quinta-feira, 15 de maio de 2014

Uso do ‘volume morto’ começa sob polêmica

Órgãos gestores e Sabesp divergem sobre necessidade de se deixar reserva de 50 bilhões de litros para dezembro.
O "volume morto" do Sistema Cantareira começa ser usado em 14/05/14 pela primeira vez na história para abastecer a Grande São Paulo. Mas ainda resta um impasse entre os órgãos gestores do manancial e a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) sobre a necessidade de se deixar uma reserva estratégica de 50 bilhões de litros para dezembro, caso a estiagem atípica se repita.
A quantidade equivale a cerca de 5% do volume útil total do manancial, de 981 bilhões de litros, e a 27% dos 183 bilhões de litros de água represada abaixo do nível das comportas que a Sabesp começa a captar nesta quinta, com uma operação especial. Além disso, ainda restam 83,7 bilhões do volume útil do Cantareira, ou 8,6% da capacidade total do sistema.
Sem previsão
Para os defensores da reserva estratégica do "volume morto", ainda não há nenhuma garantia de que a pluviometria voltará à normalidade na próxima temporada de chuva, que ocorre entre setembro e março. Um cenário mais realista só poderia ser traçado em novembro e, por isso, cogita-se a necessidade de deixar a reserva estratégica.
Na última temporada de chuva, por exemplo, a estiagem só começou a ficar mais crítica a partir de dezembro, quando a vazão média afluente ao Cantareira ficou em 45% em relação à média histórica do mês. Em fevereiro, pior mês da crise, o índice caiu para 13%. Segundo estudo contratado pelo governo Geraldo Alckmin (PSDB) e revelado em 12/05/14 pelo Estado, estiagens tão severas assim só ocorrem a cada 3.378 anos.
A manutenção de uma reserva estratégica de 5% é uma medida já adotada nos mananciais utilizados para geração de energia elétrica. A definição sobre o assunto deve ocorrer nos próximos dias entre a Agência Nacional de Águas (ANA) e o Departamento de Água e Energia Elétrica (Daee), órgãos gestores do Cantareira.
Março
Inicialmente, a Sabesp previa que o "volume morto" seria suficiente para abastecer a Grande São Paulo por quatro meses. Ao comitê anticrise que monitora o Cantareira, a empresa informou que a reserva duraria até novembro. Agora, o secretário de Saneamento e Recursos Hídricos, Mauro Arce, afirma que, com a economia de água pela população e o remanejamento de outros sistemas, o volume garante o abastecimento até março.
Custo
R$ 80 mi é quanto a Sabesp estima gastar com as obras para a retirada de água do “volume morto”, em dois reservatórios do Cantareira.
Entenda a obra para o uso do volume morto
1. Canal de 3 km de extensão escavado no leito do reservatório facilitará o escoamento natural da água do fundo da represa em direção às bombas de captação.
2. Bombas flutuantes vão transferir até 2 mil litros por segundo de água por uma tubulação através do canal construído até a entrada do túnel.
3. Diques formam um pequeno lago, isolando os emboques dos túneis, mantendo níveis de água necessários para as transferências das vazões por gravidade. (OESP)

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