São mais eficientes que
florestas tropicais por hectare, pois realizam fotossíntese e incorporam
carbono em sua biomassa, que pode ser armazenada no fundo do mar ou usada em
produtos, auxiliando na mitigação das mudanças climáticas. Elas capturam CO2
da água e atmosfera, e quando morrem, afundam, sequestrando o carbono, mas é
crucial um planejamento rigoroso para evitar impactos negativos, sendo uma
parte importante de uma estratégia climática mais ampla, não uma solução única.
Como Funcionam:
Fotossíntese: Assim como
plantas terrestres, algas absorvem CO2 da água e do ar,
convertendo-o em oxigênio e biomassa (seu "corpo").
Crescimento Rápido: Algumas
algas crescem muito rápido, duplicando sua biomassa em dias ou horas,
aumentando a eficiência de captura de carbono.
Armazenamento de Carbono:
Quando as algas morrem, elas levam o carbono para o fundo do oceano, onde fica
armazenado (sequestro de carbono).
Potencial Comparado:
Estimativas sugerem que sistemas de algas costeiras podem armazenar até 20
vezes mais carbono por hectare do que florestas tropicais.
Benefícios Adicionais:
Redução de Metano: Certas
algas (como Asparagopsis taxiformis) reduzem a emissão de metano do gado quando
adicionadas à ração.
Substituição de Plásticos:
Podem produzir bioplástico biodegradáveis, diminuindo o uso de plásticos
convencionais.
Outros Usos: Algas são usadas
em alimentos, cosméticos, fertilizantes e ração animal, gerando múltiplos
impactos positivos.
Desafios e Considerações:
Não é Solução Mágica: É uma
ferramenta importante, mas precisa ser parte de uma estratégia climática mais
ampla.
Impactos Ecológicos: A
expansão em larga escala requer pesquisa para entender e evitar consequências
negativas nos ecossistemas costeiros.
Retorno do Carbono: Parte do
carbono armazenado pode retornar à atmosfera se não for gerenciado
corretamente, mas estudos apontam processos no sedimento que ajudam a fixar o
carbono.
As algas marinhas são fontes
de alimento, medicamentos e muitos outros produtos. E têm o benefício adicional
de serem extremamente eficientes na remoção de CO2 da atmosfera
durante seu crescimento.
O potencial da aquicultura de
algas marinhas para sequestrar carbono é ofuscado pela suposição de que a
biomassa será facilmente convertida de volta em CO2, afirma Mojtaba
Fakhraee, professor assistente do Departamento de Ciências da Terra da
Universidade de Connecticut (UConn). Fakhraee e o coautor Noah Planavsky, da
Universidade de Yale, argumentam que esse não é o caso e que precisamos
reconsiderar o potencial de remoção de carbono desses sistemas dinâmicos. A
pesquisa deles foi publicada na revista Nature Communications Sustainability.
Fakhraee explica que as
fazendas de algas costeiras são uma forma extremamente eficaz de remover CO2
da atmosfera, pois essas algas sequestram carbono em altas taxas: “Essa
tecnologia baseada na natureza remove o CO2 e o converte em
biomassa, mas um dos principais desafios discutidos é que se espera que a maior
parte do carbono e da biomassa produzida seja eventualmente usada por micróbios
na água ou no sedimento para produzir CO2. Essa era a principal
preocupação: se essa é realmente uma boa maneira de capturar carbono ou não”.
Os pesquisadores queriam investigar se isso era uma preocupação real e se depararam com um processo negligenciado que ocorre no sedimento sob os cultivos de algas marinhas, diz Fakhraee.
Fazenda de algas marinhas – Aliadas contra mudanças climáticas
“Neste artigo, destacamos o
fato de que essas fazendas de algas impulsionam um ciclo de retroalimentação
favorável ao clima. Esse ciclo consiste na produção de alcalinidade com
espécies químicas de bicarbonato, que podem eventualmente alterar a química da
água e modificar o pH e todo o equilíbrio do CO2 na água”, afirma
Fakhraee.
Isso funciona porque os
cultivos de algas aceleram o processo de formação de uma camada de sedimentos à
medida que a matéria orgânica afunda até o fundo do mar. Esses sedimentos criam
ambientes com pouco ou nenhum oxigênio (anaeróbicos), onde os micróbios
consomem a biomassa rica em carbono e produzem bicarbonato. O bicarbonato, por
sua vez, atua como um tampão, criando condições mais alcalinas ou menos ácidas.
