartar alimentos aptos ao consumo humano: “medida desproporcional”
Foi aprovado o parecer da deputada Tereza Cristina (PSB-MS) ao Projeto de Lei 3.070/15, de autoria do deputado Givaldo Vieira (PT-ES). A versão de Tereza Cristina retira a pena de detenção para quem destruir ou descartar alimentos aptos ao consumo humano – punição prevista na proposta original. Na visão da deputada, a medida privativa de liberdade criaria “obrigações desproporcionais” aos produtores.
Estrutura
Em relação ao Poder Público, o texto aprovado, que altera a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/10), obriga o Estado a fornecer estrutura para recebimento e redistribuição próprios para o consumo humano dos alimentos que sobram, reduzindo, assim, o desperdício.
Também determina aos governos incentivar a implantação de mercados para a comercialização de alimentos aptos ao consumo humano, mas próximos das datas de vencimento ou suscetíveis de descarte devido à aparência.
Bancos de alimentos
O projeto traz ainda outros pontos importantes:
– o fim do desperdício de alimentos passa a ser uma das diretrizes da Política Nacional de Resíduos Sólidos;
– são criados os “bancos de alimentos”, espaços construídos para receber e distribuir alimentos aptos ao consumo humano;
– tais bancos serão interligados por meio de uma plataforma informatizada, chamada de Sistema Nacional de Oferta de Alimentos;
– os estados definirão as áreas de implantação dos bancos, enquanto os municípios cuidarão da implantação de uma rede de aproveitamento de resíduos de alimentos para as populações de baixa renda.
Tramitação
A proposta será analisada ainda pelas comissões de Seguridade Social e Família; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Depois, seguirá para o Plenário da Câmara. (ecodebate)

Desperdício de comida, fome mundial e a necessidade de mudanças

Como cozinheiro sempre me preocupou os diversos problemas no mundo que possuem total relação com minha profissão, e acredito que seja fundamental uma atenção especial de todas as pessoas. O problema do desperdício de alimentos não é novo, ocorre um aumento considerável a cada ano, e a tendência é sempre piorar devido à pequena mobilização para que essa situação seja contornada.
Os números atuais sobre o desperdício de alimentos são de dois bilhões de toneladas sendo desperdiçadas, ou seja, metade de toda a comida produzida no mundo tem o lixo como o destino.  Ao mesmo tempo em que tantos alimentos são desperdiçados, temos também o desperdício de água, terras cultiváveis, insumos agrícolas, tempo de trabalho e qualquer outra coisa usada na produção dos mesmos. A partir do momento em que tanto recursos estão sendo desperdiçados, o produtor também estará perdendo muito dinheiro.
Após analisar essa situação atual do desperdício de alimentos, nos deparamos com um problema gravíssimo, a questão da fome do mundo. Enquanto o mundo joga fora 2 bilhões de toneladas de alimentos no lixo, 1 bilhão de pessoas passam fome no mundo. Temos ao mesmo tempo, muita comida indo para o lixo, e muitas pessoas passando fome, comprovando que além de absolutamente tudo estar errado, é preciso fazer algo urgentemente. No mundo, a cada um minuto, cinco crianças no mundo morrem de desnutrição, e esses dados servem para refletirmos.
Existem uma série de maneiras em que se desperdiçam alimentos, e isso é desde o trabalho no campo, até o destino final que são os consumidores. A maior parte do desperdício hoje é durante o transporte e manuseio inadequado. Condições erradas de armazenamento e adoção de prazos de validade rigorosos também fazem parte disso. O consumidor também possui a sua parcela de culpa, principalmente pela preferencia de produtos com formatos e cores especificas, e no desperdício no dia a dia em casa.
A situação do desperdício está completamente descontrolada, tendo em vista que países ricos desperdiçam quase a mesma quantidade de comida produzida em toda a África subsaariana. É normal em nossas vidas corridas e cheia de compromissos, esquecermo-nos desse detalhe, mas é mais do que preciso virar os olhos pra isso, e começar a fazer algo.
Seja no transporte, no manuseio, no abastecimento, no armazenamento inadequado, ou no simples desperdícios das pessoas, precisamos mudar em nome de tantas pessoas que passam fome diariamente, e morrem por causa da desnutrição.
Ao todo, 842 milhões de pessoas sofrem de fome crônica no mundo, segundo a FAO. (petitgastro)

