quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Rio Grande do Sul o estado mais envelhecido do Brasil

O Rio Grande do Sul confirmou sua posição como o estado com a população mais envelhecida do Brasil, segundo o Censo 2022 do IBGE. Com uma idade mediana de 38 anos, o estado possui a maior proporção de idosos (20,15% com 60 anos ou mais) e a menor proporção de crianças, evidenciando uma rápida transição demográfica.

Principais Dados do Envelhecimento no RS (Censo 2022):

Idosos (60+): Representam 20,15% da população, com mais de 2,1 milhões de pessoas.

População 65+: É o estado com o maior percentual, com 14,1% dos moradores.

Idade Mediana: 38 anos, superior à mediana nacional de 35 anos.

Comparação: Enquanto o RS é o estado mais velho, Roraima é o mais jovem, com idade mediana de 26 anos.

Município Destaque: Coqueiro Baixo, no Vale do Taquari (RS), tem a maior taxa de envelhecimento do Brasil.

A estrutura etária gaúcha reflete um estreitamento da base da pirâmide, com menos nascimentos e maior expectativa de vida, o que demanda políticas públicas focadas em saúde, previdência e assistência social, com destaque para a necessidade de regionalização dessas ações.

O Brasil está passando por uma rápida e profunda mudança da sua estrutura etária. No século XXI, pela primeira vez na história, haverá mais idosos (60 anos e +) do que crianças e adolescentes (0-14 anos). O envelhecimento populacional será a principal tendência demográfica dos anos 2000. Mas o ritmo de avanço será diferenciado para as diversas Unidades da Federação (UFs).

O gráfico abaixo, com dados do Censo Demográfico 2022, do IBGE, mostra o Índice de Envelhecimento (IE) para o Brasil e as UFs. O Brasil apresentou um IE de 80 idosos (de 60+) para cada 100 jovens (de 0-14 anos). Em duas UFs, o Rio Grande do Sul (115) e o Rio de Janeiro (105,9) o IE ficou acima de 100 idosos para cada 100 jovens de 0-14 anos. No estado mais populoso, o IE ficou em 95,9 idosos para cada 100 jovens em 2022 em São Paulo. No outro extremo, Roraima apresentou um IE de 27,1 idosos para cada 100 jovens, apresentando a estrutura etária mais rejuvenescida do país.

O estado do Rio Grande do Sul (RS) foi um dos líderes da transição da fecundidade no Brasil e apresenta atualmente a estrutura etária mais envelhecida.

O gráfico abaixo, com dados das projeções populacionais do IBGE (revisão 2024), mostra o grupo etário de crianças e adolescentes de 0-14 anos e os grupos etários das gerações prateadas de 50+, 60+, 70+ e 80+ no território gaúcho, do ano 2000 a 2070. Nota-se que, no início do atual século, o grupo jovem de 0-14 anos era maior do que qualquer um dos grupos prateados, porém, será superado por todos até 2070.

Em 2000, havia 2,7 milhões de jovens de 0-14 anos no RS, mas este número tem caído continuamente ao longo do século e deve ficar em 1,1 milhão em 2070. Em contraste, as gerações prateadas vão crescer. A população de 50 anos e +, que era de 2 milhões em 2000, ultrapassou o grupo 0-14 anos em 2007, com 2,5 milhões de pessoas e deve chegar a 4,8 milhões em 2070. Ou seja, entre 2000 e 2070, o grupo de crianças e adolescentes deve cair para menos da metade e o grupo 50+ deve mais que dobrar.

A população de 60 anos e + era de 1,1 milhão de pessoas em 2000, ultrapassou o número de jovens em 2020, com 2,1 milhões de pessoas e deve chegar a 3,6 milhões de pessoas em 2070. A população de 70 anos e + era de 483 mil pessoas em 2000, deve ultrapassar o número de jovens em 2036, com 1,6 milhão de pessoas, devendo atingir 2,3 milhões de pessoas em 2070.

