sexta-feira, 25 de novembro de 2022

Emissões de gases do efeito estufa em energia subiram 12,2% em 2021

Valor foi o maior desde o começo da década de 1970, causado pela retomada da economia e o acionamento de térmicas pela crise hídrica.
As emissões de gases de efeito estufa do Brasil tiveram em 2021 sua maior alta em quase duas décadas. Dados do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Observatório do Clima mostram que no ano passado, o país emitiu 2,42 bilhões de toneladas brutas de CO2 equivalente, um aumento de 12,2% em relação a 2020, de 2,16 bilhões de toneladas. Na área de energia, a alta ficou em 12,2%, a maior desde o “milagre econômico” da ditadura militar, em 1973.

Só em 2003 foi verificada uma alta maior, quando o país atingiu seu recorde histórico de emissões, com alta de 20%, puxada pela explosão do desmatamento na Amazônia. No ano passado, as emissões por desmatamento também foram as principais responsáveis pela elevação. Impulsionadas pelo terceiro ano seguido de crescimento da área desmatada na Amazônia e demais biomas no governo de Jair Bolsonaro, as emissões por mudança de uso da terra e florestas tiveram alta de 18,5%. A destruição dos biomas brasileiros emitiu 1,19 bilhão de toneladas brutas no ano passado — mais do que o Japão —, contra 1 bilhão de toneladas em 2020.

Quase todos os demais setores da economia tiveram forte alta: 3,8% na agropecuária, setor que costuma ter flutuações pequenas nos gases de efeito estufa e 8,2% no setor de processos industriais e uso de produtos. O setor de resíduos foi o único com emissões estáveis de 2020 para 2021.

A elevação em energia e indústria se deve a uma série de fatores. Um deles é a retomada da economia após a fase mais grave da pandemia de Covid-19. Neste caso, o Brasil acompanhou a tendência mundial: um relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente lançado no fim de outubro mostrou que, após uma queda de 4,7% em 2020, ano de pico da pandemia, as emissões do mundo voltaram a subir rapidamente em 2021 e podem ter batido o recorde histórico de 2019.

De acordo com Felipe Barcellos, analista de projetos do Instituto de Energia e Meio Ambiente, organização responsável pelos cálculos de energia e processos industriais do SEEG, o setor de energia no Brasil emitiu 435 milhões de toneladas de CO2 equivalente em 2021 contra 387 milhões em 2020. Segundo ele, proporcionalmente as emissões explodiram pelo fato de o consumo ter caído em 2020 por causa da Covid. No ano passado, o consumo energético voltou a patamares de 2014.

No entanto, dois outros fatores explicam a maior alta de emissões em quase 50 anos no setor. Um deles foi a crise hídrica de 2021, decorrente da pior estiagem em nove décadas no Centro-Sul do país. Ela secou as hidrelétricas e forçou o acionamento de termelétricas, que o governo tornou permanente. Isso diminuiu a parcela de energias renováveis na matriz elétrica nacional. Enquanto o consumo de eletricidade aumentou 4%, as emissões por geração de eletricidade cresceram 46%. Um terceiro fator, também decorrente da seca, foi a queda na safra de cana no Sudeste, que levou a uma alta do preço do etanol — reduzindo, consequentemente, a participação do biocombustível nos transportes.

A agropecuária teve as maiores emissões da série histórica: 601 milhões de toneladas, contra 579 milhões em 2020. Se fosse um país, o agro brasileiro seria o 16º maior emissor do planeta, à frente da África do Sul. A pecuária — em especial o metano emitido pelos arrotos do rebanho bovino — é a principal fonte, com 79,4% das emissões do setor. O aumento expressivo do rebanho bovino em 2021, de 3,1% (seis vezes mais que a média dos últimos 18 anos), foi o principal fator a influenciar o aumento das emissões. A última vez que o país viu um crescimento tão grande no número de cabeças de gado foi em 2004. Na agricultura, pesaram a alta no consumo de fertilizantes nitrogenados (13,8%) e o volume de calcário nas lavouras, que subiu 20%.

No setor de resíduos, que engloba principalmente a disposição de lixo (64% das emissões) e o tratamento de esgoto (28%), as emissões permaneceram essencialmente inalteradas (91,1 milhão de toneladas em 2021 contra 91,2 milhões em 2020).

