sábado, 23 de maio de 2020

Técnicas de agricultura sustentável ajudam na conservação do solo

Técnicas de agricultura sustentável ajudam na conservação do solo. Especialistas apontam algumas.
Sistema de plantio direto na lavoura de mandioca.
Dados da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) indicam que um terço dos solos do mundo está degradado. Isso significa que perderam, em algum grau de intensidade, sua capacidade de gerar serviços ecossistêmicos, como regulação hidrológica, sequestro de carbono ou retenção de nutrientes para a produção de alimentos.
Para evitar que esse quadro se intensifique, a agricultura tem papel fundamental. Por meio de técnicas sustentáveis de plantio é possível aumentar a qualidade do solo, permitindo que ele continue sendo uma importante fonte de serviços naturais que beneficiam toda a sociedade.
Conheça algumas:
1) Plantio Direto
O plantio direto é o cultivo de plantas agrícolas sob os restos vegetais do cultivo anterior, evitando assim o revolvimento do solo. Essa prática reduz os efeitos erosivos, visto que a camada de resíduos vegetais atua como um escudo contra a água e o vento.
André Ferreti, gerente de Economia da Biodiversidade da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN), explica que o plantio direto é uma prática fundamental para se evitar a perda do solo por meio da chuva. “Essa camada de resíduos vegetais protege o solo da gota de chuva, que quando bate direto no solo, além de facilitar a erosão, compacta-o de tal forma que ele vai perdendo a capacidade de deixar a água se infiltrar”.
2) Rotação de Culturas
“É uma técnica tão antiga quanto a própria agricultura, mas que foi deixada de lado nos últimos anos por questões econômicas e de políticas agrícolas”, observa o engenheiro agrônomo Carlos Hugo Rocha, membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN) e professor da Universidade Estadual de Ponta Grossa (PR).
A rotação de culturas é a alternância entre o que é plantado numa mesma área, evitando o desgaste nutricional do solo e seu desequilíbrio químico e biológico. Pode-se, por exemplo, plantar soja numa safra e depois alternar para o plantio de milho, escapando assim da prática da monocultura, prejudicial a vida e à conservação do solo.
3) Integração Lavoura-Pecuária-Floresta
Assim como a técnica anterior, a ILPF (Integração Lavoura-Pecuária-Floresta) também é uma forma de rotação de cultura, só que mais complexa. Nela, o agricultor alterna entre o plantio da lavoura, o plantio de pastagem para o gado e combina essas duas culturas com o plantio de árvores, como o eucalipto ou espécies nativas. “Isso minimiza os impactos negativos e maximiza os potenciais benéficos, pois são três formas de plantio distintas que atuam em frentes diferentes na conservação do solo”, explica o especialista da RECN.
4) Preservação das APPs e áreas ripárias
Outra técnica agrícola que ajuda na conservação do solo é a proteção das APPs (Áreas de Preservação Permanente) ao redor da propriedade rural e das áreas ripárias. As APPs são definidas no Código Floresta Brasileiro como “área protegida, coberta ou não por vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, facilitar o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações humanas”. As áreas ripárias, por sua vez, são aqueles ecossistemas diretamente relacionados a um curso d’água.
5) Retorno da Matéria Orgânica
Por fim, uma das técnicas essenciais é garantir o retorno da matéria orgânica ao solo. Esse, no entanto, é o grande “calcanhar de Aquiles” da agricultura brasileira. Devido ao clima tropical, os nutrientes da matéria orgânica que cai no solo são rapidamente absorvidos pela terra. Ao mesmo tempo, isso faz com que seja rapidamente degradada, obrigando a utilizando de fertilizantes químicos para compensar a perda nutricional do solo antes da colheita.
“Nisso, a agricultura orgânica é essencial. Quanto mais aprimorado é o manejo agronômico, mais você cria um solo que não precisa de produtos nocivos à vida do solo, como fertilizantes químicos e agrotóxicos. O próprio solo, através de seus organismos, fornece os nutrientes que as plantas necessitam. Isso já existe na pequena escala, mas precisamos criar oportunidades para expandir para uma escala maior”, explica Rocha.
Técnicas para melhorar o solo.
Para ele, é possível levar essas práticas para todo o Brasil, principalmente com a coordenação de políticas públicas que garantam investimentos em práticas sustentáveis e orgânicas. (ecodebate)

