sábado, 3 de abril de 2010

Povos Indígenas em Favor do Rio São Francisco e Contra a Transposição

Lançada a campanha ‘Povos Indígenas em Favor do Rio São Francisco e Contra a Transposição’. Bispo diz que transposição do São Francisco matará culturas locais – A Comissão Pastoral da Terra e lideranças indígenas lançaram em São Paulo a campanha Povos Indígenas em Favor do Rio São Francisco e Contra a Transposição. Presente ao lançamento, o bispo de Barra (BA), dom Luís Flavio Cappio, que fez greve de fome em 2007 contra a transposição, afirmou que o projeto teria impactos ambientais, econômicos e também culturais. “O rio é importante para cultura brasileira, faz parte da identidade nacional. A transposição do rio matará as culturas locais, inclusive a dos índios”, disse. Para Rubem Siqueira, da Articulação do São Francisco Vivo, os povos indígenas são os que mais têm a perder com a transposição do rio. Segundo ele, quatro tribos seriam diretamente afetadas. “Os defensores da transposição dizem que poderão dar novas terras aos índios, mas não é só o direito à terra que os índios estarão perdendo. Como eles vão recuperar as tradições milenares?”, questionou. O historiador e pesquisador João Damasceno, um dos organizadores do Terno dos Temerosos, manifestação cultural realizada há mais de 70 anos nas margens do Rio São Francisco, na cidade de Januárias (MG), argumentou que a transposição acabará com a festa e com outras manifestações culturais que as comunidades ribeirinhas preservam há anos. “A discussão da transposição não está levando em consideração o aspecto cultural, a importância que o rio tem nas culturas locais”, afirmou. Damasceno afirmou que o rio é tema de diversas canções, foi cenário de vários filmes e citado, inclusive, no romance de João Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas, entre outras obras. “Ele é o único rio genuínamente brasileiro, que atravessa cinco estados e é importantissímo para cultura brasileira. Com a transposição do rio, morre toda uma cultura popular”, ressaltou. Com a campanha, as lideranças indígenas pretendem mobilizar a sociedade para o julgamento, no Supremo Tribunal Federal (STF), de ações judiciais pendentes contra o projeto de transposição do Rio São Francisco, em especial a que trata de terras indígenas afetadas.

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