O grande emissor, responsável por 49% de todas as emissões do país, foram as mudanças de uso da terra. O desmatamento na Amazônia, respondeu por 77% das emissões por MUT em 2021. O aumento nas emissões brutas do setor, de 18,5%, só é superado na série histórica pelo ano de 2003, no qual o crescimento foi de 30%. Também foi detectado aumento expressivo, de 65%, no carbono emitido pelo desmatamento da Mata Atlântica. No Cerrado, as emissões foram de 117 milhões de toneladas, com aumento de 4%.

O SEEG também fez uma estimativa do impacto das queimadas não associadas ao desmatamento, como as produzidas por incêndios florestais na Amazônia. Elas produzidas pelo homem, mas não são contabilizadas no inventário oficial brasileiro. Puderam ter sua extensão verificada pela primeira vez por meio do MapBiomas Fogo. Caso fossem computadas, representariam um acréscimo de 8% nas emissões por MUT no Brasil.

Segundo Tasso Azevedo, coordenador do SEEG, o balanço de dez anos do Sistema, mostra que o Brasil teve uma década perdida para controlar sua poluição climática. Ele explica que desde a regulamentação da Política Nacional sobre Mudança do Clima, em 2010, não apenas não se conseguiu reduzir as emissões de maneira consistente, como elas aumentaram nos últimos anos de forma expressiva. Para ele, o Brasil tem as ferramentas de política pública, a tecnologia e os recursos para mudar sua trajetória, mas é preciso que o governo e a sociedade entendam que isso é fundamental para dar segurança à população em tempos de eventos extremos acelerados e também para alavancar a economia. (canalenergia)

Emissões brutas causadas por desmatamento no Brasil cresceram 20%

Principal vetor para o aumento de emissões registrado em 2021 é o desmate na Amazônia, indicam dados do SEEG.

As emissões brutas causadas por desmatamento no Brasil cresceram 20% entre 2020 e 2021, indicam dados do SEEG (Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases do Efeito Estufa) lançados em 01/11/22. O desmate na Amazônia é o principal vetor para o aumento, sendo responsável por 77% das emissões por mudanças de uso da terra, setor analisado em recorte por pesquisadores do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) no SEEG e que envolve emissões ligadas às alterações nos padrões do território, majoritariamente, por desmatamento e fogo associado.

O aumento nas emissões por mudanças de uso da terra registrado em 2021 é maior que o observado entre 2017 e 2018, de 18%, e em todos os anos anteriores. Só é superado pela alta que houve entre 2002 e 2003, de 20%. Todos os biomas cresceram em emissões causadas por desmatamento em 2021, com maior expressividade na Mata Atlântica (65%), na Amazônia (17%) e no Pantanal (15%). No Cerrado o aumento foi de 4%, na Caatinga e no Pampa, de 3%.

“A taxa de desmatamento em 2021 na Amazônia Legal foi de 13.038 km², o maior nível desde 2006, quando o desmatamento estava em franco decrescimento desde 27.772 km² em 2004. Isso demonstra que o aumento das emissões atualmente está refletindo esse retrocesso e a redução das ações de combate e fiscalização de desmatamento no país”, explica Bárbara Zimbres, pesquisadora no IPAM e no SEEG, responsável pelo cálculo de emissões por mudanças de uso da terra no Brasil, citando dados do Prodes, do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

Floresta queima no estado do Maranhão. Diferente de países desenvolvidos, cujas emissões provêm principalmente da queima de combustíveis fósseis, no Brasil as emissões de gases estufa são fruto principalmente da derrubada de florestas para dar lugar à agropecuária.

Emissões de gases estufa aumentam no Brasil, atividades rurais lideram.

Relatório anual do Observatório do Clima indica aumento de 9,6% em 2019, em relação a 2018. Mudanças no uso da terra e agropecuária correspondem a 72% dos gases de efeito estufa emitidos no país.

