sábado, 3 de dezembro de 2011

Sementes do futuro

Soluções tecnológicas sustentáveis: Sementes do futuro
O futuro verde não é mais artigo restrito às gôndolas dos supermercados ou das quitandas de produtos orgânicos. Soluções tecnológicas sustentáveis são oferecidas em praticamente tudo.
Da roda de plástico para motocicletas, que diminui o consumo de combustível, às placas fotovoltaicas que poderão fornecer um terço das necessidades energéticas dos estádios brasileiros da Copa de 2014 a partir da luz solar, soluções sustentáveis são oferecidas em tudo. Há tecnologia verde nos assoalhos de madeira fabricada com PVC e também no processo com que a Haztec transforma o metano produzido por 70 milhões de toneladas de lixo da cidade do Rio de Janeiro no gás verde que movimenta máquinas e motores da Refinaria Duque de Caxias (Reduc), na Baixada Fluminense.
“Os maiores avanços tecnológicos verdes do Brasil estão relacionados às fontes renováveis de energia e ao aproveitamento da biomassa, mas o país ainda não explorou toda a sua capacidade para transformar esses recursos em commodities”, diz o economista e ambientalista Sérgio Besserman Vianna. “Temos um longo desafio tecnológico a percorrer também na infraestrutura, dos transportes à banda larga.”
Um desafio importante começa a ser vencido no setor de energia eólica. A indústria de turbinas, torres e pás ganhou um novo impulso em agosto no leilão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que negociou a aquisição de 2,7 mil megawatts a partir de 2014 – parte em contratos de energia eólica comprada por menos de R$ 100,00 o MWh.
Mais de R$ 25 bilhões já foram investidos pelas empresas geradoras desde que o país decidiu ampliar sua matriz energética, há seis anos. Uma fatia desses investimentos contemplou o aumento do parque industrial de equipamentos – que tinha três e agora reúne treze fabricantes – e inovações, como o desenvolvimento de turbinas capazes de gerar energia em regiões com poucos ventos.
A corrida pela tecnologia verde atende desde as necessidades de sustentabilidade ambiental – com o investimento em matrizes energéticas mais limpas e a produção do plástico verde que captura CO2 da atmosfera – até as estratégias de venda – com o desenvolvimento de embalagens mais resistentes e menos poluentes. Contempla ainda a busca pelo conforto máximo, como o aparelho de climatização que adapta a umidade e a temperatura do ar ao gosto de cada consumidor, e a mobilidade urbana, com os projetos do ônibus a hidrogênio e do trem de levitação magnética.
As duas tecnologias foram desenvolvidas pela Coordenação dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ). O projeto do ônibus teve R$ 2,1 milhões financiados pela Petrobrás e pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), e cerca de R$ 5 milhões da WEG, Buscar, Electrocell, Guardian e Energiah, enquanto que o do trem já teve aporte de R$ 4,7 milhões da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e aguarda R$ 5 milhões do BNDES.
Os dois devem começar a circular no Rio em 2014. O ônibus, que funciona com energia elétrica e bateria movida a hidrogênio, libera vapor de água. Tem autonomia para 300 quilômetros e capacidade para 69 passageiros. O Maglev Cobra, em que a leveza dos pilares e o sistema de monotrilhos compensam a velocidade limite de 70 km/h em cidades com problemas de engarrafamento, não polui nada.
A preocupação ambiental é encontrada ainda na tecnologia já mais disseminada de instalações sanitárias com controle duplo do fluxo de água – três ou seis litros – nas válvulas de descarga para evitar o desperdício. Técnicas de construção civil que utilizam menos cimento e produzem canteiros de obras mais limpos aos poucos também conquistam espaço no mercado.
“A incorporação de técnicas sustentáveis é uma realidade para as construtoras e para os consumidores, mas falta uma política de estímulo”, diz Maria Clara Coracini, diretora executiva do Green Building Council Brasil. “Já há algumas iniciativas para que se adote tecnologia verde em projetos de construção de prédios públicos, o que pode impulsionar uma mudança desse quadro.”
A estimativa é que uma obra verde custe 7% mais caro que uma convencional, mas a economia na manutenção compensaria, com redução de até 30% no consumo de energia. Seria uma economia em torno de 138 mil gigawatts dos 456 mil gigawatts consumidos por ano no Brasil pelos prédios residenciais, comerciais e públicos, de acordo com dados do Ministério de Minas e Energia.
O avanço das tecnologias verdes se justifica como tentativa de resposta a cenários catastróficos. Dados da “Avaliação Ecossistêmica do Milênio”, programa de pesquisas sobre mudanças ambientais da Organização das Nações Unidas, apontam que 60% dos 24 serviços ambientais críticos à sobrevivência humana estão em estágio de degradação.
