terça-feira, 21 de julho de 2020

Provavelmente 2020 um dos 10 anos mais quentes já registrados

É muito provável que o ano 2020 (> 99,9%) esteja entre os dez mais quentes já registrados.
Temperatura global da superfície nos primeiros 5 meses do ano foi a segunda mais alta já registrada, um pouco atrás do forte ano El Niño de 2016. O mês de maio foi o mês mais quente já registrado, de acordo com os conjuntos de dados norte-americanos e europeus.
É muito provável que o ano 2020 (> 99,9%) esteja entre os cinco anos mais quentes e os dez mais quentes já registrados, de acordo com uma análise estatística feita por cientistas dos Centros Nacionais de Informação Ambiental da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA.
A análise foi baseada nas anomalias atuais e nas leituras históricas anuais da temperatura global, que confirmaram uma tendência de aquecimento em longo prazo devido aos gases de efeito estufa na atmosfera.
2015-2019 foi o período mais quente de cinco anos já registrado e 2010-2019 foi a década mais quente já registrada. Desde a década de 1980, cada década sucessiva tem sido mais quente do que qualquer década anterior desde 1850, de acordo com os relatórios State of the Global Climate da OMM.
Para atrair a atenção do público para as mudanças climáticas, transmitiu meteorologistas ao redor do mundo em 18 de junho, organizando a terceira campanha anual “Mets Unite Show Your Stripes”. As faixas de aquecimento mostram o aquecimento global em cidades e países ao redor do mundo. – com a concentração de anos “vermelhos” no século XXI. Essa tendência de longo prazo continua em 2020.
América do Sul, Europa e Ásia tiveram seu período mais quente de janeiro a maio já registrado. Grande parte da metade norte da Ásia viu temperaturas pelo menos 3,5°C (6,3°F) acima da média, de acordo com o relatório mensal global da NOAA. Temperaturas recordes de janeiro a maio estavam presentes em partes dos oceanos Atlântico, Sul do Pacífico e Sul da Índia.
Foi o mês de maio mais quente já registrado, de acordo com o Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo, que opera o Serviço Europeu de Mudanças Climáticas Copernicus, e usa conjuntos de dados que combinam milhões de observações meteorológicas e marinhas, inclusive de satélites, com saídas de modelos para produzir novas análises climáticas. Em todo o sistema climático.
A NOAA, que relata dados climatológicos mensais dos locais de observação, disse que em maio as temperaturas globais se vincularam a 2016. Era o 44º maio consecutivo e o 425º mês consecutivo com temperaturas, pelo menos nominalmente, acima da média do século XX. Os sete Mays mais quentes ocorreram nos últimos sete anos.
O Hemisfério Norte teve seu mês de maio mais quente já registrado, impulsionado por um calor excepcional na Sibéria, onde as temperaturas estavam até 10°C acima da média. O calor incomum no inverno e na primavera foi associado a um rompimento excepcionalmente precoce de gelo nos rios da Sibéria e a um derramamento maciço de diesel que, segundo relatos da mídia, se deve ao derretimento do permafrost sob os suportes do tanque.
“Embora o planeta como um todo esteja esquentando, isso não está acontecendo igualmente. Por exemplo, o oeste da Sibéria se destaca como uma região que aquece mais rápido que a média e onde as variações de temperatura de mês para mês e ano para ano, tendem a ser grandes. No entanto, o que é incomum neste caso é quanto tempo às anomalias mais quentes que a média persistiram”, segundo o Serviço de Mudança Climática do Copernicus.
O Serviço de Monitoramento Atmosférico de Copernicus informou que estava monitorando a atividade de incêndio no Círculo Polar Ártico.
Em contraste com a Sibéria, grande parte do Alasca viu temperaturas mais baixas do que a média em maio.
As temperaturas da superfície são apenas um indicador das mudanças climáticas. Outros são: calor oceânico, acidificação oceânica, nível do mar, geleiras, extensão do gelo do Ártico e do Ártico e dióxido de carbono atmosférico, que continua em níveis recordes. (ecodebate)

