quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

O caminho das águas passa pelo Norte

Bacia Amazônica é a maior bacia hidrográfica do planeta, com um quinto do fluxo pluvial do mundo: embarcações são o principal meio de transporte.
A Amazônica é a maior bacia hidrográfica do planeta, com um quinto do fluxo pluvial do mundo em seus 7.000.000 km2. A região é vista como a última fronteira para a geração de energia hidroelétrica do Brasil e, nos próximos dez anos, a geração de energia na região deverá crescer 277%, segundo os planos do governo.
As estradas que ligam as capitais da região ao restante do País são precárias, e as hidrovias sempre foram apontadas como uma opção mais barata até mesmo do que as ferrovias. Mas para o desenvolvimento do transporte hidroviário, as hidrelétricas precisam ser construídas com eclusas para a transposição dos desníveis, o que em geral não acontece.
A Hidrelétrica de Tucuruí, no Pará, por exemplo, foi inaugurada sem eclusas em 1984. Só em 2010 a eclusa foi inaugurada, com investimento de R$ 1,6 bilhão. Mas o sistema não melhorou em nada a navegação, pois ainda não foi resolvida a remoção de outro obstáculo mais adiante, o Pedral do Lourenço, um trecho de cerca de 40 quilômetros onde a passagem de embarcações ainda não é possível.
Embarcações no Rio Solimões, no Amazonas: transporte hidroviário domina a região.
Mobilidade
Transporte hidroviário é a principal opção de locomoção para os moradores da região. Mas faltam cartas hidrográficas para o desenvolvimento do transporte de cargas.

Transporte de bananas no Porto de Manaus
Transporte de mercadorias no Porto de Manaus
Porto no Rio Negro, em Manaus: barcos transportam passageiros e boa parte das riquezas da região Norte
Porto no Rio Negro, em Manaus: barcos transportam passageiros e boa parte das riquezas da região Norte
Porto no Rio Negro, em Manaus: barcos transportam passageiros e boa parte das riquezas da região Norte
Porto no Rio Negro, em Manaus: barcos transportam passageiros e boa parte das riquezas da região Norte
Posto de abastecimento para bancos no município de Coari
Desenvolvimento
Royalties do gás natural proveniente da Reserva de Urucu, explorada pela Petrobrás, devem ser usados em prol do município de Coari, no Amazonas.

Porto no Rio Negro, em Manaus: barcos transportam passageiros e boa parte das riquezas da região Norte
Porto no Rio Negro, em Manaus: barcos transportam passageiros e boa parte das riquezas da região Norte
Rio Jauaperi, no Amazonas: barcos transportam passageiros e boa parte das riquezas da região Norte
Passageiros em barco no Rio Negro entre Manaus e Teffé

Passageiros em barco no Rio Negro entre Manaus e Teffé
Transporte de mercadorias no Porto de Manaus

Passageiros em barco no Rio Negro entre Manaus e Teffé
Hidrovias
Para aproveitar melhor seus rios como opção de transporte, a Amazônia ainda precisa de cartas cartográficas que indiquem dados sobre a navegabilidade na região. Para discutir o assunto, a Administração das Hidrovias da Amazônia Ocidental (Ahimoc), órgão vinculado ao Ministério dos Transportes, promoveu em Manaus em dezembro o seminário "O futuro amazônico: Hidrovias 2014 a 2031". O evento contou com a participação da Marinha do Brasil, entidades e empresários ligados ao setor.
Na avaliação do vice-almirante do Comando do 9.º Distrito Naval, Domingos Savio Almeida, as cartas hidrográficas são indispensáveis para o desenvolvimento das hidrovias. "Temos dados catalogados, mas os rios da Amazônia estão em constantes alterações e necessitamos de novas informações. Cabe a nós dizer aos práticos qual é o melhor canal de navegação."
Segundo o almirante Savio, esse é o maior desafio da Marinha do Brasil no que se refere a hidrovias. A instituição tem três navios hidro oceanográficos para desenvolver esse trabalho. "Já começamos a tabular os dados no percurso que compreende o Rio Solimões ao município de Autazes, numa distância de 320 quilômetros."
A meta é que os demais navios também atuem na região amazônica. No Amazonas, a sondagem é feita atualmente no trecho entre Manaus e Coari, área onde a Petrobrás produz gás natural. "Estamos sendo acionados por empresários que atuam no segmento de gás e, independentemente disso, trataremos de fazer novas cartas cartográficas, pois é nossa responsabilidade", reafirma o almirante.
Energia
Vista aérea do local onde será construída a barragem da Hidrelétrica Teles Pires que fica no Rio Teles Pires na divisa dos Estados do Mato Grosso e Pará, próximo da Cidade de Paranaita.
Rio Teles Pires é desviado para construção de barragem de 80 metros de altura.
Investimento
Segundo o coordenador-geral de planejamento do Ministério dos Transportes, Luiz Carlos Rodrigues Ribeiro, o Plano Hidrográfico Estratégico (PHE) prevê investimento de R$ 302 milhões na Amazônia, principalmente nos Rios Amazonas e Madeira. As obras devem começar em 2014.
Segundo Ribeiro, cabe ao Ministério dos Transportes promover a sinalização, drenagem e outras obras de infraestrutura. Durante o seminário, o engenheiro da Ahimoc, Jorge de Almeida Barroso, anunciou que a instituição vai garantir aos empresários do setor um calado de 3,20 metros de navegabilidade no rio Amazonas (OESP)

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