sábado, 27 de março de 2010

Mudanças climáticas espalharão fome pelo mundo

A fome crônica deverá ser a definição da tragédia humana desse século, com o advento das mudanças climáticas que causam alterações nas estações, dano aos plantios, além de tempestades e secas que devastam campos, informou a Oxfam, uma organização mundial de combate à fome. A Oxfam Internacional divulgou um relatório esta semana, quando os lideres do Grupo dos Oito (G8) países mais ricos do mundo se preparam para se encontrar na Itália, com uma agenda de discussão que inclui a segurança alimentar e as mudanças climáticas. O relatório informa que, enquanto o clima muda, milhões de pessoas que vivem em áreas prejudicadas pela escassez de água terão que desistir de cultivar plantações tradicionais, o que deve levar a grandes mudanças sociais, como as migrações em massa e conflitos pela água. Os países ricos que ficam em região de clima temperado, como o norte da Europa e em partes dos Estados Unidos, serão beneficiados por um clima mais quente e mais chuva. Porém, muito mais pessoas que vivem em países mais pobres e quentes irão enfrentar estoques de alimentos mais caros e restritos, informou a organização. O relatório “O que aconteceu com as estações?” foi feito para mostrar a urgência da questão para o encontro do G8 e para um grupo maior de 17 países, que formam o “Fórum das Grandes Economias” (MEF – sigla em inglês), que se encontram no final da semana para tentar travar negociações para um novo acordo sobre as mudanças climáticas, que deve ser completo em dezembro. Agricultores entrevistados A Oxfam informou que preparou um estudo para O Instituto de Estudos para o Desenvolvimento entrevistando agricultores em todo o mundo, que relatam que as mudanças nos padrões estacionais já estavam afetando sua habilidade de planejar o plantio e colheita de suas safras. Os resultados foram “extremamente consistentes em todas as regiões do mundo”. Os agricultores já começaram a mudar suas culturas nos trópicos, onde uma mudança de 1 grau Celsius na temperatura pode tornar plantios tradicionais insustentáveis. As chuvas imprevisíveis fazem com que suas escolhas por novas culturas se tornem um “jogo de azar”, informou o relatório. Entre os mais prejudicados estão as nações que cultivam arroz, o alimento mais consumido do mundo. Os rendimentos devem cair em média 10% para cada 1ºC de aumento na temperatura em países com as Filipinas, onde a produção deve cair de 50% a 70% até 2020. Ao mesmo tempo, a China irá produzir mais arroz, já que suas áreas mais quentes, ideais para o cultivo, irão aumentar. Milho O milho é outra cultura que será largamente afetada pelas mudanças climáticas, já que é particularmente vulnerável quanto ao volume de água. O milho é a principal fonte de alimento para 250 milhões de pessoas no leste da África e é usado como ração animal em todo o mundo. Negociadores em reuniões das Nações Unidas foram requisitados para criar um fundo de recursos para adaptação, que possa ajudar países pobres a lidar com os efeitos das mudanças climáticas. As estimativas da ONU sugerem que até US$ 200 bilhões por ano seja necessário até 2030 para desenvolver recursos e trazer água para regiões cada vez mais áridas, alterar a agricultura para culturas mais adaptáveis ao clima, criar barreiras para proteger as cidades litorâneas do aumento dos níveis do mar e ajudar os pescadores que devem ser profundamente prejudicados pela acidificação do oceano. O relatório da Oxfam informou também que medidas podem ser tomadas para aumentar os estoques de alimento no mundo. “O potencial agrícola do mundo é menos que 60% explorado: ainda há terra suficiente para alimentar todos, até com a população a níveis de 9,2 bilhões, previstas pelas Nações Unidas para 2050”, informa o relatório. Métodos modernos para irrigação e fertilização podem aumentar consideravelmente a produção.

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