sábado, 1 de setembro de 2018

Mudança climática gera incêndios mais frequentes e intensos

Em 2017, partes da Europa e da América foram devastadas por incêndios ao ar livre de grandes proporções. O ano de 2018 está estabelecendo novos recordes, com estações quentes e secas se tornando a nova normalidade.
Floresta próxima a Berlim: incêndios florestais de verão chegaram à Alemanha.
O incêndio florestal que obrigou mais de 500 pessoas a deixarem suas casas em vilarejos próximos a Berlim na semana passada foi apenas mais um numa longa lista neste verão na Europa. Devido ao calor e à estiagem, países da região têm vivenciado temporadas de incêndios florestais mais longas e mais ferozes.
Na Europa Meridional, o intenso calor de verão cria campo fértil para o fogo. Mais de 80 pessoas morreram na Grécia em julho, quando o maior incêndio florestal numa década devastou a região turística de Mati, cerca de 28 quilômetros ao leste de Atenas. Milhares tiveram que ser evacuados, 1.500 casas foram danificadas, muitas destruídas.
Em Valência, Espanha, 2.500 moradores deixaram suas casas para escapar do fogo que atingiu quase 2.500 acres. Em Portugal, um incêndio irrompeu em Monchique, no Algarve, onde no princípio de agosto as temperaturas passaram de 45ºC.
Até mesmo os países escandinavos e bálticos como Noruega, Finlândia e Lituânia, tipicamente temperados, sofreram com as chamas. A Suécia registrou alguns dos maiores incêndios de sua história em julho último, o mais quente no país em 250 anos. O fogo não poupou nem mesmo partes do Ártico, onde as temperaturas do verão estiveram 10ºC acima da média.
Em julho de 2018, Grécia foi vítima de grandes catástrofes.
Em 2017, mais de dez grandes incêndios atravessaram i o norte da Califórnia, matando 41 pessoas, destruindo 6 mil residências, devastando a famosa região vinícola local e gerando prejuízos de 2,7 bilhões de dólares. Até agora, essa foi a série de incêndios mais fatal e mais destrutiva na história do estado americano.
Em julho e agosto de 2018, quase 20 incêndios devastaram a Califórnia, e alguns ainda estão ativos. Seis bombeiros morreram no cumprimento de seu dever. Em 4 de agosto foi declarado estado de calamidade na Califórnia.
O maior desastre foi assim chamado "complexo Mendocino", uma junção de dois grandes focos no norte do estado, que queimou mais de 415 mil acres, 157 residências e 120 outros prédios. No que se refere ao futuro, não há um fim à vista para a onda de chamas varrendo o globo.
A província canadense da Colúmbia Britânica declarou estado de emergência em 15 de agosto, enquanto centenas de fogos descontrolados ardiam por seu território. Milhares de moradores foram evacuados, e 600 mil acres foram consumidos pelas chamas.
No ano anterior, essa região e a de Alberta já haviam tido a pior temporada de incêndios desde o início dos registros, com mais de 3,11 milhões de acres destruídos até meados de outubro.
"Incêndio de Carr" consumiu mais de 200 mil acres na Califórnia.
Incêndios florestais são em geral deflagrados por relâmpagos ou por seres humanos, por descuido ou deliberadamente. Mas o fenômeno está se exacerbando devido às ondas de calor que, como advertem climatologistas, tendem a se tornar a norma.
"Conflagrações de fogo são uma característica natural dos verões, mas a alteração do clima está aumentando o risco", confirma Bob Ward, diretor de políticas e comunicação do Instituto Grantham de Pesquisa da Mudança Climática, em Londres.
A seca é um dos principais fatores intensificadores. Na Califórnia, no inverno anterior as chuvas foram poucas, secando a madeira e gerando combustível para os incêndios, explica Ward. Em relação à Grécia, "há indicações muito claras de que os países do norte do Mediterrâneo estão tendo secas mais frequentes e intensas, e isso se deve à mudança climática".
Segundo o especialista, pelas próximas três ou quatro décadas a humanidade não terá qualquer controle sobre a ocorrência das secas "porque elas estão 'trancadas' pela concentração de gases-estufa que já se formou".
Incêndio descontrolado na África do Sul: sob condições normais, fogo integra ciclo natural nas savanas.
Em várias partes do mundo, os incêndios ao ar livre são parte do ciclo natural. As savanas, por exemplo, são mantidas pelo fogo: algumas árvores não só o sobrevivem como precisam dele para liberar suas sementes. A intervenção humana pode perturbar esses ciclos, como tem constatado a ciência da ecologia florestal.