Um caminho para a sustentabilidade hídrica

Infraestrutura verde: um caminho para a sustentabilidade hídrica.
Infraestrutura verde é um instrumento que permite obter benefícios ecológicos, econômicos e sociais através de soluções baseadas na natureza, podendo assegurar múltiplas funções e benefícios num mesmo espaço.
Na gestão dos recursos hídricos, por exemplo, as florestas são capazes de filtrar sedimentos, nutrientes e resíduos sólidos, impedindo que cheguem aos cursos d’água. A incorporação da infraestrutura natural — ou infraestrutura verde — nos planos de gestão hídrica pode potencializar a eficiência, o desempenho e a resiliência das estruturas convencionais, reabilitando a paisagem a ofertar água de melhor qualidade às próprias estações de tratamento. Um estudo realizado pela WRI Brasil em parceria com a TNC e a Fundação O Boticário, concluiu que o estado do Rio de Janeiro pode economizar R$ 156 milhões em 30 anos no tratamento de água, se investir em infraestrutura verde, realizando a restauração de três mil hectares de áreas com alto potencial de erosão.
Sabendo dos benefícios dessa ferramenta o Comitê Guandu é pioneiro na implementação de projetos que são fundamentados na infraestrutura verde, buscando serviços hidrológicos e impactos ambientais e sociais. Para fomentar essa iniciativa o Comitê conta hoje com o Grupo de Trabalho de Infraestrutura Verde (GTIV). Segundo o Engenheiro Agrônomo Hendrik Mansur (TNC), Coordenador do Grupo, o objetivo do GTIV é contribuir para elaboração e implantação de soluções baseadas na natureza, visando restaurar o ambiente rural das bacias e assim contribuir para a melhoria da qualidade e quantidade de água, bem como preservar a biodiversidade.
Um programa do Comitê Guandu-RJ, baseado em soluções na natureza, que é exemplo e alvo de estudos dentro e fora do país, é o Produtores de Água e Floresta (PAF). O PAF é desenvolvido há 10 anos pelo Colegiado, com coordenação técnica da AGEVAP e parceria com prefeituras municipais e instituições como a TNC. Atualmente com execução da ONG Crescente Fértil e do Consórcio Técnico Água e Solo/ABG, o programa já resultou, em uma década, na conservação e restauração de mais de 5 mil hectares de mata atlântica, além de beneficiar produtores locais com retribuições financeiras, através do pagamento por serviços ambientais (PSA), ou seja, gerando benefícios ambientais, econômicos e sociais.
O PAF já beneficiou mais de cem produtores que contribuíram de forma direta para os seus resultados. “Além do benefício social, o projeto incentiva os produtores na adoção de boas práticas em suas propriedades, o que, aliado às atividades de conservação e restauração florestal desenvolvidas, contribuem para melhoria da qualidade e garantia da disponibilidade dos recursos hídricos. As florestas desempenham um papel fundamental no ciclo hidrológico. Durante o processo de fotossíntese, a vegetação retira água do solo através de suas raízes e a libera para atmosfera na forma de vapor. Esse processo, denominado evapotranspiração, é responsável por mais da metade do aporte de umidade atmosférica derivada da terra.

Estudos recentes mostram que 65% da precipitação que ocorre na superfície terrestre é oriunda da evapotranspiração ocorrida no próprio ambiente terrestre, destacando a importância das florestas para o ciclo hidrológico global. Adicionalmente, a presença de cobertura florestal aumenta o aporte de matéria orgânica no solo, aliado a outros fatores, aumenta sua taxar de infiltração, contribuindo para o abastecimento de nossos mananciais. São inúmeros os benefícios hidrológicos promovidos pelas florestas, explicou Gabriela Teixeira, Engenheira Florestal e Especialista em Recursos Hídricos da AGEVAP, delegatária do Comitê Guandu-RJ.