Isso é crucial porque, em condições oxigenadas (aeróbicas), os micróbios
utilizam diferentes vias para consumir a matéria orgânica, incluindo a produção
de CO2.
“O bicarbonato é como um
agente químico mágico para alterar a química da água, pois modifica o pH e,
como há um aumento na quantidade de matéria orgânica proveniente das algas marinhas,
isso aumenta a taxa de produção de bicarbonato”, afirma Fakhraee. “Isso
eventualmente resultaria em uma sequência de reações que removem o CO2
da atmosfera. Esse processo químico não foi considerado ou foi amplamente
ignorado por estudos anteriores”.
Os pesquisadores queriam
explorar a produção de bicarbonato a partir da respiração anaeróbica e da
dissolução de carbonato de cálcio sob fazendas de algas marinhas, diz Fakhraee,
e usaram um modelo que rastreia o destino do carbono orgânico no sedimento sob
as algas para demonstrar como esses são sistemas ideais para esse processo de
sequestro de carbono.
Uma característica importante
da produção de bicarbonato é que, mesmo que a matéria orgânica esteja
armazenada de forma confiável no sedimento, sempre existe a possibilidade de
que ela seja desalojada e disponibilizada para que os micróbios a processem e
liberem na forma de CO2. No entanto, se a matéria orgânica for usada
para produzir bicarbonato, trata-se de um tipo de captura de carbono mais
permanente, e a alteração na química da água é duradoura, talvez na escala de
milhares de anos, afirma Fakhraee.
Utilizando o modelo e estimativas de todo o mundo, existem atualmente cerca de 3,5 milhões de hectares de aquicultura de algas marinhas, com potencial para sequestrar até sete milhões de toneladas de CO2 anualmente.
Algas marinhas podem se tornar um mercado emergente em soluções ambientais
Fakhraee afirma que a área
cultivada deverá ser ainda maior e que o setor provavelmente crescerá
substancialmente nos próximos anos, ampliando também a capacidade de sequestro
de carbono dessa prática agrícola.
“É muito sustentável, não
exige muita tecnologia e não há muita controvérsia em torno do uso de algas
marinhas como fonte de alimento, em comparação com outras fontes de proteína,
no que diz respeito à produção de gases de efeito estufa e outros fatores”,
afirma Fakhraee. “Eu diria que o interesse em investir nesse tipo de cultivo
vai crescer”.
Fakhraee afirma que eles não
esperavam que a escala da captura de carbono fosse tão significativa e que os
números fossem comparáveis aos de outros ecossistemas costeiros, como
manguezais e ervas marinhas.
“Os cultivos de algas
marinhas sequestram um pouco mais de carbono do que as pradarias marinhas, e
estão em pé de igualdade com os manguezais e alguns outros tipos básicos de
ecossistemas de carbono azul. É bastante surpreendente saber que existe um
enorme potencial para esse ecossistema sequestrar carbono, mas, ao mesmo tempo,
diferentemente de outros tipos de ecossistemas de carbono azul que possuem uma
ampla gama de serviços ecossistêmicos, certamente, eles também oferecem uma
longa lista de benefícios para as pessoas”.
Para obter uma compreensão
mais abrangente desse benefício recentemente descoberto das fazendas de algas
marinhas, Fakhraee afirma que é importante quantificar o que está acontecendo
por meio de medições em larga escala. Isso fornecerá informações sobre os
fatores que impulsionam diferentes elementos do processo de captura de carbono,
por exemplo, se há mudanças sazonais ou outros fatores que influenciam a
quantidade de carbono capturado no sistema.
“Isso precisa ser feito.
Nosso estudo apenas buscou impulsionar essa ideia e transformar a discussão.
Esse tipo de tecnologia baseada na natureza para captura de carbono deveria ser
mais interessante e atraente para as pessoas, essa é a nossa esperança com este
artigo”, afirma Fakhraee.
Essa descoberta também tem importantes implicações econômicas, explica Fakhraee. Por exemplo, no que diz respeito ao sequestro de carbono, ela abre a possibilidade de monetização por meio de mecanismos como a negociação de créditos de carbono. Como a aquicultura de algas marinhas é uma indústria consolidada e com crescente interesse, essa oportunidade econômica adicional pode tornar o setor ainda mais atrativo e impulsionar novos investimentos.
“Há outra parte dessa história que precisa ser reconhecida e estudada mais a fundo para que possamos entendê-la melhor”, diz Fakhraee. “As fazendas de algas não se resumem apenas à produção de alimentos; elas também são um meio confiável de captura de carbono”. (ecodebate)





Nenhum comentário:
Postar um comentário