quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Brasil precisa se preparar para mudança climática

O Brasil teve um grande avanço na redução de emissões de gases de efeito estufa e, por outro lado, precisa se preparar para mudanças já inevitáveis no clima e suas consequências. A avaliação é do secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Carlos Nobre, que participou da divulgação do sumário executivo do Primeiro Relatório de Avaliação do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas
“O país avançou muito na redução nas emissões nos últimos sete anos, como mostram as estimativas. Houve também uma queda no desmatamento na Amazônia e no Cerrado”, observa. “Precisamos avançar mais é no conhecimento para políticas públicas de adaptação em cada setor – agricultura, zona costeira, agricultura, recursos hídricos, cidades, saúde”, diz Nobre, que é o atual presidente do painel, também conhecido pela sigla PBMC.
“O conhecimento científico é fundamental, é o primeiro passo”, comenta. “E a aplicação dos conhecimentos exige uma nova mentalidade, voltada à inovação, a novas maneiras de implementar políticas. Isso dirigido não só à economia, mas à sociedade, e com proteção ao meio ambiente, aos biomas, à nossa biodiversidade.” Para Nobre, há muito espaço para inovação no sentido de tornar o país mais resiliente, ou seja, capaz de se adaptar e retomar o equilíbrio diante dos impactos.
Na avaliação do representante do MCTI, o relatório traz muitas informações relevantes para guiar ações e programas. “Principalmente no momento em que o governo federal está revisando o Plano Nacional sobre Mudança do Clima”, lembra. O sumário do documento foi divulgado na 1ª Conferência Nacional de Mudanças Climáticas Globais, em São Paulo.
O PMBC envolve cientistas de numerosas instituições sob uma metodologia similar à do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês). Seu papel é reunir, sintetizar e avaliar informações científicas sobre as mudanças climáticas e seus impactos no Brasil. A iniciativa é do MCTI e do Ministério do Meio Ambiente (MMA).
Previsões
Carlos Nobre destaca como “bastante preocupantes” as tendências previstas até o fim do século para o território nacional, como o aumento de temperatura em todas as regiões – geralmente entre 3 e 5 graus Celsius –; a diminuição da disponibilidade de água e a ocorrência de secas mais severas no Semiárido; uma maior sazonalizade no Brasil central, com estações mais delimitadas e agravamento das queimadas; e aumento do nível do mar, entre 0,5 e 1 metro, ao longo da costa.
Ao lado de lacunas no conhecimento, o sumário aponta constatações. “As mudanças no padrão de temperatura são visíveis. O padrão brasileiro subiu entre 0,5 e 1 graus Celsius nos últimos 50 anos, o que é compatível com o verificado globalmente”, aponta o secretário. “Nas cidades, isso se dá com muito mais intensidade, o que é um efeito adicional da urbanização. Em São Paulo, o aumento foi de cerca de 3 graus nos últimos 60 anos além do aquecimento global.” No que diz respeito às chuvas, ele pondera que as alterações ainda não estão totalmente claras, mas se sabe que as intensas estão ficando mais intensas.
Na manhã de hoje, foram apresentados também os primeiros resultados do Modelo Brasileiro do Sistema Terrestre, coordenado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe/MCTI). Foram concluídas simulações de cenário para os próximos 50 anos e, segundo Nobre, muito em breve estarão concluídas as projeções para as cinco décadas seguintes. O próximo relatório do PBMC deve usar os resultados do modelo.
“É importante que o país tenha autonomia para elaborar esses cenários”, diz. “Com esse passo, temos uma ferramenta que permite antecipar prováveis impactos sobre nossas áreas de interesse mais direto – a América do Sul, o Atlântico, o Pacífico.” (EcoDebate)

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