Para
além da poluição nos oceanos, rios e solos, a produção de plástico também
poderá consumir, até 2050, de 10% a 13% do limite estimado de emissões de
carbono para que o aquecimento global se mantenha abaixo de 1.5°C, com emissões
da ordem de 56 gigatoneladas de CO2.
Os
dados são do Atlas do Plástico, publicação lançada pela Fundação
Heinrich Böll. O lançamento teve participação de Elisabeth Grimberg (GAIA –
Polis – BFFP), Roberto Laureano (MNCR), Giovanna Nader (Ativista ambiental,
comunicadora), Annette von Schönfeld (Diretora da Fundação Heinrich Böll
Brasil) e Marcelo Montenegro (Coordenador de Justiça Socioambiental Fundação
Heinrich Böll Brasil). A publicação está disponível para download em https://br.boell.org/atlasdoplastico.
Efeito
desastroso é notável. Brasil é atualmente o 4º maior produtor de lixo plástico
do planeta, com 11,3 milhões de toneladas descartadas anualmente. Do total de
resíduo plástico produzido, apenas 1,28% é reciclado. 2,4 milhões de toneladas
de plásticos estão sendo descartadas de forma irregular e 7,7 milhões de
toneladas acabam em aterros sanitários, agravando mais a poluição plástica.
A
comunicado e ativista ambiental Giovanna Nader destaca que o plástico é o
grande vilão da década. “Precisamos combater esse problema, mas infelizmente
ainda estamos muito longe da solução. Por mais que tentemos tirar o plástico da
nossa vida, só nos gera mais frustração. Estamos dentro de um sistema produtivo
que nos leva a consumir mais plástico”.
No
cenário, a principal vilã são as embalagens de uso único. De acordo com a
publicação, cerca de 40% dos produtos plásticos se tornam lixo com menos de um
mês. Do total de 400 milhões de toneladas de plásticos produzidos no mundo
anualmente, mais de 1/3, ou 158 milhões toneladas, foram de embalagens. E os
atuais sistemas de reciclagem não conseguem lidar com esse volume de resíduos:
dos mais de nove bilhões de toneladas de plásticos produzidos desde a década de
1950, menos de 10% foi reciclado.
“Cada
brasileiro produz semanalmente, em média, um quilo de resíduos plásticos,
equivalente a dois navios cargueiros de lixo. Apesar da consciência de que o
plástico é reciclável, grande parte da população não faz a separação correta de
resíduos. A pergunta principal é: para onde está indo todo o plástico 7,7
milhões de toneladas vão para aterros sanitários. 2,4 milhões de toneladas vão
para céu aberto, sem nenhuma engenharia. Isso gera impacto para o solo, cursos
de água, na fauna e na flora e também nas cidades”, explica Elisabeth Grimberg,
coordenadora da área de Resíduos Sólidos do Instituto Pólis.
O
artigo 33 da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) prevê a
responsabilização das empresas pela logística reversa para manter as embalagens
no ciclo produtivo. Entretanto, nos últimos dez anos, a regulamentação pouco
avançou.
“Existe
um lobby muito forte das corporações em responsabilizar o indivíduo pela
reciclagem, enquanto continuam a investir no aumento da produção de plásticos.
O cumprimento efetivo da política, a redução da produção e a reciclagem dos
produtos, são fundamentais para mudarmos esse cenário. E isso passa pela
responsabilização das empresas pelo plástico que produzem e o fortalecimento da
logística reversa e da economia circular.”, defende Montenegro.
Nesse
contexto, o trabalho dos catadores de materiais recicláveis ganha destaque. São
eles os responsáveis por 90% da movimentação das indústrias de reciclagem.
Todos os dados presentes no Atlas do Plástico foram checados pela Lupa, a primeira agência de notícias do Brasil a se especializar na técnica jornalística mundialmente conhecida como fact-checking. Além disso, os textos são assinados por especialistas e pesquisadores do assunto. (ecodebate)



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