Principais Dados do
Envelhecimento no RS (Censo 2022):
Idosos (60+): Representam
20,15% da população, com mais de 2,1 milhões de pessoas.
População 65+: É o estado com
o maior percentual, com 14,1% dos moradores.
Idade Mediana: 38 anos,
superior à mediana nacional de 35 anos.
Comparação: Enquanto o RS é o
estado mais velho, Roraima é o mais jovem, com idade mediana de 26 anos.
Município Destaque: Coqueiro
Baixo, no Vale do Taquari (RS), tem a maior taxa de envelhecimento do Brasil.
A estrutura etária gaúcha reflete um estreitamento da base da pirâmide, com menos nascimentos e maior expectativa de vida, o que demanda políticas públicas focadas em saúde, previdência e assistência social, com destaque para a necessidade de regionalização dessas ações.
O Brasil está passando por uma rápida e profunda mudança da sua estrutura etária. No século XXI, pela primeira vez na história, haverá mais idosos (60 anos e +) do que crianças e adolescentes (0-14 anos). O envelhecimento populacional será a principal tendência demográfica dos anos 2000. Mas o ritmo de avanço será diferenciado para as diversas Unidades da Federação (UFs).
O gráfico abaixo, com dados do Censo Demográfico 2022, do IBGE, mostra o Índice de Envelhecimento (IE) para o Brasil e as UFs. O Brasil apresentou um IE de 80 idosos (de 60+) para cada 100 jovens (de 0-14 anos). Em duas UFs, o Rio Grande do Sul (115) e o Rio de Janeiro (105,9) o IE ficou acima de 100 idosos para cada 100 jovens de 0-14 anos. No estado mais populoso, o IE ficou em 95,9 idosos para cada 100 jovens em 2022 em São Paulo. No outro extremo, Roraima apresentou um IE de 27,1 idosos para cada 100 jovens, apresentando a estrutura etária mais rejuvenescida do país.
O estado do Rio Grande do Sul (RS) foi um dos líderes da transição da fecundidade no Brasil e apresenta atualmente a estrutura etária mais envelhecida.
O gráfico abaixo, com dados
das projeções populacionais do IBGE (revisão 2024), mostra o grupo etário de
crianças e adolescentes de 0-14 anos e os grupos etários das gerações prateadas
de 50+, 60+, 70+ e 80+ no território gaúcho, do ano 2000 a 2070. Nota-se que,
no início do atual século, o grupo jovem de 0-14 anos era maior do que qualquer
um dos grupos prateados, porém, será superado por todos até 2070.
Em 2000, havia 2,7 milhões de
jovens de 0-14 anos no RS, mas este número tem caído continuamente ao longo do
século e deve ficar em 1,1 milhão em 2070. Em contraste, as gerações prateadas
vão crescer. A população de 50 anos e +, que era de 2 milhões em 2000,
ultrapassou o grupo 0-14 anos em 2007, com 2,5 milhões de pessoas e deve chegar
a 4,8 milhões em 2070. Ou seja, entre 2000 e 2070, o grupo de crianças e
adolescentes deve cair para menos da metade e o grupo 50+ deve mais que dobrar.
A população de 60 anos e +
era de 1,1 milhão de pessoas em 2000, ultrapassou o número de jovens em 2020,
com 2,1 milhões de pessoas e deve chegar a 3,6 milhões de pessoas em 2070. A
população de 70 anos e + era de 483 mil pessoas em 2000, deve ultrapassar o
número de jovens em 2036, com 1,6 milhão de pessoas, devendo atingir 2,3
milhões de pessoas em 2070.
A população de 80 anos e +, que era de 135 mil em 2000, deve ultrapassar os jovens em 2068, com pouco mais de 1,1 milhão de pessoas. Havia 20 vezes mais crianças e jovens do que idosos 80+ em 2000, mas haverá mais idosos da “quarta idade” do que jovens em 2070.
O crescimento das gerações prateadas traz desafios, mas também oportunidades.
A principal dificuldade será
lidar com a redução da população em idade ativa (15-59 anos) e com o aumento da
razão de dependência demográfica. O fim do 1º bônus demográfico é um evento
inexorável.
Mas como mostrei no artigo
“Os quatro bônus demográficos e a nova dinâmica populacional global”, publicado
aqui no Portal Ecodebate (Alves 2025) existem quatro janelas de oportunidades
para se aproveitar as sinergias entre a dinâmica populacional e o
desenvolvimento socioeconômico.
• 1º bônus demográfico – Este
bônus ocorre quando há uma redução nas taxas de fecundidade, o que diminui a
proporção de crianças na população e aumenta, temporariamente, a proporção de
pessoas em idade ativa (15-64 anos). É uma fase em que a “razão de dependência”
é baixa, permitindo que os países invistam mais em capital físico e humano para
impulsionar o crescimento econômico.
• 2º bônus demográfico –
Enquanto o primeiro bônus é uma mudança numérica de idade, o segundo foca na
qualidade. Decorre do aumento da produtividade através da educação, qualificação
da força de trabalho e investimentos tecnológicos. Com famílias menores, há
mais recursos por criança, o que eleva o nível educacional e a capacidade
produtiva de cada indivíduo, compensando a futura redução do número de
trabalhadores, via aumento da produtividade.
• 3º bônus demográfico – Este
bônus surge com o envelhecimento populacional saudável e ativo. A longevidade
permite que gerações mais velhas continuem a contribuir para a sociedade e a
economia, desde que se combatam preconceitos etários e se promovam políticas de
integração intergeracional. A economia prateada é uma grande oportunidade para
o aumento do bem-estar social.
• 4º bônus demográfico –
Baseado em estudos recentes, este bônus refere-se às vantagens ambientais e
sociais de uma população menor, que significa a) Menor pressão sobre recursos
naturais, água, energia e solo, auxiliando na mitigação da crise climática; b)
Espaços urbanos tornam-se menos congestionados e áreas anteriormente ocupadas
podem ser convertidas em zonas verdes e c) A escassez de mão de obra estimula a
inovação em robótica e Inteligência Artificial.
A humanidade já superou a
capacidade de carga da Terra. Desta forma, para garantir um futuro sustentável,
o decrescimento populacional, no longo prazo, é inevitável e pode levar a uma
sociedade mais equilibrada e centrada no bem-estar humano e ambiental, desde
que acompanhado por políticas públicas adequadas em educação, tecnologia e
equidade social.





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