Apesar de redução de até
17% no auge das medidas de confinamento social, ganhos não são
duradouros; Agência da ONU diz que possível queda de 7,5% não será
suficiente para baixar gases de efeito estufa na atmosfera.
As emissões de dióxido de
carbono na atmosfera continuam em níveis recordes, mesmo após
uma suspensão temporária de atividades industriais por causa da pandemia de
Covid-19.
A informação foi confirmada
pela Organização Meteorológica Mundial, OMM.
O Boletim de Gases de Efeito
Estufa revela que o nível de CO2 continuou em alta após
ter atingido a média global histórica anual de 410 partes por
milhão, ppm, no ano passado.
Este ano, a desaceleração
industrial devido à pandemia não reduziu os níveis recordes de gases de efeito
estufa. O aquecimento provocado na atmosfera aumenta as temperaturas
e leva a condições climáticas extremas, ao derretimento de
geleiras, à subida do nível do mar e acidificação do oceano.
Para a OMM, os bloqueios
reduziram as emissões de muitos poluentes e gases de efeito estufa, como o
dióxido de carbono. Mas qualquer impacto nessas concentrações não supera as
flutuações normais de ano a ano no ciclo do carbono e nem a alta
variabilidade natural nos depósitos naturais de carbono como a
vegetação.
Oceano
Lagoa glaciar na Islândia, que está derretendo.
De acordo com o
secretário-geral da agência, Petteri Taalas, o CO2
permanece na atmosfera por séculos e no oceano por mais tempo ainda.
Ele explicou que a última vez em que a Terra por uma
concentração similar de gás carbônico foi entre 3 a 5
milhões de anos atrás, quando a temperatura
estava entre 2° a 3°C mais quente e o nível do mar 10
a 20 metros maior do que hoje.
O especialista adverte,
entretanto, que na época “não havia 7,7 bilhões de habitantes” no
planeta. Taalas destaca que o mundo superou o limite global de
400 partes por milhão em 2015, e apenas 4 anos
depois supera 410 ppm, um aumento inédito
nos registros da OMM.
Nivelamento
O chefe da agência da ONU realçou
que a queda nas emissões relacionada aos bloqueios é apenas uma pequena mancha
no gráfico de longo prazo, sendo necessário um nivelamento sustentado
da curva.
Para ele, a pandemia não é
uma solução para as mudanças climáticas, mas fornece “uma plataforma para uma
ação climática mais sustentada e ambiciosa para reduzir as emissões a zero por
meio de uma transformação completa dos sistemas industriais, de energia e de
transporte”.
Taalas disse que não se deve perder tempo considerando as mudanças necessárias “economicamente acessíveis e tecnicamente possíveis e afetariam nossa vida cotidiana apenas marginalmente”.
Estimativas apontam para redução da emissão global entre 4,2% e 7,5% este ano.
De acordo com o Projeto
Carbono Global, emissões diárias de CO2 podem ter sido reduzidas em
até 17% globalmente devido ao confinamento da população no período mais intenso
de paralisação.
Impacto
Estimativas preliminares
apontam para uma redução da emissão global anual entre 4,2% e 7,5% este ano. A
incerteza sobre a perspectiva da redução total das emissões em 2020 deve-se a
falta de clareza sobre a duração e a severidade das medidas de confinamento.
A OMM explica que de forma geral uma redução de emissões nesse valor não baixará o nível de CO2 atmosférico, mas continuará a subir, embora em um ritmo ligeiramente reduzido em torno de 0,08 a 0,23 ppm por ano.
Concentração de CO2 cresce em níveis recordes mesmo com pandemia.
O Boletim destaca que esse cenário se encaixa na variabilidade natural de 1 ppm dentro do mesmo ano, significando que no curto prazo o impacto dos confinamentos não pode ser distinguido da variação natural. (ecodebate)




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