A temperatura global em 2020 pode ser recorde

A pandemia do novo coronavírus esfriou a economia, mas não chegou a esfriar muito a temperatura global. O mês de janeiro foi, entre os primeiros meses do ano, o mais quente desde 1880, quando começa a série de registros mundiais. Mas os meses de fevereiro a abril ficaram um pouco abaixo dos recordes de 2016. Contudo, o mês de maio voltou a marcar temperatura recorde.
As instituições de medição meteorológica dizem que o ano de 2020 pode ser mais quente do que os elevados números de 2016, isto porque as regiões árticas da Terra registraram aumentos continuados de temperatura, chegando ao ponto de deixar algumas cidades totalmente sem neve e com temperatura muito elevada.
O ano mais quente do século XX foi 1998 com uma anomalia de 0,65ºC em relação à média do século XX. Este nível foi aproximadamente igualado em 2005 e superado apenas em 2010 e 2014. Os anos de 2011 e 2012 apresentaram temperaturas inferiores às de 1998 e isto gerou muito questionamento sobre o aquecimento global, inclusive com muitos cientistas falando em “hiato climático”. Porém, a partir de 2014 os aumentos anuais da temperatura extrapolaram todas as tendências, marcando 0,99º C em 2016 e 0,95ºC em 2019, em relação à média do século XX (mas que representa em torno de 1,2ºC em relação ao período pré-industrial). Os 6 anos entre 2014 e 2019 foram os mais quentes da série histórica.
O gráfico abaixo, com dados da NOAA, mostra a temperatura mensal dos últimos 7 anos, que são os mais quentes da série que começou no final do século XIX. O ano de 2020 começou batendo todos os recordes para o mês de janeiro, manteve o segundo lugar em fevereiro, março e abril e voltou a apresentar recorde em maio. E 2020 nem é ano de El Niño.
Os dados acima mostram que o aquecimento global entrou em outro patamar. Isto é confirmado pela média dos cinco primeiros meses (janeiro a maio) na série histórica. O gráfico abaixo mostra a média dos primeiros 5 meses de 2016 foi de 1,16ºC. e em 2020 foi de 1,10ºC, ambos muito acima das médias dos outros anos. A tendência dos 5 meses da atual década (2011-20) apresentou um crescimento de 0,58º C no aquecimento. Um número impressionante e que indica que o limite de 1,5ºC colocado pelo Acordo de Paris deve ser atingido antes de 2030 e o limite de 2ºC deve ser atingido antes de 2040.
Matéria do jornal New York Times mostra que houve um declínio drástico nos primeiros meses do ano das emissões globais de gases de efeito estufa. No início de abril, as emissões globais de CO2 caíram cerca de 17 milhões de toneladas por dia, ou 17%, conforme mostra o gráfico abaixo. Mas em meados de junho, quando os países diminuíram seus bloqueios, as emissões subiram e ficaram apenas 5% abaixo da média de 2019. As emissões na China, que representam um quarto da poluição de carbono do mundo, parecem ter retornado aos níveis pré-pandêmicos.
Mas em meados de junho, quando os países diminuíram seus bloqueios, as emissões subiram e ficaram apenas 5% abaixo da média de 2019. As emissões na China, que representam um quarto da poluição de carbono do mundo, parecem ter retornado aos níveis pré-pandêmicos.
Os estudiosos estão surpresos com a rapidez com que as emissões se recuperaram e dizem que qualquer queda no uso de combustíveis fósseis relacionada ao coronavírus é temporária, a menos que os países tomem medidas concertadas para limpar seus sistemas de energia e frotas de veículos enquanto se movem para reconstruir suas economias em dificuldades.
O aquecimento global é a maior ameaça existencial à humanidade. Assim como existe uma emergência de saúde pública (por conta do coronavírus), existe também uma emergência climática por conta do aumento da temperatura global. O mundo precisa aprender com o trauma da covid-19 e acordar para a urgência de se resolver os problemas ambientais do século XXI. Senão teremos uma “Terra inabitável” como mostrou o jornalista David Wallace-Wells. O alerta já está dado, ninguém poderá ser pego desprevenido e desinformado no futuro próximo. (ecodebate)

