segunda-feira, 29 de junho de 2009

Câmara dos EUA aprova corte de emissões de CO2

Projeto histórico apoiado pelo presidente americano Barack Obama, é aprovado por 219 votos contra 212 e vai a nova deliberação, ainda mais acirrada no Senado. A Câmara dos representantes do Congresso americano aprovou, em votação apertada, um projeto de lei histórico que limita as emissões de gases causadores do efeito estufa pela indústria dos Estados Unidos. Com a aprovação da lei, empresas se setores altamente poluentes da economia, como fabricantes de cimento e usinas termelétricas, passarão a receber autorizações do governo para poluir, com o montante autorizado caindo ano a ano, que poderão vender e comprar. O projeto, apoiado pelo presidente Barack Obama e objeto de intensas negociações que duraram meses, passou com 219 votos favoráveis e 212 contra. Deputados republicanos se colocaram contra a medida, que qualificaram com “pesadelo burocrático”, argumentando que destruíra empregos em plena recessão econômica e vai pesar sobre o orçamento dos consumidores, por causa da elevação dos custos da energia. O texto segue agora para a votação no Senado, onde sua aprovação será ainda mais disputada. Democratas em cima do muro A acessora do presidente Valerie Jarret dissera, mais cedo, que o próprio Obama estava “no telefone”para angariar votos. A votação para decidir se o projeto seria enviado ao plenário da Câmara foi vencida pelos aliados do presidente por uma margem pequena, 217 a 205, com a deserção de 30 democratas que votaram contra a orientação da liderança. A aprovação da lei, com apenas 1 voto além do mínimo necessário, dependeu desses democratas “em cima do muro”, que temiam a repercussão eleitoral do projeto em suas bases eleitorais. Impacto nos custos “Trata-se de um salvadosr de empregos”, defende Valerie. É consenso que o sistema proposto terá impacto no custo de energia, já que as empresas terão de fazer investimentos para aumentar a eficiência. O objetivo do sistema de limitação e comércio de emissões (cap and trade, em inglês) proposto pelo governo de Obama é reduzir as emissões de CO2 e outros gases causadores do efeito estufa em 17% até 2020 e 83% até 2050, sobre os níveis de 2005. A aprovação permitirá que o presidente Barack Obama participe da cúpula mundial sobre mudança climática marcada para dezembro em Copenhage, na Dinamarca, com uma importante vitória a seu favor. A recusa do governo anterior, de Geoge W. Bush, de adotar o Protocolo de Kyoto, - cujo sucessor será elaborado em Copenhage – abalou a credibilidade dos Estados Unidos nessa arena. Destaques da Lei - Matriz de energia: Exige que as geradoras de energia elétrica atendam 20% de sua demanda por meio de fontes renováveis, como solar e eólica, até 2020. - Investimento verde: Define investimentos em novas tecnologias limpas e energias renováveis da ordem de US$ 90 bilhões até 2025; captura e sequestro de carbono (US$ 60 bi); veículos elétricos e de alta tecnologia (US$ 20 bi); pesquisa científica básica (US$ 20 bi). Racionalização: Estabelece padrões de economia de energia para edifícios e eletrodomésticos. Edifícios deverão ser 30% mais eficientes até 2012 e 50% até 2016. Corte de CO2: Fixa a redução das emissões de carbono pelas principais fontes dos EUA em 17% até 2020 e 83% até 2050, tendo como bases os níveis em 2005. Redutor anual: A partir de 2012, a lei estabelece um limite anual de toneladas de carbono e outros gases- estufa para setores muito poluidores, como refinarias de petróleo. A lei cria um sistema de comércio de permissões para emitir carbono, que as empresas poderão negociar no mercado. Crédito: Setores podem poluir além do teto ao investir na redução de CO2 de outros setores ou na preservação de florestas tropicais.

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