segunda-feira, 29 de março de 2010

Desmate na Amazônia responde por 51 milhões de t de gás

Estudo do Imazon registra que em 5 meses, desmate da Amazônia responde por 51 milhões de toneladas de gás estufa emitidos.
Desmatamento na Amazônia
O Desmatamento da Floresta amazônica, registrado entre agosto de 2009 e janeiro de 2010, será responsável pela emissão de 51 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2), segundo dados do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). No período, o desflorestamento foi de 836 quilômetros quadrados, segundo o Sistema de Alerta de Desmatamento do Imazon. Essa taxa de carbono supera, e muito, as Emissões da indústria paulista no ano de 2006, por exemplo, que foi de 38 milhões de toneladas de CO2. As Emissões de gases de efeito estufa provocam o Aquecimento Global. O dado também é 41% maior do que no período anterior (agosto de 2008 a janeiro de 2009), quando foram afetados 36 milhões de CO2. “Dizemos que o carbono foi comprometido ou afetado porque não podemos afirmar que a emissão já ocorreu, se o gás já está ou não na atmosfera. A emissão vai acontecer em algum momento, mas pode ser numa próxima queimada, por exemplo”, explica Carlos Souza Júnior, cientista do Imazon. A emissão ocorre por meio da queimada da madeira ou da decomposição natural das árvores cortadas. O aumento do Desmatamento acompanhou em menor medida a elevação das Emissões e foi de 22% ao se comparar um período com o outro. Segundo o pesquisador, o fato não é estranho e, na verdade, em alguns casos o Desmatamento pode até mesmo diminuir enquanto as Emissões aumentam. Isso explica por que ao cortar Florestas mais densas – com maior volume de madeira – as Emissões de CO2 são mais altas. “Na área mais desmatada da Amazônia, na região do Arco do Desmatamento, há menor densidade de carbono. Regiões como a Terra do Meio e Novo Progresso, no Pará, têm estoques de carbono mais elevados”, diz. Foi a primeira vez que o Imazon incluiu a informação sobre Emissões de CO2 em seu relatório sobre Desmatamento, o Transparência Florestal. Para calcular as Emissões de carbono que o Desmatamento acarreta, foi necessário fazer um cruzamento de dados. Cada polígono onde houve desmate foi comparado a mapas de Biomassa da Amazônia. Entraram na conta do “simulador de Emissões de carbono” estimativas para algumas incertezas (um incêndio nem sempre queima toda a Biomassa existente, pois sua eficiência não é de 100%). “Isso nos deu mais segurança para a modelagem”, diz o pesquisador.

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