BlockC une tecnologia e sustentabilidade

Empresa diz ser capaz de emitir certificados de energia renovável em minutos.
A BlockC, startup brasileira que une sustentabilidade com tecnologia, desenvolveu uma plataforma capaz de emitir Certificados de Energia Renovável (RECs, em inglês) em minutos, acelerando um processo que normalmente pode durar seis semanas.
A empresa desenvolveu uma forma de utilizar a tecnologia de blockchain, muito conhecida no mundo das criptomoedas, para emitir e a negociar de RECs de forma ágil, ao menor custo possível e com toda a segurança que a tecnologia oferece.
O blockchain tem como principal característica a inviolabilidade. Basta uma pequena inconsistência no código e a cunhagem do REC não será validada. Isso garante ao emissor e o comprador a rastreabilidade e certifica que aquela operação é única e foi usada para neutralizar as emissões de carbono de um segundo agente.
A primeira experiência de sucesso da BlockC foi com o Aeroporto Internacional de Viracopos, onde foi neutralizado 3.000 tCO2e  de gases de efeito estufa (GEE) utilizando a tecnologia. Foram neutralizadas as emissões atribuídas ao consumo de eletricidade no aeroporto por meio da compra de 43.300 RECs lastreados na bioeletricidade injetada no sistema elétrico brasileiro por duas usinas do Grupo Balbo. Detalhe: a geradora teve uma nova receita de uma energia vendida no ano anterior.
Aliar tecnologia e sustentabilidade é receita para o sucesso?
Recentemente, operação semelhante foi feita com a empresa de soluções digitais para o agronegócio Agrotools. Em novembro de 2019, a BlockC  neutralizou 12 toneladas de CO2 equivalentes (12 tCO2e) das mais de 12 horas do Agrotools Brand Connections at Microsoft, evento sobre inovação em transparência e gestão de risco, realizado em São Paulo.
“A gente tinha a expectativa de vender os primeiros ecossistemas entre 6 meses e 1 ano, mas já estamos monetizando com esses produtos de prateleira e alguns estão muito ligados ao setor de energia”, disse Adriano Nunes, sócio da BlockC, em entrevista à Agência CanalEnergia.
Qualquer gerador renovável pode emitir RECs, porém, o processo costuma ser demorado e custoso, pois exige a contratação de uma consultoria para produzir os certificados e um terceiro para dar o “carimbo”. Além disso, o emissor é responsável pela venda dos RECs.
A BlockC criou um robô que acelera esse processo, conferindo os dados de geração da usina direto na Câmara de Comercialização de Energia (CCEE). O robô encapsula esses dados e emite os RECs digitais. Na outra ponta, a própria startup busca os compradores dos certificados. “Como a minha base tecnológica o meu custo marginal é zero e por isso tenho uma competitividade enorme. Esse ganho é compartilhado entre todos os envolvidos da operação”, explicou Nunes.
Aliar tecnologia, inovação e sustentabilidade para o futuro da humanidade.
Para o executivo, o mercado de RECs ainda não se desenvolveu por falta de liquidez. “O problema de falta de liquidez é porque esse é um mercado voluntário e por ser um mercado voluntário cada um atribui um valor que acha que deve atribuir”, finalizou. (canalenergia)

