quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

ONGs comemoram números com ressalvas

O porcentual de desmatamento calculado pelo Projeto de Monitoramento do Desflorestamento na Amazônia Legal (Prodes), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), é menor que o esperado, mas está dentro de um intervalo que o torna plausível, afirma Adalberto Veríssimo, do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).
"Nos últimos anos, o Inpe tem anunciado uma prévia do porcentual de desmatamento do Prodes no fim de novembro, que costuma ser revista depois", recorda Veríssimo. "E normalmente o porcentual é revisto para cima, mas ainda dentro da margem de erro, que é de cerca de 10%." O pesquisador pondera que, se os números subirem, mas permanecerem dentro do intervalo de erro aceitável, os dados do INPE vão convergir com os obtidos pelo próprio Imazon, que aponta para uma estabilização do desmate na Amazônia no último ano - com uma leve tendência de aumento.
"Vou torcer para que os números do INPE estejam certos. Seria uma boa notícia", afirma Veríssimo. "Contudo, uma estabilização do desmatamento já não seria ruim." Ele lembra a tendência de alta no desmate no primeiro semestre. "Em abril, o governo federal reforçou as ações para controlar o desmatamento. Pelo jeito, surtiu efeito."
Paulo Adário, do Greenpeace, concorda. "Essa estimativa mostra que, quando o governo quer, o desmatamento cai. Quando ele não quer, não cai", afirma Adário. "Ou seja, é questão de vontade política." Veríssimo considera que as medidas implementadas nos últimos anos - como limitar o crédito bancário para desmatadores e criar uma "lista negra" de cidades omissas - mostraram-se eficazes.
Raul Telles do Vale, do Instituto Socioambiental (ISA), encara com desconfiança o anúncio. "Não quero comentar os números ainda", afirma Vale. "Prefiro esperar para ver os dados detalhados." Contudo, ele considera estranho que os porcentuais contradigam a percepção dos pesquisadores no campo - que apontaria um aumento no desmate - e os dados obtidos em meses anteriores pelo sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter), também do Inpe, que mostrou aumento significativo do desmatamento. (OESP)

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