O SEEG também apresenta como dado adicional o impacto das queimadas não associadas ao desmatamento nas emissões, que são os incêndios florestais em vegetação nativa, por exemplo. Essas emissões ocorrem por conta da degradação da vegetação nativa atingida pelo fogo, mas atualmente não são contabilizadas no Inventário Nacional de Emissões do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. O destaque é que a consideração desse tipo de queimada elevaria em 8% em média as emissões anuais do país.

“O Brasil agora tem a chance de voltar a ser um dos protagonistas globais na redução das emissões de gases efeito estufa, reduzindo o desmatamento em todos os biomas e cumprindo os compromissos assumidos internacionalmente”, diz Julia Shimbo, pesquisadora no IPAM e no SEEG.

Além do setor de mudanças de uso da terra, o SEEG calcula as emissões brasileiras por agropecuária, energia, processos industriais e resíduos. Praticamente todos os setores tiveram alta nas emissões: 3,8% na agropecuária, setor que costuma ter flutuações pequenas nos gases de efeito estufa; 12,2% no setor de energia, a maior alta desde 1973; e 8,2% no setor de processos industriais e uso de produtos. O setor de resíduos foi o único com emissões estáveis de 2020 para 2021.

Os dados estarão disponíveis para consulta e download no site do SEEG. (ecodebate)

Proteger o estoque natural de CO2 das florestas é vital para zerar as emissões

Mesmo que se consiga substituir os combustíveis fósseis por fontes renováveis, será praticamente impossível zerar as emissões de carbono até 2050 sem proteger o sistema natural de estocagem de CO2 das florestas tropicais, principalmente a Amazônia, pois são elas que detêm o maior estoque de CO2 do planeta.

O alerta foi feito pelo cientista Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (IF-USP) e autor-líder de um capítulo do mais recente relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), em 27/10/22, em uma palestra na conferência anual do Centro de Pesquisa para Inovação em Gases de Efeito Estufa (RCGI).

Artaxo é um dos mais influentes pesquisadores do mundo na área de meio ambiente e mudanças climáticas, e está a caminho do Egito, onde participará da 27ª Conferência da Organização das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP 27.

Segundo ele, vários estudos, de diferentes laboratórios do mundo, com estratégicas científicas distintas, apontam que as mudanças climáticas em curso que já estão próximas de um ponto sem volta, e que o desmatamento e a degeneração das florestas são alguns dos seus principais motores. “Daqui 10, 15 anos, as mudanças que se se instalarem é que determinarão como será o clima nos próximos séculos”, disse. E as conclusões dos estudos científicos mais recentes, apresentados por ele, não são boas.

A questão climática, segundo Artaxo, é complexa e seus fatores estão extremamente conectados uns com os outros. “Dois meses atrás, foi publicado um estudo mostrando que o que se faz aqui, na Amazônia, afeta criticamente a precipitação no Himalaia, que provê água para um 1,6 bilhão de pessoas. Portanto, isso mostra que a atmosfera é uma entidade única e tudo está conectado”, afirmou.

Na Amazônia, ponto de inflexão é a capacidade da floresta de se sustentar por si própria. O processo de transição, levado pelo desmatamento, mudança do clima, já alterou vários aspectos do seu ecossistema. Um deles é a fotossíntese, processo realizado pelas plantas para a produção de energia, no qual a captura de CO2 é essencial. “Sob o estresse de temperaturas mais elevadas, a quantidade de gás carbônico assimilado pela fotossíntese da floresta está diminuindo drasticamente”, disse.

O que está sendo observado em vários estudos, segundo Artaxo, é que o fluxo líquido de carbono da Amazônia está diminuindo. “Quando eu comecei os estudos na região, 30, 35 anos atrás, a Amazônia estava absorvendo 1.5 toneladas de carbono. Agora, esse fluxo é praticamente zero. É zero por causa, principalmente, da morte das árvores que está aumentando. E está aumentando por quê? Por causa do crescimento dos extremos do clima, do aumento da temperatura e da menor precipitação de chuvas.”

Enquanto na Sibéria, exemplifica ele, o sistema de captura e remoção de CO2 na atmosfera é muito dinâmico, com diferenças no inverno e no verão, na Amazônia e na floresta tropical da África o reservatório de CO2 é permanente. Ou seja, uma vez dispersado, o CO2 ficará permanentemente na atmosfera.