domingo, 19 de julho de 2020

Envelhecimento populacional continua e não há perigo de um geronticídio

Existe atualmente a banalização da expressão “geronticídio”, como se houvesse um processo de eliminação da população idosa pela pandemia da covid-19. Contudo, o número de mortes pelo novo coronavírus está abaixo de 500 mil no mundo e menos de 50 mil no Brasil e o número de idosos no mundo é de 1 bilhão de pessoas e no Brasil de 30 milhões de pessoas. As dimensões são completamente diferentes.
Na verdade, uma das características mais marcantes da atual dinâmica demográfica mundial é o processo de envelhecimento populacional, isto é, o aumento do número absoluto e do percentual de idosos no conjunto da população, que ocorre desde 1950, mas, principalmente, ao longo do século XXI. Estas tendências, fundamentalmente, não serão alteradas pela pandemia da covid-19.
O gráfico abaixo mostra o crescimento absoluto (barras e eixo esquerdo) e o crescimento percentual (linhas e eixo direito) dos idosos em três categorias: 60 anos e mais, 65 anos e mais e 80 anos e mais. Nota-se que o crescimento registrado e projetado é impressionante no período de 150 anos, mas o ritmo do envelhecimento na segunda metade do século XX, que ainda se dava de forma lenta, se transformou em crescimento acelerado ao longo do século XXI, conforme dados da Divisão de População da ONU.
A tabela abaixo apresenta os números do gráfico para alguns anos selecionados. Observa-se que a população total era de 2,5 bilhões de habitantes em 1950, passou para 7,8 bilhões em 2020 e deve alcançar 10,9 bilhões de habitantes em 2100. O crescimento absoluto foi de 4,3 vezes em 150 anos. Mas se o crescimento da população mundial foi elevado, muito maior foi o crescimento da população idosa.
O número de idosos de 60 anos e mais era de 202 milhões em 1950, passou para 1,1 bilhão em 2020 e deve alcançar 3,1 bilhões em 2100. O crescimento absoluto foi de 15,2 vezes. Em termos relativos a população idosa de 60 anos e mais representava 8% do total de habitantes de 1950, passou para 13,5% em 2020 e deve atingir 28,2% em 2100 (um aumento de 3,5 vezes no percentual de 1950 para 2100).
O número de idosos de 65 anos e mais era de 129 milhões em 1950, passou para 422 milhões em 2020 e deve alcançar 2,5 bilhões em 2100. O crescimento absoluto foi de 19,1 vezes. Em termos relativos, a população idosa de 65 anos e mais representava 5,1% do total de habitantes de 1950, passou para 6,5% em 2020 e deve atingir 22,6% em 2100 (um aumento de 4,5 vezes no percentual de 1950 para 2100).
O número de idosos de 80 anos e mais era de 14 milhões em 1950, passou para 72 milhões em 2020 e deve alcançar 881 milhões em 2100. O crescimento absoluto foi de 61,7 vezes. Em termos relativos, a população idosa de 80 anos e mais representava somente 0,6% do total de habitantes de 1950, passou para 1,9% em 2020 e deve atingir 8,1% em 2100 (um aumento de 14,4 vezes no percentual de 1950 para 2100).
O caso brasileiro não é muito diferente da tendência global, mas o processo de envelhecimento populacional no Brasil é ainda mais rápido, conforme pode ser comparado no gráfico abaixo, que apresenta percentuais de idosos bem acima dos percentuais globais.
A tabela abaixo apresenta os números do gráfico, com dados do Brasil, para alguns anos selecionados. Observa-se que a população brasileira total era de 54 milhões de habitantes em 1950, passou para 213 milhões em 2020, devendo alcançar 229 milhões em 2050 e depois cair para 181 milhões de habitantes em 2100. O crescimento absoluto foi de 3,3 vezes em 150 anos (menor do que os 4,3 vezes do crescimento da população mundial).
Mas se o crescimento da população brasileira total foi elevado, o aumento da população idosa do Brasil tem sido muito mais intenso do que no cenário global. O número de brasileiros idosos de 60 anos e mais era de 2,6 milhões em 1950, passou para 29,9 milhões em 2020 e deve alcançar 72,4 milhões em 2100. O crescimento absoluto foi de 27,6 vezes. Em termos relativos a população idosa de 60 anos e mais representava 4,9% do total de habitantes de 1950, passou para 14% em 2020 e deve atingir o impressionante percentual de 40,1% em 2100 (um aumento de 8,2 vezes no peso relativo entre 1950 e 2100).
O número de brasileiros idosos de 65 anos e mais era de somente 1,6 milhão em 1950, passou para 9,2 milhões em 2020 e deve alcançar 61,5 milhões em 2100. O crescimento absoluto está estimado em 38,3 vezes. Em termos relativos, a população idosa de 65 anos e mais representava 3% do total de habitantes de 1950, passou para 9,6% em 2020 e deve atingir mais de um terço (34,6%) em 2100 (um aumento de 11,5 vezes no percentual de 1950 para 2100).
O número de brasileiros idosos de 80 anos e mais era de 153 mil em 1950, passou para 4,2 milhões em 2020 e deve alcançar 28,2 milhões em 2100. O crescimento absoluto foi de espetaculares 184,8 vezes em 150 anos. Em termos relativos, a população idosa de 80 anos e mais representava somente 0,3% do total de habitantes de 1950, passou para 2% em 2020 e deve atingir 15,6% em 2100 (um aumento de impressionantes 55,2 vezes no percentual de 1950 para 2100).
É importante destacar que o número total de brasileiros vai atingir o pico populacional de 229,6 milhões de habitantes em 2045, conforme a revisão 2019 das projeções da ONU. Mas o número absoluto de idosos vai continuar crescendo, sendo que o pico de idosos de 60 anos e mais (79,2 milhões de pessoas) e de 65 anos e mais (65,9 milhões) será alcançado em 2075. O pico de idosos de 80 anos e mais (28,5 milhões) será alcançado somente em 2085. Nas duas últimas décadas do século XXI o número absoluto de idosos vai diminuir. Todavia, o percentual de idosos vai continuar subindo, trazendo novos desafios e novas oportunidades.
Todos estes dados mostram que o futuro do século XXI será grisalho, ou seja, o percentual de idosos no mundo e no Brasil alcançará cifras recordes, nunca, nem de perto, vistas na história da humanidade. As economias mundiais e nacionais, incontestavelmente, terão que lidar com uma estrutura etária desfavorável do ponto de vista da produtividade e as diferentes nações terão que se preparar para as consequências de uma alta razão de dependência demográfica. Portanto, a despeito dos traumas pessoais e de muitas famílias que sofrem com a pandemia, não existe o perigo de um geronticídio nem no Brasil e nem no mundo. (ecodebate)