Hoje, os Produtores de Água e Floresta é desenvolvido nos municípios de Rio Claro, Mendes, Engenheiro Paulo de Frontin e Vassouras, conservando e restaurando os biomas de nascentes e sub bacias contribuintes à bacia do Guandu, que abastece cerca de 9 milhões de pessoas na Baixada Fluminense.
Outra iniciativa do GTIV é a elaboração dos Planos Municipais de Mata Atlântica (PMMA) para os municípios da bacia. Trata-se de um instrumento de gestão territorial, no qual são indicadas as estratégias prioritárias tanto para Conservação como para Recuperação da Mata Atlântica local. O PMMA é um instrumento legal de planejamento importante para o município, que contribuirá para elaboração / aperfeiçoamento de políticas publicas para a área rural do município. Em um processo participativo o PMMA deve conter, pelo menos:
Diagnóstico da vegetação nativa;
Indicação dos principais vetores de desmatamento;
Áreas prioritárias para conservação e recuperação da vegetação nativa;
Indicação de ações preventivas ao desmatamento e de conservação;
Utilização sustentável da Mata Atlântica no município.
Os PMMA serão elaborados por uma empresa contratada pelo Comitê Guandu, através da AGEVAP. Por meio de um acordo de cooperação, os municípios participarão de todas as etapas da elaboração do plano, o que permitirá integração de Políticas Públicas de Meio Ambiente e de Recursos Hídricos. Com base nas informações dos PMMA será elaborado o Plano Diretor Florestal da Região Hidrográfica do Guandu, com base nas informações levantadas nos municípios’, explicou Hendrick Mansur (TNC).
Com as recomendações de distanciamento social da OMS, e os decretos do Estado do Rio de Janeiro, em enfrentamento a pandemia do COVID-19, os grupos seguem seus trabalhos de forma remota, para que os avanços nos projetos baseados em infraestrutura verde continuem, e é claro, seus benefícios ambientais e sociais.

(ecodebate)

