Projeções
de especialistas indicam alta probabilidade (cerca de 62% a 80%) de um Super El
Niño em 2026, com potencial para causar calor extremo, secas severas e
inundações globais, especialmente no segundo semestre. O fenômeno, descrito
como uma versão intensa, pode causar desastres naturais e afetar a agricultura.
Principais
Impactos do Super El Niño em 2026:
Calor
e Recordes: O aquecimento anormal do Pacífico Equatorial intensifica ondas de
calor e pode levar a temperaturas globais recordes.
Irregularidade
Climática: Transição da La Niña para o El Niño, combinada com outras
oscilações, causará chuvas intensas seguidas de seca.
Impacto
no Brasil: Risco de chuvas excessivas no Sul e seca na região amazônica.
Agricultura:
Previsão de dificuldades na plantação de soja e milho, além de encharcamento de
solo no Sul.
A
possibilidade de um "El Niño Godzilla" preocupa, pois ocorre em um
cenário de aquecimento global, o que pode potencializar seus efeitos.
Fenômeno natural aquece de forma anormal as águas do Oceano Pacífico Equatorial
El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial
Especialistas
do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF) e do
Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOOA) apontam que o
mundo pode enfrentar, ainda em 2026, uma variação mais forte do El Niño,
fenômeno natural responsável pelo aquecimento anormal das águas do Oceano
Pacífico Equatorial.
Episódios
mais intensos do fenômeno contribuíram para temperaturas globais recordes,
calor extremo, seca e inundações em diversos lugares do mundo. De acordo com
o ECMWF, as probabilidades de ocorrer uma variação forte são de 80%,
enquanto a variação super é de 20%.
O meteorologista Sidney Abreu, do do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), explica que os modelos climáticos apresentados pelo NOAA mostram a previsão do El Niño em 2026 com anomalias positivas da Temperatura da Superfície do Mar (TSM) no Oceano Pacífico Equatorial em torno de 2°C acima da média.
Chuva forte atinge Bauru (SP), arrasta carros, destrói estabelecimentos e causa inundações em março/2026
"Esse
valor é próximo dos El Niños mais fortes já observados, como os de 1982/1983 e
de 1997/1998. A anomalia de TSM acima da média ocasiona uma mudança na
circulação da atmosfera", afirma.
Na
prática, esse aquecimento superforte altera de maneira significativa a circulação
atmosférica e a distribuição de chuvas pelo mundo. Enquanto algumas regiões
podem sofrer com calor intenso, outras podem nem receber a quantidade de chuva
necessária.
No Brasil, há um déficit de chuva nas regiões Norte e Nordeste, por exemplo, e um superávit de chuva no Centro-Sul. O último ano com ocorrência do El Niño foi em 2023/2024 e esteve entre os mais fortes já registrados.
El Niño em 2026 deve provocar cheia intensa e seca extrema na Amazônia, alterando rios, navegação e abastecimento em todo o Norte do Brasil.
A
Amazônia vai inundar e secar em 2026: El Niño chega em maio, com intensidade de
moderada a forte; a cheia dos rios será maior que a de 2025 e a vazante que vem
logo depois pode comprometer a navegação, o abastecimento e a pesca de
comunidades isoladas, sem estrada, sem seguro e sem alternativa de deslocamento
"Na
região Norte e Nordeste se espera uma redução dos índices pluviométricos
causando uma diminuição nos níveis dos rios e dos reservatórios, o que pode
afetar a navegação marítima, a agricultura, favorece situações de grandes áreas
de queimadas e ondas de calor. Cenário observado durante o El Niño de
2023/2024, onde os rios da Amazônia viraram ruas", ressalta o
meteorologista.
Já
no Centro-Sul, o aumento de índices pluviométricos traz, consequentemente,
eventos extremos de chuva, enchentes severas, deslizamentos, granizos e aumento
moderado das temperaturas.
"Um
exemplo foram as chuvas extremas e prolongadas por dias ocorridas no Rio Grande
do Sul, sendo este evento o maior do ponto de vista climático ocorrido no
Brasil. Este cenário também foi observado no último El Niño. No Centro-Oeste
pode ter secas mais prolongadas e temperaturas recordes", acrescenta.
Outro
destaque feito pelo especialista é a Oscilação Decadal do Pacífico (ODP),
um padrão climático com fases quentes ou frias que duram de 10 a 30 anos. A
fase quente da ODP iniciou em 2020.
"Essa fase quente é caracterizada por uma frequência maior de El Niños acontecendo no Pacífico Equatorial, além disso, mais intensos. O aumento da temperatura global ao longo das décadas também potencializa isso", diz.
El Niño pode provocar mais enchentes no Sul do Brasil
Além
das mudanças climáticas extremas, o fenômeno natural também influencia na
economia, tendo em vista que afeta a produção de insumos como algodão, milho e
soja. Apesar disso, foi constatado que no Canadá, por exemplo, as mudanças
atmosféricas trouxeram um inverno mais ameno, o que acabou beneficiando
pescadores locais. (terra)





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