sábado, 11 de junho de 2016

Fraturamento hidráulico ameaça reservas subterrâneas de água

Fraturamento hidráulico (Fracking) ameaça reservas subterrâneas de água do Brasil
Sem água não há produção de alimentos, trabalho e saúde, não há vida. Fundamental para a sobrevivência de todas as espécies, a preservação das reservas subterrâneas de água é a garantia de que a vida como conhecemos hoje será possível no futuro. E esta proteção não é possível nos locais onde há exploração do gás de xisto pelo método não convencional chamado fraturamento hidráulico, ou FRACKING em inglês.
A preocupação só aumenta a partir da divulgação de um trabalho realizado por especialistas da Embrapa Gestão Territorial (SP) para delinear as áreas do Cerrado que abrigam águas subterrâneas naturalmente mais sujeitas à contaminação por agentes químicos. Os lençóis freáticos mais vulneráveis foram localizados no Sudeste, Centro-oeste e Centro-leste de Mato Grosso, Oeste da Bahia, Sudoeste de Goiás e Norte de Mato Grosso do Sul.
Além da contaminação pelo uso indiscriminado de agrotóxicos, essas e outras reservas brasileiras – também as de superfície – podem também ser severamente impactadas pelos químicos utilizados no processo de fraturamento hidráulico utilizado para explorar o gás de xisto, chamado FRACKING. Para fraturar o folhelho pirobetuminoso de xisto e liberar o metano é preciso injetar por um tubo milhões de litros de água sob altíssima pressão, misturada à areia e um coquetel com mais de 600 substância tóxicas, cancerígenas e algumas radioativas. Parte deste fluído permanece no subsolo contaminando os aquíferos ao escapar pelas milhares de fissuras. A parte que retorna à superfície pelo tubo é depositada a céu aberto em ‘piscinas’ que evaporam e poluem o ar, quando não são carregadas pelas enchentes para rios, córregos e nascentes.
Até outubro a ANP estará fazendo testes para procurar gás e petróleo na região de Ribeirão Claro, cidade do Norte Pioneiro no Estado do Paraná. Ribeirão Claro tem como fronteira natural o Rio Paranapanema, na divisa com Chavantes, no Estado de São Paulo. É uma região panorâmica com montanhas e colinas cobertas de vegetação remanescente da Mata Atlântica e que pode ser devastada pelo Fracking.
“Se o governo brasileiro insistir em explorar comercialmente o gás de xisto no Brasil, nossas reservas estarão comprometidas para sempre, uma vez que não há tecnologia para ‘tratar’ essa contaminação”, alerta o fundador da COESUS – Coalizão Não Fracking Brasil e pela Sustentabilidade – e coordenador de Campanhas Climáticas da 350.org, Eng Dr. Juliano Bueno de Araujo.
Juliano explica que operações de FRACKING também utilizam de milhões de litros de água que deveriam ser destinados para consumo humano e produção de alimentos. “A concorrência hídrica é feroz e teremos o agravamento do abastecimento humano”, completa.
A campanha Não Fracking Brasil é desenvolvida desde 2013, quando a Agência Nacional de Petróleo e Gás Natural (ANP) vendeu blocos para exploração de gás de xisto por FRACKING em 15 estados brasileiros. A maioria dos blocos está localizada em cima dos principais aquíferos como o Serra Geral, Guarani, Bauru, Parecis, Parnaíba e Urucuaia.
Mudanças climáticas
A luta contra o FRACKING tem como importante parceira a 350.org Brasil, movimento internacional que denuncia as mudanças climáticas e no país integra e coordena a Coalizão Não Fracking Brasil. A diretora da 350.org Brasil, que também tem atuação na América Latina, Nicole Figueiredo de Oliveira, enfatiza que a campanha contra o fraturamento hidráulico é fundamental para conter as mudanças climáticas. Ao liberar o gás metano da rocha de xisto, 86 vezes mais prejudicial que o CO2, o Fracking se torna um intensificador das alterações do clima e responsável direto pelo aumento da temperatura do planeta.
“O círculo vicioso do Fracking, que além de competir pela água disponível por utilizar imensas quantidades no seu processo, ao emitir metano contribui para as mudanças climáticas, agravando a escassez hídrica e ao mesmo tempo contamina as reservas de água subterrâneas irreparavelmente. O Fracking é o sórdido arqui-inimigo do acesso à água, e não podemos deixá-lo prosperar”, alerta Nicole.
Em maio, o movimento global LIBERTE-SE DOS COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS mobilizou dezenas de milhares de pessoas em 13 países em seis continentes, entre eles manifestantes brasileiros que foram às ruas se manifestar contra os fósseis e o Fracking em diversas cidades. (ecodebate)

