quinta-feira, 7 de abril de 2011

Tóquio critica operadora de usina por erro

Tepco, empresa responsável pela planta de Fukushima, divulga, pela segunda vez, dados equivocados sobre radioatividade
O governo japonês criticou ontem a Tokyo Electric Power Co. (Tepco), empresa que opera a usina nuclear de Fukushima, por ter divulgado, pela segunda vez, dados errados sobre a radioatividade na região. Hidehiko Nishiyama, porta-voz da Agência de Segurança Nuclear do Japão, qualificou de "extremamente lamentável" o incidente.
"A Tepco enfrenta uma grave situação e não está cumprindo com as expectativas dos que estão muito preocupados com a companhia", afirmou Nishiyama. "Seus dados deveriam ser confiáveis." O porta-voz ainda criticou as condições nas quais os operários trabalham para controlar os reatores de Fukushima, afirmando que eles não têm alguns equipamentos de segurança necessários.
Em 01/04, primeiro-ministro do Japão, Naoto Kan, disse estar preparado para uma batalha de longo prazo para controlar a situação na usina, onde técnicos enfrentam problemas crescentes na tentativa de restabelecer o sistema de resfriamento dos reatores nucleares.
Com o agravamento da situação, os 78 mil moradores que foram retirados do raio de 20 quilômetros ao redor da planta deverão se preparar para ficarem meses em abrigos temporários. "O período de retirada será mais longo do que gostaríamos", afirmou o porta-voz do governo, Yukio Edano, ressaltando que não será uma questão de "dias ou semanas".
A dificuldade de resfriar os reatores está levando a vazamentos de material radioativo em quantidade crescente e já houve contaminação de vegetais, leite, água e solo nas imediações da usina. Ontem, a Tepco disse ter detectado traços de radiação em reservatórios subterrâneos de água localizados sob cinco dos seis reatores de Fukushima.
"Estamos preparados para uma batalha de longo prazo, mas, com certeza, vamos vencê-la", declarou Kan, em pronunciamento transmitido pela rede de TV NHK, três semanas após o terremoto seguido de tsunami que devastou a costa nordeste do Japão e deixou 28 mil pessoas mortas ou desaparecidas.
O premiê afirmou que não pretende nacionalizar a Tepco, mas que está disposto a socorrer a companhia no pagamento das indenizações decorrentes do desastre. Segundo ele, a Tepco deve continuar a operar como uma empresa privada, mas a responsabilidade final pelas compensações é do governo.
Das 28 mil vítimas, 16 mil continuam desaparecidas. A agência de notícias Kyodo News disse anteontem que mil corpos no raio de 20 quilômetros ao redor da usina não puderam ser resgatados em razão do alto nível de radiação. Ontem, 18 mil soldados japoneses e 7 mil americanos deram início a um período de três dias de intensa busca por desaparecidos.
Os planos para reconstrução do país começarão a ser traçados no dia 11, em reunião entre representantes do governo e da oposição com especialistas. O objetivo, segundo o premiê, é "discutir todas as possibilidades e encontrar a melhor solução". Kan disse ainda que um ministério ou agência especial será criado para comandar os trabalhos de reconstrução, que poderão durar até cinco anos. (OESP)

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