“Os chimpanzés, gorilas e
orangotangos viveram milhares de anos em suas florestas, com vidas fantásticas,
em entornos onde reina o equilíbrio, em espaços onde nunca lhes passou pela
cabeça destruir a floresta, destruir o seu mundo. Eu diria que eles tiveram
mais sucesso do que nós em relação a esta harmonia com o meio ambiente”. Jane
Goodall (1934 – )
No entanto, uma em cada três
pessoas ainda não está adequadamente coberta por sistemas de alerta precoce, de
acordo com o relatório “Estado dos Serviços Climáticos de 2020” divulgado no
Dia Internacional para Redução do Risco de Desastres em 13 de outubro.
O documento da Organização
Meteorológica Mundial (WMO), mostra que nos últimos 50 anos, mais de 11.000
desastres foram atribuídos a riscos relacionados ao tempo, ao clima e à água,
envolvendo 2 milhões de mortes e US$ 3,6 trilhões em perdas econômicas.
Enquanto o número médio de mortes registradas para cada desastre caiu em um
terço durante este período, o número de desastres registrados aumentou cinco
vezes e as perdas econômicas aumentaram por um fator de sete.
Em 2018, globalmente, cerca de
108 milhões de pessoas precisaram da ajuda do sistema humanitário internacional
em decorrência de tempestades, inundações, secas e incêndios florestais. Em
2030, estima-se que esse número possa aumentar em quase 50% a um custo de cerca
de US $ 20 bilhões por ano.
O relatório, produzido por 16 agências internacionais e instituições financeiras, identifica onde e como os governos podem investir em sistemas eficazes de alerta precoce que fortaleçam a resiliência dos países a vários riscos relacionados ao clima, clima e água e fornece exemplos de sucesso. A figura abaixo mostra os mais impactantes desastres climáticos e ambientais.
Indubitavelmente, o aquecimento global é a maior ameaça existencial à humanidade e ao desenvolvimento civilizatório. Assim como existe uma emergência de saúde pública (por conta do novo coronavírus), existe também uma emergência climática por conta do aumento da temperatura global. O mundo precisa aprender com o trauma da covid-19 e acordar para a urgência de se resolver os problemas ambientais do século XXI. Senão teremos uma “Terra inabitável” como mostrou o jornalista David Wallace-Wells em um livro essencial para compreender os desafios atuais (Alves, 2019).
A questão ecológica na alta modernidade desafia as bases estruturantes da teoria social moderna e lança novos fatores de risco, como mostrou Ulrich Beck no livro Sociedade de Risco: “O que estava em jogo no velho conflito industrial do trabalho contra o capital eram positividades: lucros, prosperidade, bens de consumo. No novo conflito ecológico, por outro lado, o que está em jogo são negatividades: perdas, devastação, ameaças” (Beck, 1995, p.3).
Visualização do EarthTime mostra como o clima pode aumentar no mundo até 2100.
O aumento das atividades
antrópicas está provocando um “crescimento deseconômico” e o início de um
colapso ambiental e civilizacional. O alerta foi disparado e falta o mundo
acordar para os grandes desafios que tem pela frente.
Mudança do padrão da temperatura da Terra neste século. (ecodebate)



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