quinta-feira, 21 de maio de 2020

Aquecimento global é 10 vezes mais rápido que eventos anteriores

O aquecimento global atual é 10 vezes mais rápido do que os eventos anteriores.
“Há 10.000 anos os seres humanos e seus animais representavam menos de um décimo de um por cento da biomassa dos vertebrados da terra. Agora, eles são 97%”. Ron Patterson (maio de 2014)
O ritmo de avanço do aquecimento global atual é um fenômeno nunca visto na história geológica da Terra e supera os eventos semelhantes que aconteceram na história. O Planeta já passou por outros momentos de extinção em massa provocados pelo calor excessivo, mas nunca uma ameaça existencial ocorreu de forma tão veloz.
Steve Hampton, em post do site The Cottonwood Post (10/12/2019) compara o aquecimento global atual com as outras ocasiões quando o aquecimento global, devido a liberação “repentina” de carbono na atmosfera, provocou um aumento de pelo menos 5º C na temperatura média do Planeta e levou a eventos de extinção em massa das espécies e a uma regressão das condições gerais de vida. A figura abaixo mostra 3 das 5 extinções em massa das espécies ao longo da história.
Como se sabe, a Terra tem cerca de 4,5 bilhões de anos e os animais terrestres com espinha dorsal não evoluíram antes de 300 milhões de anos atrás. Como mostra a figura acima, o evento de extinção em massa mais maciço da história da Terra foi o evento de extinção do Permiano Final (também conhecido como o evento de extinção Permiano - Triássico ou o Grande Morrer) ocorrido há 252 milhões de anos. Foi causado por uma liberação maciça de carbono, provavelmente em função de uma série de erupções vulcânicas. A extinção ocorreu durante um período inicial de 60.000 anos, que é “repentino” em termos geológicos.
O segundo grande evento de extinção ocorreu no fim do Triássico, há cerca de 201 milhões de anos. Também foi associado à atividade vulcânica e à liberação maciça de carbono. Provavelmente, desencadeou um loop de feedback positivo, com o derretimento do permafrost liberando toneladas de metano. O período de extinção, afetando plantas e animais, durou cerca de 10.000 anos e abriu o caminho para a ascensão dos dinossauros.
Os dinossauros dominaram a Terra depois disso, até que todos, exceto os dinossauros aviários (os que evoluíram para pássaros), foram exterminados por outro evento de extinção em massa, 66 milhões de anos atrás. Isso pode ter sido causado por um cometa ou asteroide que atingiu a Terra, criando um aquecimento global semelhante aos outros eventos (atingindo 8°C ao longo de 40.000 anos). Não mostrado na figura.
Finalmente, houve o Máximo Térmico Paleoceno - Eoceno (PETM), evento de extinção ocorrido há cerca de 56 milhões de anos. Provavelmente causado por uma combinação de liberações de carbono e metano, esse evento de aquecimento global é o mais recente, oferece mais evidências e informações e é mais análogo às mudanças climáticas atuais. Os continentes estavam em posições aproximadamente semelhantes às de hoje. O aquecimento, de 5°C em cerca de 5.000 anos, destruiu muita vida marinha e terrestre.
Segundo o autor, as altas temperaturas duraram cerca de 20.000 anos. Eventualmente, o Oceano Ártico ficou coberto de algas. Essas algas absorveram lentamente o CO2. E quando morreram, afundaram, levando o carbono consigo para o fundo do mar, diminuindo o carbono na atmosfera e resfriando a Terra de volta ao normal. Esse processo levou 200.000 anos.
As mudanças climáticas durante esses eventos passados, consideradas rápidas no tempo geológico, dificilmente seriam notadas pelos animais locais. Os animais não foram extintos por cair mortos; eles apenas tiveram uma taxa reprodutiva mais baixa, de modo que suas populações diminuíram lentamente até não sobrar nenhuma. Além disso, eles evoluíram. De fato, houve um pulso de evolução após o PETM, produzindo, entre outras coisas, os primeiros primatas.
Aquecimento do planeta já é o maior evento climático em 2 mil anos, indica pesquisa.
Se todos estes eventos foram provocados por causas naturais – internas ou externas ao Planeta – o aquecimento atual é 10 vezes mais rápido do que durante o PETM. É perceptível na vida útil de um animal individual e a adaptação através da evolução não é uma opção. A morte acontece em poucas gerações.
Ele mostra que as atuais tendências de aquecimento, RCP 8.5 e RCP 4.5, referentes às estimativas de emissões de carbono sob projeções altas e moderadamente baixas pelo Painel Internacional sobre Mudanças Climáticas (IPCC) indicam um aquecimento sem igual na história.
Steve Hampton, mostra os dados científicos que indicam que a atual taxa de liberação de carbono não tem precedentes nos últimos 66 milhões de anos. O PETM elevou a temperatura média da superfície da terra em 5º C. Atualmente, o aquecimento já ultrapassou 1,1º C em relação ao período pré-industrial e tem acelerado o ritmo. Mantendo as tendências recentes, podemos atingir os níveis de aquecimento do PETM em 140 anos.
