O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), afirmou em 25/02/14
que um eventual racionamento de água na capital “é uma decisão técnica que está
sendo monitorada dia a dia pela Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do
Estado)”. Em outras oportunidades recentes, Alckmin garantia, sempre quando
indagado que não se trabalhava com corte de fornecimento. “Nós vamos decidir
mais para frente”, disse.
O governador voltou a afirmar, porém, que a situação é localizada no
Sistema Cantareira. “Estamos frente a uma situação extremamente excepcional. E
ela não é uniforme. Tem lugar que chove demais e tem lugar que chove de menos”,
afirmou. O Cantareira voltou a registrar recorde negativo nesta terça: 16 9% da
capacidade, menor índice desde a inauguração, em 1974. A pluviometria do dia,
que mede quanto choveu sobre a região, foi de 6,2 milímetros. No mês, o
acumulado é de 60,7 milímetros, ante a média histórica de fevereiro, de 202,6 milímetros
de precipitação.
Alckmin reafirmou ainda que o governo já está trabalhando para utilizar
os 400 milhões de metros cúbicos do chamado “volume morto” (parcela do
reservatório não disponível para o uso operacional normal). Segundo o
governador, também “já está pronto o projeto das ensacadeiras, dos canais e das
bombas” para facilitar a captação. “Não que a gente pretenda utilizar agora,
mas vamos deixar tudo preparado para o inverno, caso haja necessidade”, disse.
O governador destacou o sucesso no programa de concessão de bônus por redução
de consumo. “Teve um bom resultado, tivemos uma economia de 2,1 metros cúbico
por segundo”, afirmou.
Previsão
O cenário de redução do sistema só deve começar a ser revertido com
força neste fim de semana. Previsão da Somar Meteorologia, divulgada nesta
terça, mostra que uma frente fria deve estacionar na Região Sudeste do País a
partir de 28/02/14.
A previsão é de que deve chover intensamente a partir de 01/03/14, nos
Estados de São Paulo, Minas e Rio. As precipitações atingirão também o sul de
Minas e a região de Bragança Paulista, área de influência para a recarga dos
rios e represas que compõem o Cantareira.
Em Camanducaia (MG), área de nascente de um dos rios que abastecem o
Cantareira, choverá em uma semana quase o volume todo esperado para março. Com
isso, a Sabesp espera que no próximo mês as represas comecem a encher.
No entanto, há especialistas que se mantêm pessimistas e dizem que “só
um dilúvio” resolveria o problema de reserva de água do Cantareira para os
meses de seca, que começam em abril, com a chegada dos dias mais frios.
Estudos técnicos do Consórcio das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e
Jundiaí (PCJ) apontam que precisaria chover em dois meses cerca de 1 mil
milímetros para que as represas entrem no período de inverno com 50% da
capacidade. Para se ter uma ideia, em 2010, na grande cheia do sistema, quando
as comportas tiveram de ser abertas pela primeira vez para que não
transbordassem, choveu 1,5 mil mm em todo o ano.
“Para a elaboração desse cálculo levamos em conta que 25% das chuvas
infiltram ou se perdem, 75% vão encher os reservatórios e a chuva cairá em 50%
da área de drenagem”, explica José Cézar Saad, coordenador de projetos do
Consórcio do PCJ.
Segundo boletim do grupo anticrise do Sistema Cantareira, criado por
determinação dos governos federal e estadual, o volume de água que está
entrando dos rios nos reservatórios (8 mil litros por segundo) equivale a 13%
da média para o período. Pelo documento, se consideradas apenas as represas que
entram na partilha da água entre a Grande São Paulo e a região de Campinas o
volume de água que pode ser usado está em 16,6% de sua capacidade. (abril)

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