quarta-feira, 13 de junho de 2018

Baleia morre após engolir mais de 80 bolsas plásticas

Cetáceo é encontrado ainda vivo na Tailândia, mas equipes de resgate não conseguem salvá-lo. Autópsia revela cerca de oito quilos de sacolas no estômago do animal.
Autoridades tailandesas publicaram foto das mais de 80 sacolas plásticas encontradas em estômago de baleia
Mais de 80 sacolas de plástico foram encontradas no estômago de uma baleia que morreu no sul da Tailândia após vômitos e convulsões, informou em 03/06/18 a imprensa local.
O animal havia sido resgatado após ser avistado na segunda-feira, flutuando inerte e incapaz de nadar, no canal de Songhkla, mas acabou morrendo na sexta-feira devido à obstrução intestinal.
Antes de morrer, a Baleia-piloto-de-aleta-curta expulsou pela boca cinco bolsas de plástico entre espasmos.
Segundo informou o departamento de Recursos Litorâneos e Marítimos do país, a autópsia revelou que a baleia tinha mais de 80 bolsas de plástico no estômago, com um peso total de oito quilos.
Vídeo publicado pelas autoridades tailandesas registra autópsia na baleia
Na quinta-feira, as autoridades tailandesas publicaram fotos da tentativa de salvamento. As imagens mostram equipes de resgate tentando evitar o ressecamento do animal empregando, entre outros, um guarda-sol.
A baleia-piloto-de-aleta-curta, ou baleia-piloto-de-peitorais-curtas, chega geralmente a medir entre cinco a sete metros de comprimento e pesar até três toneladas. Diferentemente da baleia-piloto comum, encontrada em regiões mais frias, ela também vive em zonas de águas relativamente quentes.
O Greenpeace denunciou que oito milhões de toneladas de lixo vão parar todos anos nos oceanos.
Entre os dejetos, estão trilhões de bolsas ou fragmentos de plástico que causam todos os anos a morte de milhares de exemplares da fauna marinha.
O consumo de sacolas plásticas pelo mundo
Alemanha
O uso de sacolas de pano ou de papelão para carregar compras é hábito de boa parte da população alemã. Sacolas plásticas são vendidas nos supermercados por € 0,05 e € 0,10. Ainda assim, somente em Berlim, 30 mil sacolinhas deixam lojas e mercados por hora. Em toda a Alemanha, em torno de 17 milhões de sacolas plásticas são consumidas por dia – ou 6 bilhões por ano.
Argentina
Assim como na Alemanha, é hábito de muitos portenhos levar sacolas próprias para carregar as compras. Em setembro de 2008, o governo da Província de Buenos Aires (território à parte da capital, mas com quase 40% da população do país) aprovou lei para banir o uso e a comercialização das sacolas plásticas. A intenção é eliminá-las completamente até 2016.
Bangladesh
O país asiático foi o primeiro do mundo a banir completamente a utilização e a comercialização de sacolas plásticas, em 2002. A exemplo de outros países em desenvolvimento, como Quênia e Ruanda, Bangladesh baniu as sacolas plásticas depois que resíduos originários delas ajudaram a inundar até dois terços do país em enchentes que ocorreram em 1988 e 1998.
China
A China baniu o uso de sacolas plásticas em 1º de junho de 2008. Quatro anos depois, o governo chinês declarou que o país economizou 4,8 milhões de toneladas de petróleo, o equivalente a 6,8 milhões de toneladas de carvão, sem contar as 800 mil toneladas de plástico não utilizadas.
Espanha
O governo espanhol aprovou o Plano Nacional Integrado de Resíduos, em 2010. Uma série de regras pretendia diminuir e possivelmente banir o uso de sacolas plásticas até o fim de 2015. Com isso, supermercados começaram a planejar ações para reduzir o consumo, como dar desconto aos clientes para cada sacola não consumida.
Estados Unidos
São Francisco foi a primeira cidade americana a banir sacolas plásticas, em 2007. Seguindo a linha, o estado da Califórnia aprovou, no ano passado, uma lei que proíbe a distribuição gratuita – e consequente utilização – das sacolas. Problema: o lobby industrial. A medida só será aprovada em referendo em novembro de 2016.
França
Para frear a poluição e reduzir a produção de lixo, em junho de 2014 o governo francês resolveu agir rumo ao banimento das sacolas plásticas. Nos supermercados franceses, elas devem desaparecer a partir de janeiro de 2016. Não será a primeira vez que os comerciantes vão encarar uma drástica redução no consumo de sacolas: em 2002, elas eram 10,5 bilhões; em 2011, 700 milhões.
Em 2002 a Irlanda introduziu uma taxa de £ 0,15 por sacola plástica e, com isso, diminuiu em até 94% o consumo do produto. Em 2007, a taxa ainda subiu para £ 0,22.
Itália
Desde junho de 2013, a Itália obriga estabelecimentos comerciais a vender sacolas plásticas biodegradáveis. A medida levou a uma disputa com o Reino Unido, que questiona a validade da lei perante as regras no mercado interno da União Europeia. Especialistas criticam ainda o real benefício dessas sacolas para o meio ambiente.
Mauritânia
O país do noroeste da África proibiu, no início de 2013, a comercialização e utilização de sacolas plásticas. O principal motivo é nobre: a preservação ambiental e proteção dos animais. Até o fim de 2012, constatou-se que pelo menos 70% das mortes acidentais de bois e ovelhas no país ocorriam devido à ingestão de plástico.
Reino Unido
Desde setembro de 2013, o Reino Unido cobra £ 0,05 por sacola do consumidor. O motivo é óbvio: apenas em 2013, os supermercados distribuíram gratuitamente mais de 8 bilhões de sacolas plásticas, o que significa 130 sacolas por pessoa. Mais: o número equivale a 57 mil toneladas de sacolas plásticas durante um ano. (dw)

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