Tudo isto vem ocorrendo em função do crescimento das atividades antrópicas. No início do Holoceno a humanidade respondia apenas por 0,1% da biomassa terrestre. Hoje em dia, os seres humanos e seus animais domesticados ocupam a maior parte do espaço terrestre. As áreas ecúmenas ocupam 97% da área global, deixando apenas 3% para as áreas anecúmenas.
O Relatório Planeta Vivo (2018) divulgado pelo Fundo Mundial para a Natureza (WWF), mostra que o avanço da produção e consumo da humanidade tem provocado uma degradação generalizada dos ecossistemas globais e gerado uma aniquilação da vida selvagem: as populações de vertebrados silvestres, como mamíferos, pássaros, peixes, répteis e anfíbios, sofreram uma redução de 60% entre 1970 e 2014.
Confirmando o impacto devastador das atividades humanas sobre a natureza, a Plataforma Intergovernamental para Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES, na sigla em inglês), da ONU, mostrou que há 1 milhão de espécies ameaçadas de extinção. O relatório elaborado nos últimos três anos, e divulgado em maio de 2019, fez uma avaliação do ecossistema mundial, com base na análise de 15 mil materiais de referência.
Aquecimento global é mais grave do que qualquer evento climático em 2 mil anos.
O documento afirma que, embora a Terra tenha sofrido sempre com as ações dos seres humanos ao longo da história, nos últimos 50 anos os arranhões se tornaram cicatrizes profundas. A população mundial dobrou desde 1970, a economia global quadruplicou e o comércio internacional está dez vezes maior. Para alimentar, vestir e fornecer energia a este mundo em expansão, florestas foram derrubadas num ritmo surpreendente, especialmente em áreas tropicais. Entre 1980 e 2000, 100 milhões de hectares de floresta tropical foram perdidos, principalmente por causa da pecuária na América do Sul e plantações de palmeira de dendê no sudeste da Ásia.
A situação dos pântanos é ainda pior – apenas 13% dos que existiam em 1700 estavam conservados no ano 2000. O aumento dos plásticos nos oceanos é de tal ordem que em um futuro próximo haverá mais plásticos do que peixes nos oceanos. Portanto, toda a ação humana está matando mais espécies do que nunca. Cerca de 25% dos animais e plantas se encontram agora ameaçados. A Revista científica Science (25/07/2014) fala em defaunação em larga escala.
As tendências globais em relação às populações de insetos ainda não são totalmente conhecidas, mas foram registrados declínios acelerados em algumas regiões. O desaparecimento das abelhas, por exemplo, é não só um crime de ecocídio, mas também uma ameaça à própria alimentação humana, que depende dos polinizadores para viabilizar montantes crescentes de comida para a população mundial. A biodiversidade da Terra está ameaçada. Como disse o famoso jornalista e ambientalista David Attenborough: “os humanos são uma praga na Terra”.
Como constatou Justin McBrien, em artigo no site Truthout (14/09/2019), as atrocidades que se desenrolam nos diversos biomas da Terra não tem nenhum análogo geológico e chamá-lo de “sexta extinção em massa” é fazer com que, aquilo que é uma erradicação ativa e organizada, pareça algum tipo de acidente passivo. Estudos que mostram o “apocalipse de insetos”, a “aniquilação biológica” ou o “holocausto biológico” confirmam a perda de 60% de todos os animais selvagens nos últimos 50 anos.
A humanidade já ultrapassou diversas “fronteiras planetárias” e está promovendo uma “Grande Morte” no Planeta. Não se trata de uma erupção vulcânica de grandes proporções, a caída de um asteroide gigantesco ou a liberação lenta de oxigênio na atmosfera devido à fotossíntese das cianobactérias.
McBrien diz: “O que acontece atualmente é o 1º Evento de Extermínio, que está levando a Terra à beira do NECROCENO, a era da nova morte necrótica”. E, sem dúvida, o extermínio das espécies não humanas culminará e reverterá no extermínio dos próprios seres humanos.
Nível do mar sobe com velocidade 2,5 vezes maior do que a do século 20.
Aquecimento global: aquecimento, acidificação, a perda de oxigênio e as mudanças nos aportes de nutrientes já estão afetando a distribuição e a abundância da vida marinha.
O Dia da Terra, criado em dia 22/04/1970, completa 50 anos em 2020, e em meio à emergência global de saúde pública, não podemos esquecer a emergência climática e ambiental que é a maior ameaça existencial à humanidade e à civilização que progride à custa da queima de combustíveis fósseis que é a principal causa das mudanças climáticas. Precisamos achatar não só a curva da pandemia de covid-19, mas também achatar a curva do aquecimento global. (ecodebate)

