terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Porque fracassou a Conferência de Copenhague

Já existia a previsão do insucesso da COP 15. Face à importância daquela reunião para o mundo como um todo, o conhecimento das causas do fato será proveitoso à análise transparente, realista e imparcial do ocorrido. Faltou coragem aos principais governantes naquela assembléia. Coragem é renúncia à própria vida ou interesses em benefício da espécie, ação própria de heróis, cada vez mais raros na terra. Essa situação surge quando o homem se defronta com o medo, ocasião em que seus genes e mente decidem uma das duas opções: fugir ou lutar. No caso em exame, os participantes com poder de decisão arrostaram-se com o medo e preferiram fugir. Eles sabem que serão extremamente prejudicados – em alguns casos, perdendo a própria vida – se tomarem as decisões corretas, lógicas e redentoras que o meio ambiente está exigindo, pois têm a consciência de que não dispõem de sua livre vontade. Sabem que são prisioneiros do sistema econômico que os sustentam politicamente e mantêm efetivamente todas as forças existentes em seus países, ai incluídas as financeiras, políticas e armadas, sustentáculos do arcabouço econômico. Ações concretas em benefício do ambiente equivalem a suicídio pessoal. Sabem que, no caso de assumirem o confronto, vão habitar o ostracismo do corpo ou da alma, e que o sistema manterá o mundo conformado aos interesses econômicos. Por isso, eles não se arriscam. A verdade precisa ser dita: os chefes de estado não possuem poder de decisão. Participam duma reunião desse quilate apenas como fantoches. O verdadeiro poder mundial está nas mãos do capital anônimo, invisível, internacional. Esse poder não está satisfeito com os 98% do mundo em suas mãos. Ainda faltam os 2% representados por Cuba, Irã, Iraque, Afeganistão e Coréia do Norte. A cabeça, o núcleo, o centro mentor desse poder real já não está tão escondido. Foi claramente identificado pelo ex-presidente dos EE.UU, general Eisenhower, no final de seu mandato de 8 anos, em 1961. No discurso de despedida, alertou a nação de que o poder efetivo na área de governo era o complexo industrial-militar. Essa palavra, “complexo”, abrange todo o sistema industrial americano porquanto os gastos militares daquele país são tão vultosos e sistêmicos que encobrem os demais interesses econômicos em geral. Para se ter uma idéia, o orçamento para 2010, recentemente aprovado, consigna 672 bilhões de dólares para os gastos militares, enquanto que as verbas para a saúde e educação são inferiores. Essa dotação é maior que todos os gastos militares do resto do globo. Não foi imprópria a expressão empregada por Chaves, presidente da Venezuela, na COP 15, quando designou Barack Obama de ganhador do prêmio Nobel da Guerra. O poder mundial está nas mãos de fanáticos adoradores do deus dinheiro, inconscientes, egressos de outro mundo e que, para foco de marketing e consumismo, promovem circos ambientalistas. Eles não sabem, e o mundo também não sabe, que esses donos do poder são o câncer de um corpo (a mãe Terra) que ainda fornece à biodiversidade os meios de vivência, mas cujas reservas já estão desfalcadas em 25% de sua capacidade renovadora. Nem o Sol, com sua potência energética e pujança de ciclos vitais, consegue aplacar a ganância infinita daquele câncer mortal. Ainda não lemos o relatório final da Conferência de Copenhague, escrita em inglês, com mais de 200 páginas, mas somos capazes de traduzi-lo perfeitamente para o português brasileiro: “Nós, os representantes dos 192 países do mundo nos reunimos e decidimos que não somos a favor nem contra; antes pelo contrário.”“Maurício Gomide Martins, 82 anos, ambientalista, residente em Belo Horizonte (MG), depois de aposentado como auditor do Banco do Brasil, já escreveu três livros. Um de crônicas chamado “Crônicas Ezkizitaz”, onde perfila questões diversas sob uma óptica filosófica. O outro, intitulado “Nas Pegadas da Vida”, é um ensaio que constrói uma conjectura sobre a identidade da Vida. E o último, chamado “Agora ou Nunca Mais”, sob o gênero “romance de tese”, onde aborda a questão ambiental sob uma visão extremamente real e indica o único caminho a seguir para a salvação da humanidade.

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