quarta-feira, 21 de abril de 2010

O dedo do gigante na erupção vulcânica

Erupção do vulcão na Islândia: O dedo do gigante.
Está o mundo passando, no presente momento, por uma pequeníssima perturbação no esquema civilizacional vigente, com foco irradiante situado na Islândia. Mas, como o mundo é esférico e não tem partes, cada local é complementar e interdependente. Esse o motivo por que o fato vai produzir reflexos no todo, com maior ou menor intensidade. O que está ocorrendo nada mais é do que conseqüência das leis físicas, atinentes ao comportamento dos gases. O magma terrestre, em sua dinâmica física e química, produz gases que são suportados até certo limite pelo continente rochoso. Vulcões existem como válvulas de escape, numa ação que preserva a integridade do planeta. Isso é natural, lógico, inteligente e coerente. Tal qual um botijão de gás com sua válvula de segurança. Mas interfere, minimamente, na situação de normalidade do meio ambiente de interesse do biociclo. Repetimos: altera, insignificantemente, a Natureza em seus componentes ambientais. No entanto, perturbam bastante os procedimentos civilizacionais, principalmente – no caso particular – a locomoção aérea de grande parcela de nossa exagerada população, desarranjando direta ou indiretamente os compromissos planejados segundo os cânones do sistema econômico e implantando um caos setorial. Para se ter uma idéia do volume perturbado, considere-se que somente na Europa efetuam-se 20.000 vôos diários. Tudo isso porque a atual civilização criou a necessidade – prejudicial à Natureza – da locomoção, fator inteiramente dispensável numa vivência ambiental harmônica, onde apenas os membros locomotores são suficientes para a manutenção da vida. Por circunstâncias locais, o vulcão da Islândia está expelindo continuamente cinzas prejudiciais em quantidade enorme e que se movimentam para leste numa altura variável entre 7 e 11 mil metros. Lembramos que tais cinzas são eternas. Ao correr do tempo, elas se depositarão sobre a superfície continental e marítima, produzindo algum benefício ou malefício. Entendemos que esse fato natural, mas perturbador do esquema civilizacional, causando um caos localizado e setorial, nada mais é que uma pequeníssima amostra do que nos espera logo ali na esquina do tempo. E o caos futuro previsível, ora em processo cumulativo de forças desagregantes, provocado pela insânia em persistir nas ações do lucro, levará inapelavelmente a humanidade para o suicídio, juntamente com toda a biodiversidade. Precisamos de outros paradigmas e objetivos de vida, onde os valores do espírito se sobreponham aos interesses fugazes e prejudiciais dos bens materiais. Ademais, devemos nos agrupar nesse planeta pela qualidade e não pela quantidade. Quanto mais e mais somos, crescem mais e mais as desqualificações, pois estas passam a ser espelhos de sucesso para os poucos que ainda cultivam suas menosprezadas e castigadas virtudes. A realidade de hoje está mostrando claramente o que a humanidade pode esperar para breve. Ainda há tempo para o refluxo dessa situação que a cada dia se tornará mais doloroso. Mas haverá um momento em que o retorno será impossível. Maurício Gomide Martins, 82 anos, ambientalista, colaborador e articulista do EcoDebate, residente em Belo Horizonte(MG), depois de aposentado como auditor do Banco do Brasil, já escreveu três livros. Um de crônicas chamado “Crônicas Ezkizitaz”, onde perfila questões diversas sob uma óptica filosófica. O outro, intitulado “Nas Pegadas da Vida”, é um ensaio que constrói uma conjectura sobre a identidade da Vida. E o último, chamado “Agora ou Nunca Mais”, sob o gênero “romance de tese”, onde aborda a questão ambiental sob uma visão extremamente real e indica o único caminho a seguir para a salvação da humanidade.

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