Um futuro mais verde requer, segundo especialistas, o equacionamento de restrições legais, concessão de subsídios e políticas de crédito direcionadas para incentivar o desenvolvimento de novas tecnologias e garantir escala aos projetos de inovação. Um estudo da consultoria Inter.B indica que a soma dos gastos públicos e empresariais em pesquisa e desenvolvimento em 2010 foi de R$ 47,8 bilhões, enquanto o P&D Verde chegou a R$ 1,259 bilhão – apenas 2,64% do total.
“É pouco para um país que vai sediar a Rio+20″, diz o economista Cláudio Frischtak, presidente da Inter.B, ao referir-se à cúpula da Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável marcada para agosto de 2012.
O dilema brasileiro é evitar um tiro no pé. “Temos a maior biodiversidade do mundo e uma exploração ridícula desse potencial porque nossa legislação é rígida e burra”, alerta Frischtak. Outro tiro no pé é a devastação da floresta amazônica. “A biodiversidade é o caminho para nos tornarmos uma potência ambiental no mundo, mas temos de encontrar primeiro um modelo de desenvolvimento sustentável da Amazônia”, endossa Besserman.
Empresas que identificaram a necessidade de mudanças apostam mais recursos para criar tecnologias. A perspectiva anima os campi universitários. Enquanto cientistas do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) da Universidade de São Paulo (USP) somam esforços para dobrar a produção de biocombustíveis com o aproveitamento do bagaço e da palha da cana, seus colegas da Coppe/UFRJ disputam um lugar na corrida quase que silenciosa de países e empresas pelo controle do conhecimento que vai aproveitar a energia das ondas e correntes dos oceanos para a geração de eletricidade.
A primeira usina de maremotriz foi construída na França, há meio século, mas a tecnologia ficou praticamente esquecida até a inauguração, no fim de agosto, de uma usina no Lago Siwa, na Coreia do Sul, para a produção de 250 mil quilowatts capaz de fornecer eletricidade para 500 mil pessoas. No Brasil, o protótipo piloto de uma usina de ondas da Universidade Federal do Rio de Janeiro está pronto para entrar em testes no Porto de Pecém, no Ceará.
O futuro verde não é mais artigo restrito às gôndolas dos supermercados ou das quitandas de produtos orgânicos. Soluções tecnológicas sustentáveis são oferecidas em praticamente tudo: da roda de plástico para motocicletas, que diminui o consumo de combustível, às placas fotovoltaicas que poderão fornecer um terço das necessidades energéticas dos estádios brasileiros da Copa de 2014 a partir da luz solar. Há tecnologia verde nos assoalhos de madeira fabricada com PVC e também no processo com que a Haztec transforma o metano produzido por 70 milhões de toneladas de lixo da cidade do Rio de Janeiro no gás verde que movimenta máquinas e motores da Refinaria Duque de Caxias (Reduc), na Baixada Fluminense.
“Os maiores avanços tecnológicos verdes do Brasil estão relacionados às fontes renováveis de energia e ao aproveitamento da biomassa, mas o país ainda não explorou toda a sua capacidade para transformar esses recursos em commodities”, diz o economista e ambientalista Sérgio Besserman Vianna. “Temos um longo desafio tecnológico a percorrer também na infraestrutura, dos transportes à banda larga.”
Um desafio importante começa a ser vencido no setor de energia eólica. A indústria de turbinas, torres e pás ganhou um novo impulso em agosto no leilão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que negociou a aquisição de 2,7 mil megawatts a partir de 2014 – parte em contratos de energia eólica comprada por menos de R$ 100,00 o MWh.
Mais de R$ 25 bilhões já foram investidos pelas empresas geradoras desde que o País decidiu ampliar sua matriz energética, há seis anos. Uma fatia desses investimentos contemplou o aumento do parque industrial de equipamentos – que tinha três e agora reúne treze fabricantes – e inovações, como o desenvolvimento de turbinas capazes de gerar energia em regiões com poucos ventos.
A corrida pela tecnologia verde atende desde as necessidades de sustentabilidade ambiental – com o investimento em matrizes energéticas mais limpas e a produção do plástico verde que captura CO2 da atmosfera – até as estratégias de venda – com o desenvolvimento de embalagens mais resistentes e menos poluentes. Contempla ainda a busca pelo conforto máximo, como o aparelho de climatização que adapta a umidade e a temperatura do ar ao gosto de cada consumidor, e a mobilidade urbana, com os projetos do ônibus a hidrogênio e do trem de levitação magnética.