A população de 80 anos e +, que era de 135 mil em 2000, deve ultrapassar os jovens em 2068, com pouco mais de 1,1 milhão de pessoas. Havia 20 vezes mais crianças e jovens do que idosos 80+ em 2000, mas haverá mais idosos da “quarta idade” do que jovens em 2070.

O crescimento das gerações prateadas traz desafios, mas também oportunidades.

A principal dificuldade será lidar com a redução da população em idade ativa (15-59 anos) e com o aumento da razão de dependência demográfica. O fim do 1º bônus demográfico é um evento inexorável.

Mas como mostrei no artigo “Os quatro bônus demográficos e a nova dinâmica populacional global”, publicado aqui no Portal Ecodebate (Alves 2025) existem quatro janelas de oportunidades para se aproveitar as sinergias entre a dinâmica populacional e o desenvolvimento socioeconômico.

• 1º bônus demográfico – Este bônus ocorre quando há uma redução nas taxas de fecundidade, o que diminui a proporção de crianças na população e aumenta, temporariamente, a proporção de pessoas em idade ativa (15-64 anos). É uma fase em que a “razão de dependência” é baixa, permitindo que os países invistam mais em capital físico e humano para impulsionar o crescimento econômico.

• 2º bônus demográfico – Enquanto o primeiro bônus é uma mudança numérica de idade, o segundo foca na qualidade. Decorre do aumento da produtividade através da educação, qualificação da força de trabalho e investimentos tecnológicos. Com famílias menores, há mais recursos por criança, o que eleva o nível educacional e a capacidade produtiva de cada indivíduo, compensando a futura redução do número de trabalhadores, via aumento da produtividade.

• 3º bônus demográfico – Este bônus surge com o envelhecimento populacional saudável e ativo. A longevidade permite que gerações mais velhas continuem a contribuir para a sociedade e a economia, desde que se combatam preconceitos etários e se promovam políticas de integração intergeracional. A economia prateada é uma grande oportunidade para o aumento do bem-estar social.

• 4º bônus demográfico – Baseado em estudos recentes, este bônus refere-se às vantagens ambientais e sociais de uma população menor, que significa a) Menor pressão sobre recursos naturais, água, energia e solo, auxiliando na mitigação da crise climática; b) Espaços urbanos tornam-se menos congestionados e áreas anteriormente ocupadas podem ser convertidas em zonas verdes e c) A escassez de mão de obra estimula a inovação em robótica e Inteligência Artificial.

A humanidade já superou a capacidade de carga da Terra. Desta forma, para garantir um futuro sustentável, o decrescimento populacional, no longo prazo, é inevitável e pode levar a uma sociedade mais equilibrada e centrada no bem-estar humano e ambiental, desde que acompanhado por políticas públicas adequadas em educação, tecnologia e equidade social.

Um Envelhecimento Saudável, Ativo e Colaborativo (ESAC) requer ações articuladas em quatro níveis. No plano individual, o cuidado com a saúde e o bem-estar depende do engajamento pessoal, já que a prática regular de atividade física e a adoção de uma alimentação adequada pressupõem iniciativa e responsabilidade de cada indivíduo. No nível local e comunitário, as relações sociais com vizinhos e com a comunidade do entorno são fundamentais para o fortalecimento dos vínculos coletivos, a construção de redes de apoio e o senso de propósito de vida. No âmbito da iniciativa privada, cabe às empresas combater práticas etaristas, valorizar a diversidade etária e promover ambientes de trabalho multigeracionais e inclusivos. Por fim, no nível do Estado, as políticas públicas devem atuar de forma integrada nas esferas federal, estadual e municipal, com ações que apoiem a população com 50 anos ou mais e promovam o aproveitamento do bônus da longevidade, estimulando o pleno uso do potencial econômico, social e produtivo das gerações prateadas.
Viver mais é um privilégio. Em vez de temer o “Apocalipse do envelhecimento populacional”, é hora de abraçar a construção de uma sociedade da longevidade, capaz de transformar anos extras em saúde, aprendizado, produtividade e bem-estar. (ecodebate)

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