Temperatura do planeta tende a aumentar entre 3.3°C e 4°C, e o IPPC estima uma média 4°C. “Mas a média da temperatura não diz nada, pois ninguém vive numa temperatura média. No Brasil, uma média de temperatura como essa significa que teremos temperaturas aumentadas em 6.6°C. No Ártico, na Sibéria, na tundra canadense a elevação poderá ser e até 7°C. Isso é um aumento imenso”, destacou.

Processo de desertificação — Outra mudança importante é sobre a precipitação de chuvas. “Muitas áreas do nosso planeta já estão começando a ficar muito mais secas, e uma delas é a área central do Brasil e a parte oriental da Amazônia, onde há decréscimo muito significativo da precipitação. Já a área mediterrânea da Europa (sul da Espanha, Portugal e Itália) está em processo acelerado de desertificação, assim como na América Central e na parte central dos EUA. “Isso traz um ingrediente crítico para a produção de alimentos. E não se trata de uma previsão para o futuro. Isso já está acontecendo”.

Ele destaca que o sistema de produção de alimentos é responsável por 32% das emissões globais de CO2, e nas próximas décadas as emissões estimadas desse setor indicam um aumento de 50%. “Como o planeta será capaz de produzir comida para 10 bilhões de pessoas e ao mesmo tempo alcançar o net-zero. Parando de comer? Então, basicamente, essa situação é muito mais do que uma questão de sistema de energia, estamos falando da necessidade de uma sociedade sustentável.”

‘Savanização’ da Amazônia — Segundo Artaxo, na Amazônia o desmatamento é cerca de 13.500 Km2 /ano [dados de 2021]. E esse número tende a ser 27% maior em 2022. Essa mudança no ecossistema é crítica. “Um ponto de inflexão seria uma mudança de um ecossistema florestal para um tipo de savana, com 10% do carbono original estocado”, disse ele. Como nessa trajetória vários fatores têm influência, a pergunta que fica é: “Essa transição entre os ecossistemas será suave, abrupta, e será reversível? São questões críticas e nós ainda não temos uma resposta clara”.

A ciência, segundo ele, já tem alguma noção sobre a questão da reversibilidade. Áreas desmatadas na Amazônia há 40, 50 anos e que foram abandonadas voltaram a se regenerar, mas somente com 55% a 60% da biomassa original e com um terço da biodiversidade anterior.

Uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) correlaciona o nível de precipitação, de árido para úmido, com a biomassa da Amazônia, da floresta da África e do sudeste da Asia. “As três florestas são surpreendentemente muitos diferentes, mas elas têm um padrão. Onde tem mais chuva, tem mais biomassa”.

Outro aspecto é que, entre as três florestas, a Amazônia é a que mais libera carbono pela perda da vegetação. “Estamos falando de cerca de 5,1% de carbono de um total de 120 bilhões de toneladas de carbono estocado”.

Ele lembra que a perda de carbono não está relacionada apenas às áreas desmatadas, pois as áreas próximas ao desmatamento são responsáveis por 36% das emissões de carbono na Amazônia.

Risco extremo — Segundo Artaxo, a maior parte da área da Amazônia está se tornando mais inflamável. Isso é expresso pelo déficit de pressão de vapor, que é a quantidade de água que as plantas soltam na atmosfera. “Também estamos observando mudanças significativas no ciclo hidrológico da Amazônia, com um crescimento na quantidade de quantidade de água nos rios da Amazônia nos últimos 120 anos. E se está crescendo, isso significa que menos água está sendo reprocessada pelo ecossistema”.

Outra mudança é no sistema de precipitação em cascata, que é, em síntese, quando a água vaporizada do oceano atlântico vai para a Amazônia e de lá para o restante do país, levando as chuvas necessárias às plantações. “Um estudo mostra que estaríamos próximos do ponto de inflexão se a precipitação for maior de 1 mil mililitros e se a temperatura for maior que 2.5°C”, disse. “Outro estudo, de Carlos Nobre, traz uma estimativa que se houver um aumento de temperatura de 4°C ou se houver um desmatamento de 40% do total das áreas de floresta, todas as áreas florestais remanescentes serão perdidas. E nós estamos no meio do caminho dessa previsão.”