Reservatórios do Sudeste a 55,2% ao final de junho

ONS projeta reservatórios do Sudeste a 55,2% ao final de junho
Índice representa queda de 1,6% quando comparado ao indicador registrado para a região em 27/05/16.
O nível de armazenamento na região, que concentra cerca de 70% da capacidade de todo o país, o submercado Sudeste/Centro Oeste, deverá encerrar junho com 55,2% de nível operativo. Se confirmada essas projeções iniciais para o mês de junho/16 representará uma retração de apenas 1,6% ante os 56,8% reportados pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico em 27/05/16. A previsão inicial para maio no Programa Mensal de Operação era de encerrar o mês atual em 54,6% de armazenamento.
A variação mais significativa para o mês de junho em comparação a maio está no sul do país. Enquanto se esperava encerrar este período a 69,4% (em 27 de maio estava em 90,4%) a projeção para junho é de chegar em 85,6%. No NE a expectativa do operador é de encerrar junho com 27,1% e no Norte com 62,8%. Em 27/05/16 esses índices estavam em 30,8% e em 62,6%, respectivamente, ante a previsão de 30,6% e de 68,1% para o final de maio.
Em 25/05/16, primeiro dia da reunião mensal do ONS para o PMO de junho o órgão havia revelado que a expectativa de vazões para junho apontava para um volume acima da média histórica apenas no sul do país com 124% da MLT enquanto no SE/CO o volume está em 93%, no Norte em 44% e no NE em 33% da média de longo termo.
Como consequência disso o custo marginal de operação médio voltou a se descolar nos quatro submercados. No SE/CO ficou em R$ 40,07/MWh sendo que a carga pesada está em R$ 41,91, a média em R$ 40,57 e a leve em R$ 38,81. No sul a diferença que fez reduzir o CMO médio a R$ 36,04 está justamente nessa última que ficou em R$ 27,69 enquanto as duas outras estão no mesmo valor do Sudeste. No Norte o CMO médio é de R$ 88,19/MWh por estarem todas as cargas a este montante. No Nordeste houve uma forte elevação, para R$ 201,47/MWh em decorrência da disparada dos valores no patamar pesado e médio para R$ 259,43/MWh enquanto o leve está em R$ 99,79/MWh.
A carga esperada de 63.241 MW médios representa um acréscimo de 0,7% na comparação com o mesmo mês de 2015. Esse montante é o resultado da previsão de crescimento de 0,4% no SE/CO, de 0,7% no Sul, expansão de 1,1% no Nordeste e de 1,7% no Norte do país.
A geração térmica para a semana operativa que se inicia em 28/05/16 é de 7.591 MW médios, sendo que a maior parte é por ordem de mérito, com 4.882 MW médios, outros 1.676 MW médios por garantia energética, 802 MW médios por inflexibilidade e 232 MW médios por restrição elétrica. Na semana que vem, em 1º de junho, a proposta de desligamento de 4 GW em térmicas que ainda estão sendo despachadas por segurança energética estará em pauta na reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico. Uma vez aprovada a medida, a estimativa é de que os custos de operação deverão cair em mais R$ 200 milhões por mês. Em termos de previsão do tempo é esperada precipitação que pode variar entre fraca e moderada nas bacias dos rios Uruguai, Iguaçu, Paranapanema e Tietê. (canalenergia)