Aquecimento global leva à descoberta de rota comercial viking na Noruega

Mudanças climáticas causaram o derretimento do gelo nas montanhas de Lendbreen, onde o trajeto foi encontrado. Caminho foi utilizado entre 1750 a.C. e 300 d.C.
Aquecimento global leva à descoberta de rota comercial viking na Noruega.
O aquecimento global e o derretimento do gelo nas montanhas de Lendbreen, no centro da Noruega, levaram um grupo de arqueólogos a encontraram vestígios da existência de uma rota comercial viking. De acordo com o estudo, publicado pelos especialistas no Antiquity neste mês, o trajeto provavelmente foi utilizado por séculos durante a Idade do Bronze, entre 1750 a.C. e 300 d.C.
Mais de mil artefatos foram descobertos na região, incluindo pedaços de roupas de lã e sapatos de couro, fragmentos de trenós, ferraduras, bengalas, chifres de rena e até traços de manteiga. A equipe acredita que os objetos eram transportados até os mercados europeus e vendidos por lá.
"A rota foi mais movimentada durante a Era Viking, por volta de 1000 d.C., uma época de alta mobilidade e crescente comércio na Escandinávia e na Europa", afirmou o coautor do estudo James Barrett, arqueólogo da Universidade de Cambridge, ao Smithsonian. "Esse pico notável de uso mostra a quão conectada até uma localização tão remota estava a acontecimentos econômicos e demográficos mais amplos".
Alguns dos artefatos encontrados na região.
As datações de radiocarbono realizadas nos objetos mostraram que os habitantes locais usavam a cobertura de neve para passar pelas rochas irregulares da cordilheira. Segundo os pesquisadores, a partir do rio Otta, nas proximidades, os postos comerciais ficavam a apenas alguns dias de caminhada seguindo na direção do fluxo da água.
"Pode parecer contraintuitivo, mas as altas montanhas às vezes serviam como grandes rotas de comunicação, em vez de grandes barreiras", explicou James Barrett à Science.
Uma ferradura encontrada em Lendbreen.
A idade dos artefatos de Lendbreen indica que o uso do trajeto diminuiu após a Era Viking. Para os historiadores, esse declínio pode estar ligado a um período de resfriamento conhecido como "Pequena Era do Gelo", ou com a Peste Negra, a pandemia do século 14 que matou entre metade e dois terços da população norueguesa.
"Também houve outras pandemias subsequentes no final do período medieval, tornando a situação ainda pior", relatou o pesquisador Lars Pilø, um arqueólogo do Departamento de Patrimônio Cultural de Innlandet County Council em Lillehammer. "Obviamente, isso teve uma grande influência nos assentamentos e na economia local, e, portanto, no tráfego nas montanhas."
Veja a seguir mais fotos do local e dos vestígios encontrados:
A) Mordedor para impedir cordeiros de mamarem; B) faca; C) sapato; D) luva; E) forragem de folhas; F) cavilha; G) roca.
Mudanças climáticas levaram ao derretimento do gelo nas montanhas de Lendbreen, onde o trajeto foi encontrado.
Artefato pode ter sido utilizado para impedir que cordeiros mamassem.
Um dos pesquisadores posa na rota comercial. (revistagalileu)