Para Artaxo, o Brasil tem uma tremenda oportunidade, protegendo o estoque natural de carbono, de reduzir em 44% as emissões de carbono em cinco anos. É importante lembrar que, embora historicamente EUA e China sejam grandes emissores de CO2, o Brasil não está muito longe. Em 2021, o país foi o sétimo maior emissor em termos globais, o quarto em emissões per capita, e o sexto em emissões históricas. Apesar disso, na revisão dos acordos de meta de redução de emissões do ano passado, o Brasil foi o único país que aumentou as emissões permitidas.

“Nós temos um grande programa de biocombustível, que nenhum outro país tem; um grande potencial para absorver carbono, mas ao mesmo tempo várias vulnerabilidades, com um setor agrícola muito sensível ao clima, uma geração de energia por hidrelétricas, que depende da chuva, e 8,5 mil quilômetros de área de costa vulneráveis ao aumento do nível do mar.

Para analisar o presente e o futuro, é essencial olhar para o passado, disse Artaxo. Uma séria histórica mostra que ao logo de 500 milhões de anos o clima da terra oscilou muito, para mais quente ou mais frio, com períodos glaciais e interglaciais. “Nos últimos 10 milhões de anos, a terra permanece no período interglacial quente, que é onde estamos agora, e isso permitiu que a civilização humana prosperasse. Toda a vida na terra apareceu nos últimos 4 milhões de anos. E toda a vez que ocorreram extinções de espécies associadas ao clima, e isso ocorreu várias vezes, foram necessários milhões de anos para o ecossistema se recuperar. Então, qualquer dano, é muito difícil de ser recuperado, e isso deveria ser uma lição para nós”, destacou.

Segundo ele, análises dos últimos 800 mil anos mostram que a oscilação entre os períodos glaciais e interglaciais estão conectadas com os gases de efeito estufa e a temperatura global. O problema é que esse ciclo de oscilação está sendo rompido agora. “Nos últimos 60, 70 anos, a terra saiu deste ciclo, que vinha ocorrendo há 800 mil anos. Então, estamos trazendo a terra para fora desse sistema climático dinâmico, e não sabemos para onde estamos indo”, disse. (ecodebate)

quarta-feira, 23 de novembro de 2022

Novos estudos sobre a ecologia das florestas amazônicas

As condições hidrológicas locais influenciam a diversidade e a composição das árvores em toda a bacia amazônica; Padrões geográficos de modos de dispersão de árvores na Amazônia e seus correlatos ecológicos.

Caros colegas,

Acabam de aparecer dois importantes estudos sobre a ecologia das florestas amazônicas. Ambos são trabalhos multidisciplinares abrangentes – que estão se tornando cada vez mais viáveis nesta era de big data e grandes equipes de pesquisa.

Marca-Zevallos et al. (2022) avaliam como a precipitação e as condições do solo e topografia locais afetam a diversidade e a composição das comunidades arbóreas amazônicas. Seu estudo abrange toda a bacia amazônica, mostrando que os locais mais bem drenados suportam maior diversidade de árvores e que o solo e a topografia locais influenciam fortemente a composição das comunidades arbóreas.

Trabalhando em cerca de 2.000 parcelas de estudo, Correa et al. (2022) identificaram os meios de dispersão de sementes para mais de 5.400 espécies de árvores amazônicas. Mais uma vez, este estudo inclui toda a bacia amazônica e permite que os autores tirem importantes inferências sobre as causas e consequências de diferentes síndromes de dispersão nas florestas com maior biodiversidade do mundo.

Marca-Zevallos, M. et al. 2022. Local hydrological conditions influence tree diversity and composition across the Amazon basin. Ecography 2022: e06125. (https://doi.org/10.1111/ecog.06125)

Correa, D. F. et al. 2022. Geographical patterns of tree dispersal modes in Amazonia and their ecological correlates. Global Ecology and Biogeography; DOI: 10.1111/geb.13596. (https://doi.org/10.1111/geb.13596)

