sexta-feira, 17 de abril de 2026

Super El Niño pode causar calor extremo e inundações pelo mundo ainda em 2026

Super El Niño pode causar calor extremo e inundações pelo mundo ainda em 2026, dizem especialistas.
Especialistas apontam risco de um Super El Niño em 2026, com potencial para provocar calor extremo, secas e inundações em diversas regiões do mundo.

Projeções de especialistas indicam alta probabilidade (cerca de 62% a 80%) de um Super El Niño em 2026, com potencial para causar calor extremo, secas severas e inundações globais, especialmente no segundo semestre. O fenômeno, descrito como uma versão intensa, pode causar desastres naturais e afetar a agricultura.

Principais Impactos do Super El Niño em 2026:

Calor e Recordes: O aquecimento anormal do Pacífico Equatorial intensifica ondas de calor e pode levar a temperaturas globais recordes.

Irregularidade Climática: Transição da La Niña para o El Niño, combinada com outras oscilações, causará chuvas intensas seguidas de seca.

Impacto no Brasil: Risco de chuvas excessivas no Sul e seca na região amazônica.

Agricultura: Previsão de dificuldades na plantação de soja e milho, além de encharcamento de solo no Sul.

A possibilidade de um "El Niño Godzilla" preocupa, pois ocorre em um cenário de aquecimento global, o que pode potencializar seus efeitos.

Fenômeno natural aquece de forma anormal as águas do Oceano Pacífico Equatorial

El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial

Especialistas do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF) e do Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOOA) apontam que o mundo pode enfrentar, ainda em 2026, uma variação mais forte do El Niño, fenômeno natural responsável pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial.

Episódios mais intensos do fenômeno contribuíram para temperaturas globais recordes, calor extremo, seca e inundações em diversos lugares do mundo. De acordo com o ECMWF, as probabilidades de ocorrer uma variação forte são de 80%, enquanto a variação super é de 20%.

O meteorologista Sidney Abreu, do do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), explica que os modelos climáticos apresentados pelo NOAA mostram a previsão do El Niño em 2026 com anomalias positivas da Temperatura da Superfície do Mar (TSM) no Oceano Pacífico Equatorial em torno de 2°C acima da média.

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"Esse valor é próximo dos El Niños mais fortes já observados, como os de 1982/1983 e de 1997/1998. A anomalia de TSM acima da média ocasiona uma mudança na circulação da atmosfera", afirma.

Na prática, esse aquecimento superforte altera de maneira significativa a circulação atmosférica e a distribuição de chuvas pelo mundo. Enquanto algumas regiões podem sofrer com calor intenso, outras podem nem receber a quantidade de chuva necessária.

No Brasil, há um déficit de chuva nas regiões Norte e Nordeste, por exemplo, e um superávit de chuva no Centro-Sul. O último ano com ocorrência do El Niño foi em 2023/2024 e esteve entre os mais fortes já registrados.

El Niño em 2026 deve provocar cheia intensa e seca extrema na Amazônia, alterando rios, navegação e abastecimento em todo o Norte do Brasil.

A Amazônia vai inundar e secar em 2026: El Niño chega em maio, com intensidade de moderada a forte; a cheia dos rios será maior que a de 2025 e a vazante que vem logo depois pode comprometer a navegação, o abastecimento e a pesca de comunidades isoladas, sem estrada, sem seguro e sem alternativa de deslocamento

"Na região Norte e Nordeste se espera uma redução dos índices pluviométricos causando uma diminuição nos níveis dos rios e dos reservatórios, o que pode afetar a navegação marítima, a agricultura, favorece situações de grandes áreas de queimadas e ondas de calor. Cenário observado durante o El Niño de 2023/2024, onde os rios da Amazônia viraram ruas", ressalta o meteorologista.

Já no Centro-Sul, o aumento de índices pluviométricos traz, consequentemente, eventos extremos de chuva, enchentes severas, deslizamentos, granizos e aumento moderado das temperaturas.

"Um exemplo foram as chuvas extremas e prolongadas por dias ocorridas no Rio Grande do Sul, sendo este evento o maior do ponto de vista climático ocorrido no Brasil. Este cenário também foi observado no último El Niño. No Centro-Oeste pode ter secas mais prolongadas e temperaturas recordes", acrescenta.

Outro destaque feito pelo especialista é a Oscilação Decadal do Pacífico (ODP), um padrão climático com fases quentes ou frias que duram de 10 a 30 anos. A fase quente da ODP iniciou em 2020.

"Essa fase quente é caracterizada por uma frequência maior de El Niños acontecendo no Pacífico Equatorial, além disso, mais intensos. O aumento da temperatura global ao longo das décadas também potencializa isso", diz.

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Além das mudanças climáticas extremas, o fenômeno natural também influencia na economia, tendo em vista que afeta a produção de insumos como algodão, milho e soja. Apesar disso, foi constatado que no Canadá, por exemplo, as mudanças atmosféricas trouxeram um inverno mais ameno, o que acabou beneficiando pescadores locais. (terra)

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