terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Juízo com a água transposta do rio São Francisco

O Globo Rural de 19/11/2017 apresentou uma reportagem sobre a transposição de águas do São Francisco, alertando para eventuais conflitos que poderão surgir. De acordo com o programa, a expectativa pela chegada da água da transposição era tão grande que muitos agricultores se anteciparam e compraram equipamentos para irrigação.
E depois que o abastecimento de Campina Grande for regularizado? Como vai ser?
A reportagem do Globo Rural prevê grande disputa pela água. Afinal, a demanda reprimida é muito grande. Houve um plantador de bananas que afirmou estar tendo prejuízo por estar irrigando apenas 0,5 ha. Disse ele que seu produto não é viável com menos de 4 ha irrigados.
 Ocorre que somente o eixo leste está concluído e a prioridade desse eixo é o abastecimento de Campina Grande-PB, que tem mais de 400 mil habitantes. Enquanto seu abastecimento não for regularizado, a água para o meio rural somente está liberada para abastecimento humano e dessedentação animal e, para a agricultura, somente se for irrigar no máximo 0,5 hectare ou 5.000 m2.
É verdade que o jeitinho brasileiro vem funcionando e alguns agricultores estão dividindo suas propriedades com esposa e filhos, aumentando a área permitida para irrigação. Também é verdade que alguns deles conseguem driblar a fiscalização e irrigar mais de 0,5 ha. É preciso dizer a esses espertinhos que um maior consumo de água no meio rural atrasa a regularização do abastecimento de Campina Grande e, com isso, o racionamento persiste.
Faço aqui a sugestão para que os agricultores se organizem em pequenas cooperativas que se encarreguem da distribuição e cobrança pela água. Uma fiscalização feita diretamente pelos interessados é muito mais eficaz para impedir que a água venha a ser usada de forma inadequada e também para exigir que eventuais excessos sejam devolvidos ao canal de transposição em condições de serem reutilizados.
Vamos torcer para que a tão esperada água do Velho Chico sirva para levar progresso à região sem se tornar objeto de disputa. (ecodebate)

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