terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Faltam cientistas e recursos na floresta

O esforço científico para promover o desenvolvimento sustentável da Amazônia sofre principalmente com a falta de seu insumo mais básico: pesquisadores. Onde sobram espécies de fauna e flora, faltam cientistas para estudá-las, tanto na academia quanto na indústria. A Amazônia Legal inteira, com seus nove Estados, tem menos doutores (em torno de 3,5 mil) do que a Universidade de São Paulo (mais de 5 mil). Os cursos de pós-graduação são poucos, nem sempre de boa qualidade, e há dificuldade em atrair pesquisadores de outros Estados para morar na Amazônia. "Não conseguimos fixar inteligência de outras regiões", diz o presidente da Fapespa, Ubiratan Bezerra. "O governo vem aumentando o volume de recursos para a Amazônia, mas precisa aumentar muito mais", diz o presidente da Fapeam, Odenildo Sena. "Precisa fazer uma intervenção mesmo." O secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do MCT, Luiz Antonio Barreto de Castro, defende a criação de um "PAC da Amazônia", que privilegie a ciência como ferramenta essencial de promoção do desenvolvimento. Elemento que, segundo ele, está ausente no Plano Amazônia Sustentável (PAS) do governo federal. "A base do desenvolvimento é conhecimento, e conhecimento é ciência", diz. Ele concorda que é preciso criar incentivos financeiros para fixar cientistas na Amazônia - incluindo salários mais altos. "Tem de pagar mais mesmo", afirma Barreto. "Ninguém vai sair de São Paulo se não houver um tratamento diferenciado." O diretor do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), Antônio Galvão, concorda que é preciso investir mais na Amazônia. Por outro lado, diz que faltam "agendas concretas" de planejamento científico e tecnológico na região. "Tão importante quanto ter um doutor é saber o que fazer com esse doutor", afirma. H.E.
Impasse é o mesmo da negociação internacional. A divergência observada no governo brasileiro é a mesma das negociações internacionais. Os países industrializados temem se comprometer com metas fortes de redução das emissões de gases que provocam o aquecimento global, pois não querem ter perdas econômicas. A população teme que haja diminuição do emprego e os EUA, principalmente, tentam colocar como condição para um acordo global que os países em desenvolvimento - China, Índia e Brasil - reduzam a taxa de crescimento de suas emissões. Já o G-77, grupo do qual o País faz parte, argumenta que a responsabilidade histórica pela emissão de gases-estufa é dos países industrializados e que, assim como as nações do Norte, também tem o direito de se desenvolver. Os países em desenvolvimento não aceitam metas obrigatórias e querem que os industrializados concedam financiamentos para adaptação às mudanças climáticas.Mas, em Bangcoc, na semana passada, durante reunião preparatória para Copenhague, os ricos evitaram citar números. E tiveram uma ideia que minou a confiança dos países em desenvolvimento: acabar com o Protocolo de Kyoto e fazer um acordo único. Para o G-77, a hipótese é inaceitável.

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