terça-feira, 19 de maio de 2020

Na pandemia a destruição florestal amazônica segue níveis alarmantes

Destruição florestal na Amazônia segue níveis alarmantes em meio a pandemia.
Intensificar ações de fiscalização e investir em pesquisa científica são os caminhos necessários para mudar este cenário.
Em ritmo acelerado, o desmatamento na Amazônia segue ameaçando a biodiversidade e colocando em risco a maior floresta tropical do mundo, importante aliada contra o aquecimento global. Após subir 30% em 2019, os dados do DETER (Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real) apontam que a área com alertas de desmatamento na Amazônia quase dobrou de agosto de 2019 a março de 2020 e a área com alertas de degradação já é 122% maior, comparada ao mesmo período do ano passado.
“Com este triste cenário, é ainda mais importante trabalharmos para zerar o desmatamento na Amazônia e proteger a biodiversidade, apoiando a ciência e a pesquisa brasileira. É por isso que estamos promovendo iniciativas, como o Programa Tatiana de Carvalho de Pesquisa e Conservação da Amazônia, que contribuam com a documentação e preservação da nossa biodiversidade”, comenta Cristiane Mazzetti, da campanha de Amazônia do Greenpeace Brasil. Com um suporte de R$ 438 mil, o programa apoiará 18 projetos de pesquisa de estudantes de pós-graduação das áreas de botânica e zoologia.
Com a redução das atividades de fiscalização em meio à pandemia, somada ao enfraquecimento das políticas ambientais e propostas que incentivam mais destruição, como a MP da grilagem, o cenário de destruição tende a piorar. Além dos retrocessos na área ambiental, a ciência também está sob ataque do governo e vem sofrendo sucessivos cortes.
A biodiversidade oferece uma série de benefícios para toda a sociedade, inclusive a cura para doenças, no entanto, nossas ações estão contribuindo para o seu rápido desaparecimento. De acordo com um estudo publicado na revista Nature, se continuarmos com altos níveis de emissão de gases do efeito estufa, em 2100, algumas regiões, incluindo a Amazônia, terão 90% das espécies expostas à temperaturas sem precedentes, nunca antes vivenciadas. Pesquisadores estimam que atravessaremos um horizonte ecológico que levará à uma perda catastrófica de espécies – incluindo oceanos e florestas tropicais.
“Neste momento de crise estamos vendo, na prática, a diferença que investimentos na ciência fazem para a toda a sociedade. E no caso da Amazônia não é diferente, a biodiversidade que lá vive precisa ser conhecida e conservada”, finaliza Cristiane. Assim, o Greenpeace divulgou hoje a lista de contemplados do Programa Tatiana de Carvalho de Pesquisa e Conservação da Amazônia, um projeto idealizado para incentivar e apoiar pesquisadores brasileiros no estudo sobre novas espécies da biodiversidade amazônica.
Sobre o programa Tatiana de Carvalho de Pesquisa e Conservação da Amazônia.
Alertas de desmatamento na Amazônia disparam.
O programa de incentivo a pesquisa de biodiversidade da Amazônia está ligado ao projeto Protegendo o Desconhecido, lançado em 2020 pelo Greenpeace Brasil, com o objetivo de lançar luz sobre a importância da pesquisa científica, que tem sido cada vez mais sucateada pelo poder público, e abordar o problema da rápida perda de biodiversidade, agravado pelo aumento do desmatamento e pelas mudanças climáticas. Com esse programa, esperamos poder contribuir para o conhecimento da biodiversidade, bem como para lembrar que a pesquisa é fundamental para a nossa sociedade. (ecodebate)

Desmatamento amazônico avançou em março e foi recorde dos últimos 2 anos

Desmatamento amazônico avançou em março/2020 e registrou recorde dos últimos 2 anos.
Desmatamento na Amazônia avança em março e registra recorde dos últimos dois anos, aponta Imazon.
De acordo com o sistema de monitoramento do Instituto, a floresta perdeu 254 km² de área verde. Amazonas é o estado responsável pela maior parte do desmatamento.
O desmatamento na Amazônia cresceu 279% em março de 2020, em comparação com o mesmo mês do ano passado. Segundo o SAD, Sistema de Alerta de Desmatamento do Imazon, 254 km² de floresta foram derrubados no último mês. Esse é o número mais alto registrado nos últimos dois anos. Na avaliação dos pesquisadores do Instituto, uma parcela desse aumento pode estar ligado ao avanço de áreas ilegais de garimpo e ainda à intensa atuação de grileiros.
No acumulado do calendário do desmatamento, de agosto de 2019 a março deste ano, os índices de devastação da floresta também registram aumento de 72% em comparação com o mesmo período do calendário anterior. No topo do ranking dos estados que mais desmatam está o Amazonas. A última vez que o estado liderou o ranking havia sido em junho de 2019. Em seguida vem Pará, Mato Grosso, Roraima, Rondônia e Acre. O município que registrou a maior área devastada foi Apuí, no Amazonas. A lista segue com Rorainópolis, em Roraima, e São Félix do Xingu, no Pará, também nas primeiras colocações.
Outro dado trazido pelo boletim é o índice de desmatamento em Terras Indígenas. As TI’s que mais perderam área de floresta foram TI Yanomami (AM/RR), Alto Rio Negro (AM) e Évare I (AM). Além do alerta com a devastação da floresta nessas áreas, também existe a preocupação pela saúde das populações tradicionais que estão mais vulneráveis à contaminação pelo novo coronavírus quando entram em contato com grileiros e garimpeiros, que certamente contribuem para esse desmatamento.
(ecodebate)

