sexta-feira, 5 de março de 2010

O mundo vive rebeliões por fome

Veja quais os países que foram afetados e as possíveis causas da falta de alimentos. Nos primeiros meses de 2008, rebeliões ou protestos por falta de comida atingiram 13 países. Dezoito adotaram medidas de restrição às importações, para preservar alimentos para sua população. Você sabe que, pelo mundo e em nosso país, há uma parcela de pessoas que passa fome. Mas o fato de haver explosões de descontentamento popular no mesmo momento em diversos pontos do globo indica que está ocorrendo uma onda de falta de alimentos, que agravou recentemente uma situação que já não era fácil.
A seguir, você lerá sobre alguns aspectos desse tema. Nosso objetivo é que você se acostume a ler informações em mapas, gráficos e tabelas. Nos primeiros parágrafos, mostramos onde a crise foi mais aguda: não por acaso, chama atenção para a África, onde estão os países com a maior pobreza do planeta.
Pode-se ver, também, que há uma relação estreita entre o problema e a alta no preço internacional dos alimentos – pois, quando as populações ou os próprios países estão no limite da pobreza, e dependem de ajuda financeira externa, uma elevação significativa de preços pode indicar que onde havia pouca comida agora faltará.
Há cerca de 40 anos, começava no mundo a Revolução Verde, com sementes melhoradas, novos fertilizantes e agrotóxicos, ou seja, a moderna agroindústria. Naquela época, o pernambucano Josué de Castro já alertava: “O problema da fome não é apenas a produção insuficiente de alimentos. É preciso que a massa dessa população disponha de poder de compra para adquirir esses alimentos”. Infelizmente, os protestos em 2008 mostram quanto ele tinha razão. SUBNUTRIÇÃO E AS REVOLTAS
Protestos contra a fome de janeiro a abril de 2008 e % da população subnutrida (2006).
Fome, medo e raiva.
Veja que, no geral, os protestos se espalham entre os países que já têm uma parcela significativa de população subnutrida. Eles estão concentrados na África, que possui o maior índice de pobreza do globo. Também aconteceram no sul da Ásia, com destaque para a Índia – cuja população supera 1 bilhão de pessoas, com grande pobreza. Nas Américas, atingiu o Peru, a Argentina e há o caso grave do Haiti, que depende muito de auxílio financeiro externo e onde há uma missão da ONU liderada pelo Brasil.
A FOME POR CONTINEMENTE
Milhões de pessoas sem comida suficiente, em 2004
Ásia e Pacífico: 527,5
América Latina e Caribe: 52,3
Norte da África e Oriente Médio: 37,9
Africa e Subaariana: 214,6
Resto do mundo: 31,6
A Ásia lidera.
Todas as noites, mais de 850 milhões de pessoas, 14% da população global, vão dormir com fome. Note que o maior número está na Ásia: o principal motivo é que a Índia e a China, que, juntas, têm cerca de 40% da população mundial, possuem grandes bolsões de pobreza (sobretudo a Índia). Na África ao sul do Saara, porém, a pobreza está mais concentrada, pois é ainda maior em relação ao total da população.
OS ALIMENTOS MAIS CAROS
Índice mensal de preços de grupos básicos de produtos alimentares da FAO (1998 - 2000 = 100) [img01]Mesma base Este é um gráfico diferente, pois os números de 50 a 350 da ordenada (linha vertical à esquerda) não indicam os preços em termos de valores (como dólares ou reais), mas, sim, as relações entre diferentes preços. Ao fixar o preço médio de cada grupo de alimentos, entre 1998 e 2000, como valor 100, o gráfico, então, indica se os preços subiram ou desceram e quanto. Podemos ver que, nestes dez anos, o preço do grupo de alimentos mais consumido pelos pobres, o dos cereais, quase triplicou, bem como o dos laticínios e o dos óleos. Podemos ver, também, que ocorreu uma alta muito forte a partir de 2007. Naturalmente, há uma relação estreita com a rebelião contra a fome em vários países no início de 2008. O PREÇO E A FOME Índice de preços de alimentos da FAO (1998 - 2000 = 100) [img02]Preço versus fome Compare o gráfico e a tabela. Veja como a parcela de população com fome veio diminuindo desde a década de 1970 na Ásia, América Latina e Oriente Médio à medida que o preço médio dos alimentos também caiu (a exceção foi a África Subsaariana, onde não houve mudanças significativas, em razão da persistente pobreza). A alta no preço