O desmatamento de bosques antigos, por exemplo, eleva o risco de catástrofes. Uma vez que as árvores grandes e antigas mais provavelmente já sobreviveram a incêndios, elas tendem a ser mais resistentes do que plantas menores e mais jovens.
Apagar pequenos incêndios também permite que resíduos inflamáveis se acumulem, até que se deflagra um fogo colossal e incontrolável. Deixar os pequenos focos arderem e controlá-los é um meio efetivo de livrar-se da lenha seca. "Uma coisa que pode aumentar o risco de grandes incêndios, ironicamente, é a supressão do fogo", resume Bob Ward.
Para agravar, o aquecimento global gera condições mais quentes e secas, e ciclos de incêndio estão começando a se manifestar em áreas, como os trópicos, que não dispõem de uma ecologia natural do fogo.
Mas a mudança climática não é o único elemento de origem humana nessa equação. Incêndios também são iniciados por incautos que deixam cair cigarros acesos ou deixam fogueiras arder fora de controle, além de serem intensificados pela má gestão de terras.
Assim, segundo o especialista do Instituto Grantham, além da redução de emissões dos gases responsáveis pelo efeito estufa, os governos precisam esclarecer o público sobre os riscos de incêndios ao ar livre, e se deveria evitar construir em áreas sujeitas a incêndios.
"Para, além disso, temos a opção – se reduzirmos as nossas emissões – de sustar essa tendência a secas mais fortes e mais frequentes. Mas isso depende de nós."
Incêndios na Grécia - Dezenas de mortos
Ao menos 79 pessoas morreram em decorrência dos incêndios florestais na Grécia. O número de mortos subiu após equipes de emergência encontrarem um grupo de 26 corpos próximos uns dos outros perto do topo de um penhasco com vista para uma praia. O grupo tentou achar uma rota de escape, mas não conseguiu fugir a tempo.
Incêndios na Grécia - Cerca de 170 feridos
Cerca de 170 pessoas ficaram feridas, incluindo diversas crianças. Além da Grécia, incêndios florestais atingiram vários países no norte da Europa, como Suécia e Finlândia, em meio a uma onda de calor que assola grande parte do continente.
Incêndios na Grécia - Resgate do mar
Por volta de 700 pessoas que conseguiram chegar à costa foram resgatadas por embarcações, que também ajudaram a tirar outros 19 sobreviventes e quatro corpos do mar, segundo a guarda costeira.
Incêndios na Grécia - Fogo espalhado pelo vento
As vítimas foram encontradas entre o porto de Rafina, a cerca de 30 quilômetros de Atenas, e Nea Makri, cerca de dez quilômetros mais ao norte. Fortes ventos espalharam o fogo e dificultam o trabalho de combate realizado por bombeiros e soldados.
Incêndios na Grécia - Nuvens de fumaça
Fora de controle em diversos locais ao longo do país, o fogo criou nuvens de fumaça e levou ao fechamento de importantes vias de acesso.
Incêndios na Grécia - Ajuda externa
A Defesa Civil da Grécia pediu ajuda à União Europeia (UE), com veículos aéreos e terrestres para controlar as chamas. Espanha e Chipre ofereceram assistência.
Incêndios na Grécia - Engolfados pelo fogo
Casas em uma colina foram engolfadas pelo fogo a leste de Atenas. Um prefeito disse ter visto ao menos 100 casas e 200 veículos em chamas.
Incêndios na Grécia - Mati
O incêndio teve início na cidade de Mati, no fim da tarde de segunda-feira, e ainda resistia am algumas áreas nesta terça. Mati é um popular destino para os gregos durante as férias, principalmente aposentados e crianças. Em meio a destroços de carros, esta mulher ferida se emociona durante busca por seu cachorro na cidade.
Incêndios na Grécia - Desaparecidos
Bombeiros fizeram várias operações de busca perto de Mati. Ainda não está claro quantas pessoas estão desaparecidas.
Incêndios na Grécia - Pior em uma década
Os incêndios são os piores a atingir a Grécia desde agosto de 2007, quando o sul da península do Peloponeso foi devastado por chamas, vitimando dezenas de pessoas.
Incêndios na Grécia - Monitoramento por drone
Autoridades manifestaram desconfiança por vários incêndios terem ocorrido ao mesmo tempo. O governo disse que usará um drone não tripulado dos Estados Unidos para monitorar e rastrear atividades suspeitas.
Incêndios na Grécia - Luto nacional
O governo declarou três dias de luto nacional pelos mortos da "tragédia indescritível". Incêndios não são raros na Grécia. Um inverno relativamente seco contribuiu para criar as condições propícias ao fogo. (dw)

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