sábado, 19 de outubro de 2013

Comida não comida

Acaba de sair um relatório das Nações Unidas sobre o desperdício mundial de alimento.
Os números chocam até mesmo os que cresceram ouvindo que não pode deixar comida no prato porque as criancinhas da África não têm o que comer.
Anualmente, um bilhão de toneladas de alimento é jogado no lixo. Isto não é uma ofensa somente para os 900 milhões de pessoas que todo dia dormem com fome.
A produção de alimento consome recursos naturais, especialmente da maneira como é feita hoje. É água consumida para manter as plantas, são fertilizantes e agrotóxicos que degradam a qualidade de rios e lagos, combustíveis fósseis para tocar máquinas, manter estoques em silos, energia elétrica para refrigeração, tudo isto para no fim criar lixo, que muitas vezes nem é reaproveitado e irá ocupar espaço em lixões e aterros.
Apesar do discurso agrícola que a planta não consome água, que só a transferiria para a atmosfera, o fato é que água líquida serve para muito mais finalidades que o vapor de água. A água perdida para produzir estes alimentos desperdiçados equivale a cada ano, a um Rio Volga, que não é nenhum ribeirão.
Os mais de 3 bi de toneladas de carbono emitidas a cada ano para produzir este alimento desperdiçado só ficam atrás da emissão de EUA e China.
Entre os muitos culpados deste problema, está justamente o barateamento do alimento relativo à renda das famílias, fundamental para reduzir a fome no mundo, mas que também estimula o desperdício. A urbanização também estimula o desperdício de alimento não só pelo afastamento dos pontos de produção e aumento de complexidade na estrutura de transporte, mas também porque na cidade mais pessoas vivem a plenitude do que o economista David Ricardo chamou de “vantagem comparativa” no século 18; as pessoas trabalham no que lhes dá mais lucro e terceirizam outras atividades, como a produção e preparo de alimento.
Se você regar um pé de tomate, quererá comer cada um deles. David Ricardo não percebeu, no mundo ainda infinito em que vivia, que um mundo de especialistas é também um mundo de desperdício. (EcoDebate)

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