terça-feira, 7 de junho de 2016

Atlas dos Remanescentes Florestais no período de 2014 a 2015

INPE e SOS Mata Atlântica lançam dados do Atlas dos Remanescentes Florestais no período de 2014 a 2015.
A Fundação SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) apresentaram os novos dados do Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, no período de 2014 a 2015. A divulgação aconteceu em 25/05/16, na semana em que se comemora o Dia Nacional da Mata Atlântica (27 de maio).
O estudo aponta desmatamento de 18.433 hectares (ha), ou 184 Km², de remanescentes florestais nos 17 Estados da Mata Atlântica no período de 2014 a 2015, um aumento de apenas 1% em relação ao período anterior (2013-2014), que registrou 18.267 ha.
Minas Gerais, que vinha de dois anos de queda nos níveis de desmatamento, voltou a liderar o desmatamento no país, com decréscimo de 7.702 ha (alta de 37% na perda da floresta). A vice-liderança fica com a Bahia, com 3.997 ha desmatados, 14% a menos do que o período anterior. Já o Piauí, campeão de desmatamento entre 2013 e 2014, ocupa agora o terceiro lugar, após reduzir o desmatamento em 48%, caindo de 5.626 ha para 2.926 ha.
A exemplo dos últimos anos, os três estados se destacam no ranking por conta do desmatamento identificado nos limites do Cerrado. O Piauí abriga o município Alvorada do Gurguéia, responsável pela maior área desmatada entre todas as cidades do Brasil. Entre 2014 e 2015, foi identificado decremento florestal de 1.972 hectares no local. Os municípios baianos de Baianópolis (824 ha) e Brejolândia (498 ha) vêm logo atrás, seguidos pelas cidades mineiras de Curral de Dentro (492 ha) e Jequitinhonha (370 ha), localizadas na região conhecida como triângulo do desmatamento, que abriga ainda Águas Vermelhas (338 ha), Ponto dos Volantes (208 ha) e Pedra Azul (73ha).
Em Minas Gerais, a principal perda de florestas foi da atividade de mineração. Um fato marcante foi o registro de um desmatamento de 258 hectares na cidade de Mariana, 65% deles (169 ha) decorrentes do rompimento de uma barragem em novembro do ano passado. Há cerca de três semanas, a Fundação SOS Mata Atlântica entregou relatórios de desmatamento do município e de qualidade da água do Rio Doce a uma comitiva formada pelo ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, pelo prefeito de Mariana, vereadores e autoridades locais, durante visita à região. Mapas compilados em parceria com o INPE mostraram o impacto do maior desastre ambiental já ocorrido na Mata Atlântica. Acompanharam também a visita a Associação Mineira de Defesa do Ambiente (Amda), representantes do movimento Mar e Serras de Minas, da Samarco e de movimentos de comunidades locais. Porém, a maior parte do total de desmatamento no estado aconteceu na região de Jequitinhonha, no noroeste do estado, denominado Triângulo do desmatamento.
Além de Minas Gerais, Piauí e Bahia, o Paraná também se encontra em estado de atenção. Enquanto os três primeiros lideram a lista geral, o Paraná foi o que apresentou o aumento mais brusco, saltando 116%, de 921 ha de florestas nativas entre 2013-2014 para 1.988 ha no último período. O retorno do desmatamento nas florestas com araucária é o principal ponto de alerta, responsável por 89% (1.777 ha) do total de desflorestamento no estado paranaense no período 2014-2015. Restam somente 3% das florestas que abrigam a Araucaria angustifolia, espécie ameaçada de extinção conhecida também como pinheiro brasileiro.
Nesta edição, todos os 17 Estados apresentaram desmatamento. Enquanto o período anterior trouxe 9 estados no nível do desmatamento zero, ou seja, com menos de 100 hectares de desflorestamento, nesta edição há apenas 7 nesta situação: São Paulo (45 ha), Goiás (34 ha), Paraíba (11 ha), Alagoas (4 ha), Rio de Janeiro (27 ha), Ceará (3 ha) e Rio Grande do Norte (23 ha).
No período de 2014 a 2015 foi identificada supressão da vegetação de mangue apenas em Santa Catarina, em uma área total de 4 hectares. Bahia (62.638 ha), Paraná (33.403 ha), São Paulo (25.891 ha) e Sergipe (22.959 ha) são os Estados que possuem as maiores extensões de mangue.
Já a supressão de vegetação de restinga foi de 680 ha. O maior desmatamento ocorreu novamente Ceará, com 336 ha, seguido do Piauí (224 ha), Santa Catarina (55 ha), Paraíba (49 ha), Paraná (12 ha) e Rio Grande do Norte (4 ha).
Os dados completos e o relatório técnico podem ser acessados nos sites www.sosma.org.br e www.inpe.br.
Histórico
Criado em 1985, o monitoramento feito pelo Atlas permite nesta edição quantificar o desmatamento acumulado em alguns Estados nos últimos 30 anos. O Paraná lidera este ranking, com 456.514 hectares desmatados, seguido por Minas Gerais (383.637 ha) e Santa Catarina (283.168 ha). O total consolidado de desmatamento identificado pelo Atlas desde a sua criação, que não incluiu alguns Estados em determinados períodos, chega a 1.887.596 hectares.
Flávio Jorge Ponzoni, pesquisador e coordenador técnico do estudo pelo INPE, ressalta os avanços tecnológicos obtidos ao longo dos anos de monitoramento. “O trabalho começou em formato analógico, tudo era feito no papel e identificávamos fragmentos acima de 40 hectares. Hoje, na tela do computador, observamos áreas acima de 3 hectares. E há total transparência, tudo o que mapeamos e produzimos é aberto ao público de maneira gratuita. É um serviço que prestamos para toda a sociedade com o objetivo final de garantir a conservação de um patrimônio nacional”, diz o pesquisador do INPE.
Minas Gerais voltou a ser campeã de desmatamento.
Confira o total de desflorestamento na Mata Atlântica identificados pelo estudo em cada período (em hectares):
Desmate observado
Tt desmatado (ha)
Intervalo (anos)
Taxa anual (ha)
Período de 2014 a 2015
18.433
1
18.433
Período de 2013 a 2014
18.267
1
18.267
Período de 2012 a 2013
23.948
1
23.948
Período de 2011 a 2012
21.977
1
21.977
Período de 2010 a 2011
14.090
1
14.090
Período de 2008 a 2010
30.366
2
15.183
Período de 2005 a 2008
102.938
3
34.313
Período de 2000 a 2005
174.828
5
34.966
Período de 1995 a 2000
445.952
5
89.190
Período de 1990 a 1995
500.317
5
100.063
Período de 1985 a 1990
536.480
5
107.296

(ecodebate)

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