Localização de 443 parcelas de 1 ha usadas neste estudo. O mapa mostra a distribuição das parcelas (pontos coloridos) ao longo da bacia amazônica. Os limites da bacia amazônica (contorno preto) foram definidos de acordo com Mayorga et al. ( 2012 ). A informação de fundo mostra a camada de precipitação anual obtida de CHELSA ver. 1.2 (1979–2013, 30 segundos de arco de resolução, < http://chelsa-climate.org/ > [Karger et al. 2018 ]). As cores dos pontos indicam as quatro regiões geomorfológicas (de Feldpausch et al. 2011 ): Centro-Leste (azul, CA-EA = 122 parcelas), Escudo das Guianas (verde, GS = 52 parcelas), Sul (vermelho, SA = 102 parcelas) e Oeste (amarelo, WA = 167 parcelas). In https://doi.org/10.1111/ecog.06125.

(ecodebate)

Impacto do desmatamento e do reflorestamento no ciclo global da água

Água, sua linda: Pela transparência de informação sobre a situação das nossas fontes de água e sobre as soluções para lidar com a escassez em curtos e longos prazos.

A disponibilidade de água superficial, definida como precipitação menos evapotranspiração, pode ser afetada por mudanças na vegetação.

Esses impactos podem ser locais, devido à modificação da evapotranspiração e precipitação, ou não locais, devido a alterações no transporte de umidade atmosférica. No entanto, as teleconexões das mudanças de vegetação na disponibilidade de água em regiões a favor do vento permanecem pouco limitadas pelas observações.

Ao vincular as medições de precipitação local a um novo índice de área foliar hidrologicamente ponderado que considera as contribuições da vegetação local e a favor do vento, demonstramos que as mudanças na vegetação aumentaram a disponibilidade global de água a uma taxa de 0,26 mm yr-2 para o período de 2001-2018.

Desmatamento afeta o ciclo das águas e o regime de chuvas.

Criticamente, esse aumento atenuou cerca de 15% do declínio observado recentemente na disponibilidade global de água. O aumento da disponibilidade de água é devido a um maior aumento na precipitação em relação à evapotranspiração em mais de 53% da superfície terrestre global.

Também quantificamos os potenciais impactos hidrológicos do aumento da vegetação regional em qualquer local em áreas terrestres globais. Descobrimos que a vegetação aprimorada é benéfica para a disponibilidade de água local e a favor do vento para ~45% da superfície terrestre, enquanto é adversa em outros lugares, principalmente em regiões com limitação de água ou de alta altitude.

Nossos resultados destacam os fortes efeitos potenciais de mudanças deliberadas na vegetação, como programas de florestamento, sobre os recursos hídricos além das escalas locais e regionais.

Contribuição da evapotranspiração terrestre para a precipitação de terra reciclada em diferentes escalas espaciais A linha azul grossa indica o valor médio e a área sombreada indica um desvio padrão. A porcentagem é calculada como a contribuição da evapotranspiração (ET) dentro de uma caixa de grade N × N para a precipitação reciclada na grade central com base no conjunto de dados de Link et al. N é igual a 1, 3, 5 e assim por diante. Observe que o eixo horizontal está em uma escala logarítmica. A seta vermelha representa a faixa de extensão espacial para escalas locais, regionais ou região contra o vento, com o traço indicando a sobreposição entre as escalas regional e contra o vento. Os círculos azuis e verdes indicam as escalas espaciais dos principais programas globais de arborização/reflorestamento (https://www.greatgreenwall.org/, https://www.bonnchallenge.org/ e ref) e esverdeamento regional da Terra¹, respectivamente . O número vermelho inferior esquerdo (3,8%) indica a contribuição média terrestre global do ET terrestre para a precipitação reciclada em uma escala espacial de 10² km.

(ecodebate)

Os países com menor fecundidade possuem maior IDH

A maior parte dos países com elevado IDH já apresentam decrescimento demográfico, tendendo a diminuir os impactos negativos sobre o meio ambiente.

A transição demográfica (redução das taxas de mortalidade e de fecundidade) é um pré-requisito para o desenvolvimento econômico. Os dois fenômenos são sincrônicos e se auto reforçam no desenrolar do avanço das forças produtivas ao longo do tempo. Países com baixa taxa de fecundidade total (TFT) possuem alto Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e países com alta TFT possuem baixo IDH.

