segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

INPE omite redução no desflorestamento da última década

Números de desmatamento do INPE omite redução no desflorestamento da última década
Entrevista com Ciro Siqueira (engenheiro agrônomo amazônia), sobre divulgação de desmatamento da Amazônia pelo INPE (Prodes)
Em entrevista ao Notícias Agrícolas, o eng.agr. Ciro Siqueira contestou a divulgação feita ontem pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), de que houve aumento extraordinário do desmatamento na Amazônia.
Segundo o engenheiro (especialista em meio-ambiente e morador no norte do Pará), a divulgação foi feita para escandalizar e não corresponde à verdade quando comparada com os dados históricos registrados por órgãos que medem a velocidade do desflorestamento amazônico. 
Com dados do sistema de monitoramento Prodes, o INPE informou que entre agosto de 2018 e julho de 2019 houve um aumento de 29,5% no desmatamento nos Estados do Amazonas, Pará, Rondônia.
Ciro Siqueira contesta esses dados ao estender esses números ao registrado na última década. "É nítida a diferença entre o que foi mostrado ontem e a realidade do registrado nos últimos anos. Comparativamente pode-se dizer que houve diminuição no deflorestamento". (veja o gráfico).
Para ele, o movimento ambientalista faz uma "asfixia econômica"  sobre a população amazônica, impedindo que o povo obtenha renda de maneira legal, tendo em consequência que apelar para práticas ilegais de desenvolvimento, que impacta no desmatamento.
-- "Na Amazônia não se pode fazer nada que gere renda, emprego, ocupação. Quando o governo escolhe tirar essa asfixia econômica, os ambientalistas aparecem. O que os ambientalismo sério deveria fazer seria apresentar uma proposta para desenvolver de forma sustentável o povo da Amazônia, mas ninguém sabe como fazer. E se você não achar um jeito de desenvolver o povo amazônia, esse desmatamento toda vez vai surgir", afirma.
Ciro Siqueira vê até de certa forma positiva a divulgação do INPE feita ontem. Segundo ele, os dados do sistema Prodes desmentiu o alarmismo feito em meados do ano quando, com base no Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter), a mídia mundial informava que o Brasil estava destruindo a Amazônia.
-- "Agora o INPE mostra outra realidade, diferente do alarmismo feito na metade deste ano. Na época vimos alguns formadores de opinião falando que os dados do desmatamento iriam subir 100%, 200%; agora vem o levantamento e mostra que houve crescimento de 30%, e isso já vem numa tendência de aumento nos últimos anos", explica.
Segundo ele, estas "previsões alarmistas" divulgadas na metade deste ano vieram de números do Deter, que "por questões técnicas, não é adequado para utilização para comparações mês a mês". 
Para o engenheiro agrônomo, a pressão internacional sobre o governo Bolsonaro vai obrigá-lo a agir da mesma forma que os governos anteriores fizeram colocando a repressão das Forças Armadas e IBAMA sobre a população. "A gente precisa dar ao governo a chance de nos ajudar, tirar as amarras que impedem o desenvolvimento regional" completou.
Veja abaixo fotos enviadas pelo Engenheiro Agrônomo Emerson de Souza, dos trabalhos de limpeza de área desmatada legalmente (de acordo com o Código Florestal) no município de em Abel Figueiredo (norte do PA). Na sequência abaixo, o povo da amazônia, trabalhando e sobrevivendo.
Foto em Abel Figueiredo (PA).
Foto em Abel Figueiredo (PA). (noticiasagricolas)

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