domingo, 13 de dezembro de 2009

Degelo total no Ártico está próximo a acontecer depois de 15 milhões de anos

Faz quinze milhões de anos, o Ártico tem uma cobertura de gelo permanente, mais extensa no inverno e menor no verão, mas sempre presente ao redor do Pólo Norte. Por isso, a perspectiva atual do degelo completo desse mar setentrional dentro da algumas décadas devido ao aquecimento global do planeta preocupa os cientistas, alarmados diante de uma mudança tão impressionante e rápida. De fato, o degelo registrado na região recentemente é muito mais acentuado que as estimativas mais pessimistas que se vinham fazendo: já alcançou uma redução de cobertura gelado do Ártico que os modelos de projeção climática situavam em 2020. “O oceano Ártico começou a congelar-se faz 47 milhões e meio de anos estacionalmente, ou seja, formava o gelo no inverno e se dissolvia no verão, entretanto, durante os últimos 14 ou 15 milhões de anos, a parte central do Ártico tem estado permanentemente gelada. Agora, devido a mudança climática, espera-se que retorne à situação de degelo completo no verão. Isto significa que o aquecimento no Ártico, desde uma perspectiva temporal ecológica, é extremamente dramático”, explica Nalan Koc, pesquisadora do Instituto Polar Norueguês. Koc é especialista em paleoclima, uma das principais cientistas do programa internacional Acex que reconstruiu a história do Ártico nos últimos 56 milhões de anos. Para decifrar a sequência de gelo e degelo no mar mais setentrional do planeta, os cientistas “lêem” as páginas do passado escritas no subsolo do fundo marinho. “Há fósseis como diatomeas associadas ao gelo e microfósseis de águas abertas preservados nos sedimentos acumulados”, explica Catherine Stickley, pesquisadora do projeto, também do Centro Polar Norueguês, com sede em Tromso. “Remontarmos a 47 milhões de anos, quando começa a cobertura gelada estacional, nos ajuda a compreender o que está acontecendo agora no Ártico”, diz ela. As conclusões da pesquisa serão publicadas brevemente na revista Nature. Mas se não é fácil “ler” o registro dos sedimentos acumulados no subsolo do mar, muito mais é obtê-lo. Foi necessário recorrer a um perfurador especial e dois rompe gelos para retirar as mostras do fundo do mar em forma de cilindros mediante uma perfuração de até 428 metros de profundidade, com 1.300 metros de água acima. O projeto denominado Acex, foi levado a cabo no verão de 2004, durante um mês e meio e o lugar escolhido para a perfuração foi a crosta Lomonosov, uma cadeia montanhosa submarina que cruza o Ártico desde a Sibéria até a Groelândia e que atravessa 250 km do Pólo Norte. O rompe gelos russo Soyuz e o sueco Oden foram abrindo caminho pelo mar gelado para o perfurador norueguês Vidar Viking (um rompedor de gelos adaptado) ate o lugar escolhido sobre a crosta Lomonosov. O protegeram durante três semanas de perfuração e dali foram se extraindo cilindros formados por camadas de sedimentos do fundo oceânico do passado abarcando 56 milhões de anos de história climática. “O primeiro registro temporal ao longo do Ártico”, afirma Stickley. Acex custou 12,5 milhões de euros, contando com a operação dos três navios, diz Stickley. A chave nas mostras tem sido a presença da diatomea (plantas unicelulares) específicas do gênero Synedropsis, similares as que se encontram hoje em dia no Ártico e adaptada para viver em temperaturas muito baixas na escuridão, ou seja, em condições de superfície de mar gelado. Ao fazer correlações temporais nas camadas sucessivas de sedimentos acumulados nos cilindros de mostras, os cientistas puderam reconstituir a história climática. O Acex tem proporcionado valiosa informação cientifica, mas os pesquisadores, já estão pensando em objetivos futuros. Mais de 500 cientistas de todo o mundo, especialistas em perfurações profundas, não apenas da Ecord, mas também equipes americanas e japonesas, se reuniram no final de setembro em Bremem (Alemanha) para planejar a continuação do atual Programa Integrado de Perfurações Oceânicas (IODP), que termina em 2013. Entre os objetivos definidos se destaca a pesquisa do papel dos gases de efeito estufa na transição entre períodos frios e temperados da história climática do planeta e a magnitude, velocidade e localização das correspondentes mudanças climáticas no nível do mar. Além disso, serão realizadas perfurações no solo oceânico muito mais profundas dos que as feitas até agora. O navio japonês Chikyu já é capaz de fazer sondagens de até 7 mil metros no fundo do mar.

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