segunda-feira, 1 de maio de 2017

Sobradinho atingirá volume morto em outubro

Sobradinho atingirá o volume morto em outubro/17, projeta ONS.
Com redução da vazão a 600 m3/seg. o indicador ficaria em 3,2% negativo e sem a redução iria a menos 9%.


O Operador Nacional do Setor Elétrico projeta que a UHE Sobradinho chegará ao volume morto ao final de outubro. Em sua apresentação mensal a agentes, referente ao Programa Mensal de Operação do mês de maio, o primeiro após o período úmido, a projeção é de que mesmo com a redução da vazão no São Francisco de 700 m³ para 600 m³/segundo, a usina alcance índice negativo. A diferença é o nível, ao se manter as vazões atuais tende a alcançar 9% negativos, ao se reduzir ficará em 3,2% negativos.
Essa perspectiva tem como base o fato de que a região onde se encontra a usina tem cerca de 96% das chuvas concentradas justamente no período úmido e os demais 4% espalhados pelo restante do ano. Neste período úmido, indicou o ONS, foi observado o pior no histórico e que deverá se manter nesse mesmo patamar na estação seca. Em adição a esse cenário encontra-se o fato de que a usina está com um nível de cerca de 15% ao final desse período.
A reunião do PMO, realizada na sede do ONS no Rio de Janeiro, dedicou a maior parte do tempo para falar da operação das usinas da bacia do São Francisco. Além da situação da UHE Sobradinho que corre o risco de ser desligada em outubro, foram explicadas as recomendações do operador para a região por conta da afluência do rio. Um ponto de destaque é que deverá ser mantida a minimização da defluência na UHE Três Marias, assegurando o uso múltiplo da água e evitando o esvaziamento desse reservatório, pois se isso ocorrer, uma parte do São Francisco pode secar. A vazão de 600 m³/s seria para Sobradinho e Xingó a fim de proporcionar maior segurança hídrica para a região.


Questionado sobre o impacto da redução das vazões da usina de Sobradinho, o gerente executivo do ONS, Ney Fukui, disse que o atendimento da carga está garantida, até porque essa redução da defluência acarreta em uma geração de 140 MW a menor e que é compensada tranquilamente por outras fontes de geração. “Do ponto de vista elétrico não há problemas, não terá impacto na cascata de usinas, pois há a continuidade da defluência e garante a operação das demais usinas”, afirmou durante a reunião.
Em todo o SIN houve um período úmido abaixo da média histórica nas principais bacias hidrográficas do país. No Rio Grande ficou em 77% da MLT entre os meses de novembro a abril, com precipitação 25% menos do que a média esperada. No Paranaíba ficou um pouco menor, com 72% da média de longo termo no acumulado desses meses. Essas duas bacias respondem por 60% de todo o Sudeste/Centro Oeste, que por sua vez é a região com maior volume de armazenamento do país.
No Tocantins também houve déficit, com 75% da média histórica e precipitação 20% menor. Apesar disso, a usina de Tucuruí continua com vertimento de água e com o reservatório cheio. O motivo é a concorrência dessa central por transmissão com a UHE Belo Monte (PA, 11.233 MW) que levou a uma redução de sua geração e consequente replecionamento do reservatório. A tendência é de que com a redução das afluências, já em maio é possível que esse vertimento seja encerrado. Em termos de meteorologia ainda não é possível apontar a tendência de se verificar a ocorrência de La Niña ou El Niño. (canalenergia)

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