Degradação dos solos afeta 3,2 bilhões de pessoas

Degradação dos solos afeta 3,2 bilhões de pessoas, alerta ONU.
“A saúde da Humanidade depende da saúde do planeta. Hoje, o nosso planeta está doente.”
Alerta é do secretário-geral da ONU António Guterres, em mensagem de vídeo em 17/06/2020 para o Dia Mundial de Combate à Desertificação e à Seca. Ele destacou que um número alarmante de 3,2 bilhões de pessoas são afetadas pela degradação dos solos.
Segundo a ONU, 70% dos solos foram transformados pela atividade humana. “Podemos reverter esta tendência e trazer soluções para uma ampla gama de desafios, desde a migração forçada e a fome, até as mudanças climáticas”, disse.
Guterres afirmou que, no Sahel africano, o chamado “Grande Corredor Verde” está transformando vidas e meios de subsistência – do Senegal ao Djibuti.
Com a recuperação de 100 milhões de hectares de solos degradados, é possível manter a segurança alimentar, a subsistência das famílias e a criação de empregos. Tais esforços trazem de volta a biodiversidade, reduzem os efeitos da mudança climática e tornam as comunidades mais resilientes.
“Benefícios superam os custos em 10 vezes”, estimou António Guterres, apelando para um “novo contrato com a natureza”.
“Através da ação e da solidariedade internacionais, podemos aumentar a recuperação dos solos e as soluções baseadas na natureza para a ação climática e o benefício das gerações futuras. Ao fazer isso, podemos atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e não deixar ninguém para trás”, concluiu Guterres.

Níveis de CO2 atingem pico em maio mesmo com desaceleração econômica

Níveis de CO2 atingem pico em maio mesmo com desaceleração econômica provocada pela pandemia.
O mês passado foi o maio mais quente já registrado, e os níveis de dióxido de carbono também atingiram um novo pico mesmo com a desaceleração econômica em decorrência da pandemia de COVID-19.
As informações foram confirmadas pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) em 05/06/2020, em um apelo para os Estados-membros renovarem seus esforços para enfrentar as ameaças climáticas.
Maio de 2020 foi o mais quente já registrado, confirmou a agência meteorológica da ONU.
“Governos irão investir em recuperação e existe uma oportunidade de enfrentar o clima como parte do programa de recuperação”, disse o secretário-geral da OMM, Petteri Taalas.
Ele afirmou que, se esse curso de ação for tomado, “existe uma oportunidade de começar a diminuir a curva (de emissões) nos próximos cinco anos”.
O apelo coincidiu com o Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado anualmente em 05/06, e com um aviso de que temperaturas mais altas e maiores concentrações de gases de efeito estufa terão um grande impacto na biodiversidade, no desenvolvimento socioeconômico e no bem-estar humano.
Ecoando o apelo de que é hora de voltar a crescer de forma mais ecológica e reconstruir melhor as pessoas e o planeta, o secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que a natureza estava “nos enviando uma mensagem clara: estamos prejudicando o mundo natural – em nosso próprio detrimento. A degradação do habitat e a perda de biodiversidade estão se acelerando”, disse.
Clima e o novo coronavírus
“Ruptura climática está piorando. Incêndios, inundações, secas e tempestades estão mais frequentes e prejudiciais”, afirmou Guterres.
“Os oceanos estão aquecendo e acidificando, destruindo os ecossistemas dos corais. E agora, um novo coronavírus enfurecido está minando a saúde e os meios de subsistência. Para cuidar da humanidade, precisamos cuidar da natureza”, completou.
Qualquer desaceleração industrial e econômica em decorrência da COVID-19 não substitui uma ação coordenada e sustentada para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, explicou Taalas.
Isso se dá porque gases como o dióxido de carbono e metano duram na atmosfera por centenas de anos, então qualquer tipo de medida em curto prazo, como a quarentena, não trará benefícios de longo prazo. (ecodebate)