Isto ocorre porque altas taxas de fecundidade estão relacionadas com elevada proporção de crianças e jovens na população, gerando alta razão de dependência demográfica, baixa taxa de ocupação e baixas taxas de poupança e investimento. Mas a queda das taxas de fecundidade provoca uma mudança da estrutura etária e gera um bônus demográfico que favorece o desenvolvimento econômico. Desta forma, a queda da TFT é um pré-requisito para o aumento do IDH.

O gráfico abaixo mostra a relação entre a taxa de fecundidade e o IDH para 187 países em 2021. Todos os países com IDH acima de 0,500 possuem menos de 3 filhos por mulher e todos os países com mais de 6 filhos por mulher possuem IDH abaixo de 0,500. Nota-se que 71,3% do aumento do IDH está associado com a queda na TFT.

A Coreia do Sul, que era um país pobre e com baixo grau de desenvolvimento em meados do século passado, iniciou um processo de transição demográfica e de desenvolvimento econômico a partir da década de 1960 e chegou em 2021 com a menor TFT do mundo (0,9 filho por mulher) e um IDH acima de 0,900.

Todos os países com IDH acima de 0,900 possuem TFT abaixo de 2 filhos por mulher, a única exceção é Israel (que por razões geopolíticas e religiosas) tem TFT de 2,9 filhos por mulher. Os países com menor IDH (abaixo de 0,400) possuem alta fecundidade, por exemplo, Níger e Chad apresentam mais de 6 filhos por mulher e o Sudão do Sul apresenta TFT de 4,5 filhos por mulher. A República Democrática do Congo apresenta IDH de 0,479 e TFT de 6,2 filhos por mulher.

Quando um país avança com o processo de desenvolvimento das forças produtivas, avança também com o processo de urbanização e passa pela reversão do fluxo intergeracional de riqueza, isto é, aumentam os custos e diminuem os benefícios dos filhos. As famílias passam a investir menos na quantidade e mais na qualidade da prole, ou seja, filhos com mais direitos de saúde, educação, mercado de trabalho, etc.

Desta forma a “cidadania se torna o melhor contraceptivo” (Martine, Alves, Cavenaghi, 2013). Uma população mais urbanizada, mais educada e com mais acesso ao conhecimento se torna mais produtiva e, em geral, produz mais com menos. A menor fecundidade está relacionada com a maior produtividade. E a maior parte dos países com elevado IDH já apresentam decrescimento demográfico, tendendo a diminuir os impactos negativos sobre o meio ambiente.

Neste momento em que a população mundial está alcançando a marca de 8 bilhões de habitantes, em 15 de novembro de 2022, é preciso reconhecer que a dinâmica demográfica importa para o bem-estar humano e ambiental.

A Austrália cresce há 30 anos e tem o 3º IDH, grande contraste com o Brasil.

A transição demográfica é fundamental para o desenvolvimento econômico e também para o desenvolvimento sustentável. (ecodebate)

segunda-feira, 21 de novembro de 2022

Relação entre aquecimento global e aumento do nível do mar

Compreenda a relação entre o aquecimento global e o aumento do nível do mar.
A velocidade com que o gelo está desaparecendo em todo o planeta está se acelerando, de acordo com novas pesquisas. E as descobertas também revelam que a Terra perdeu 28 trilhões de toneladas de gelo entre 1994 e 2017 – o equivalente a uma camada de gelo de 100 metros de espessura cobrindo todo o Reino Unido.
O derretimento do gelo em todo o mundo eleva o nível do mar, aumenta o risco de inundações para as comunidades costeiras e ameaça destruir os habitats naturais dos quais a vida selvagem depende.

É um tema importante e urgente. No caso do Brasil, cerca de 26% da população brasileira vive em regiões costeiras, que serão gravemente impactadas pelo aumento do nível do mar.

Em razão disso, para melhor compreensão do tema, selecionamos conteúdos publicados pelo EcoDebate, no último ano, que permitem entender melhor a relação entre o aquecimento global e o aumento do nível do mar. (ecodebate)

Microplásticos no ar de casas e carros

Microplásticos no ar de casas e carros: estudo alerta que a exposição é 100 vezes maior que a estimada. Como a presença de microplásticos no...