As duas tecnologias foram desenvolvidas pela Coordenação dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ). O projeto do ônibus teve R$ 2,1 milhões financiados pela Petrobrás e pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), e cerca de R$ 5 milhões da WEG, Buscar, Electrocell, Guardian e Energiah, enquanto que o do trem já teve aporte de R$ 4,7 milhões da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e aguarda R$ 5 milhões do BNDES.
Os dois devem começar a circular no Rio em 2014. O ônibus, que funciona com energia elétrica e bateria movida a hidrogênio, libera vapor de água. Tem autonomia para 300 quilômetros e capacidade para 69 passageiros. O Maglev Cobra, em que a leveza dos pilares e o sistema de monotrilhos compensam a velocidade limite de 70 km/h em cidades com problemas de engarrafamento, não polui nada.
A preocupação ambiental é encontrada ainda na tecnologia já mais disseminada de instalações sanitárias com controle duplo do fluxo de água – três ou seis litros – nas válvulas de descarga para evitar o desperdício. Técnicas de construção civil que utilizam menos cimento e produzem canteiros de obras mais limpos aos poucos também conquistam espaço no mercado.
“A incorporação de técnicas sustentáveis é uma realidade para as construtoras e para os consumidores, mas falta uma política de estímulo”, diz Maria Clara Coracini, diretora executiva do Green Building Council Brasil. “Já há algumas iniciativas para que se adote tecnologia verde em projetos de construção de prédios públicos, o que pode impulsionar uma mudança desse quadro.”
A estimativa é que uma obra verde custe 7% mais caro que uma convencional, mas a economia na manutenção compensaria, com redução de até 30% no consumo de energia. Seria uma economia em torno de 138 mil gigawatts dos 456 mil gigawatts consumidos por ano no Brasil pelos prédios residenciais, comerciais e públicos, de acordo com dados do Ministério de Minas e Energia.
O avanço das tecnologias verdes se justifica como tentativa de resposta a cenários catastróficos. Dados da “Avaliação Ecossistêmica do Milênio”, programa de pesquisas sobre mudanças ambientais da Organização das Nações Unidas, apontam que 60% dos 24 serviços ambientais críticos à sobrevivência humana estão em estágio de degradação.
Um futuro mais verde requer, segundo especialistas, o equacionamento de restrições legais, concessão de subsídios e políticas de crédito direcionadas para incentivar o desenvolvimento de novas tecnologias e garantir escala aos projetos de inovação. Um estudo da consultoria Inter.B indica que a soma dos gastos públicos e empresariais em pesquisa e desenvolvimento em 2010 foi de R$ 47,8 bilhões, enquanto o P&D Verde chegou a R$ 1,259 bilhão – apenas 2,64% do total.
“É pouco para um país que vai sediar a Rio+20″, diz o economista Cláudio Frischtak, presidente da Inter.B, ao referir-se à cúpula da Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável marcada para agosto de 2012.
O dilema brasileiro é evitar um tiro no pé. “Temos a maior biodiversidade do mundo e uma exploração ridícula desse potencial porque nossa legislação é rígida e burra”, alerta Frischtak. Outro tiro no pé é a devastação da floresta amazônica. “A biodiversidade é o caminho para nos tornarmos uma potência ambiental no mundo, mas temos de encontrar primeiro um modelo de desenvolvimento sustentável da Amazônia”, endossa Besserman.
Empresas que identificaram a necessidade de mudanças apostam mais recursos para criar tecnologias. A perspectiva anima os campi universitários. Enquanto cientistas do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) da Universidade de São Paulo (USP) somam esforços para dobrar a produção de biocombustíveis com o aproveitamento do bagaço e da palha da cana, seus colegas da Coppe/UFRJ disputam um lugar na corrida quase que silenciosa de países e empresas pelo controle do conhecimento que vai aproveitar a energia das ondas e correntes dos oceanos para a geração de eletricidade.
A primeira usina de maremotriz foi construída na França, há meio século, mas a tecnologia ficou praticamente esquecida até a inauguração, no fim de agosto, de uma usina no Lago Siwa, na Coreia do Sul, para a produção de 250 mil quilowatts capaz de fornecer eletricidade para 500 mil pessoas. No Brasil, o protótipo piloto de uma usina de ondas da Universidade Federal do Rio de Janeiro está pronto para entrar em testes no Porto de Pecém, no Ceará.
“Quem dominar essa tecnologia vai ter a possibilidade de conquistar um mercado consumidor extremamente alto, mas só chegaremos a ela se houver um grande envolvimento do governo, para subsidiar projetos que demandam grandes recursos, e da população, para criar um círculo virtuoso de consumo da tecnologia verde”, diz o professor Segen Estefen, diretor de tecnologia e inovação da Coppe/UFRJ. (EcoDebate)

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