segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Alckmin diz ser ‘ótimo’ MPE incluir os áudios da Sabesp em investigação

Alckmin diz ser ‘ótimo’ MPE incluir os áudios da Sabesp em inquérito
Ministério Público investiga responsabilidade do governo na crise hídrica; “nossa regra é transparência absoluta”, diz governador.
O governador Geraldo Alckmin (PDSB) afirmou neste domingo, 26, considerar “ótimo” o fato de o Ministério Público Estadual ter incluído no inquérito que apura a responsabilidade dele na crise hídrica os áudios vazados da Companhia de Saneamento Básico do Estado (Sabesp).
“Ótimo”, afirmou Alckmin. “A nossa regra é transparência absoluta”, disse o governador depois de votar no colégio Santo Américo, na zona sul de São Paulo. Ele voltou a negar que há racionamento na cidade. Nas gravações, a presidente do órgão, Dilma Pena, diz que recebeu “orientações superiores” para barrar alertas sobre a falta de água. Em outro áudio, o diretor metropolitano, Paulo Massato, diz aos que participavam de uma reunião da companhia que eles deveriam tomar banho com “água mineral”. 
A investigação foi iniciada com base em uma representação feita em abril pela bancada do PT na Assembleia Legislativa (Alesp). Em setembro, o procurador da MPE Sérgio Neves Coelho, integrante do Órgão Especial do Colégio de Procuradores de Justiça, também pediu ao procurador-geral de Justiça, Márcio Elias Rosa, que instaurasse um inquérito civil para “apurar a responsabilidade” de Alckmin e “omissão nas providências para preservar o abastecimento de água”.
"Ótimo", afirmou Alckmin. "A nossa regra é transparência absoluta", disse.
Os áudios foram divulgados na sexta-feira, 24. Partidos de oposição na Assembleia Legislativa entrarem com representações na Casa e no MPE. A bancada do PT, por exemplo, pede que o órgão investigue Alckmin por improbidade administrativa.
Já o deputado Carlos Giannazi (PSOL) pede o impeachment do governador na assembleia. No Ministério Público, ele quer a perda do mandado de Alckmin e que a presidente da Sabesp, Dilma Pena, seja investigada por prevaricação. O governo disse que “sempre que solicitado pelas autoridades competentes, entre elas o MPE, tem prestado as informações, e assim continuará atuando”. 
A chuva do fim de semana não foi suficiente para elevar o nível do Sistema Cantareira, que neste domingo estava com 13,2% da capacidade. Na sexta-feira a Sabesp incorporou a segunda cota do volume morto ao reservatório, aumentando de 3% para 13,6% o nível.
Mesmo com 5,3 milímetros de precipitação sobre a região anteontem, o volume armazenado manteve a série de quedas da semana, indo de 13,4% no sábado para 13,2%.A média histórica de chuva do mês de outubro é de 130,8 mm, mas a pluviometria acumulada é de apenas 30,6mm. Desse total, 23,9mm foram de chuvas ocorridas apenas no dia 20 de outubro. Mesmo assim, o volume armazenado do dia 20 para o dia 21 caiu de 3,5% para 3,3%, e chegou a apenas 3% na quinta.
Ao chegar ao local onde vota, Alckmin foi cercado por jornalistas que tentavam perguntar sobre as eleições e também sobre a falta de água. O repórter do programa CQC, da Rede Bandeirantes, trocou empurrões com um dos seguranças. Ele tentava perguntar sobre a crise hídrica quando foi empurrado por outro segurança. Irritado, o repórter partiu para cima dele, mas foi apartado. Alckmin votou ao lado vice na chapa de Aécio Neves, Aloysio Nunes, do senador eleito, José Serra, e do deputado José Aníbal. (OESP)

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