domingo, 17 de maio de 2020

Mudança Comportamental em favor ao Meio Ambiente

Cidadania Ecológica: Mudança Comportamental em Favor ao Meio Ambiente.
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
Debate sobre cidadania ecológica iniciou-se desde o final dos anos de 1990, definindo diferentes posições: primeiramente, por autores que rejeitaram a possibilidade da noção de cidadania ecológica, depois, por orientações truncadas, caracterizadas por uma dependência no trabalho de Thomas Humphrey Marshall e sua ênfase nas questões dos direitos civis, políticos e sociais.
Em seguida, surgiram alguns exemplos isolados com foco numa “política de obrigação” como base para a cidadania ecológica. Através desta política de obrigação, os seres humanos têm obrigação para com os animais, árvores, montanhas, oceanos, e outros membros da comunidade biótica. Finalmente, o trabalho considerado como sendo o mais consistente para o exame da cidadania, do ponto de vista ecológico, veio de DOBSON (2003; SAIZ, 2005).
Portanto, um dos principais avanços da teoria da cidadania diz respeito à cidadania ecológica, desenvolvida por Dobson (2003), que abalou as ideias estabelecidas sobre cidadania. A noção de cidadania ecológica é amplamente baseada em deveres e não em direitos, ou seja, cidadania ecológica é mais sobre deveres do que direitos (DOBSON, 2003; SAIZ, 2005). Para Dobson (2003), a cidadania ecológica é um tipo de cidadania pós-cosmopolitana. A posição deste autor é que a cidadania tem uma arquitetura conceitual contendo três elementos: cidadania como direito e exercício da responsabilidade; a esfera pública como local tradicional da atividade de cidadania e o Estado-nação como o “container” político da cidadania.
Reduzir, reutilizar e reciclar são palavras de ordem em todo o mundo.
Mudança comportamental na destinação do lixo caseiro mira proteção ambiental.
No caso da cidadania ecológica, a arquitetura permanece a mesma, mas os pontos de referências são alterados. Neste caso, o cidadão ecológico tem direito e responsabilidades e não há uma relação recíproca necessária entre os dois: tanto a esfera privada quanto a pública são pontos chaves da arena de atividades. Além disto, o autor argumenta que a justiça é a chave da cidadania ecológica, no sentido de que os espaços ecológicos (pegada ecológica) que são grandes sejam direcionados a reduzir o tamanho.
A ideia geral é que aqueles com grandes espaços ecológicos devem viver de forma sustentável, de modo que outros (com espaços inapropriadamente pequenos) possam viver bem. Dobson argumenta, ainda, que embora a justiça seja a primeira virtude da cidadania ecológica, virtudes secundárias, a exemplo da compaixão, são exigidas para a sua realização.
O conceito de espaço ecológico (pegada ecológica) tem sido utilizado para explicar como as pessoas no Ocidente consomem muito mais recursos e são responsáveis por mais danos ao meio ambiente do que aqueles nos países em desenvolvimento. São muitos os problemas de super consumo, principalmente, no Ocidente e algumas partes do mundo em desenvolvimento.
Importância da Educação Ambiental para mudanças de comportamentos e atitudes.
Em resumo, são problemas ambientais – os seres humanos estão utilizando mais recursos materiais da terra do que são capazes de substituí-los, criando uma série de problemas tanto para os humanos como para o resto da natureza, a exemplo das mudanças climáticas e sociais: privação em massa (subconsumo) continua para as pessoas mais pobres do mundo, enquanto nos países ricos do Ocidente se vive uma vida de consumo de commodities cada vez mais crescente. (ecodebate)

Microplásticos no ar de casas e carros

Microplásticos no ar de casas e carros: estudo alerta que a exposição é 100 vezes maior que a estimada. Como a presença de microplásticos no...