terça-feira, 1 de abril de 2014

IPCC destaca impactos da mudança do clima

IPCC destaca impactos atuais e riscos futuros da mudança do clima
Sumário para Formadores de Políticas e relatório completo do segundo grupo de trabalho do painel foram divulgados em 30/03/14.
Cientistas afirmam que eventos climáticos extremos recentes estão ligados às mudanças
Consequências que já estão sendo observadas:
- Nas últimas décadas, mudanças no clima causaram impactos nos sistemas naturais e humanos em todos os continentes e através dos oceanos.
- Em muitas regiões, mudanças na precipitação ou derretimento de neve e gelo estão alterando os sistemas hidrológicos, afetando recursos hídricos em quantidade e qualidade (média confiança). Por conta das mudanças climáticas os glaciares continuam a encolher em quase todo o mundo e o permafrost (solo permanentemente congelado do norte do Hemisfério Norte) está aquecendo e descongelando nas regiões de latitudes mais alta e nas regiões mais elevadas (alta confiança).
- Muitas espécies terrestres, de água doce e marinhas têm mudado sua abrangência geográfica, suas atividades sazonais, os padrões de migração, a abundância das populações e as interações com outras espécies (alta confiança).
- Os impactos negativos das mudanças climáticas na agricultura têm sido mais comuns do que impactos positivos que se imaginava que poderiam acontecer em regiões de alta latitude (alta confiança). Alguns estudos mostram que culturas como trigo e milho têm sido afetadas negativamente em muitas regiões (média confiança). 
- Desde o último relatório (2007), ocorreram vários períodos de aumentos rápidos de preços de alimentos e cereais na sequência de eventos climáticos extremos nas principais regiões produtoras. Isso indica uma sensibilidade de mercados atuais a esses eventos.
- Os registros de mortes relacionadas ao calor têm subido, enquanto as mortes por frio têm caído em algumas regiões como resultado do aquecimento global. Mudanças locais de temperatura e de regime de chuvas têm alterado a distribuição de algumas doenças transmitidas por água e vetores (média confiança).
- Pessoas que são marginalizadas socialmente, economicamente, culturalmente, politicamente ou institucionalmente são especialmente mais vulneráveis às mudanças climáticas (média evidência, alta concordância). Os processos que levam a isso incluem discriminações baseadas em gênero, classe, questões étnicas, idade e alguma deficiência física.
- Os impactos dos eventos climáticos extremos observados recentemente, como ondas de calor, secas, inundações, ciclones e incêndios, revelam a enorme vulnerabilidade e exposição de alguns ecossistemas e muitos sistemas humanos à variabilidade climática atual (muito alta confiança).
- Os danos abrangem a produção de alimentos, o fornecimento de água, a infraestrutura e os assentamentos humanos, morbidade e mortalidade, além de consequências para a saúde mental e o bem-estar humano. Para países em todos os níveis de desenvolvimento, esses impactos são consistentes com uma significativa falta de preparo para lidar com a variabilidade climática em alguns setores.
Risco para o futuro:
- Ao longo do século 21, projeta-se que a mudança do clima vai reduzir a oferta de água renovável na superfície e nas fontes subterrâneas nas regiões subtropicais mais secas (evidência robusto, alta concordância), intensificando a competição por água (evidência limitada, média concordância). Os riscos em relação à água vão aumentar significativamente com o aumento da concentração de gases de efeito estufa
- Uma grande fração de espécies terrestres e de água doce encaram um risco crescente de extinção diante da mudança do clima ao longo e depois do século 21, especialmente quando os fatores climáticos interagem com modificação do habitat, super exploração, poluição e presença de espécies invasora.
- Nos cenários de média a altas emissões há um alto risco de uma abrupta e irreversível mudança em escala regional da composição, estrutura e funcionamento de ecossistemas terrestres e de água doce, incluindo regiões de alagados. Alguns exemplos que poderiam ter um impacto substancial são o sistema Ártico de floresta boreal-tundra (média confiança) e a Floresta Amazônica (baixa confiança).
- O carbono armazenado na biosfera terrestre (por exemplo no permafrost e em florestas) está suscetível a ser liberado na atmosfera como resultado das mudanças climáticas, desmatamento e degradação de ecossistemas (alta confiança).
- Devido ao aumento do nível do mar projetado para o século 21 e depois, sistemas costeiros e terras baixas áreas vão cada vez mais experimentar impactos adversos, como submersão, inundações e erosão costeira (muito alto de confiança).
- A redistribuição de espécies marinhas globais e a redução na biodiversidade em regiões mais sensíveis vai desafiar afetar o fornecimento sustentado de peixes e outros serviços do ecossistema (alta confiança)
- Para cenários de média a alta emissão de gases de efeito estufa, a acidificação dos oceanos traz riscos substanciais os ecossistemas marinhos, especialmente nos polos e para os recifes de corais (de média a alta confiança).
- Para a maior parte das culturas agrícolas (trigo, arroz e milho) nas regiões tropicais e temperadas, se não houver adaptação, um aumento de 2 °C ou mais em nível local em relação aos níveis do século 20 vai impactar negativamente a produção (média confiança).
- Todos os aspectos da segurança alimentar são potencialmente afetáveis pelas mudanças climáticas, inclusive o acesso à comida e a estabilidade dos preços (alta confiança)
- As áreas urbanas concentram boa parte dos riscos: estresse térmico, chuvas extremas, inundações nas áreas costeiras e no interior, deslizamentos de terra, poluição do ar, seca, escassez de água. Tudo isso traz riscos para as pessoas, os bens, as economias e os ecossistemas (muito alta confiança). A situação será pior nos locais em que falta a infraestrutura essencial ou há pessoas vivendo em áreas expostas.
- Efeitos sobre as áreas rurais já serão sentidos no médio prazo e depois por conta de impactos no suprimento de água, na segurança alimentar e nos lucros da agricultura. são esperadas migrações das áreas agrícolas em várias partes do mundo.
- Até metade do século, as mudanças climáticas vão impactar a saúde humana ao piorar problemas de saúde que já existem. há uma maior probabilidade de ferimentos, doenças e mortes por conta das ondas de calor e incêndios (confiança muito alta).
- Também há grande probabilidade de desnutrição por diminuição da produção de alimentos nas áreas mais pobres; de perda e redução da capacidade de trabalho e de aumento de doenças transmitidas por comida ou água.
- As mudanças climáticas dedem levar a um aumento do deslocamento de pessoas. E pode indiretamente aumentar o risco de conflitos violentos na forma de guerra civil e violência entre grupos ao amplificar gatilhos bem documentados desses conflitos, como pobreza e choques econômicos.
- Ao longo do século 21, estima-se que os impactos das mudanças climáticas vão desacelerar o crescimento econômico, fazer com que a redução da pobreza seja mais difícil, erodir ainda mais a segurança alimentar, e prolongar as existentes e criar novas armadilhas da pobreza, particularmente nas áreas urbanas e pontos onde há muita fome. (OESP)

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