sexta-feira, 17 de julho de 2020

Desmatamento amazônico aumenta 54% em 10 meses

Desmatamento na Amazônia aumenta 54% em dez meses; Apenas em maio, a Amazônia perdeu 649 km² de floresta nativa.
Apenas em maio, a Amazônia perdeu 649 km² de floresta nativa. Essa é a segunda maior taxa de desmatamento para o mês de maio dos últimos dez anos.
De acordo com os dados do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD*) do Imazon, no período acumulado do calendário do desmatamento, que vai de agosto do ano passado a maio deste ano, a destruição da floresta segue em alta. O desmatamento acumulado nos últimos dez meses é de 4.567 km², um aumento de 54% em relação ao período anterior.
O boletim aponta que em maio deste ano, a Amazônia perdeu 649 km² de floresta, uma redução de 19% em relação a maio de 2019. Mesmo assim, esse foi a segunda maior taxa de desmatamento registrada no mês nos últimos dez anos. Em 2019, os satélites registraram um dos índices mais altos de desmatamento em maio de toda a série histórica do monitoramento do Imazon. Portanto, apesar da redução, a derrubada da floresta ainda é preocupante.
Ranking do Desmatamento – O Pará liderou novamente o ranking dos estados responsáveis pela maior parte dos clarões na floresta no mês de maio: 40% do desmatamento foi registrado em território paraense. A lista segue com Amazonas (25%), Mato Grosso (19%), Rondônia (10%), Acre (4%) e Roraima (2%).
Entre os municípios que mais desmataram a Amazônia, Altamira, no sudeste do Pará, dispara no topo da lista com 97 km². Outros municípios no ranking são: São Félix do Xingu (PA), Lábrea (AM), Apuí (AM), Novo Progresso (PA) e Porto Velho (RO).
Desmatamento e Covid-19 – O avanço do desmatamento ilegal continua trazendo riscos para as Terras Indígenas, principalmente por conta do perigo de contágio do novo coronavírus em aldeias. “É preciso gente para desmatar, há muita invasão de Unidades de Conservação e Terras Indígenas, e essas pessoas podem levar a Covid-19 para esses territórios, colocando em risco as populações tradicionais”, alerta o pesquisador do Imazon Carlos Souza Jr.
De acordo com o SAD, a Terra Indígena mais desmatada em maio foi a TI Kayapó, no Pará. No começo deste mês, o Ministério Público Federal alertou que problemas nas obras da BR-163 colocam em risco o isolamento do povo Kayapó. No documento, o MPF alerta que as famílias precisam interromper o isolamento social nas aldeias e ir para as cidades “em busca de direitos não atendidos e meios de subsistência”, ficando, assim, mais vulneráveis para a Covid-19.
Anteriormente, o MPF e o Ministério Público do Estado do Pará já haviam enviado recomendação às autoridades de saúde indígena para que fossem garantidas ações de enfrentamento da pandemia do novo coronavírus na comunidade Kayapó. De acordo com monitoramento Instituto Socioambiental, já foram registrados pelo menos 105 casos confirmados e três óbitos por Covid-19 na Terra Indígena Kayapó.
* SAD – O Sistema de Alerta de Desmatamento é uma ferramenta de monitoramento, baseada em imagens de satélites, desenvolvida pelo Imazon para reportar mensalmente o ritmo do desmatamento e da degradação florestal da Amazônia. (ecodebate)

Microplásticos no ar de casas e carros

Microplásticos no ar de casas e carros: estudo alerta que a exposição é 100 vezes maior que a estimada. Como a presença de microplásticos no...