dos alimentos nos últimos anos pode anular esses avanços. Nos primeiros meses de 2008, rebeliões ou protestos por falta de comida atingiram 13 países. Dezoito adotaram medidas de restrição às importações, para preservar alimentos para sua população. Você sabe que, pelo mundo e em nosso país, há uma parcela de pessoas que passa fome. Mas o fato de haver explosões de descontentamento popular no mesmo momento em diversos pontos do globo indica que está ocorrendo uma onda de falta de alimentos, que agravou recentemente uma situação que já não era fácil. A seguir, você lerá sobre alguns aspectos desse tema. Nosso objetivo é que você se acostume a ler informações em mapas, gráficos e tabelas. Nos primeiros parágrafos, mostramos onde a crise foi mais aguda: não por acaso, chama atenção para a África, onde estão os países com a maior pobreza do planeta. Pode-se ver, também, que há uma relação estreita entre o problema e a alta no preço internacional dos alimentos – pois, quando as populações ou os próprios países estão no limite da pobreza, e dependem de ajuda financeira externa, uma elevação significativa de preços pode indicar que onde havia pouca comida agora faltará. Há cerca de 40 anos, começava no mundo a Revolução Verde, com sementes melhoradas, novos fertilizantes e agrotóxicos, ou seja, a moderna agroindústria. Naquela época, o pernambucano Josué de Castro já alertava: “O problema da fome não é apenas a produção insuficiente de alimentos. É preciso que a massa dessa população disponha de poder de compra para adquirir esses alimentos”. Infelizmente, os protestos em 2008 mostram quanto ele tinha razão. SUBNUTRIÇÃO E AS REVOLTAS Protestos contra a fome de janeiro a abril de 2008 e % da população subnutrida (2006). Fome, medo e raiva Veja que, no geral, os protestos se espalham entre os países que já têm uma parcela significativa de população subnutrida. Eles estão concentrados na África, que possui o maior índice de pobreza do globo. Também aconteceram no sul da Ásia, com destaque para a Índia – cuja população supera 1 bilhão de pessoas, com grande pobreza. Nas Américas, atingiu o Peru, a Argentina e há o caso grave do Haiti, que depende muito de auxílio financeiro externo e onde há uma missão da ONU liderada pelo Brasil. A FOME POR CONTINEMENTE Milhões de pessoas sem comida suficiente, em 2004 Ásia e Pacífico: 527,5 América Latina e Caribe: 52,3 Norte da África e Oriente Médio: 37,9 África e Subaariana: 214,6 Resto do mundo: 31,6 Ásia lidera Todas as noites, mais de 850 milhões de pessoas, 14% da população global, vão dormir com fome. Note que o maior número está na Ásia: o principal motivo é que a Índia e a China, que, juntas, têm cerca de 40% da população mundial, possuem grandes bolsões de pobreza (sobretudo a Índia). Na África ao sul do Saara, porém, a pobreza está mais concentrada, pois é ainda maior em relação ao total da população. OS ALIMENTOS MAIS CAROS Índice mensal de preços de grupos básicos de produtos alimentares da FAO (1998/2000 = 100)
Mesma base
Este é um gráfico diferente, pois os números de 50 a 350 da ordenada (linha vertical à esquerda) não indicam os preços em termos de valores (como dólares ou reais), mas, sim, as relações entre diferentes preços. Ao fixar o preço médio de cada grupo de alimentos, entre 1998 e 2000, como valor 100, o gráfico, então, indica se os preços subiram ou desceram e quanto. Podemos ver que, nestes dez anos, o preço do grupo de alimentos mais consumido pelos pobres, o dos cereais, quase triplicou, bem como o dos laticínios e o dos óleos. Podemos ver, também, que ocorreu uma alta muito forte a partir de 2007. Naturalmente, há uma relação estreita com a rebelião contra a fome em vários países no início de 2008. O PREÇO E A FOME Índice de preços de alimentos da FAO (1998 - 2000 = 100)
Preço versus fome Compare o gráfico e a tabela. Veja como a parcela de população com fome veio diminuindo desde a década de 1970 na Ásia, América Latina e Oriente Médio à medida que o preço médio dos alimentos também caiu (a exceção foi a África Subsaariana, onde não houve mudanças significativas, em razão da persistente pobreza). A alta no preço dos alimentos nos últimos anos pode anular esses avanços.

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