terça-feira, 29 de março de 2011

Radiação no mar de Fukushima atinge pico

Concentração de iodo radioativo é 1.250 vezes superior à registrada normalmente
Destruição
Carros arrastados pelo tsunami se aglomeram em um estacionamento de Sendai, uma das cidades mais afetadas
A situação na usina atômica Fukushima se agravou ontem, com a identificação de iodo radioativo no mar em concentração 1.250 vezes superior à registrada normalmente no local e pela incerteza sobre a origem do material tóxico.
A sucessão de emergências registrada nas duas últimas semanas indica que crise nuclear que assola o Japão poderá durar meses ou anos e deixará sequelas para os que vivem a dezenas de quilômetros da usina de Fukushima, diz Philip Walter, do Centro de Informação Nuclear dos Cidadãos, entidade com sede em Tóquio que se opõe ao uso de energia atômica.
Na sexta-feira, o primeiro-ministro Naoto Kan reconheceu que a situação na usina é "imprevisível", enquanto o porta-voz de seu governo, Yukio Edano, disse ser difícil estimar quando a crise estará controlada.
Os engenheiros desconhecem o real estado dos reatores que estão em risco e suspeitam que o de número 3 sofreu danos na sua estrutura, com possíveis rachaduras. Essa poderia ser a origem do material encontrado no mar e também na poça de água que contaminou dois funcionários do complexo na quinta-feira. O reator número 3 desperta mais preocupação por utilizar plutônio, combustível mais tóxico que o urânio empregado nas demais máquinas.
"Essas são as únicas certezas que temos no momento: será difícil colocar os reatores sob controle, haverá emissão de radioatividade por um bom tempo e a limpeza posterior será extremamente difícil", disse Walter por telefone ao Estado.
A Tokyo Electric Power (Tepco) enfrenta o dilema de como armazenar de maneira segura a água contaminada que foi encontrada em três dos seis reatores. A lâmina de 15 centímetros de profundidade na qual os dois operários foram contaminados na quinta-feira tinha concentração de material radioativo 10 mil vezes superior ao normal. Outras poças semelhantes foram encontradas nos reatores 1, 2 e 4.
A amostra de água do mar com iodo radioativo foi coletada 330 metros ao sul da planta, onde testes realizados ao longo da semana haviam indicado concentração 100 vezes superior ao limite legal - o resultado de ontem foi 1.250 vezes.
Segundo a agência de segurança nuclear, não há risco de contaminação de vida marinha, já que a radiação se dilui na grande quantidade de água no oceano. Mas sua presença é uma indicação de problemas nos reatores.
Material radioativo foi detectado na água encanada de Tóquio e outras cinco cidades, no solo de regiões próximas a Fukushima, em vegetais e no leite. As autoridades afirmam que os níveis identificados não apresentam riscos à saúde. A única exceção é a água, que em certas localidades continua imprópria para consumo por bebês com menos de 1 ano.
O terremoto seguido de tsunami que afetou a costa nordeste do Japão no dia 11 de março deixou pelo menos 28 mil pessoas mortas ou desaparecidas.
CRONOLOGIA
Pesadelo nuclear
11 de março
Terremoto e tsunami arrasam nordeste do país
Tremor de 9 graus na escala Richter cria onda de 10 metros de altura.
Abalo afeta reator da usina atômica de Fukushima.
12 de março
Risco nuclear
Explosão em usina causa temor de contaminação nuclear. Nível de radiação estava oito vezes maior que o usual.
13 de março
Reatores em colapso
Engenheiros correm contra o tempo para encontrar uma maneira de interromper aquecimento dos reatores.
14 de março
Ajuda da ONU
Japão pede ajuda aos EUA e à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) para conter o vazamento de material nuclear para a atmosfera. Segundo reator explode, ferindo seis.
15 de março
Desabastecimento
Faltam alimentos e combustível em cidades afetadas. Em Tóquio, o nível de radiação atinge cerca de 20 vezes o normal.
16 de março
Risco extremo
Com novas explosões, autoridades afirmam que os níveis de radiação na região de Fukushima são "extremamente altos".
17 de março
Corrida contra o tempo
Helicópteros militares e caminhões-pipa tentam evitar derretimento do núcleo dos reatores de usina atômica de Fukushima. (OESP)

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