Desastres nas
últimas duas décadas também causaram US$ 2,97 trilhões em perdas
para a economia global; nações mais pobres tiveram taxas de mortalidade
mais de quatro vezes superiores às mais ricas.
ONU
Os primeiros 20 anos do século 21 foram marcados por
um aumento “impressionante” dos desastres climáticos, segundo um novo relatório
do Escritório da ONU sobre Redução de Risco de Desastres.
Consequências
De
acordo com o relatório, houve 7.348 desastres em todo o mundo nas
últimas duas décadas. Aproximadamente 1,23 milhão de pessoas morreram,
cerca de 60 mil por ano. Além disso, mais de 4 bilhões
de pessoas foram afetadas.
Essas
duas décadas causaram US$ 2,97 trilhões em perdas para a economia global.
Os dados mostram que as nações mais pobres tiveram taxas de
mortalidade mais de quatro vezes superiores às economias mais
ricas.
Em
comparação, o período anterior de 20 anos, de 1980 a 1999, teve 4.212
desastres relacionados com desastres naturais. Estes eventos
causaram 1,19 milhão de mortes e perdas
econômicas de US$ 1,63 trilhão. Mais de 3 bilhões de
pessoas foram afetadas.
Aumento
Um
melhor registro explica a diferença nas últimas duas
décadas, mas o aumento das emergências relacionadas ao
clima foi a principal razão para o crescimento.
Para
os autores do relatório, “esta é uma prova clara de que em um
mundo onde a temperatura média global em 2019 era 1,1ºC acima do período
pré-industrial, os impactos estão sendo sentidos”.
Segundo eles, isso é evidente na maior frequência de ondas de calor, secas, inundações, tempestades de inverno, furacões e incêndios florestais.
As
inundações foram responsáveis por mais de 40% dos
desastres, afetando 1,65 bilhão de pessoas, seguidas
por tempestades : 28%, terremotos : 8%, e temperaturas extremas : 6%.
Esforços
Em
comunicado, a representante especial do secretário-geral para
Redução de Risco de Desastres, Mami Mizutori, disse que “as
agências de gestão de desastres conseguiram salvar muitas vidas com uma
melhor preparação e a dedicação de funcionários e voluntários”.
Apesar
disso, Mizutori afirmou que “as probabilidades continuam sendo
adversas, em particular devido a nações industrializadas que estão
falhando miseravelmente na redução das emissões de gases de efeito estufa”.
“Para a representante, é ”desconcertante” que as nações continuem, de forma consciente, a plantar as sementes da sua destruição, apesar da ciência e das provas de que estão transformando sua única casa em um inferno inabitável para milhões de pessoas”.
Seca em Angola deixou famílias desesperadas e crianças sem tempo para educação, UNICEF Angola/2019.
Pandemia
O
relatório também destaca a pandemia de Covid-19, dizendo que a
situação “expôs muitas deficiências na gestão de risco de
desastres, apesar de avisos repetidos”.
A
pesquisa recomenda ação urgente para melhor gerenciar fatores de
risco, como pobreza, poluição do ar, crescimento populacional em locais
perigosos, urbanização descontrolada e perda de biodiversidade.
O
estudo aponta riscos climáticos que se tornaram permanentes nas
últimas décadas, afirmando que devem ser o foco de medidas de preparação
nacional.
A mudança
nos padrões de chuva, por exemplo, representa um risco para 70% da
agricultura global e para 1,3 bilhão de pessoas que dependem da
degradação de terras agrícolas.
Apesar destes
eventos climáticos se terem
tornado mais frequentes nos últimos 20 anos, apenas 93 países
implementaram estratégias em nível nacional.
O mundo está a caminho de um aumento de temperatura
de 3,2ºC ou mais, a menos que os países industrializados consigam reduzir
as emissões de gases de efeito estufa pelo menos 7,2% ao ano.
Mami Mizutori disse
que a resposta a este problema “depende da liderança política acima de tudo.”
Para ela, a Covid-19 “é apenas a prova mais recente de que os
políticos e líderes empresariais ainda não estão em sintonia com o
mundo ao seu redor”.
O
relatório destaca algum sucesso na proteção de comunidades
vulneráveis, graças a sistemas de alerta precoce, preparação e
resposta, mas realça que aumentos
da temperatura em nível global devem tornar essas
melhorias obsoletas em muitos países.
Dia Mundial
Neste 13
de outubro é marcado o Dia Internacional para Redução de Riscos de
Desastres. Em mensagem sobre o dia, o secretário-geral da ONU afirma que
“uma boa gestão do risco destes eventos significa agir com base na ciência
e em provas.”
Para
António Guterres, “isso requer compromisso político ao mais alto nível para
cumprir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e a Convenção-Quadro
de Sendai para a Redução do Risco de Desastres”.
Atualmente, o mundo está a caminho de um aumento de temperatura de 3,2ºC ou mais, a menos que os países industrializados consigam reduzir as emissões de gases de efeito estufa pelo menos 7,2% ao ano na próxima década.
Em países de baixa renda, como as Fiji, que foram atingidas por um ciclone em 2016, as taxas de mortalidade são maiores.
ONU revela aumento "impressionante" de
emergências climáticas em 20 anos. (ecodebate)



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